O fotógrafo Rogério Assis obteve um ângulo feliz da entrevista que realizei a 20 de janeiro de 1991 com o governador Orestes Quércia, prestes a deixar o governo — faltavam 23 dias, então — para assumir o comando do PMDB.

O governador tendo, como espécie de pano de fundo, um quadro do três vezes ex-presidente (governador) do Estado, Rodrigues Alves, que depois seria presidente da República (1902-1906) e ficaria gravemente doente antes de assumir um segundo mandato, para o qual foi eleito em 1918. A doença, a devastadora gripe espanhola, o levaria à morte no começo de 1919.

Eu já estivera algumas vezes no Palácio dos Bandeirantes a trabalho, a primeira delas quando atuava na seção “Brasil” de VEJA, em 1976, e o governador (biônico) era Paulo Egydio Martins, e notei que Quércia não mantivera como seu gabinete o utilizado por seus antecessores, inclusive o antecessor imediato, Franco Montoro.

O gabinete, com lambris, exibia uma decoração diferente, com Quércia mantendo na mesa de trabalho um leão de bronze.

Não lhe perguntei a razão do quadro de Rodrigues Alves ali, embora o ex-presidente, rigoroso gestor das finanças públicas (bem diferente, digamos, do governador do PMDB) e ex-negociador da dívida externa no governo de Prudente de Morais, houvesse realizado uma administração de grandes obras e mudanças — algo que Quércia pretendia ser sua marca.

No caso da eleição no PMDB, seu rival na convenção do partido era apenas simbólico, o governador também em final de mandato do Paraná, Alvaro Dias, que combatia os métodos de Quércia mas não detinha força suficiente dentro do partido para enfrentá-lo, além de ainda não ser figura de âmbito nacional.

Ao final da entrevista, para minha surpresa, o governador teve a cortesia fora do comum de me acompanhar até a garagem do Palácio, onde me esperava uma perua do Estadão.

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