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Hugo Chávez: números calamitosos e atitude acusatória (Foto: Reuters)

Amigos do blog, como muitos de vocês já devem ter visto nesta reportagem do site de VEJA, o Brasil continua fazendo feio quando o assunto é criminalidade.

Segundo o Estudo Global sobre Homicídios e Crimes da UNODC (Departamento de Drogas e Crimes da ONU), somos o terceiro país sul-americano com a maior taxa de homicídios, ainda que os números na cidade de São Paulo sejam citados como exemplo de melhora, como de fato são.

Em âmbito nacional, foram assassinadas em 2009 uma média de 22,7 pessoas para cada grupo de 100 mil, marca apenas inferior às da Colômbia (33,4) e da Venezuela (49).

A situação desesperadora da Venezuela

Como o site de VEJA já desvendou os números de nossa vergonha, vamos então focar um pouco na República Bolivariana da Venezuela. Estes assombrosos 49/100 mil de nosso ilustre vizinho dirigido por Hugo Chávez há doze anos fazem do país o único representante da América do Sul situado no nível mais alarmante do estudo.

Apenas outros nove países do mundo – todos na América Central e na África – tiveram a desgraça de chegar a essa faixa, a das nações com mais de 35 homicídios por 100 mil habitantes, ilustrada nos mapinhas do UNODC com a cor mais vermelha entre todas. A Venezuela do Comandante Chávez é a quinta pior do mundo, superada apenas por Jamaica, Costa do Marfim, El Salvador e Honduras.

A marca venezuelana de 2009 corresponde a mais do que o dobro dos 20,3 de 1995, ano em que foi publicada a primeira edição do relatório.

A taxa de homicídio de Caracas é 14 vezes a de São Paulo!

Ao contrário dos números da grande maioria dos países citados no documento, os referentes à Venezuela foram todos fornecidos por ONGs, algo perfeitamente compreensível em se tratando da falta total de transparência do governo de Hugo Chávez. O governo do companheiro simplesmente deixou de divulgar dados sobre criminalidade, de tão vergonhosos que são.

O autoritarismo do “Comandante”, associado ao índice recorde da América do Sul, aliás, é a prova escancarada de que regimes ditatoriais, ou semi-ditatoriais não significam países mais seguros, ideia errônea, mas defendida por muita gente.

Tudo fica ainda muito mais sério quando o foco é capital venezuelana, Caracas. De acordo com os levantamentos das entidades não-governamentais consultadas pela ONU, a cidade ostentou em 2010 – atenção – uma média de 122 homicídios por 100 mil habitantes. Ou seja, 1,22 pessoas mortas por cada coletivo de 1000! A cidade é quatorze vezes mais mortal do que a ainda perigosa São Paulo (8,3 por mil no primeiro semestre deste ano).

Por ser tão alta, a marca pode até ser questionada. Mas qualquer fonte minimamente independente consultada revelará dados catastróficos.

Recententemente o Observatório Venezuelano de Violência (OVV), também não ligado ao governo, revelou que até agora a média de 2011 é de 57 assassinatos por 100 mil habitantes. A mesma ONG afirma que 136 mil pessoas tiveram a vida encerrada por outras entre 1999 e 2010. Ou seja, durante o regime Chávez.

Caça às bruxas – mas só as da oposição

Para piorar, Chávez comporta-se como se o problema não fosse seu. O presidente, que ditatorialmente esvaziou os poderes de governadores e prefeitos quando a oposição passou a vencer eleiçõeso para esses postos, sempre passa a bola para governadores e especialmente para o prefeito de Caracas, Antonio Ledezma, que é da oposição.

Está promovendo, como ficou claro em recente discurso levado ao ar pela TV estatal Venezuelana de Televisión, uma caça SOMENTE aos governadores e prefeitos que não são de sua base. E não tem vergonha disso.

“Há que investigar na Assembleia Nacional quem são os chefes policiais nos estados onde há governadores da oposição”, disse Chávez em mensagem.

Enquanto isso, informa o OVV, Caracas vai contabilizando um assassinato a cada duas horas.

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Nenhum comentário

Think tank em 10 de outubro de 2011

A questão não está no fato do governo ser autoritário ou não, mesmo sendo autoritário se os processos de escolha dos cargos públicos forem baseados na competência e capacidade para exercer o cargo, os resultados sempre aparecem. Não o mito, mas o fato é que a maioria dos sistemas autoritários e/ou corruptos, o que conta é o vício das regras do apadrinhamento, a habilidade e o conhecimentos não contam, portanto nada conclusões similares a dos auto intitulados "intelectuais" tupiniquins.

Luiz em 10 de outubro de 2011

Caro Setti, permita-me apontar um equívoco: se a taxa de homicídios de Caracas, sendo 1,22 por mil, é 14 vezes maior que a de São Paulo, então a taxa da capital paulista deveria ser de 0,083 por mil e não 8,3 por mil. Um abraço. Caro Luiz, na verdade não há equívoco (embora seja confuso!). A taxa de SP é 8,3 por 100 mil, e não 8,3 por mil. Abraço

*Mari Labbate* EMAS44 em 09 de outubro de 2011

GENIAL, querido SETTI! Governo autoritário somente atrai DESGRAÇA! NÃO: ao autoritarismo de direita e esquerda! SIM: à verdadeira DEMOCRACIA! LIBERDADE! Darei um doce a quem afirmar que a Dilulla é democrática, tendo DNA búlgaro! O SANGUE tem poder...

Paulo Cesar Ferreira em 08 de outubro de 2011

Setti, não seja recalcado. Claro que todos querem democracia, o bem estar das criancinhas e dos velhinhos, a proteção do mico leão dourado, etc... Mas não sejamos otários, regimes autoritários de esquerda são violentos, pois são baseados na aliança com a marginalidade. Não esqueça, só para dar o exemplo do Brasil, campeão mundial em números absolutos de homicídios, o Lulopetismo é aliado das Farcs. No regime militar tínhamos segurança, tanto o cidadão comum, quanto os opositores do regime ou você acha que se a canalha esquerdista, tivesse implantado o regime no moldes de Cuba, como queriam, ao contrário dos 300 "mortos", seriam milhões e provavelmente você seria um deles. Em resumo, o regime militar salvou a sua vida e de milhões de brasileiros.

A Bem da Verdade em 07 de outubro de 2011

Olha á controversias, depende qual regime autoritário, no tempo dos milicos se tinha sim muito mais segurança, desde que não fosse subversivo ou corrupto. O país tinha menos da metade da população atual, as cidades eram menores, tudo era diferente. Não tem como comparar. Agora, se você gostava da ditadura, não sou eu quem vou querer mudar sua opinião. Fique com ela, que eu fico com a democracia.

Sergio em 07 de outubro de 2011

Grande Setti! Derruba também o mito que "justiça social" reduz a criminalidade.A revolução bolivariana, o socialismo do século 21, foi pro saco? Aliás o JN de ontem, fala igualmente dos elogios a São Paulo e RJ, como se os números fossem parecidos.Sp em 10, RJ 30.Pode? Não estranho nada, Sergio. Faz parte do DNA da Globo endeusar o Rio de Janeiro em tudo.

patricia m. em 06 de outubro de 2011

Setti, acho que uma coisa (estados totalitarios) nao tem nada a ver com a outra (seguranca). Ha democracias violentas e ha estados totalitarios seguros e vice versa. . Seguranca tem a ver com PUNICAO. Se o sujeito sabe que sera punido, pensa 2x antes de cometer o crime. Por isso rolo de rir quandos os esquerdistas aqui nos Estados Unidos reclamam do tamanho da populacao carceraria. Oras, eh assim e eh por isso que o pais eh seguro. A populacao carceraria de Sao Paulo tambem eh a maior do pais, e Sao Paulo capital eh menos violenta que muitas outras cidades de porte medio. Porque Sao Paulo costuma prender bandido. No Rio, bem no Rio eles fazem UPP, para "pacificar" bandido. Hahaha. E tem maluco que ainda acredita nessa estoria... Você tem toda razão, Patrícia. O que inibe o crime é a certeza, ou a alta margem de possibilidade, de haver punição para o criminoso. O problema é que, no Brasil -- e aqui mesmo no blog --, tem muita gente que associa a ditadura militar a um período idílico, sem crimes, com paz nas ruas... Esquecem-se de que, entre outras coisas, o país mais do que dobrou a população (e os problemas sociais) de lá para cá. Mas você tem absoluta razão: ditadura nunca fez diminuir crime em lugar algum. Em muitos lugares, o crime até aumenta. A Venezuela, aliás, é clara demonstração disso. Abração

Reynaldo-BH em 06 de outubro de 2011

Ditaduras não tem absolutamente nada que se aproveite. Nada que possa ser defensável. Nada que possa ser digno de análise, sem que seja contaminada pelos defensores da exceção. A Venezuela é um desastre. Em qualquer ângulo que se observe o cenário é de devastação. Empresas sucateadas. População abandonada após uma política assistencialista que exigia camisas vermelhas. Imprensa amordaçada. Oposição perseguida. Legislativo sem autonomia e Judiciário escolhido diretamente pelo próprio Chávez. Este é o retrato REAL da República Bolivariana. Hoje Chávez anuncia que irá desapropiar casas e iates de uma pria famosa da Venezuela para "uso da população", em mais uma medida demagógica e sem amparo em qualquer lei venezuelana. Problema? Não. Chávez editará mais uma lei a ser seguida docilmente pelo Judiciário após aprovação quase unânime na Assembléia Nacional. Agora estes dados. Assustadores. E a velha tática de sempre: esconder o horror atrás da cortina! O que leva a este cenário? Difícil - e inconsequente - dizer. Óbvio que a deterioração da qualidade de vida, o desemprego assustador, o incentivo à impunidade certamente contribuem para este quadro. Seria preciso saber do problema para iniciar uma abordagem de solução. Como no câncer de Chávez, o segredo das ditaduras é valor (para eles!) irremovível! Assim Chávez preferiu a medicina cubana (muito boa) em detrimento da brasileira (excelente). A opção se deu pelo sigilo garantido pelos irmãos Castro. Assim tem sido. Cá no Brasil temos o CRISP da UFMG (www.crisp.ufmg.br) que analisa, debate e propõe políticas publicas focadas no combate ao fenômeno da violência. Nas democracias é assim que funciona. Se os estudos do CRISP são levados a sério ou não (em diversos casos, efetivamente são, com excelentes resultados!)passa a ser questãpo política. De política de Governo. Não é o caso da Venezuela. O que não existe no mundo artificial do boliviarismo tosco de Chávez, sequer existe! Não se trta de ocultar por vergonha. Antes fosse. É a estratégia dos ditadores de ocultar o que não lhes agrada. E assim, na visão tacanha e fascista dos mesmos, o problema está resolvido. Aos adoradores de Chávez por cá (sim, existem muitos!) agora deu para entender o motivo da censura à imprensa? Dos discursos de HORAS (mais de 6, 8 horas) do comandante-em-chefe nas TVS? Na manipulação do Judiciário? Na mordaça ao Legislativo? Existe um outro nome para este quadro: é DITADURA! Mesmo que com o voto popular, tão insistentemente "lembrado" como exemplo de democracia. Sadam Hussein sempre foi reeleito com ais de 90% dos votos! A Assembléia de Cuba tem no PC Cubano mais exatos 100% dos votos (não existem outros partidos). A ARENA, no Brasil, ganhou eleições com larga margem de votos sobre a resistência democrática. Basta? Democracia não é arremedo eleitoral. É vivência diária. É exercício de cidadania. Até que novos ventos cheguem à Venezuela, TODOS os índices sociais serão estes que temos hoje. Em um crescendo. E ignorados por quem se crê um novo Simon Bolívar. Sem a grandeza do herói. Só com o uso rasteiro de uma imagem. Como um clown no picadeiro.

Gilvani Lima em 06 de outubro de 2011

Caíram na real????

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