O prestígio extraordinário do Jornal do Brasil — sem dúvida o veículo em que trabalhei que mais abria portas para seus jornalistas —  tornava a sucursal à Avenida Paulista um local de presença constante de políticos e outras personalidades.

Na foto acima, clicada a 17 de outubro de 1987 pelo fotógrafo Pedro Monogatti, apareço com o vereador comunista Luiz Tenório de Lima, o “Tenorinho”. A sucursal era movimentada: recebíamos candidatos a prefeito, economistas, empresários, intelectuais, gente do mundo artístico.

O talentoso homem de teatro Flávio Rangel, por exemplo, figura adorável que mantinha uma coluna no Caderno B, vinha sempre entregar seu texto pessoalmente, naquela era do papel, pré-internet.

O grande sociólogo Florestan Fernandes — de quem meu avô Domingos Setti, dentista, se lembrava da época em que trabalhou para ele como protético –, deputado pelo PT, também aparecia por lá. Sempre pedia um maço de laudas do JB para os artigos que publicava no espaço de Opinião do jornal.

O dr. M. F. do Nascimento Brito, presidente do jornal, e seu filho e herdeiro, José Antonio, às vezes pediam que marcássemos conversas com figuras da vida pública de São Paulo na sede da sucursal. Entre várias, houve um encontro na grande sala de reuniões da sucursal em que eles vieram a conhecer dois líderes sindicais de então, criadores do chamado “sindicalismo de resultados”e opositores ao PT de Lula: Antonio Rogério Magri (que depois se tornaria ministro do Trabalho de Collor) e Luiz Antonio de Medeiros (futuro deputado federal e, mais tarde, colaborador do governo Dilma).

Quanto ao Tenorinho da foto, ex-trabalhador em usinas de cana de açúcar em Pernambuco, ex-líder sindical que acabou se exilando em Praga e em Moscou durante a ditadura, era uma figura simpática e extrovertida, com muitas histórias para contar.

Radicado em São Paulo desde que regressou do exílio com a anistia, em 1979, era então vereador pelo Partido Comunista, ao qual continuou filiado quando se transformou em PPS, até morrer, em 2010, aos 87 anos de idade.

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