COPA 2014: Felipão precisará mais do que a "Família Scolari" para enfrentar a parada de chegar até a final

Felipão furioso na área técnica durante o Brasil x Chile. Em primeiro plano, Luís Gustavo (Foto: EFE)

Felipão furioso grita instruções ao time desde a área técnica durante o Brasil x Chile. Em primeiro plano, Luís Gustavo (Foto: EFE)

TIRANDO TINTA

Por Heraldo Palmeira*

Esta não foi a primeira vez que passamos um sufoco descomunal vestidos de verde e amarelo. A tarde começou com inaceitável vaia ao hino do Chile, um adversário que, sem mostrar nada de excepcional, agigantou-se diante da nossa apatia no gramado do quase Mineiraço.

Ou da falsa confiança por causa dos cinco títulos mundiais, da espetacular Copa das Confederações e do fato de jogar em casa. Ou da fragilidade emocional que parece rondar nosso grupo.

Se nosso primeiro tempo foi somente regular, o segundo nos mostrou atordoados, sem qualquer esquema de jogo e rifando a bola em chutões – denunciando a falta de craques no meio-campo.

Não foi a arbitragem que nos fez passar tirando tinta para as quartas de final. Fomos vítimas da nossa falta de bom futebol mesmo, como vem ocorrendo desde o primeiro jogo. Não é de hoje, nossos jogadores demonstram pouca precisão em fundamentos do jogo – passes, tabelinhas, cruzamentos, lançamentos, cobranças de faltas e chutes a gol.

O pênalti em Hulk continuará difícil de ser indiscutível nos replays da jogada. Na preparação do gol anulado, a bola claramente acomodou-se em seu braço, que não é ombro como seguem insistindo inflamados narradores e comentaristas de tevê.

Alguém precisa conversar a sério com Neymar, um jogador que pode desequilibrar e definir qualquer jogo, mas que também esbanja imaturidade. Ou será que ele, depois de levar aquele tostão na coxa no comecinho do jogo, não deu caráter pessoal à marcação dos chilenos e ficou obcecado para humilhar com dribles desconcertantes qualquer um de camisa vermelha?

Com isso, virou alvo fácil da marcação, sumiu em campo e deixou de dar chutes que poderiam terminar no fundo das redes, ou simplesmente passar a bola para algum companheiro dar sequência ao jogo. Em todas as ocasiões ele preferiu o famigerado drible a mais, a jogada de efeito que alimenta a celebridade pessoal em detrimento do time.

A alguns amigos revelei na véspera meu mau pressentimento.

O jogo inteiro me deu razão; ainda bem que veio o final feliz. Antes dos pênaltis, bradei com convicção: “Vai ser a consagração do Júlio César”. Vibrei emocionado com a redenção do nosso goleiro, um dos melhores que vi em ação. Que ainda limpou a barra de Willian e Hulk na série decisiva de pênaltis.

Torcedor apaixonado da Seleção, sonho ver Thiago Silva repetir o gesto de Bellini, Mauro, Carlos Alberto, Dunga e Cafu.

Desta feita no Maracanã, para varrer de vez a triste memória de 1950. Será um caminho difícil, até porque anda faltando repertório e Felipão precisa confirmar que, além de paizão, é mesmo um grande técnico. Um bom começo pode ser a postura de quem caiu na real, demonstrada pela equipe após passar pelo Chile.

Convenhamos, esse negócio de Família Scolari é pouco para resolver essa parada. Há pela frente uma pedreira das grandes, cuja próxima lavra é o futebol leve, alegre e estruturado da Colômbia. Que despachou um Uruguai apenas pródigo de passado, dentes e falácia.

*Heraldo Palmeira é documentarista e produtor musical.

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15 Comentários

  • MILTON SIMON PIRES

    SÓ NÃO VÊ QUEM NÃO QUER.

    Milton Pires

    Assustada com o desempenho da Seleção Brasileira nessa Copa do Mundo, a petralhada que tem um pouco mais de capacidade de previsão quanto ao resultado final já começou a lançar suas teses sobre as relações entre futebol e política. De uma maneira geral, criticam todos aqueles que torcem contra o Brasil na competição. Alguns, mais afoitos, afirmam inclusive que “um verdadeiro brasileiro” não tem o direito de torcer contra o próprio país”. É uma nova edição do antigo “Brasil: ameo-o ou deixe-o” dos anos 70.
    O que não fica claro para os menos acostumados com o modo de agir do PT é que esse tipo de gente pensa da seguinte maneira: “Se o Brasil vencer a Copa, foi uma conquista do Governo Lula e uma lição para quem torcia contra o PT e a Seleção. Se o Brasil não vencer; foi uma fatalidade – “política é uma coisa, futebol; outra”. Se não fosse verdade isso que eu acabei de escrever, Lula não teria derramado suas lágrimas de crocodilo quando soube que o país sediaria a Copa de 2014.
    Afirmar que não existe relação entre política e qualquer grande evento desportivo é uma asneira que não merece sequer refutação. Quem diz isso agora no Brasil são aqueles que, com medo de que o time seja desclassificado, querem da Copa do Mundo somente os bônus mas jamais as consequências negativas.
    Não vale à pena fazer um apanhado histórico das relações entre esporte e política. Lembrar que guerras eram paradas para que Olimpíadas fossem disputadas ou que ditadores buscaram em vitórias esportivas a confirmação da superioridade de raças já foi descrito antes. Tudo isso o PT conhece e sabe explorar perfeitamente. As grandes competições esportivas do século XX praticamente nasceram sob encomenda dos países gigantescos e das doutrinas totalitárias: não poderia ser diferente aqui e se eu não tivesse mais nenhum argumento capaz de estreitar ainda mais as relações entre o resultado da Copa e as eleições de outubro, eu diria que quando um dia se escrever a história do país em 2014 há que se afirmar sem medo de errar que, pelo menos economicamente, ela teria sido outra não fosse a vinda dessa competição para o Brasil. Numa ratoeira caem portanto aqueles que, defendendo fanaticamente as relações entre política e economia, querem agora afirmar a independência das eleições de outubro com relação ao nosso desempenho dentro de campo.
    Conhecimentos sobre futebol à parte, peço a todos aqueles que escutarem apelos para torcer para essa seleção que não se sintam constrangidos em dizer não ..que não se sintam menos brasileiros nem tenham aquela mesma sensação dos que, afirmando que anularão seu voto, precisam escutar do interlocutor que depois não podem reclamar. Ninguém tem obrigação de votar em ninguém para depois poder exigir seus direitos e nenhum de nós deve aceitar ser apresentado como traidor da pátria por torcer contra uma seleção de mercenários que serve politicamente a um partido associado aos narcotraficantes. O Brasil não pertence nem aos petistas e nem aos torcedores da seleção de futebol. Eles não são proprietários da nação, não representam a sua totalidade, nem portam sozinhos a verdade sobre a situação do país. Se pensam que são pastores, que procurem o rebanho adequado para segui-los em outros campos que não sejam aqueles das arenas superfaturadas, das licitações de última hora e de todo dinheiro desviado da saúde, educação e segurança que esse partido de bandidos que se dizem trabalhadores roubou da nação.
    Rezo todos os dias para que essa seleção seja desclassificada. Nunca em toda minha torci contra a seleção brasileira, mas prefiro torcer contra ela do que torcer contra o país e Deus me livre de precisar das palavras de algum vagabundo petista para me ensinar o que é respeito e amor à pátria onde nasci. Quem hoje me pede para gritar pelo Brasil trouxe aqui os cubanos que humilharam minha profissão perante o mundo, trata policiais como bandidos e emprestou para reforma do porto de Havana dinheiro que poderia construir hospitais, escolas e presídios aqui mesmo.
    Política e futebol “tem tudo a ver” um com o outro, sim…Só não vê quem não quer…

    Porto Alegre, 28 de junho de 2014.

  • Bruno Sampaio

    Escelente texto. Neymar não passa a bola, é um fominha consumado!

  • Helídio

    Começando o ensaio para 13 de Julho, no Maracanã.
    – Ei, Dilma, *****

  • Leonardo Saade

    Confesso que pensei por breves minutos que o Brasil seria eliminado pelo Chile, principalmente depois daquela bola na trave do gol do Julio Cesar no final do tempo normal. Foi um jogo sofrido, mas felizmente o Brasil ganhou nos pênaltis com uma atuação sensacional do Julio Cesar. Um grande mérito do Felipao apostar no goleiro, que teve sua convocação questionada. Mas foi um grande jogo, sofrido, mas muito bom.

  • Ecco

    Setti,
    Off-the-records: dê uma atualizada na enquete aí ao lado; limpe os países já excluídos do mundial – tipo Portugal, Uruguai, Espanha, etc.
    Abraços.

    Acho mais transparente mantê-los, caro Ecco.
    Abraço

  • Antoninho

    O Dr. Milton, tem razao,imagina a tragédia publica q seria, pela 1 vez o Brasil ser eliminado na 2 fase. Os gasto de 30 bi para um receita ate agora de apenas de 6 bi. Nao seria uma piada injustificavel.Os petista ficaram apavorados ontem… E pelo q o Heraldo diz só familia, garra, correr e sorte nao sao garantia apenas de vitória… Vai ter q ter bola.

  • neusa de oliveira

    Dr.Milton Pires, estou com o sr. em verso e prosa, excelente post.
    No que tange aos amantes da redonda, também o Sr. Heraldo Palmeira foi muito feliz aos discorrer do nosso fracasso.
    Então, fracassamos na política e no futebol. Não vamos nos levantar????

  • Wagner Amorosino

    Caminho difícil… Pior de tudo será perder a final para a Argentina.

  • Moacir 1

    Mestre Heraldo,
    Serei breve e triste e sincero:
    Ave Júlio Caesar morituri te salutant !
    Abraço

  • freed

    Sabe qual a tática de Felipão? A mesma de Dilma. Ou seja: Nenhuma. Nenhum dos dois sabem o que fazer. O Felipão começou convocando errado, e escalando errado mais ainda. O time do Felipão pode trocar a peça que quiser, não vai mudar nada, é simplesmente medíocre o time, e mais medíocre é o que está jogando. Quanto a Dilma, a mesma coisa, não sabe o que fazer, o jogador que ela podia mexer é o ministro ( ministro??) da fazenda, que ela insiste em deixar lá só piorando a economia que o PT destruiu. Qualquer mudança não muda nada. Alíás, alguém sabe qual o esquema tático de Felipão. NInguém sabe, porque ele não existe. DILMA X FELIPÃO — resultado: zero a zero, com muitas falhas individuais e nada de tática, só improvisações. O governo petista é a cara da seleção. E os dois? São somente falsos xerifões. Afinal,não entendí porque tanta choradeira dos jogadores brasileiros ao final do jogo.

  • MUCIO LUIZ DE ALMEIDA ARAUJO

    Com a tradiçao que temos no futebol e a quantidade de jogadores espalhados por esse mundo de meu Deus, ninguem merece passar por isso….Um grande abraço.

  • Ricardo

    Esse time não “vingou”,já ganhou o que tinha que ganhar que foi a Copa das Confederações.É bom cairmos contra a Colombia senão teremos um vexame histórico pela frente.

  • Caio Frascino Cassaro

    Prezado Setti:
    Como “comentador’ DE LUDOPÉDIO, o sr. Heraldo é um ótimo produtor musical. Acreditando que seja um homem inteligente, porém desatento, se tiver a paciência de ver o lance pela multicâmera da FIFA observará várias coisas. Primeiro, que o zagueiro Jara, que está a 1,0m do lance, vê a matada no peito do Hulk e não esboça a menor reclamação. O mesmo se dá com o goleiro, que vê o lance de frente e não tem a mínima reação de que haja alguma irregularidade. Qualquer um que tenha jogado futebol – não peladinha de futebol society, mas disputado campeonato com calção, meião chuteira, juiz e bandeirinha federados – sabe que, naquela circunstância, se houvesse irregularidade ambos os jogadores, goleiro e zagueiro, imediatamente levantariam o braço. Além disso, o badeirinha prossegue na jogada até o final com a bandeira abaixada, e o próprio juiz, que se encontrava a cerca de 25m do lance e tinha a visão encoberta, não apitou nada, tanto que o lance prossegue sem que nenhum jogador envolvido faça qualquer menção de parar. Por último, deve-se ver o lance pelas diversas câmeras da FIFA – sugiro entrar no link https://www.google.com.br/?gws_rd=ssl#q=multicamera+gol+do+hulk+anulado e acompanhar a jogada em suas diversas nuances, principalmente entre os minutos 5 e 7, aproximadamente, ficando claro o que escrevi acima e, mais ainda, que a matada foi entre o peito e o ombro.
    Até esse momento o Brasil fazia um bom jogo contra o ótimo time chileno. A anulação do gol jogou um balde de água fria no pouco equilibrado time brasileiro, que q partir daí perdeu-se em campo. Ainda assim, os chilenos ao longo do jogo chutaram apenas três bolas com perigo contra o gol de Júlio Cesar, que foi obrigado apenas uma intervenção difícil ao longo de todos os 120 minutos de futebol. O goleiro chileno, ao contrário, foi bastante exigido, e nossos gloriosos Fred e Jo perderam oportunidades imperdoáveis para centroavantes de qualquer time – até na várzea seriam objeto de críticas intensas. A grande verdade nisso tudo é que tem muito jogador amarelando – Tiago Silva é talvez o que mais tem sofrido com a pressão de jogar uma copa em casa.
    O jogo contra a Colômbia vai opor duas seleções que costumam propor o jogo. A Colômbia tem dois jogadores em um momento muito bom – Cuadrado e James Rodrigues – mas o fator camisa costuma pesar nesses momentos. Acho que passamos, mas cairemos na semifinal contra a Alemanha.
    Abs

  • Klaus Freitag

    Ainda bem que o Heraldo não é o Felipão! Mas é um homem que tem sensibilidade e sabe, em função dela, medir a sensação que hoje campeia os corações e as mentes dos brasileiros: a seleção é fraca! Não basta formar uma “famiglia Scollari”. Melhor que fosse uma “famiglia Corleone” e triturasse, com maestria, os seus adversários.

  • Luiz C.

    Depois do Mundial, a CBF deve retirar a Trave que salvou o Brasil no final do jogo contra o chile e expô-la na entrada do prédio com todo o carinho e reconhecimento.