E mais: O “estilo trator” de Newton Cardoso falha feio em Minas, as gravatas de Serra e Lula, os motivos de Denise Fossard, motoristas usam adesivos pró-Covas, Gilberto Mestrinho e o quarto mandato – e Patrícia Pillar em campanha por Genoíno

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Quem acha que o celebrado fotógrafo J. R. Duran só fotografa mulher bonita (e nua) se engana. Só na atual campanha, ele clicou, para material de propaganda, onze candidatos a deputado estadual, quatro a federal, seis a senador e um a governador. E um presidenciável, Lula: tudo que o eleitor vê de imagem de Lula na campanha, fora do horário eleitoral na TV – outdoors, banners, folhetos, caderninhos com programas setoriais de seu eventual governo – é de Duran.

Convidado pelo marqueteiro Duda Mendonça, ele próprio fotografado por Duran para a capa de seu livro Casos e Coisas (Editora Globo), o mago das lentes encaixou o trabalho em meio a movimentada agenda: dois dias antes tinha feito uma campanha para o Banco Real, na véspera fotos com a deslumbrante modelo Ana Hickmann para um editorial de moda da revista Vogue e no dia seguinte iria clicar a atriz Giovanna Antonelli para uma campanha das Lojas Riachuelo.

A idéia de Duda era obter, de uma só vez, várias fotos que pudessem ser usadas em todos os momentos da campanha. “Eu não sabia exatamente qual seria o uso de cada foto”, explica Duran. “Sabia, sim, que estávamos à procura de uma imagem principal, que seria a fundamental na campanha inteira”.

Duran realizou o trabalho em seu estúdio, no bairro da Vila Madalena, em São Paulo, em uma manhã e parte da tarde do mesmo dia. E como foi que ele conseguiu aquele Lula sorridente das fotos? “Não fiz nada de mais. Meu trabalho é deixar as pessoas à vontade na frente da camera. Lula é uma pessoa com sentido do humor e na hora da fotografar alguém, para mim, isto é fundamental”.

Duda, com pessoal de criação e produção, acompanhou o trabalho. A produção levou diferentes combinações de roupas. A escolhida está nas fotos: terno azul, camisa branca, gravata vermelha. Lula se apresentou com alguns assessores. Contrariando a rotina de Duran, havia umas quinze pessoas entrando e saindo do estúdio o tempo todo, celulares tocavam. “Normalmente isto não é bom”, diz Duran. “Mas com o Lula foi ótimo porque ajudou a descontrair”.

O trator sai pela culatra

Desponta no horizonte, altaneiro, aquele que será, provavelmente, o maior derrotado nas eleições para governador em todo o país: o ex-governador (1987-1991) e atual vice de Minas, Newton Cardoso (PMDB), o “Newtão”.

Seus métodos de governar e de fazer política consagraram o que se convencionou chamar de “estilo trator”, que lhe valeu acusações e suspeitas de todo tipo. Foi nessa base que Newton, controlador de diretórios do partido pelo Estado afora, imprensou e pressionou o governador Itamar Franco para sair candidato, a ponto de romper com o ex-presidente e perder qualquer chance de ter seu apoio.

O estilo de “Newtão” chegou a preocupar os adversários. O PSDB hesitou na escolha de seu candidato. O ex-governador Eduardo Azeredo, por exemplo, a certa altura o preferido do partido, deixou claro que só concorreria ao Senado, e o deputado Aécio Neves, presidente da Câmara, que igualmente pretendia tentar o Senado, aceitou um tanto a contragosto ir para a disputa a governador.

E foi o que se viu: Aécio costurou um grande arco de apoios, começando pelo de Itamar, disparou nas pesquisas de intenção de voto logo de cara, não parou de crescer e tem grande chance de vencer no primeiro turno. “Newtão”, por sua vez, foi perdendo terreno – e já está atrás até do candidato do PT, deputado Nilmário Miranda.

Ou seja, o trator, ao que tudo indica, será devidamente tratorado.

Fashion news

Se nos índices de intenção de votos as coisas são diferentes, no quesito gravatas a corrida presidencial apresenta os presidenciáveis Lula e Serra cabeça a cabeça. Lula estava um pouco atrás de Serra pela repetição das gravatas vermelhas, cor-símbolo de seu PT.

As coisas mudaram nos últimos dias. Serra oscilou negativamente para baixo por causa de uma gravata azul com pequenos losangos brancos. A gravata é elegantíssima, mas — pecado grave — apareceu duas vezes em público no mesmo dia. Ela enfeitava o pescoço de Serra dias atrás, quando ele gravou entrevista com o apresentador Casé, da MTV. Para azar do candidato, a entrevista foi ao ar justamente na noite de quarta-feira, 25, em que ele apareceu, com a mesma gravata, nos noticiários das grandes redes por causa da entrevista concedida no auditório do jornal O Estado de S. Paulo.

Já Lula oscilou um ponto para cima por ter passado a usar, aqui e ali, elegantíssimas e clássicas regimental ties¸ aquelas gravatas com estampas que identificavam velhos regimentos militares britânicos (daí o nome) e que, mais tarde, também começaram a carregar cores e padronagens representativas das melhores universidades da Velha Albion. Se usadas corretamente, elas nunca caem de moda.

Fossard x Moreira x crime

Agora se sabe porque a juíza Denise Fossard – a famosa magistrada que licou duro golpe no crime organizado e no bicho no Rio, mandando os chefões do jogo para a cadeia, em 1993 – não integrou a equipe encarregada da área de segurança do programa de governo do presidenciável tucano José Serra.

Fossard foi convidada para participar da primeira reunião dos organizadores do programa de segurança. Ao constatar o ex-governador do Rio Moreira Franco (candidato a deputado pelo PMDB do Rio) integrava a equipe de Serra, pediu que ele fosse mantido à distância. A juíza não é propriamente uma admiradora da forma como Moreira, como governador (1987-1991), tratou dos bicheiros e conduziu a questão do combate ao crime.

Depois dessa primeira reunião, a juíza deixou de ser chamada para as seguintes.

Ainda se lembram

Circulam em São Paulo automóveis com um adesivo contendo a seguinte frase: “Covas – um exemplo a ser seguido”.

O Covas em questão – Mário Covas, fundador do MDB/PMDB e, depois, do PSDB, ex-deputado federal, ex-senador, ex-prefeito da capital (1983-1985), ex-candidato à Presidência (1989) e ex-governador (1995-2000) – morreu em março do ano passado.

Clube dos Três

O mau desempenho nas pesquisas de intenção de voto na campanha para o governo do Amazonas faz prever que o atual senador Gilberto Mestrinho (PMDB-AM) não conseguirá o recorde brasileiro de ser o primeiro político a conseguir quatro mandatos de governador de Estado pela via das urnas.

A menos que ocorra um milagre, o senador, que ainda não chegou a 18% das preferências, será derrotado já no primeiro turno pelo ex-prefeito de Manaus Eduardo Braga (PPS), detentor de níveis próximos a 60%, ex-afilhado e ex-desafeto do governador Amazonino Mendes (PFL), que agora o apóia.

Mestrinho, que ainda tem quatro confortáveis anos no Senado, deverá, pois, permanecer no Clube dos Três, atualmente com apenas três sócios: Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), Miguel Arraes (PSB-PE) e Leonel Brizola (PDT-RJ) – que, como se sabe, tem dois governos no Rio e um no Rio Grande do Sul.

Têm boas chances de subir para esta categoria, nas atuais eleições, os bi-governadores Joaquim Roriz (PMDB-DF) e Espiridião Amin (PPB-SC).

Fidelidade eleitoral

Nas várias passagens que tem feito por São Paulo em campanha pelo marido, o presidenciável Ciro Gomes, a atriz Patrícia Pillar deixa claro para quem quiser ouvir que sua torcida, na eleição paulista, é por José Genoino (PT), que nas pesquisas de intenção de voto se aproxima dos dois líderes embolados, Paulo Maluf (PPB) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

A Frente Trabalhista, de Ciro, tem como candidato o produtor rural e ex-ministro da Agricultura Antonio Cabrera, que, apesar de vir fazendo uma campanha com recursos, ainda não conseguiu passar dos 2% das preferências.

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