Amigos, consultorias internacionais de respeito já estão apontando para o novo foco de preocupação para as finanças internacionais depois da Grécia: a Venezuela.

O calote vem aí.

A norte-americana CMA Vision (é preciso de cadastrar para ter acesso aos dados e receber material por email), em seu último relatório trimestreal, em janeiro, já situava a Venezuela apenas atrás da Grécia quando à possibilidade de uma moratória até 2015. No relatório divulgado na semana passada, a Venezuela arrebatou o troféu.

A britânica Capital Economics (também vale a pena se cadastrar) pinta cenários mais negros, e alerta seus clientes de que é cada vez maior o risco de o governo do coronel Hugo Chávez não conseguir pagar os 5 bilhões de dólares que precisa desembolsar o ano que vem.

Ao mesmo tempo em que a inflação dispara e o crescimento do PIB foi negativo 1,5% no ano passado, a produção de alimentos é insuficiente e até energia vem faltando num país que navega num mar de petróleo – com quase 100 bilhões de barris, a Venezuela detém a sétima maior reserva comprovada de óleo do planeta (os dados são de ninguém menos do que a CIA americana) e é o oitavo produtor mundial.

PREÇOS EM ALTA NO MERCADO, PRODUÇÃO DO PAÍS EM BAIXA

Ocorre que, mesmo num quadro em que os preços do “ouro negro” estão disparando por causa do conflito civil na Líbia, a Venezuela de Chávez consegue diminuir a produção e também a receita de sua maior riqueza (95% das exportações): quando Chávez assumiu, no início de 1999, a produção era de 3,5 milhões de barris por dia, e em 2010 desabara para 2,3 milhões, segundo a Economist Intelligence Unit, respeitado centro de análise e pesquisa ligado à revista conservadora britânica The Economist, mas sem conotação política, que funciona desde 1946 e fornece estudos para 1,5 milhão de clientes no mundo.

O problema todo está na política. A greve de petroleiros deflagrada no final de 2002 e que só terminou em fevereiro, teve cunho político porque a ela se associaram setores importantes da oposição e levou Chávez a medidas drásticas de vingança e perseguição, que se revelaram desastrosas: entre 15 e 20 mil trabalhadores da estatal PDVSA foram demitidos sumariamente, privando a empresa de quadros técnicos com bom índice de formação e anos de experiência.

Some-se a isso o recheio da estatal com gente de confiança do coronel – mas não necessariamente com a devida competência – em postos-chave, mais as denúncias de corrupção e de uso da empresa para promover o chefe supremo, e está pronto o quadro de sucateamento e desmoralização do principal sustentáculo da economia do país.

Leia mais fatos graves na reportagem do site de VEJA a respeito.

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10 Comentários

ADENILSON SMANIOTTO em 14 de junho de 2011

EU MORO NA VENEZUELA DESDE 2005, E NUNCA OUVI ALGUEM COM VONTADE EM MORAR NO BRASIL, E ACHO UM ABSURDO OS VENEZOLANOS DIZEREM QUE BRASILEÑOS SON MACAQUITOS.

duduvieira10 em 10 de março de 2011

Meu prezado R. Setti; O problema na Venezuela é muito mais grave. Todos setores econômicos estão em colapso, desde industria de base, bancos, comercio e prestação de serviço, até botequim está tudo sendo estatizado, um socialismo ao contrário. Não devemos esquecer que PDVSA é sócia da Petrobras na Refinaria em PE (acho Alberto Lima), mas até agora não deu um dólar furado. sds.

Myrian Elizabeth Dauer em 09 de março de 2011

Enquanto isso, a Rede Record puxa-saco do governo, faz uma série de reportagens sobre a Venezuela cheia de elogios, mostrando avanços e modernidades, mas não mostram os supernercados desabastecidos, nem a comida apodrecendo em conteineres ou as terras confiscadas agora improdutivas! Chegaram hj ao cúmulo de mostrar a doação de óleo que a Venezuela faz aos pobres dos EUA, com dinheiro dos pobres com fome do pp país. É um acinte!

ALBERTO SANTO ANDRE em 09 de março de 2011

SERA QUE HA ALGUMA SIMILARIDADE ENTRE A PETROBRAS E A PDVSA VENEZUELANA ,A PETROBRAS SO NAO SE ENCONTRA NA MESMA SITUACAO DEVIDO AOS OITO ANOS DE FHC, QUE MAIS QUE DOBROU A PRODUCAO DE PETROLEO [DE 650 MIL BARRIS EM 1994 PARA 1,68 MILHOES DE BARRIS EM 2002 ,TENDO COLOCADO NA DIRECAO DA EMPRESA PESSOAL DO RAMO E HONESTOS] MUITO DIFERENTE DO GOVERNO LULA, QUE SO COLOCOU INCAPAZES E PUXA SACOS, TENDO CONSEGUIDO AUMENTAR A PRODUCAO EM POUCO MAIS DE 600 MIL BARRIS EM OITO ANOS , MESMO COM TECNOLOGIA MUITO MAIS AVANCADA ,SENDO POR ISTO QUE A PETROBRAS FOI A EMPRESA DE PETROLEO EM BOLSA ,COM A MAIOR PERDA DE VALOR EM SUAS ACOES ,TENDO PERDIDO MAIS QUE A EXXON ,MESMO COM ESTA TENDO O ACIDENTE NO GOLFO DO MEXICO;;;AFINAL DE CONTAS INVESTIDORES ESTRANGEIROS NAO SE PRENDEM A PROPAGANDAS INSTITUCIONAIS MENTIROSAS.

Siará Grande em 09 de março de 2011

Caro Ricardo, posso lhe garantir que a Petrobras já foi muito melhor administrada no passado. Depois que o exLulla tomou o poder, a cumpanhêrada veio junto e está se esbaldando. Se tiver interesse, sugiro que Você dê uma pesquisada no curriculo dos altos executivos da empresa. Você vai ficar surpreso com o talento sindical de muitos deles. De qualquer modo, concordo com Você, não tem comparação entre a Petrobras e a PDVSA. Por enquanto. Concordo inteiramente com você, caro Siará. No governo FHC, a Petrobras foi profissionalizada e despolitizada, alcançando um nível de gestão invejável. Mas, mesmo como está hoje, deixa a anos-luz de distância a PDVSA, na qual Chávez age como dono e faz o que quer.

Roberto Souza em 09 de março de 2011

Se Lula ainda fosse presidente, Chávez poderia pedir uma ajudinha ao velho amigo e companheiro que certamente não se furtaria em ajudar.

Darci Petrucci em 09 de março de 2011

Boa Noite Ricardo Setti. Acompanho seu blog e gosto do que leio meu, pensamento sempre bate com o vosso.Pelo que tenho lido por aqui e por aí acho que a Petrobras vai pelo mesmo caminho porque está muito endividada. Abraços Caro Darci, obrigado pela fidelidade ao blog. Agradeço de coração. Tenho muitas críticas à Petrobras, mas a empresa é incomparavelmente mais bem administrada e mais profissional do que a PDVSA. Abração

carlos nascimento em 09 de março de 2011

A festa da "idiotia" está com seus dias contados, o imbecil não procurou ouvir o Rei Juan Carlos, se tivesse atentado ao conselho naquela ocasião, talvez ainda pudesse ter algum jeito, pegou corda dos idiotas aqui da América, um empolgado, igual bêbado após excessos de 51 - o molusco - o outro já em fase terminal e totalmente ultrapassado pelo tempo -Fidel - o resultado é êsse, Venezuela quebrada, caminhando para o terremoto do atraso em várias frentes. A conta como sempre cairá nas costas do povo, que não tem nada com isso. Espero que aqui no Brasil, o sinal que está aceso, traga juízo aos politicos, antes que caminhemos em mesma direção, o molusco plantou a semente do atraso, inflação voltou, déficit explodiu, corporativismo imundo se agigantou, corrupção no teto, moral e ética no fundo do poço, infra estrutra sucateada e no limbo. Bem, estão esperando mais o quê para acordarem, o Rei Juan Carlos foi amigo, avisou, te calas, não ouviu, agora a Inês é morta. Os avisos estão dados, no futebol aviso não adianta, o Flmanego trouxe Ronaldinho Gaúcho, não satisfeito já está contratando Adriano, vai ser uma festa diária, e um convite para o obituário das finanças do Clube. É só aguardar.

Paulo Bento Bandarra em 09 de março de 2011

A questão é saber se ele sairá pacificamente ou terá que ser tirado a força, como Kadafi!

Mauro Pereira em 09 de março de 2011

Caro Ricardo Setti. Infelizmente nós padecemos do mesmo mal, com bufões diferentes, mas igualmente temerários, totalitaristas e com os egos superdimensionados. A continuar nesse ritmo, mais tempo, menos tempo, o caro amigo irá publicar manchete semelhante, diferente apenas no nome do (i)responsável: "Com sua estatal de petróleo politizada e sucateada, o Brasil de Lulla está próximo do calote de sua dívida". É esperar para ver.

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