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A seleção da Suíça (Foto: puma.com)

É uma daquelas ironias — no caso, também uma bela lição — que o futebol propicia.

A Suíça, tida como o país mais xenófobo da Europa Ocidental, aprovou em fevereiro passado, por plebiscito, uma medida que altera um tratado assinado em 1999 que prevê, entre muitos outros pontos, liberdade de movimentos a cidadãos de todas as 27 nações integrantes da União Europeia no país, uma vez que tivessem emprego assegurado em território suíço.

O plebiscito coloca em vigor uma grande série de restrições ao ingresso na Suíça de cidadãos da União Europeia — sem contar as muitas que já existem a imigrantes de países não membros da comunidade.

Pois bem, essa mesma Suíça com boa parte de eleitorado anti-imigrantes está disputando a Copa do Brasil com uma seleção bastante popular em que imigrantes ou filhos deles constituem a esmagadora maioria. Estreou vencendo o Equador por 2 a 1 em Brasília, no domingo passado, e enfrenta a França amanhã, sexta, 20, em Salvador.

O número de suíços sem origens na Suíça na equipe, naturalmente, varia conforme a partida, mas a foto abaixo ilustra até que ponto a importância dos “estrangeiros” chegou na forte seleção do país.

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Sem imigrantes ou seus descendentes, o time suíço seria… assim (Ilustração: imgur.com)

A delegação que está no Brasil é uma boa mostra de como a imigração é um fator positivo para qualquer segmento da sociedade que dela se beneficia.

Vejam só alguns dos exemplos dos atuais defensores do país da cruz branca:

O zagueiro Johan Djouru, que joga no Hamburgo, da Alemanha, é natural da Costa do Marfim naturalizado suíço.

O lateral esquerdo Ricardo Rodríguez, que atua no Wolfsburg, também da Alemanha, é filho de pai espanhol e mãe chilena.

O meio-campo Gökhan Isler, que integra o Napoli, da Itália, e é o capitão da seleção, é de origem turca.

Outros cinco jogadores têm origem, todos, na desmembrada ex-Iugoslávia. O meia Valon Behrami, igualmente do Napoli, é suíço descendente de pais de etnia albanesa que vieram do conflagrado Kosovo. Blerim Dzemaili, também jogador de meio de campo, outro que pertence às fileiras do Napoli, idem, bem como Granit Xhaha, do Borussia Mönchengladbach da Bundesliga alemã, integrante da seleção da mesma posição.

Ainda da ex-Iugoslávia, só que da Macedônia, e da mesma de etnia albanesa, é o atacante Admir Mehmedi, jogador do Freiburg alemão. Já o atacante Haris Seferovic, do Real Sociedad espanhol, é suíço de pais nascidos na Bósnia-Herzegovina, país independente que integrou a antiga Iugoslávia até obter a independência, em março de 1992 — que só viria para valer, porém, após uma pavorosa guerra civil, três anos depois.

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Seilon em 21 de junho de 2014

Imigração só é boa quando o país tem empregos pra ela.Quando há uma invasão de imigrantes sem que o país tenha estrutura para recebê-los,dá problema.

Antoninho em 19 de junho de 2014

Avisa tb o teu Colega Augusto Nunes. Q esta com o mesmo problema. Obrigado. Vou avisar os responsáveis. Abraço

Antoninho em 19 de junho de 2014

Libera os comentarios dos ultimos posts pq nao tem como comentar, aparece so um quadrado. Sem formato. Vou avisar o pessoal de TI. Obrigado pelo alerta! Abraço

Maurilio em 19 de junho de 2014

Muito interessante também é a defesa do melhor time alemão, o Bayern de Munique. Ela é formada por Rafinha, Boateng, Dante e Alaba; Rafinha é brasileiro, Boateng é alemão, Dante é brasileiro e Alaba é austríaco. Desses, o único alemão é o negro Boateng e o único branco é o brasileiro Rafinha.

Antoninho em 19 de junho de 2014

Outra coisa, q esta acontecendo no Mundo é o exilo fiscal para Cingapura e Suica pelos americanos. Q estao renunciando seu Green Card.Pela ganancia de Waschington, cobrando imposto de q vivem no exterior.

Antoninho em 19 de junho de 2014

Isso é complicado, principalmente pela invasao portuguesa, q todos sabem, q aqui como no Brasil. Sao submissos ao Estado, nao tem iniciativa propria, nenhuma. A lista nas embaixadas, agencia de empregos é enorme. O desemprego em servicos de baixa qualificacao ja atinge 10 %. Arranjar trabalho so para muitos qualificados e doutorados turisticos com bolsa sanduiche das Universidades federais. E a cultura portuguesa de familia sempre foi um Stress diario emocional. Ainda mais se for para trabalhar la por necessidade. Fora a cultura portuguesa religiosa de milagre e ceu na terra q o brasileiro conhece muito bem... Q o suico tvz ate goste de ajudar mas nao de fazer milagres sociais. Q é tao pregoado aqui no Brasil.

Marta em 19 de junho de 2014

Bacana isso. É um país afinado com o futuro, ao contrário do Brasil aonde alguns ainda falam em "moreninhos".

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