Corrupção, ontem e hoje. Parece que nada muda no Brasil!

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Se tanta gente que manda se diz contra a roubalheira e promete combatê-la, por que continua se roubando tanto “neztepaiz”? (Foto: ello.org)

Como alguns amigos do blog já sabem, porque comentei neste espaço mais de uma vez, estou envolvido na aventura de por no ar um site no qual está sendo incluído todo o material que consegui guardar ou recuperar de várias décadas de trabalho como jornalista.

O site conterá um grande número de material contemporâneo — textos, vídeos, fotos etc. Mas também entrevistas, reportagens e artigos de muitos anos atrás. E essa viagem ao passado, entre outras sensações, me provoca a do déja vu, do já visto, comentado e repetido inúmeras vezes, ao passar por temas que parecem se repetir infinitamente.

Tenho encontrado artigos escritos há 10, 20 ou mais anos que poderiam ser quase reproduzidos por inteiro, mudando nomes de personagens e datas, que ainda assim pareceriam referir-se a fatos sendo vividos agora “neztepaiz”.

Vejam, por exemplo, este trecho de um artigo de minha autoria publicado na página 2 do jornal O Estado de S. Paulo — do qual era editor-chefe, tendo o Augusto Nunes como diretor de Redação — no longínquo dia 19 de setembro de 1991.

Intitulado “Emendão e autoritarismo”, o texto comentava o conjunto de medidas, incluindo um ajuste fiscal (sim, um ajuste fiscal, não muito diferente do que está sendo discutido atualmente) que o então presidente Fernando Collor propunha ao Congresso para o país não ir para o abismo depois do fracasso de sua tentativa frustrada de “matar” a inflação com o plano que levou seu nome e confiscou a poupança dos brasileiros.

Lá pelas tantas, escrevi o seguinte:

“É formidável (…) ver a unanimidade que se vai formando em torno da satanização da ladroagem, sendo já o caso de se perguntar, então, como é que se rouba tanto — se tanta gente que manda é contra a roubalheira.”

É coisa de mais de 23 anos atrás. Mas não parece de hoje?

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