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O artilheiro Villa se despede das Copas com um gol espetacular, de letra. Ele poderia sair de campo de cabeça erguida — é recordista absoluto de gols pela seleção espanhola — mas chorou, emocionado, por saber que este foi seu último Mundial (Foto: AP)

Massacrada pela Holanda logo na estreia, quando perdeu por 5 a 1, derrotada depois pelo Chile por 2 a 0, quando novamente não conseguiu se encontrar de forma alguma, a seleção da Espanha campeã do mundo em 2010 conseguiu recuperar um pouco da dignidade perdida em sua despedida da Copa de 2014, hoje, na Arena da Baixada, em Curitiba.

A vitória de 3 a 0 sobre a Austrália poderia ter sido de bem mais, se desse certo o assédio espanhol sobre o gol de Ryan nos últimos minutos. De todo modo, encerrou bem uma era de ouro da seleção espanhola que incluiu duas Copas da Europa e o Mundial de 2010.

Quem poderia mesmo ter saído de cabeça erguida — embora na verdade tenha se recolhido ao banco de reservas, chorando emocionado, após ser substituído por Cesc Fábregas no segundo tempo — é o artilheiraço David Villa, até então não aproveitado pelo treinador Vicente Del Bosque, mas que inaugurou o placar com um gol de letra, espetacular, após passe de Iniesta.

A caminho dos 33 anos, atuando no futebol dos EUA em processo de transferência para a Austrália, Villa, que beijou sucessivamente o escudo espanhol depois de marcar o gol diante de uma torcida hostil ao time o tempo todo, exibia a emoção de quem dificilmente voltará à seleção.

Além do golaço de craque e de uma excelente atuação, com sucessivos dribles e piques de garoto, Villa chegou a uma marca que permanecerá por longos anos inatingível: 57 gols pela Espanha, batendo longe o recorde anterior do atacante Raúl, que era de 44.

Não se sabe se a renovação necessária da seleção que dominou o futebol mundial desde 2008 incluirá a saída do técnico Vicente del Bosque.

De todo modo, nesta partida final da Copa 2014, já atuaram jovens jogadores que com certeza fazem parte desse futuro — como o lateral Jordi Alba, do F. C. Barcelona (excelente jogador, apesar da pésssima atuação na Copa) e os meio-campos Juan Mata, do Manchester United, e David Silva, do Manchester City, além de outros mais experimentados como o zagueiro Sergio Ramos, do Real Madrid, provável futuro capitão da equipe, os meio-campos Cazorla, do Arsenal, e Cesc Fábregas, do Chelsea, e o goleiro Pepe Reina, do Napoli.

A eles certamente devem se juntar outros nomes, tais quais o bom ataquente do F. C. Barcelona Pedro Rodríguez, o zagueiro Piqué, também do Barça, o próprio hispano-brasileiro Diego Costa, do Atlético de Madrid, e o goleiro De Gea, do Manchester United.

Lamentavelmente não voltarão mais figuras de proa como o grande zagueiro Puyol, recém-aposentado do Barça, ou o fantástico Xavi, derrotado pela idade e prestes a deixar o mesmo clube.

Não vejo futuro a médio prazo para nomes como o do atacante do Chelsea Fernando El Niño Torres, do zagueiro apenas mediano do Napoli Raúl Albiol, do lateral do Atlético de Madrid Juanfran (já indo para os 30 anos em posição que requer velocidade) e mesmo para Xabi Alonso, do Real Madrid, que, com 32 anos, não tardará a deixar a Espanha em busca de rechear mais seu cofre em algum futebol rico mas menos expressivo.

O fabuloso Andrés Iniesta, aos 30 anos, com certeza prosseguirá na seleção por um bom tempo ainda. Disputar a Copa de 2018 na Rússia, contudo, dependerá de como mantiver seu preparo físico. Se permanecer em La Roja, ele deverá ser o maestro do que os espanhóis esperam ser uma nova era de ouro.

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Geraldo Andrade em 24 de junho de 2014

Faltou você falar do Thiago Alcântara. Ele tem lugar na futura seleção da Espanha.

Antoninho em 23 de junho de 2014

O nosso Neil é digno de admiracao. É muita coragem... Kkkk...

Lucas em 23 de junho de 2014

Prezado Setti, com todo respeito e sem querer polemizar, mas você viu os craques que estavam e ficaram no banco na derrota para o Chile? Pode polemizar à vontade, caro Lucas. Estamos aqui pra isso! Mande outro comentário, mais específico, se você puder. Um abração

Lucas em 23 de junho de 2014

Se a Espanha quiser (e precisa!) realmente recomeçar, a primeira providência é trocar de técnico. Quem sabe, repatriando Guardiola... Guardiola é favorável ao separatismo catalão e duvido que aceitasse ser técnico da Espanha -- a qual defendeu como jogador no passado. Agora, como é fácil jogar pedra em quem ganhou dois títulos fabulosos, não?

Neil Ferreira em 23 de junho de 2014

Enquanto isso, o Brasil "foge" da disputa da Copa, em um "sorteio" em que é premiado com a chave mais fraca e mesmo assim precisou do juiz para virar o jogo contra a fraca Croácia. O mundo torcedor viu, ao testemunhar o Salto de Costas Sem Plataforma do grande saltador Fred, da até agora vitoriosa "escola" Neymar Jr Mas não foi só, houve mais. O Brasil foi o país que primeiro foi beneficiado com jogo às 17h, contra Camarões, num horário bem mais ameno do que qualquer outra seleção. Seus adversários, o perdedor de Holanda x Chile,se enfrentaram dentro do forno das 13h. Aqui neste blog democrático, me declarei torcedor do escrete e fui vitimado por pancadas escritas, que agora considero mais do que justas. Acho que torcer para o escrete, em público ou na privada está cada vez mais difícil.

Marcelo em 23 de junho de 2014

Na cabeça do Lula, a seleção da Inglaterra foi eliminada da Copa porque os campos do Brasil estão "tão bons" que a Inglaterra (que tem uma dos torneios de futebol mais ricos do planeta) não está acostumada com tamanha qualidade. E que foi o gramado da Fonte Nova que permitiu 17 gols em Salvador, não as seleções que jogaram nele. Link do vídeo da declaração no Youtube: http://youtu.be/PiibR-98gnQ Genial! Vou publicar esse inacreditável besteirol. Abraço e obrigado.

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