Militantes de esquerda que trabalham na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), acostumados a “ouvir a sociedade” em audiências de compadres com representantes de segmentos “populares”, ficaram ontem de ouvidos quentes nas seis horas de debates sobre o projetado banimento de medicamentos para controlar a obesidade.

Quase em coro, especialistas médicos de alta respeitabilidade ergueram suas vozes contra a medida, que varreria do mercado substâncias consideradas fundamentais para enfrentar uma doença que se torna epidêmica no Brasil, e cujas consequências – disseram todos – são muito mais graves do que os efeitos colaterais que elas, como todos os medicamentos, provocam.

Entre os que se pronunciaram em audiência pública, expuseram pontos de vista semelhantes contra o banimento representantes do Conselho Federal de Medicina, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, da Associação Brasileira de Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) e dos farmacêuticos especializados em manipulação de fórmulas.

A Anvisa deu sinais de recuo (leia reportagem do site de VEJA).

O recuo seria importante em uma agência regulatória que vem preocupando o mercado com um furor de proibições que esboça se voltar não apenas contra medicamentos defendidos por médicos de respeito, mas também contra uma grande série de produtos alimentícios de largo consumo.

Nos bastidores, executivos, empresários e publicitários que vêm participando de conversas na Anvisa comentam a existência de um forte viés anticapitalista em quadros da agência.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dois × 5 =

15 Comentários

Kadu em 27 de fevereiro de 2011

Silas, o entorpecimento ideológico, tirânico e obrigatório, é mais rentável, a Anvisa poderia fazer um campanha, não consuma crack e outras drogas, venha para o Partidão Legal.

wilson em 26 de fevereiro de 2011

Nesta "Anvisa" o único parecer tecnico é a ideologia.

silas em 26 de fevereiro de 2011

Pelaa sua linha de pensamento, até o crack não deveria ser proibido por esses 'militantes de esquerda', afinal é de largo consumo e dá muito lucro para quem vende. Malditos anticapitalistas que não liberam o crack.

Paulo Bento Bandarra em 25 de fevereiro de 2011

Lendo os posts contra a ANVISA, junto com aquela da defesa do fumo livre e desimpedido, usam o argumento da sabedoria popular inata do povo. Se fosse real, não estaríamos sofrendo epidemias de obesidade, de diabetes, hipertensão, tabagismo e alcoolismo! Estes males evitáveis não estariam lotando o SUS por suas consequencias. Entre 2000 e 2006, foram contabilizados 146.349 óbitos associados ao consumo do álcool, o que dá uma média de 57 mortes por dia. Desse total, 92.946 estão plenamente ligadas ao excesso de bebida. Sem contar aquelas mortes de trânsito provocado por isto. Parece que a sabedoria popular ainda hoje não é confiável em termos de saúde!

Paulo Ricardo em 24 de fevereiro de 2011

Sr. Ricardo, o Sr. Jeff e a Anvisa não podem misturar responsabildade Técnica com Ideologia.

Maudie Chiarini em 24 de fevereiro de 2011

A Anvisa proibiu a comercialização de um fitoterápico, que usávamos há mais de 25 anos com resultados fabulosose que nos faz uma tremenda falta. Não preciso de que ninguém do governo me diga o que eu posso ou não usar . Tenho 72 anos bem vividos e com muita saúde. Gostaria de poder continuar escolhendo o que é bom para mim e para minha família!

Myrian Elizabeth Dauer em 24 de fevereiro de 2011

Está ficando in-fer-nal viver no Brasil! Não existe uma única lei que seja, feita para facilitar ou simplificar a vida do cidadão! Esses maníacos ganham salário e benesses de funcionários públicos a fim de passar o dia inventando dificuldades (para vender facilidades? para privilegiar algum grupo específico?) que infernizam e atrapalham a vida de milhares de pessoas. Com o serviço médico caótico que temos, com os seguros saúde sapateando sobre médicos e clientes, essa gente descobre picuinhas e besteiras para atrapalhar ainda mais! Quando os analgésicos -vendidos sem receita diga-se- foram para trás do balcão, fiquei impedida de escolher pelo preço como sempre fiz. Agora tenho que suportar a empurroterapia de atendentes que põem a maior dificuldade para consultar o preço de um por um no computador. Se o médico receitar pelo nome do sal, fico impedida de comprar o similar, só posso comprar o remédio original ou o genérico, que são mais caros, sabia? Só posso escolher o similar se o médico receitar o original!!! Ocorre que os médicos do serviço público só podem receitar pelo sal! Ou seja, pessoas que utilizam o serviço público (portanto os mais pobres) ficam impedidos de comprar o mais barato!!!! Reclamei por email à Anvisa e recebi uma resposta sem pé nem cabeça: que os remédios autorizados são apenas os originais e os genéricos! Quer dizer que os similares não são autorizados pela Anvisa, mas podem ser vendidos nas farmácias! Estou CHEIA dessa gente! Rua com eles é a minha opinião!

Mauro de Curitiba em 24 de fevereiro de 2011

O que dizer desses petralhas da ANVISA que, tendo condições de "ouvir o CFM, ouvir a Sociedade Brasileira de Endocrinologia etc, etc", vem com essa lengalenga de “ouvir a sociedade”?? A gente sabe quem é a "sociedade" para eles. Anotem lá: MST, UNE, ... eis a "sociedade".

quase diabética que tomou sibutramina em 24 de fevereiro de 2011

Ricardo: Não sou diabética, mas toda a minha família tem esta doença, que é devastadora. No ano passado fui ao médico especialista com sintomas clínicos estranhos. Meu clínico não conseguia identificar a causa. O médico especialista identificou e me deu um alerta. Tudo decorria do sobrepeso de mais de quinze quilos, estava na minha ficha, da última vez que estivera lá. Com a família diabética, eu estava na porta de entrada para adquirir a doença. Era necessário perder peso rapidamente, para evitar o mal maior. Eu já começava a apresentar alguns sintomas. A questão não era estética, mas da minha saúde, e do conjunto das características familiares, conhecidas pelo médico. Ele é um renomado pesquisador, com destaque no Brasil e no exterior. Prescreveu sibutramina. Ele sabia que eu não tinha nenhuma contra-indicação clínica. Sabia que precisava da medicação para a perda do peso imediata. Era fundamental para a minha saúde, com o diabetes batendo à porta. Durante meses, ele me acompanhou. Eu nunca tive nenhum sintoma do remédio, além da secura na boca, nos primeiros tempos. A medicação só me trouxe benefícios, sem ela eu não teria perdido o peso que fazia mal à minha saúde, e que tinha se acumulado sem alarde ao longo dos anos. Eu tinha confiança no médico. Pergunto: quem sabe mais disso, quem avalia melhor a situação concreta do paciente que tem na sua frente? Os médicos, que tem nome identidade, inscrição no CRM, e respondem por seus atos, ou os anônimos da Anvisa, que ninguém sabe quem são, e que decidem "em tese"? O que eles fariam com os diabéticos, por exemplo? A medicação é controlada. Só pode ser vendida com receita que fica retida. O médico é responsável pelo que faz, e tem o seu órgão de controle. Com este procedimento obscurantista, a Anvisa está indo contra os pacientes, que precisam de medicação. Você traz um depoimento muito importante, cara leitora, que corrobora as suspeitas que fontes do colunista levantaram. A Anvisa tem um viés ideológico que está prevalecendo sobre os critérios técnicos. Abraços

marcel em 24 de fevereiro de 2011

é um absurdo que praticamente todos os órgãos estejam sendo petralhados. Triste época essa que o lucro é o demônio, ficar rico é uma afronta, viver bem e comer caviar é ser alienado. E como disse a velha canção: Tudo que eu gosto foi classificado de imoral ou engorda.........

Jefff em 24 de fevereiro de 2011

Anti-capitalista-bolivariano-lulista-castrista-socialista-comunista-chavista-nasserista. O festival de besteiras é infindavel.

Kah Leew em 24 de fevereiro de 2011

caro Ricardo Esta é a mesma ANVISA que "cuida" dos planos de saúde !!!

Paulo Bento Bandarra em 24 de fevereiro de 2011

Pois é. Acho que este argumento é perigoso. Afinal, sabemos que o principal interesse de executivos, empresários e publicitários é apenas com o aumento das vendas, com o lucro e nenhuma preocupação com a saúde do consumidor ou o meio ambiente! A epidemia de obesidade nos EUA, e logo chegando aqui, mostra muito bem isto!

Vera Scheidemann em 24 de fevereiro de 2011

Na minha opinião, antes de sugerir a proibição dos medicamentos, a ANVISA deveria ter-se reunido com os especialistas da área (Conselho Federal de Medicina etc.). Ao que tudo indica (de acordo com o texto do seu post), vão recuar. Isso prova que um órgão tão importante não tem um quadro de profissionais à altura da relevância de suas responsabilidades. Isso é muito grave ! Vera

Frederico Hochreiter/BH em 24 de fevereiro de 2011

Uma noticia que deveria ocupar mais espaço nos jornalões. E aquilo que entendemos por sociedade, o cojunto de pessoas que movimentam o país com seu trabalho e seus impostos, deveria se preocupar mais com esse uso indevido da expressão, que vem se tornando chavão e desculpa para tudo. Houve um nazista daqueles (Goebels? Goering?), que falava em puxar sua pistola a cada vez que ouvia a palavra cultura. Estamos caminhando para um ponto em que cada vez que se fala em "movimentos sociais", "ouvir a sociedade", "movimentos populares", e semelhantes, dá vontade de puxar a pistola.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI