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Celebrando golaço contra o Palmeiras, em 2005, com a faixa de capitão (Foto: Gazeta Press)

A cada crise envolvendo Carlitos Tévez o Manchester City – e estamos diante de uma das piores, com o jogador se recusando a jogar pela equipe inglesa -, reacendem-se os boatos da volta fera argentina ao Corinthians, clube que defendeu entre 2005 e 2006 deixando imensas, irreparáveis saudades na enorme torcida alvinegra.

Os burburinhos ganharam força esta semana com a ida do ex-jogador e atual gerente de futebol do Coringão,  Edu Gaspar, à Inglaterra esta para tratar do assunto.

Anos frustrantes na Inglaterra

Correndo o risco de ser multado em 2,5 milhões de reais pelo MC por negar-se a jogar contra o Bayern de Munique pela Copa dos Campeões no fim do mês passado, Tévez, 27 anos, escreve mais um episódio negativo de sua instável e até mesmo decepcionante passagem pelo futebol inglês.

Em mais de cinco anos e contando os três times que defendeu (além do atual, o rival Manchester United e o modesto West Ham, para onde foi inicialmente transferido depois de deixar o Parque São Jorge), o craque da seleção argentina raramente foi sombra do ídolo que enlouqueceu a Fiel. Por várias razões. Uma delas: não deixaram.

No Manchester United, o treinador Sir Alex Ferguson, que por razões ignoradas visivelmente nunca gostou de Carlitos, deixava-o no banco mesmo no auge da forma ate que o esnobou solenemene, permitindo sua venda mesmo depois de perder, para o Real Madrid, o superatacante Cristiano Ronaldo.

Posso estar enganado, mas acho que qualquer outro treinador do planeta faria o diabo com uma dupla de atacantes Rooney-Tévez.

O último ídolo genuinamente corintiano

O Corinthians é o último clube pelo qual Carlitos brilhou, e ao mesmo tempo ele foi o derradeiro ídolo genuinamente corintiano: feio, “maloqueiro sofredor”, lutador, incansável, daqueles jogadores que enfiam a cara na trave para defender um possível gol adversário e um minuto depois está infernizando os zagueiros contrários.

OK, depois haveria Ronaldo; mas o Fenômeno seria herói em qualquer time, já veio “pronto”, consagrado como um dos maiores jogadores da história do futebol.

Os gols do Apache, ora bonitos ora “chorados”, sua força de touro, de búfalo, que nunca cai ou recua mesmo com as pancadas dos zagueiros, e sua raça inesgotável deixaram os corintianos em transe.

Aqui em Barcelona, onde me encontro, já me dei ao trabalho de ir ao estádio do Barcelona ver o então horroroso time do Manchester City atuar — o atual MC, a peso de toneladas de ouro, está jogando um bolão — só para matar saudades do Apache.

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Celebrando o título brasileiro de 2005 (Foto: Gazeta Press)

Não por acaso, Tévez ganharia com seus companheiros o título do polêmico Campeonato Brasileiro de 2005 e seria considerado o melhor jogador do torneio naquele ano (fato que gerou esta divertida propaganda de cartão de crédito na Argentina).

Enquanto os alvinegros torcem para que um dia seu herói volte – mesmo sabendo que a transação é complicada e cara, na casa dos 40 milhões de euros -, confiram aqui os cinco melhores momentos de Carlitos Tévez pelo Corinthians:

5- Flamengo 1×3 Corinthians (Campeonato Brasileiro de 2005)

Ahora me conoce”. Assim respondeu o camisa 10 ao presidente do Flamengo, Marcio Braga, após marcar dois golaços na vitória corintiana sobre a equipe rubro-negra por 3×1. Antes da partida, Braga havia insinuado desconhecer o atleta e lhe lançado um desafio. “Perrrrdeu”, como diriam os próprios cariocas:

4-Corinthians 3×0 Deportivo Cali (Libertadores 2006)

No tempo 1’25’’ deste vídeo vê-se um gol que resume o estilo “desistir nunca” de Tévez: com uma “voadora” cinematográfica, ele empurra para as redes do time colombiano Deportivo Cali uma bola que parecia impossível. Vale assistir à matéria completa, que destaca também as jogadas de raça do ídolo que, juntamente com os seus gols, justificaram o amor da Fiel por ele.

3-Corinthians 1×1 Palmeiras (Campeonato Paulista 2006)

Poucas vezes a anulação de um gol foi tão lamentada. Não só porque a jogada era legal – Carlitos não cometeu falta no marcador, como indicaria o árbitro -, mas também pela beleza do lance. No tempo 0’34’’, ele coloca a bola entre as pernas do zagueiro Leonardo e em seguida manda um tirombaço no ângulo do pentacampeão Marcos. Ainda mais épico na narração do grande José Silério. Pena que não valeu.

2-Corinthians 7×1 Santos (Campeonato Brasileiro de 2005)

Contra o Santos, na histórica goleada de 7×1 pelo Brasileirão 2005, o goleador marcou três vezes. O último (tempo 2’07’’), em que tabelou com Nilmar, foi o mais bonito.

1-Corinthians 1×1 Palmeiras (Campeonato Brasileiro de 2005)

Este clássico contra o arquirrival verde também terminaria em empate. Mas um gol como este de Carlitos, o seu primeiro em clássicos, no qual deixou sentado o paraguaio Gamarra — ex-corintiano e um dos maiores zagueiros de todos os tempos – e outros três palmeirenses (incluindo Marcos), deveria valer por dois. Silvério quase perde a voz narrando.

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7 Comentários

Marco em 17 de outubro de 2011

Amigo Setti: Tu está coberto de razão, o q o Inter sofreu tbm com o procurador do Nilmar, senão me engano Orlando da Hora, esse cara fazia leilão todos os dias. Mas tirando isso, os dois formam uma grande dupla. Já q futebol tbm depende da parceria. Abs. Uma grandessíssima dupla, amigo Marco. Abraço

Marco em 17 de outubro de 2011

Amigo Setti: Sem o Nilmar, Carlitos não é a mesma criança. Mas o argentino q o Timão quer é o Montillo,do Cruzeiro. Abs. Caro Marco, não sei se esses garotos sabem avaliar suas carreiras. O Nilmar deixou uma situação de ídolo total no Corinthians -- que pagou uma sua complicada cirurgia de joelho e financiou toda a sua recuperação, para depois vê-lo partir -- para jogar num Villareal aqui da Espanha que virou saco de pancadas. Deixou de ser o "fantasma" de outras temporadas para ser um time modesto, desimportante. Ele mora numa cidade pequena, joga num time modesto, onde aliás quem marca mais gols é o italiano De Rossi, seu companheiro de ataque, e vai aos poucos sendo esquecido. No Corinthians, com patrocínios e tudo o mais, ganhava um bom dinheiro, mas... O Tévez tem situação parecida. Agora seu clube, o Manchester City, está com um timaço e lidera o campeonato inglês, mas ele gramou anos num time medíocre de mercenários sem alma, depois de ter que abrir um caminho dificílimo no Manchester United, que já tinha ninguém menos do que Rooney e Cristiano Ronaldo. Atualmente, com o Man City renovado e ganhando, ele está brigado com o técnico e não joga. No Corinthians seria mais feliz e ganharia uma bela nota. E não precisaria morar em Manchester, onde chove 70% do tempo... Abraços

Corinthians em 17 de outubro de 2011

Daniel Só pra eu entender. O juiz ladrão foi capa de revista, confessou que influia nos jogos para favorecer alguns times dependendo da aposta feita. Você acha então que os jogos não deviam ser jogados novamente, que se ficasse com a atuação do juiz ?

Observador100 em 17 de outubro de 2011

Caro Setti Que melancolia hein? Os paulistas podem ficar tranquilos que, se se comportarem direitinho, no próximo ano a federação carioca convida o "curintians" para o "cariocão" novamente.He he abraço

Daniel em 17 de outubro de 2011

Fale das maracutaias a favor do corintia em 2005... brasileiro roubadaço.... Nada deve aos apitos amigos (Aragão,Wright, Scolfaro etc.) em favor do Fla-Zico.... Corintia... 101 anos de mentiras, fracassos,vexames e roubos descarados

Corinthians em 16 de outubro de 2011

Aew Setti, belíssimo post. Muito bom mesmo, saudades do Tevez. Mas também lembro que membros de torcida organizada (que causam os piores males do futebol brasileiro) ameaçaram o Tevez e sua família, o que causou a saída prematura do ídolo. Espero que ele volte, mas não sei se será possível. Enquanto isso: Vai CORINTHIANS!

Paulo Brasilis em 16 de outubro de 2011

Muito bom, agora vi conversa. Vou espanhar essa mensagem, hhahha. Isso é melhor que premio nobel.

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