Correria no pátio do hotel da Seleção, durante a cobertura da Copa da Espanha para VEJA: aí vem o craque Zico para o que se chamava a “janela” da imprensa. Cada dia alguns jogadores deixavam a concentração para conversar com os jornalistas e saciar a necessidade, principalmente, das emissoras de TV e rádio.

Era nessas conversas que eu, discreta e cuidadosamente, pescava bastidores para a revista. Além de estabelecer boa relação com Telê Santana e a equipe técnica e a médica, recorri ao macete de obter informações não raro preciosas de personagens pouco procurados — alguns, nunca.

Foram ótimas fontes para mim, por exemplo, entre vários outros, o goleiro reserva Paulo Sérgio, o cardiologista Ricardo Vivacqua, figura importante da equipe médica que alguns colegas nem sabiam quem era, e o preparador físico auxiliar Moraci Santana, hoje muito conhecido mas na época extremamente discreto.

Fui o primeiro da turma de jornalistas a recorrer às estatísticas de que Telê e o preparador físico Gilberto Tim encarregaram Moraci, feitas naquela época pré-digital com caneta Bic, prancheta e papel, mas nem por isso menos importantes.

Praticamente ninguém, além de mim, entrevistava o auxiliar de Telê, Vavá, o “Leão da Copa” em 1958, ou o discreto preparador de goleiros Waldir, aquele grande porteiro do Palmeiras. Àquela altura, o Brasil já passara pela União Soviética e estava a dois dias da partida contra a Escócia, que atrasaria por 4 a 1.

A 16 de junho de 1982. O grande Pedrão, além clicar Zico, fez a foto da foto. (Foto: Pedro Martinelli)

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