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Luizito Suárez comemora o primeiro de seus dois gols da vitória contra a Inglaterra: menos de um mês depois de cirurgia delicada (Foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Injusta, cruel demais, impiedosa a virtual eliminação da Copa de 2014 da seleção inglesa, derrotada hoje na Arena Corinthians, em São Paulo, por um Uruguai renascido das cinzas após a ridícula derrota para a modestíssima Costa Rica, na partida de estreia. (Virtual eliminação, porque será necessária uma conjunção de semi-impossibilidades para os ingleses passarem adiante).

Mas Copas do Mundo são feitas disso também — como também de glórias e decepções, de explosões de alegria ou ranger de dentes, de momentos de beleza e fúria. Copa do Mundo sem injustiça nunca existiu, nem vai existir.

O mais gritante, porém, nessa vitória do Uruguai contra o leão inglês foi a entrada em cena de outro elemento indispensável às grandes Copas — o herói.

No caso, o infernal, perigosíssimo Luis Luisito Suárez, que por uma dessas ironias de que os Mundiais estão repletos atua, justamente, na Inglaterra, pelo Liverpool.

Não é apenas que Luisito haja marcado os dois gols, ambos sensacionais, da vitória.

O comovente é a história de sacrifício desse garoto de Salto, no interior do Uruguai, filho de mãe solteira e hoje um dos craques mais respeitados do mundo.

Não vou desfiar aqui sua biografia, mas ficar só no sacrifício brutal que significou, para ele, disputar a competição no Brasil: há menos de um mês — sim, há menos de UM MÊS –, já treinando para a Copa, Luisito sofreu grave lesão no menisco do joelho esquerdo e, no mesmo no dia 22 de maio, estava em uma mesa de cirurgia na Clínica Médica Uruguaya, em Montivedéu.

A seres humanos normais são dadas seis, oito, dez ou mesmo doze semanas para recuperar-se plenamente de uma artroscopia no joelho. Luisito teve pouco mais de três não apenas para voltar a caminhar e levar uma vida normal, mas para disputar uma partida dificílima num certame mundial.

Foi o o herói incontestável do jogo e, a depender de como se desenrolar o Uruguai na competição, concorre ao posto de herói da Copa.

Esta Copa representará uma excelente oportunidade para Luisito limpar atitudes horrorosas do passado, que incluem agressões sem bola e até uma mordida num adversário quando defendia o Ajax, da Holanda, e comportamentos racistas — que incluem xingamentos ao francês negro Evra, do Manchester United, a quem, inclusive, como jogador do Liverpool, ele se recusou a dar a mão nos tradicionais cumprimentos entre jogadores e árbitros que antecedem as partidas.

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Nenhum comentário

Pedro Luiz Moreira Lima em 20 de junho de 2014

Isso mesmo Mairatur! Uma Copa NOSSA!!! Grande abraço do amigo Pedro Luiz

Mairalur em 20 de junho de 2014

Pedro Luiz - 19:22 seria uma Copa Pan Americana. Gostei.

Roberto em 20 de junho de 2014

Sr. Setti, admiro sempre o seu bom censo, mas agora sou obrigado a lhe contrariar, a vitória do Uruguai, não só foi justa, mesmo porque jogou melhor, ainda que assim não fosse, futebol se ganha nas 4 linha do campo e não nas linhas dos articulistas. No mais, é menos um, tchau ingleses e desta vez a copa, é realmente só para inglês ver. Abs.

Pedro Luiz Moreira Lima em 20 de junho de 2014

Oi mairatur: Revoltado??? nunca feliz da vida!!! os piratas ingleses fora da Copa e junto os espanhóis, quiçá agora a Itália. Já imaginou uma Copa com Brasil,México,Equador,Costa Rica,Uruguai,Argentina,Costa do Marfim, estou esquecendo algum mais?antes que me contestem - todos jogando bem! Minha alegria e satisfação será ter uma Copa e os 4 finalistas da América do Sul Minha observação anterior foi pura ironia. Piada que corre na Copa - ingleses e espanhóis se unem ao movimento Não Vai ter Copa!!! Grande abraço Pedro Luiz

Marcelo Augusto Monteiro Ferraz em 20 de junho de 2014

Que seja herói por outro motivo, não o de dar glória a seu país no torneio.

Jayme Guedes em 20 de junho de 2014

Quanto menor a contagem, Setti, mais um esporte fica vulnerável a erros de arbitragem e circunstâncias acidentais. Nu basquete, com escores de 98 x 86 a importância de um erro ou um acidentalidade é muito menor do que no futebol com seus escores de 2 x 1. Na minha opinião o espaço entre as duas traves verticais deveria ser duplicado.

Lucas em 20 de junho de 2014

Posso queimar a língua, mas tirando Brasil, NENHUMA seleção latino-americana terminará entre os quatro primeiros. Aceito apostas...

mairalur em 20 de junho de 2014

Pedro Luiz sempre revoltado. Ô, amigo, sorria mais, mesmo nas letras. O Itaquerão inteiro - onde predomina a zelite, lembra? - estava torcendo para o Uruguai. Nós, sãopaulinos, então!!Temos sempre um desses hermanos em nosso time. Sem mencionar-se que os uruguaios, em geral, são bonitos, finos, educados. E Montevidéu (só conheço essa cidade uruguaia) é um encanto.

Luiz C. em 20 de junho de 2014

Futebol tem destas coisas! Será que a Inglaterra cancelará o Visto de Trabalho dele?

Ismael Pescarini em 20 de junho de 2014

Caro Setti, concordo plenamente e daí a graça do futebol e da vida, que não teria a mínima graça sem as incertezas. Torci pela Inglaterra, por questões afetivas, mas o Uruguai passou por cima da famosa fleuma.

marco em 20 de junho de 2014

Parabéns pelo texto.

José Eduardo Diniz em 20 de junho de 2014

Interessante !! Fiz um comentário concordando com o NÃO SEI O QUE É PIOR , das 08:55 , post sobre Brasil e México e , simplesmente fui ignorado , como já aconteceu em outras ocasiões . Será que não se pode discordar da histeria coletiva que tomou conta do Brasil em fazer de Neymar o craque e líder o que , definitivamente , ele não é , por não ter futebol e postura para tanto ? Chega a ser patético a narração de jogos do Brasil com narradores e comentaristas vendo coisas do outro mundo em qualquer passe de dois metros que o jogador nos brinda "com seu talento" . E o direito ao contraditório , ao contraponto ? Se até Pelé já foi contestado , o que dizer desse mascarado e presunçoso do Neymar ?

Otavio em 20 de junho de 2014

Belíssimo gesto de gratidão de Luis Suáres após seu primeiro gol, ao abraçar e beijar o profissional responsável por sua recuperação. Nesta época extremamente individualista, reconhecimento é algo cada dia mais difícil de ver.

Kitty em 19 de junho de 2014

Sempre o perdedor busca algum culpado para justificar para a torcida que fracassou..claro, que existem as zebras..Não há duvidas que Inglaterra jogou melhor que o Uruguay, mas, no futebol o que conta são os scores, ou seja, marcar gols..o resto é conversa para os comentaristas de TV após o jogo. O que chamou a atenção neste singular jogo foi a heroica atuação do craque uruguaio Luisito Suaréz que, a menos de um mês de operado no joelho, jogou com uma garra extraordinária num difícil certame internacional,fazendo os dois gols da vitória sobre Inglaterra, um verdadeiro herói como você o descreve.Brilhante o seu post, Ricardo!///Um abração-Kitty

Antoninho em 19 de junho de 2014

Isso q se pode chamar de jogador com temperamento de vencedor. Ja esta escrevendo o seu nome na historia...

Pedro Luiz Moreira Lima em 19 de junho de 2014

Que pena,né - vão os "Grandes" e ficam a ralé sul americana- que coisa terrível para o mundo civilizado. Bye Bye Piratas Ingleses

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