A serviço de VEJA, credencial para cobrir a Copa do Mundo de 1982, na Espanha, retirada em Sevilha, a 6/6/82. Foram 53 dias de trabalho duríssimo num Mundial organizadíssimo, impecável, com uma Seleção Brasileira que deixou saudades.

Recebi do então diretor da VEJA, J. R. Guzzo, uma dupla e dura missão: chefiar a equipe da revista e, pessoalmente, encarregar-me da cobertura da Seleção.

Encontrei duas grandes dificuldades: embora conhecedor do futebol como milhões de brasileiros, eu não trabalhava na área, pois era subeditor de Internacional. Pior ainda, havia outros 300 jornalistas brasileiros fazendo a mesma cobertura da Seleção, com a diferença de que muitos deles eram conhecidos e não poucos eram próximos dos jogadores e da Comissão Técnica. Mas acabei conseguindo cumprir a tarefa.

Dureza era a rotina dos dois grandes fotógrafos da equipe, Pedro Martinelli, o “Pedrão”, e Ricardo Chaves, o “Kadão”. Além de se virarem com a Seleção em treinos, jogos, entrevistas etc, e percorrerem a Espanha para clicar as melhores partidas dos grupos em que não estava o Brasil, eles se revezavam viajando diariamente, ida e volta, da cidade-base da Seleção a Madrid, de onde envelopes com filmes eram despachados a SP em mãos de passageiros de boa vontade ou, eventualmente, de algum tripulante da Varig. Eram voos diários Sevilha-Madrid-Sevilha, durante um mês, e depois durante dez dias a mesma coisa desde Barcelona.

A enorme e trabalhosa logística em tempos pré-era digital, em que a transmissão de fotos preto e branco não chegava a ser uma maravilha e ainda eram experimentais telefotos a cores, incluía o recolhimento dos envelopes no Aeroporto de Viracopos, em Campinas, a 100 km de SP (Guarulhos só seria inaugurado três anos depois), pela brava equipe da Abril Press, setor da Editora Abril encarregado de várias e diferentes tarefas. De lá, disparavam para a Avenida Marginal do Tietê, então sede principal da Abril, para que os filmes fossem revelados.

Mas Pedrão e Kadão, além de fazerem uma espetacular cobertura fotográfica da Copa – não deixaram de clicar em sequêcia um único dos 15 gols marcados pelo Brasil -, ainda foram pioneiros, ao transmitir as primeiras telefotos a cores aproveitáveis na Abril.

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