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Humala e Keiko: candidatos fizeram promessas mas representam dúvidas sobre continuidade de políticas que trouxeram grandes mudanças ao Peru

Amigos,  o Peru realiza hoje o segundo turno de cruciais eleições presidenciais. Pouco tenho a acrescentar ao excelente material da jornalista Nana Queiroz que está no site de VEJA, bem como os vários links que ela contém. Não deixem de ler.

Vou só colocar algumas questões.

Os dois candidatos que chegaram ao segundo turno – Ollanta Humala, militar da reserva de tendências autoritárias e estatizantes, que já foi próximo do coronel Hugo Chávez mas abrandou suas posições, e Keiko Fujimori, filha do ex-ditador Alberto Fujimori, cumprindo pena de cadeia de 25 anos por crimes contra a humanidade – só o fizeram porque os três candidatos de centro, moderados e reformistas, por ânsia de poder, não conseguiram se acertar entre eles em torno de uma candidatura única.

Qualquer um dos três seria uma garantia de que o Peru continuaria no caminho da prosperidade e da modernização iniciado por um deles, o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006), e mantido pelo atual presidente, o ex-populista Alan García, que seguiu firmemente uma política de rigor fiscal, controle da inflação e abertura aos mercados,

Apesar da desigualdade, um salto espetacular

O resultado é que a economia do Peru vai muito bem, embora o país ainda conserve um grande nível de pobreza e, sobretudo, de desigual e injusta distribuição dos benefícios do crescimento..

Mas o país caindo aos pedaços e quase miserável, consumido por uma hiperinflação, atormentado pelo desemprego e a paralisia econômica após o primeiro e catastrófico governo de Garcia, mudou por completo: a inflação, 3% ao ano, é bem menor do que a do Brasil. Há uma década cresce acima da média da América Latina, seu Produto Interno Bruto (PIB) vem subindo a mais de 5% anuais desde 2006, índice que chegou a reluzentes 7,7% no ano passado e deve se repetir ou mesmo ser superado este ano, dependendo de como se comportar quem vença hoje e tome posse no próximo dia 28 de julho.

Nos últimos 5 anos, o país saltou espetacularmente 24 posições no ranking de Índice de Desenvolvimento Humano da ONU, um composto estatístico que considera a renda per capita, a expectativa de vida e a educação de 169 países; está agora em 63º lugar, 10 posições acima do Brasil.

O Peru e os peruanos, pois, têm muito a perder em caso de eleger um presidente irresponsável, que abandone essas conquistas. O risco existe.

Promessas, uma interrogação e a possibilidade de retrocesso moral

Humala, ao longo da campanha, assumiu compromissos públicos formais com a manutenção e o aprofundamento da democracia, as liberdades públicas e o respeito à iniciativa privada. Os precedentes de políticos de diferentes países que rasgam promessas feitas, porém, e as próprias mudanças de postura de Humala ao longo da campanha — alterou 4 vezes seu programa de governo — deixam uma interrogação no ar.

Keiko tem o apoio de setores conservadores da Igreja, da classe A, da alta classe média e do grande empresariado, promete manter as linhas gerais da política economica, mas ao lado de uma guinada “social” que não se sabe o que quer dizer e nem que mudanças representa.

O fato de se escorar na “herança social” representada pela política paternalista do pai e a perspectiva de que de alguma forma venha a anistiar um ex-ditador sanguinário e corrupto, no entanto, significaria para muitas personalidades do Peru que se manifestaram nos últimos dias um retrocesso moral terrível para o país.

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5 Comentários

Jefff em 06 de junho de 2011

No arquivo on-line da revista (excelente por sinal) a materia elogiosa ao ex-presidente por sua politica economica. Lembro até de uma materia a respeito do ex-governador do Espirito Santo José Ignacio que de tão elogiosa parecia propaganda institucional. Enfim todos nos sabemos que fim teve José Ignacio assim como sabemos que fim teve Fujimori. Porem o que foi dito e escrito não pode ser mais ser esquecido. Voce não me conhece para afirmar nada. E você me conhece menos ainda. Ditadores podem praticar boa política econômica, como fez o sanguinário Pinochet nos anos finais de sua tenebrosa ditadura. Você não verá em lugar algum da coleção de VEJA a revista elogiando ditadores ou ditaduras.

Jefff em 06 de junho de 2011

Conquistas

Jefff em 06 de junho de 2011

"Conquitas" de uma decada ou de duas decadas estão em jogo?? Porque esquecer o Fujimori que já foi tão elogiado pela revista Veja em épocas remotas? Dirija-se ao diretor de Redação: veja@abril.com.br De todo modo, lembro que VEJA sempre defendeu a democracia. Quem é que iniciou o processo de derrubada por vias constitucionais de Fernando Collor? Você não sabe nada da história da revista.

alberto santo andre em 05 de junho de 2011

ESTE E UM DOS MAIORES PROBLEMAS DAQUELES QUE TEM IDEIAS E IDEAIS ,POREM POUCA HUMILDADE DE ABAIXAR A GUARDA E UNIREM-SE EM UM ABRACO QUE ELEVARARIA O PAIS E O POVO, SEJA NO PERU SEJA NO BRASIL OU EM QUALQUER LUGAR,PORTANTO E ASSIM QUE AS PESSOAS QUE PODERIAM FAZER SUA HISTORIA NAO O FAZEM ,COMO ACONTECEU VARIAS VEZES NO PSDB ,ONDE O PERSONALISMO VEM ACIMA DO COLETIVO.

Mari Labbate em 05 de junho de 2011

Como, na Natureza, tudo transforma-se, creio que será boa a vitória de KEIKO para o Rei Lula e toda a PEteSADA, na América Latina. Essa vitória, de acordo com as Leis Universais, pode significar o FIM das ditaduras, nesse território. Estou orando!

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