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Vítimas da ditadura chilena podem passar de 60 mil

A Comissão da Verdade do Chile, que investiga os crimes ocorridos durante a sangrenta ditadura militar do general Augusto Pinochet,  entre 1973 e 1990, entregará ao presidente Sebastián Piñera até amanhã, quinta-feira, 18, um relatório que pode duplicar o número oficial de vítimas do regime. O total oficialmente reconhecido de casos de violações de direitos humanos que incluem detenção ilegal, tortura, execuções e desaparecimentos é de 28.459.

Mas a Comissão, criada em 2003 quando era presidente o socialista Ricardo Lagos, recebeu 32 mil novas denúncias de violação de direitos humanos cometidas durante a ditadura. Se reconhecidos como procedentes esses casos, o total de vítimas da ditadura passará um pouco de 60 mil.

A Comissão da Verdade não condena os responsáveis pela barbárie, mas a declaração de que as violações de direitos humanos efetivamente ocorreram é tida pelas famílias das vítimas como reparação moral, à qual se soma uma pensão mensal em dinheiro de valor modesto.

Durante as discussões sobre a criação da Comissão, não ocorreu no Chile nada parecido ao debate radicalizado que vemos em curso no Brasil, em que opositores da medida consideram-na revanchista.

Leia mais sobre o tema na Agência Brasil.

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20 Comentários

Pedro Luiz Moreira Lima em 18 de agosto de 2011

Amigo Setti: Hoje o pai com 91 anos de idade - um batalhador das causas do Cabos da FAB atingidos pela Ditadura e hoje velhos,alquebrados ainda não anistiados. O pai ainda tem o direito pela Lei de Anistia - o Posto de Ten.Brig.do Ar - tem tido vitórias no STJ mas a Procuradoria da União recorre com os pretextos mais absurdos na tentativa de alongar o processo - até sua morte? assim como Itamar Franco fez com nosso Cap.Sergio Macaco , o promoveno 3 dias após sua morte? Revanchistas são os que se escondem atrás de Instituições Civis e Militares para que suas ações covardes e cruéis jamais sejam conhecidas. Senta a Pua,Brasil! Estou solidário com seu velho pai, patriota que orgulha o Brasil. Esses contínuos recursos são uma vergonha, caro Pedro Luiz. Abração

Pedro Luiz Moreira Lima em 18 de agosto de 2011

Carta enviada ao Jornal do Brasil - e não publicada – respondendo ao artigo do jornalista Vasconcelo Quadros: “O jornalista Vasconcelo Quadros no dia 30/07/2007 realizou uma reportagem com o nome “O PESADO CUSTO DA ANISTIA”, dizendo” indenizações milionárias”, que fizeram fortunas de perseguidos políticos” e ainda “colossal fortuna de R$ 28.878 milhões”, se tal cifra chegou foi pelo não cumprimento da Lei da Anistia promulgada pela Constituição de 1988 e até hoje parcialmente atendida. O jornalista Vasconcelo Quadros não se deu ao trabalho de conhecer a história de cada citado em sua reportagem, ao contrário, tratou a todos como se fossem uns aproveitadores do ERÁRIO PUBLICO usando termos debochados e ofensivos tais como: “receberam uma bolada”, “ abocanharam altas somas”. Entre os citados está meu pai Maj. Brig. do Ar ref Rui Moreira Lima e não como na reportagem “ a maior indenização entre eles foi concedida a Rui Barbosa Moreira Lima”, como se fosse um qualquer e não um homem com 88 anos de idade e quase outro tanto de SERVIÇOS PRESTADOS ao PAÍS e continuando apesar da idade ainda a prestar! Vamos um pouco a história do meu pai, extremamente resumida: 1 – Combateu na Itália com o Primeiro Grupo de Caça ( Senta a Pua ) realizando 94 missões de guerra com condecorações de bravura nacionais e estrangeiras. 2 – No Brasil foi um dos pioneiros da implantação da aviação à jato militar, quando a FAB adquiriu 70 caças bi-reatores ( Gloster Meteors ) na Inglaterra no início de 1953.Em tempo: as empresas Varig, Cruzeiro do Sul, VASP e Panair do Brasil somente começaram a voar jato no ano de 1954. 3 – Participou da campanha do Petróleo é Nosso que resultou na criação da Petrobrás. 4 – Comandou parte das tropas legalistas no Brasil Central contra os golpistas de Jacareacanga e Aragarças, na tentativa de golpe promovido por oficiais da Aeronáutica para derrubada do governo legítimo do Presidente Juscelino.Após a derrocada dos golpistas meu pai os tratou de forma respeitosa, coisa mais tarde esquecida pelos mesmos golpistas. 5 – Em abril de 1964 como Comandante da Base Aérea de Santa cruz recusou a participar do GOLPE DE PRIMEIRO DE ABRIL DE 1964, respeitando seu juramento a NAÇÃO de OFICIAL – “JURO DEFENDER ÀS INSTITUIÇÕES AO CUSTO DA PRÓPRIA VIDA”. Por cumprimento a este juramento, foi cassado duas vezes; cassaram-lhe a carreira e a profissão – impediram - no de voar por 17 anos.Durante os “ anos de chumbo” foi preso três vezes , sendo que na última, os algozes esqueceram os regulamentos militares, sendo preso violentamente em seu escritório por oito sargentos em trajes civis, que se apresentaram como homens do DOI-CODI, meteram-lhe um capuz e o levaram para uma cafua no Regimento Motorizado de Campinhos. Não fosse por ação de ex-combatente da FEB – Gal. Sinzeno Sarmento – e talvez meu pai tivesse a mesma sorte do jornalista Herzog, assassinado no DOI-CODI de São Paulo. Meu pai tinha em abril de 1964, 45 anos com um total próximo de oito mil horas de vôo, com a experiência de 315 hs de combate na Campanha da Itália, cerca de 3.500 hs – a maioria no CORREIO AÉREO NACIONAL ( CAM ) – mais de 1.500 hs de caça ( 500 a jato ), piloto de Viscount quadrimotor turbo-hélice no Grupo de Transporte Especial ( GTE ) e por aí vai. Ele e mais meia centena de companheiros da FAB foram impedidos de voar vítimas dessa segunda cassação, fruto de duas Portarias Reservadas, cada uma assinada por dois ilustres Ministros da Aeronáutica da época: Brigadeiro Wanderley e Brigadeiro Eduardo Gomes. 6 – Com a nova Constituição de 1985, o Art. 181 da Constituição “revolucionária” de 1969, que impedia os cassados que requeressem qualquer direito ADMINISTRATIVO ou INDENIZATÓRIO, meu pai entrou na Justiça Comum, requerendo o direito de duas promoções que lhe foram negadas a partir do Ato Institucional número 01 – Serviço de Guerra ( 94 missões de guerra na Itália e 19 de Patrulha do Atlântico Sul ) e tempo de serviço na FAB ( 38 anos e 8 meses ). O processo durou três anos. Foi promovido a Major Brigadeiro. Pelo que reza a Constituição de 1988, tem o direito a promoção a Tenente Brigadeiro ( General de 4 Estrelas ). Sua luta permanece. 7 – Ainda sob a perseguição da feroz Ditadura, em sua última prisão – a realização pelo DOI-CODI – eu também fui preso como refém. Preso não, SEQUESTRADO é o termo. Os executores da ação estavam em trajes civis e somente um identificou-se como sargento. Caso o jornalista Vasconcelo Quadros queira conhecer melhor a história consulte História Oral da Revolução de 1964 – ed. Bibliex em 12 volumes. Em tempo: não li os 12 volumes, mas estou quase certo que na coletânea apenas um cassado teve acesso a falar – meu pai. Quando o governo FHC tentou entregar o Centro de Lançamento de Alcântara ao governo dos EUA, meu pai se destacou entre as dezenas de militares que ajudaram o Congresso o cancelamento de tal acordo espúrio ao interesse do Brasil. 8 – É Presidente da ADNAM ( Associação Democrática Nacionalista dos Militares ) que luta até pelo cumprimento da Anistia da Constituição de 1988, Presidente da AMICI – associação que luta pelos direitos dos aeronautas impedidos de exercer a profissão decorrente da Portaria Reservada da Aeronáutica, Vice-Presidente do MODECON ( Movimento de Defesa da Economia Nacional ) fundada pelo Dr. Barbosa Lima Sobrinho e CNDDA de defesa da Amazônia. Senhor jornalista Vasconcelo Quadros a LIBERDADE DE IMPRENSA é um dos baluartes da DEMOCRACIA. Meu pai com seus atuais 88 anos não parou de lutar pela DEMOCRACIA, LIBERDADE E SOBERANIA DO BRASIL. LIBERDADE para ele é um DOGMA SAGRADO e para mim também. Assim, constitui a ter a Liberdade de emitir – pela imprensa – seus conceitos e opiniões, mas sem deboche, falando a VERDADE, INFORMANDO seus leitores, no caso presente, os valores que deverão ser pago aos VELHOS PILOTOS CASSADOS estão muito aquém do que deveriam receber. É um DIREITO de quem foi atingido num dos DIREITOS SAGRADOS DO SER HUMANO – O DIREITO AO TRABALHO, assim reza o Código dos Direitos Humanos publicado pela ONU em 1948, onde o Brasil é um dos seus signatários. Quanto a mim, estou exercendo também o direito de leitor e cidadão ao defender meu pai. Seu artigo o classifico como LEVIANO, DEBOCHADO, NÃO VERDADEIRO AOS FATOS e mais além DESRESPEITOSO ÀS PESSOAS CITADAS. Espero que carta seja publicada e, para tanto conto com o ético, integro e competente jornalista WILSON FIGUEIREDO, um dos sustentáculos do JORNAL DO BRASIL, ainda em atividade. Sou leitor de sua coluna, foi esse grande jornalista que abriu uma página inteira do Jornal do Brasil para uma entrevista do meu pai, logo após a queda da Ditadura iniciada em Primeiro de Abril de 1964. Atenciosamente Pedro Luiz Moreira Lima” Fecho com as palavras do grande brasileiro Barbosa Lima Sobrinho – eterno presidente da A.B.I. - nascido em Recife em 22 de janeiro de 1897 e falecido no Rio de Janeiro em 16 de julho de 2000: “Já vivi o suficiente para pensar que já havia visto tudo. Mas este espetáculo de destruição e desolação, é inacreditável“.

patricia m. em 18 de agosto de 2011

Comparar Brasil e Chile eh um pouco, como diria, inocente... O Chile e sua democracia (e sua economia tambem) estao a anos-luz de distancia do Brasil. Como criar uma Comissao da Verdade em um pais que queria estabelecer aquele horror chamado Comissao de Direitos Humanos, que simplesmente queria abolir a liberdade de expressao? Nao, nao, nos nao estamos prontos para tal Comissao de Verdade. Vai ser revanchismo simples e certeiro. Tanto eh que apenas os comunistas levaram o dim-dim; nao se le sobre nenhum civil morto que levou bolada, sobre nenhuma familia de militar morto que levou bolada. Isso por si so ja nao eh revanchismo? E o julgamento do General Ulstra, voce acha que eh o que?

Paulo Bento Bandarra em 18 de agosto de 2011

Aceitar uma comissão como a chilena como sendo virtude é sim exercer o papel de uma comissão dedicada a meia verdade, revanchista e prosélita.

Paulo Bento Bandarra em 18 de agosto de 2011

Xiii! Parece que o seu blog virou foco propagandista de meia verdade... . Morrem menos inocentes hoje do que naqueles anos? Para as vítimas faz diferença? Ôoooo, Paulo, aqui não é foco propagandista de nada. O que faço é publicar opiniões e comentários de leitores. Se você ou eu próprio não gostarmos, paciência. Mas não me atribua papel que não exerço, combinado?

Pedro Luiz Moreira Lima em 18 de agosto de 2011

Amigo Setti :Nunca utilizou esse termo desonesto e cruel,jamais faria tal acusação a voce.Agora quando usam a Lei da Anistia e usando até uma frase,não posso acreditar, que seja do Millor Fernandes "se soubesse que ser contra a ditadura me transformaria em milionário,investiria em ser contra mais cedo."Se for mesmo do Millor em sua lápide deveria constar "Um homem bom de um dia para outro pode se tornar cruel,basta perder seu sonho." Setti e Reynaldo se interpretei errado qualquer colocação nesse sentido,sincero e humilde PERDÃO.Talvez seja uma posição de defesa quando um jornalista do ex - Jornal do Brasil,com total mau caratismo citou meu pai como aproveitador do bem publico,respondi - a carta não foi publicada e caso queira a enviarei para publicação. Esse jornalista autor do Bolsa Ditadura, foi salvo pelo Capitão Ivan Proença,quando impediu que o CACO fosse incendiado e metralhado por uma turma paramilitar,O jornalista e diversas pessoas foram salvas pelo bravo Capitão Ivan Proença! Destino dele?preso,cassado,perseguido e ao arranjar um emprego logo despedido.Até hoje trabalhando como um respeitado professor luta por sua Anistia e não dada por REVANCHISTAS ainda presentes nas FAs. Quando conseguir sua anistia, será que o jornalista chamará seu salvador de Bolsa Ditadura? Desculpa,provavelmente errei no meu protesto e injusto a vc - mas sei que entenderá meu motivo e os tenho de sobra. Meu abraço a um jornalista que prezo,respeito e admiro. Pedro Luiz Muito obrigado, mesmo, caro Pedro Luiz. E, sim, por favor envie para aqui a carta sobre a ofensa a seu pai que você mandou ao JB que, vergonhosamente -- vê-se mesmo que o JB de verdade morreu -- deixou de cumprir com um dever ético elementar. Um abração

Pedro Luiz Moreira Lima em 17 de agosto de 2011

Amigo Setti: Peço apenas justiça - a Lei da Anistia é justa ao reparar crimes cometidos pelo Estado Brasileiro. Se alguem e alguns foram benenficiados de maneira desonesta que sejam denunciados. Não se pode é colocar as vítimas como culpadas e desonestas ao se chamar de Bolsa Ditadura,isso sim uma injustiça imperdoavel. Ôoooo, Pedro Luiz, quando é que você leu algo no blog em que eu culpei as vítimas, chamei-as de desonestas e, sobretudo, utilizei essa expressão "bolsa-ditadura"?

Laércio em 17 de agosto de 2011

Lamento, Setti! Só alguns gatos pingados, como você, querem Comissão da Verdade. Eu, e a maior parte da população, não queremos saber disso. Não queremos porque a patota que está no poder e insiste na criação da dita cuja querem é Comissão da Revanche. Que moral têm capachos de Fidel e Chavéz para falar em democracia, direitos humanos e resgate da memória nacional? Infelizmente são eles que mandam no Brasil hoje. A minha Comissão da Verdade não seria esta que o governo quer. Veja o que já escrevi a respeito: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/sou-a-favor-da-comissao-da-verdade-sim-mas-tambem-os-militantes-de-esquerda-que-cometeram-crimes-precisam-depor/ Abração

Pedro Luiz Moreira Lima em 17 de agosto de 2011

Memória, Verdade e Justiça Sérgio Muylaert* A bem dizer o tema da memória e da verdade é solução. No essencial, nascente do direito clássico e da tradição dos povos, as conquistas sociais devem pavimentar o futuro civilizado, no aperfeiçoamento dos direitos humanos e o clamor contra as formas de violência por todos os lados ressurge em meio a necessidade de uma justiça de transição. A construção da memória não é algo póstumo e a efetivação deste projeto é o indisponível direito que se consubstancia com a verdade dos fatos. Por outra, o resgate da memória, da verdade e da justiça, engloba função de coleta de dados e monitoramento ordenado, para contribuir na formação de bancos de dados, a serem disponibilizados, a partir de um mapeamento e do reconhecimento dos fatos e sua efetiva divulgação. Existe uma extensa realidade ocultada e intocável. Diante dela não parece razoável dizer-se o contrário e a Comissão da Memória e da Verdade terá, portanto, a resposta adequada ao conteúdo deste projeto de lei n° 7.376/2010. Pautado no III PNDH o ministério dos Direitos Humanos instaura o Comitê de gestão da rede dos observatórios, com este objetivo segundo Portaria n° 1.516, de 5 de agosto de 2011. Neste sentido as audiências públicas da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados exercem papel indissociável. E os Comitês? São entidades civis que impulsionam a mobilização iniciada a partir do DF e ampliada entre os Estados da Federação, sendo o mais recente no dia 11 de agosto na capital goiana. Em síntese provisória, a iniciativa do governo federal para o projeto de lei reforça, em profundidade, o sentimento de honradez e reproduz os princípios éticos que informam as instituições republicanas. 2- A partir do caso Gomes Lund (e outros) vs República Federativa do Brasil, em novembro de 2010, é possível constatar a ausência de prerrogativas e, portanto, das imunidades aos que cometeram atentados e práticas nocivas aos direitos humanos. Por outra, a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos se aplica a luz da interpretação das normas internacionais no intuito de dar eficácia plena ao sistema jurídico de proteção integral das pessoas e voto do juiz Figueiredo Caldas coloca em marcha o mesmo sentido do projeto de lei n° 7.376/2010, sobretudo, quando robustece esses fundamentos no âmbito de um ordenamento continental. A releitura dos fatos descritos em “Raízes da violência” (Roland Corbisier, 1986) exibe a memória da tragédia sobre a qual o filósofo e pensador do ISEB afirmava que a violência tornou-se o nosso pão quotidiano. Consistente artigo do jurista e professor Fabio Konder Comparato “E agora, Brasil” reúne, para a atualidade, os fios condutores daquela condenação do Estado brasileiro na OEA. Será preciso lembrar? Os fatos que antecedem o período de exceção remontam a 18 de setembro de 1946 para alcançar o momento crucial da mega-operação, em 1964, para a derrubada de um governo constitucionalmente eleito. O apoio da mídia e a adesão de setores civis ao movimento consolidam a urgência na investigação destes 47 anos. Será preciso lembrar? No instante que se aproximam os 32 anos da primeira lei de anistia, de 29 de agosto de 1979, este processo implica a necessidade de tipificação dos fatos e a dimensão exata de sua gravidade, sendo o enlace principal para o reconhecimento definitivo do que o conjunto da sociedade civil anseia. Os fatos e suas seqüelas se reportam a mecanismos e expedientes, na sua integralidade, tais foram atos institucionais e complementares, ao arrepio da norma constitucional de 1946, para gestação de poder. Será lembrar a “contabilização” das formas conclusivas de delinqüência, de onde agentes públicos, deliberada e sistematicamente, perpetraram atos desmedidos que, ainda, hoje, representam negação dos princípios elementares do Estado Liberal. 3- Frente ao direito penal comum, os seqüestros, aprisionamentos, torturas, sevícias, estupros serviram, como sempre, ao aniquilamento, tanto como, os desaparecimentos forçados de pessoas. Tais foram redundantes da ocultação destes mesmos fatos e, até onde o direito Internacional tem admitido, como lembra o juiz Cançado Trindade, da Corte Internacional de Haia, petições ou recursos ao nível da jurisdição internacional compulsória - independentemente do esgotamento dos recursos internos -, auxiliam as vítimas e, portanto, tendem a reforçar os mecanismos no esclarecimento dos fatos. Cumpre destacar ainda que, contrariamente ao que interpreta o STF sobre a lei de anistia, no julgamento da ADPF n° 153, os tratados e convenções de direito internacional repelem os crimes tipificados de lesa-humanidade. Não cumpre, portanto, o “perdão” que se configura para a concessão da anistia, exceto, para as vítimas das perseguições do Estado e por seus agentes. Com efeito, ao declarar a anistia política esta norma, de 2002, proclama não só o direito a reparação econômica como autoriza o correspondente pedido de desculpas pelas arbitrariedades a que essas mesmas vítimas foram submetidas. Sob a ordem jurídica que se pretende justa, deve ser lembrado a todo instante o aperfeiçoamento do devido processo legal, para a construção da memória, da verdade, em favor do estado democrático de direito. Sérgio Muylaert – integra o Comitê pela Verdade e a Memória (DF); membro efetivo do Instituto dos Advogados Brasileiros; vice presidente da Comissão de Anistia (2004-2008); ex-membro da CDH/OAB e da Asociación Americana de Juristas, presidente da ala fundadora

Pedro Luiz Moreira Lima em 17 de agosto de 2011

Amigo Setti: Tem cara de garoto,dá a receita! é botox? diga o nome do medico - super bem feito e farei tambem. Minha colocação é fazer justiça a centenas de milhares de brasileiros que pagaram com sangue,suor e lagrimas pelo crime de quererem LIBERDADE - e ainda sofrem ao serem chamados de revanchistas e desonestos. Mario Alves,Stuart Angel,Sonia Angel,Zuzu Angel,Aldo de Sa Brito,Honestino Guimarães,trucidados e desaparecidos na luta armada ou não pela LIBERDADE - não são e nunca foram criminosos.Os que sobreviveram serem julgados novamente? Peço é justiça e não jogar todos numa vala comum chamados de desonesto por serem indernizados por um ESTADO TOTALITARIO E ASSASSINO COMO TODAS AS DITADURAS SÁO! Aponte os canalhas e aproveitadores de uma Lei Justa de Reparacáo de Crimes de uma Ditadura,se os tem sáo poucos e devem ser nominados,punidos e processados. Gentileza sua, pessoalmente só sou jovial -- jovem, já fui, hahahaha. Pois não disse que eu vivi aqueles dias horrendos? O Honestino Guimarães, por exemplo, que você citou, figura doce e generosa, foi meu amigo na Universidade de Brasília. Um regime que mata alguém como ele por considerá-lo perigoso é uma monstruosidade da história que espero jamais se repita. Quanto a aproveitadores, não é que sejam "aproveitadores", é que a lei e a interpretação que se dá a ela tem beneficiado muita gente de forma inteiramente desproporcional a quem realmente sofreu abusos brutais. Os casos são de domínimo público, volta e meia a mídia os divulgou. Não sou eu, caro Pedro Luiz, quem vai apontar pessoas. Abração

Pedro Luiz Moreira Lima em 17 de agosto de 2011

Setti e Reynaldo: Aos saudosos da Ditadura Fascista Civil Militar meu total desprezo,um dialogo com pessoas onde os DoiCodis,Ulstras,Fleurys e tantos outros sáo exaltados como guardióes da democracia so desprezo mesmo. Reynaldo e Setti - náo concordo em absoluto com o nome deboche dado por um jonalista de - Bolsa Ditadura. Pilotos militares e civis foram impedidos de voar - PROIBIDOS! por duas Portarias Reservadas da FAB - uma assinada pelo Min Wanderley e a outra Eduardo Gomes ambos Min da Aeronautica de Castelo Branco.Os mecanicos,telegrafistas militares e civis proibidos da mesma maneira. Professores,cientistas,fucionarios publicos, cabos,sargentos,marinheiros,jornalistas... presos foram tb perseguidos e suas carreiras encerradas.Meu caro amigo Setti Gracas a Deus vc era garoto e náo teve em sua carne tal horror.Voce Reynaldo sofreu por sua máe,sofreu por vc e sentimos o Horror na Pele do dia a dia do Nazi-Fascismo em toda A NOSSA AMERICA LATINA. Estáo INDINADOS? - citem caso a caso dos ABSURDOS DA LEI DE INDERNIZACÁO,os nomes das pessoas porque jogar todos como aproveitadores e mesmo criminosos e o mesmo que nos levar de volta aos DOICODI e assim me desculpa a franqueza - qual a diferenca dos outros? Setti e Reynaldo - temos diversos assuntos de discordancia mas um total respeito mutuos - ESTAMOS SEMPRE NA TRICHEIRA DA LEGALIDADE - triste apenas na INJUSTICA em colocar todos numa vala comum de aproveitadores,desonestos e falsas vitimas e náo posso aceitar tal colocacáo - apenas 3 pilotos (2 militares e um civil) foram indernizados e valores NÄO PAGOS.Outros maioria morta ainda esperam a INDERNIZACÄO. Criminosos? em que categoria colocariam Brig Rui Moreira Lima,diplomatas do Itamaraty,jovens que deram vida,torturados e longos tempos de prisáo armados ou náo, pessoas comuns apenas por suspeitas sofrendo as mesmas barbarries - criminosos?desonestos? - se conhecem citem quais,ao colocar todos cometem uma grave e indesculpavel injustica. Eu não era garoto, não, caro Pedro Luiz. Sofri muito com a ditadura. Pelo menos 4 amigos meus "desapareceram", assassinados pela ditadura, e mais vários conhecidos. Eu tinha 18 anos, parecia ter mais por causa de meu 1m87, era universitário e bem esperto e politizado, sobretudo pela convivência com meu pai, advogado, sempre muito participante, ex-colaborador próximo do presidente Juscelino Kubitschek, quando veio o golpe. Eu estava na Universidade de Brasília quando o campus foi cercado por tropas vindas de Minas Gerais, sob o comando do coronel Meira Mattos, de tristíssima memória. Como morava em Brasília, presenciei muitíssimas coisas, Pedro Luiz. Não foi só você que teve esse infeliz "privilégio". No dia do Ato 5, o golpe dentro do golpe, eu já era jornalista e estava no gabinete do então deputado Mário Covas, apinhado de outros parlamentares, quando a Agência Nacional iniciou a leitura daquele horror.

duduvieira10 em 17 de agosto de 2011

Não vou deixar de dizer! Prezadíssimo Sr. Setti, há uma sutil diferença entre o Chile e aquí nas maravilhas terras tupiniquim e não posso deixar de dizer: No Chile, seu povo lida bem com o problema e ninguém está planejando uma vingança, lá a coisa foi feia e morreu muita gente, a cana foi dura, realmente traumática, inclusive muita gente boa aquí no Brasil jurava de pés juntos e por todos os Deuses que o Presidente Salvador Allende teria sido assassinado, como recentemente foi mais do que provado ele não aguentou a bucha, realmente se suicidou. Segundo a comissão nossa ora em formatação a idéia não é bem essa como tem surgido em diversas manifestação a respeito, nossa comissão da verdade tem um sabor de vingancinha, o doce mel da vingança, ignorando que anistia quer dizer: perdão , esquecimento, página virada!!

Seilon em 17 de agosto de 2011

Acho que a Comissão da verdade,até pra se chegar à verdade mesmo,deveria ser feita só quando os atores poíticos fossem só aqueles que surgiram depois do fim da ditadura.Como é que se vai investigar a Var Palmares sabendo que um de seus integrantes é atualmente a Presidente da República?

elizabeth the Best em 17 de agosto de 2011

Mas me diga lá Ricardo o que mudou da ditadura militar para hoje? O Sarney não continua no poder? O estadão não está sob censura? Para começar a chegar à verdade do que aconteceu na ditadura, temos que sair da ditadura. Deus do céu, mudou muita coisa, e para melhor. A principal é a liberdade -- a liberdade de expressão, a liberdade de assistir ao que você quiser, a liberdade de ler o livro que lhe apetecer, a liberdade de votar, de filiar-se a um sindicato etc sem desaparecer no dia seguinte.

Reynaldo-BH em 17 de agosto de 2011

Um off topic, prezado Setti. Estou vendo (está no fim)o depoimento do tal ministro-tarado, Pedro Novais. Tinha a impressão que era um Severino Cavalcanti! Não, não é! É mesmo um filhote de Sarney! É melhor? Pior, muito pior. É safo, esperto (no sentido mais deletério da palavra) e mesmo com a idade, malandramente escorregadio! Mais uma prova que a idade não acrescenta muita coisa a quem, em idades anteriores, já mostrava que mesmo na velhice não mudaria a falta de caráter ou valores! Pedro Novais: explicado o uso da verba indenizatória na festinha do motel! Na verdade, o uso de nosso dinhero no motel é NADA perto do uso - que o senhor demonstra ter experiência - do mesmo dinheiro neste imenso BORDEL que o senhor acredita ser o Brasil!

Reynaldo-BH em 17 de agosto de 2011

Dói muito. Não sei até onde uma reparação moral cure feridas. Sei que pensão mensal não me interessa. Não por orgulho ou por empáfia. Me agride ser reparado pelo que minha mãe (já morta) sofreu em troca de uma pensão que eu poderia receber. Passo! É utopia. O que TODOS gostariam (exceto escritores, cartunistas e jornalistas, que recebem valores mensais em nome de uma "carreira" interrompida!) é que a lição houvesse sido aprendida. Não foi. Que venha a Comissão da Verdade, se não for instrumentalizada para servir de amparo a delírios ditatoriais. Como vemos hoje. Que sirva como esclarecimento histórico. Culpo SIM a repressão pelo que houve. Mas não eximo as ditas "forças de resistência" por terem usado jovens como bucha de canhão e instrumento de propaganda - ainda presente - de uma outra ditadura. Em uma guerra não há vencedores. Quem perde é a humanidade. Do mesmo modo, nesta luta fratricida jamais houve vencedores. Só perdedores. O maior deles, nós, que acreditamos na democracia. Quem ganhou foi a parcela que hoje usa a dor de muitos para justificar a atual festa de alguns! Preferia que antes de uma Comissão da Verdade que investigasse o passado da ditadura) houvesse outra, que investigasse a VERDADE do passado recente! Ou devemos separar "verdades"? Não sou contra o resgaste dos dados históricos, por mais dolorosos que sejam. Só, insisto, sou a favor da transparência e Estado de Direito dos dias atuais. Desculpem-me mais um desabafo!

Paulo Bento Bandarra em 17 de agosto de 2011

Uma questão importante com números, Setti. Você já comparou a taxa de Homicídios, Execuções Sumárias, Arbitrárias ou Extrajudiciais no período militar e depois da democratização do país? Como foi o índice antes e depois da conquista da cidadania dos criminosos? É, parece que o trabalhador conquistou o direito de ser assassinado mais freqüente. Seria interessante achar estes números. A democratização dos assassinatos.

marco em 17 de agosto de 2011

Pergunta (jurto q não é retórica, eu não sei a resposta): a Comissão da Verdade, como está sendo chamada, vai avaliar casos de gente q foi ferida, ou teve familiares atingidos, em atentados terroristas? Se não vai, obviamente deveria!

egon em 17 de agosto de 2011

Caro Setti Também eu tenho cá minhas dúvidas a esse respeito . Observando-se o ocorrido até agora , é natural considerar o revanchismo como uma possibilidade . Veja-se as várias tentativas nesse sentido as quais foram abortadas ! Voce acha justo guerrilheiros serem indenizados e , do outro lado, pessoas que defenderam o país deles e que foram vítimas nada receberem ? Para uns tudo , para outros nada : isso não soa a revanchismo ? Caro Egon, a discussão não é tão simples assim. Já escrevi vários posts a respeito dizendo o que penso. Sou absolutamente contra o revanchismo, não leva a nada. Sou a favor de que o povo brasileiro tenha direito a conhecer sua história. E voltarei ao assunto. O que me deixa indignado é a "indústria da indenização". Cada vez aparecem mais supostas vítimas! Daqui a pouco teremos mais vítimas que as ferocíssimas ditaduras do Chile, da Argentina... Abraços

Paulo Bento Bandarra em 17 de agosto de 2011

Mas evidente que a comissão da verdade é revanchista lá e aqui. Onde está a verdade do outro lado? . Já aqui ela foi de toda maneira usada para tentar acabar com a anistia de um lado só. Indenizações foram dadas para um lado só e não se deu nada para as vítimas assassinadas pelos terroristas. Claro que ela é apenas revanchista, e bobo quem cair nesta tramóia. Comissão da verdade dirigida por fãs incondicionais de Fidel e da Ditadura cubana? Os ÚNICOS interessados nela! . Eu quero é a CPI da Corrupção que os patrocinadores de comissão da verdade lutam para que ela jamais ocorra!

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