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Cena de um assalto a banco, na concepção do ilustrador húngaro Tamas Gaspar (Reprodução: digipixture.com)

Ah, que inveja.

A revista semanal britânica The Economist está saindo com uma reportagem de capa mostrando a enooooooooooooorme queda na criminalidade ocorrida nas últimas duas décadas nos países ricos — ou ao menos mais ricos do que o nosso.

Amigas e amigos do blog, nem dá para acreditar. No ano passado inteiro, na Inglaterra e no País de Gales, somados, ocorreram 69 assaltos a bancos, empresas e agências dos Correios (que, no Reino Unido, fazem certas funções de bancos).

Pois essas 69 são um forte contraste com a média dos anos 90: 500 por ano.

Agora, os Estados Unidos.

Em 1990, 147 mil carros foram roubados em Nova York.

Sabem quantos, no ano passado?

Menos de 10 mil.

Em países como a Suíça e a Holanda praticamente desapareceram do centro das principais cidades figuras como traficantes de drogas e cafetões. Viciados em drogas e alcoólatras, em número crescente, vêm-se alojando em centros públicos de acolhimento. Nas ex-comunistas Polônia e Lituânia, gangues que traficavam drogas e pessoas nos anos 90, logo após o colapso da União Soviética e o fim do comunismo na Europa do Leste, passaram a atividades criminosas menos violentas, como fraude e golpes financeiros.

E a revista mostra, por A + B, o que especialistas em criminalidade dizem no Brasil, sem que o Congresso ou o governo lhes dêem ouvidos: a diminuição do número de crimes se deve ao medo de os delinquentes serem pegos, devido ao aperfeiçoamento dos recursos tecnológicos das polícias, muito mais do que as penas e sentenças rigorosas.

Em outras palavras: o que faz diminuir o crime não é a dureza da pena, mas o grau de certeza da punição.

Não adianta, pois, o Congresso fazer demagogia aumentando as penas para certos crimes, ou classificando-os como hediondos.

É preciso qualificar e equipar o mais possível as polícias, e mudar a legislação, tapando os buracos legais que protegem ou facilitam a vida dos bandidos quando, apanhados, vão a julgamento.

Além disso, é preciso endurecer a Lei de Execução Penal, para que, apanhado, julgado e condenado, o criminoso saiba que terá vida dura — e longa — na cadeia, sem a plêiade absurda de benefícios que a atual legislação propicia.

Se quiser conferir o texto em inglês da revista, clique aqui.

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19 Comentários

Nicolau em 17 de agosto de 2013

No Brasil, lei frouxas e bandidos durões!Onde tem leis frouxas de pederastas viados como no Brasil, qualquer marginal covarde vira heroi!

Corinthians em 24 de julho de 2013

Setti, Seria perfeito se eu achasse que se aplica ao Brasil. O problema no Brasil, além das penas serem menores, é que elas dificilmente são cumpridas. Só no caso do mensalão, para garantir que exista a punição de prisão em regime fechado, Dirceu teve que ser condenado para mais de 8 anos de prisão. Isso em um processo que, memsmo não passando por instâncias menores, demorou 7 anos para ocorrer - e ainda não terminou. Dado o sistema que temos no Brasil, de atenuantes, flexibilizações e indultos, as penas precisam ser aumentadas e/ou os indultos removidos. É ridículo viver em um país onde um assassino, que pega pena máxima de 30 anos, consiga sair em 5 anos por ter cumprido 1/6 da pena. É ridículo viver em um país onde um preso que tenha contribuído para o INSS e fique sem trabalhar na prisão receba o bolsa-bandido de valor 40% superior de quem trabalha e ganha o salário mínimo. É patético ver criminosos que cometeram crimes hediondos, recorrentes, pertencentes de facções criminosas, recebam a saída temporária para o dia das mães, natal... Certeza de punição ? Não no Brasil...

Caio Frascino Cassaro em 24 de julho de 2013

Prezado Setti: Como é que a polícia vai correr atrás de narcotraficantes se o partido no poder é aliado das FARC? Tem até terrorista - o tal do "cura" Medina - empregado no governo. As Farc hoje formam um dos maiores cartéis de drogas do planeta, e nosso governo se recusa a tratá-los pelo que são - bandidos. Ao contrário, tem para com essa gente uma relação incestuosa, subserviente, lesiva aos interesses do estado brasileiro. O tráfico de drogas e de armas pelas nossas fronteiras é uma vergonha (mais uma ) internacional, e, tirando um ou outro órgão de nossa imprensa, talvez só a Veja, o resto se cala vergonhosamente perante esse fato. O Governador Alckmin, em entrevista não faz muito tempo, afirmou que o combate às drogas e ao consequente tráfico de armas era um problema federal, e que na falta de ação do governo central as polícias dos estados, no mais das vezes totalmente despreparadas, são obrigadas a enfrentar um problema que está acima das suas capacidades. Para finalizar, discordo do texto quando afirma que não adianta forçar a mão na pena. Adianta, sim. SE a polícia funcionar, o sujeito tem também que temer a pena, caso contrário fica aquela coisa da polícia prender e a justiça em seguida mandar soltar, desmoralizando a punição. Um abraço

Lucio em 24 de julho de 2013

A respeito deste mesmo assunto, leiam interessante artigo, escrito por Ilana Casoy: http://id.discoverybrasil.uol.com.br/ilana-casoy-um-jogo-chamado-probabilidade/ Sds.

Jeremias-no-deserto em 24 de julho de 2013

Penso que é correto atribuir o absurdo nível de criminalidade violenta em nosso país à rendição total do estado ao narcotráfico.Nos países citados, a praga dos poderosos carteis do crime organizado foi totalmente extirpada da sociedade e esse trabalho não foi realizado apenas pela polícia, mas por toda a sociedade civil.Ela reflete os padrões de sociedades onde a corrupção não é endêmica,a distribuição de renda é mais justa e igualitária, os serviços sociais funcionam de forma satisfatória e toda a população tem acesso à educação e à saúde pública.Nós sabemos que nada funciona assim no Brasil e as autoridades, ao invés de combaterem duramente o crime organizado, parece se aliar a ele.

Titus em 23 de julho de 2013

Talvez tenhamos mais criminosos do que o mundo civilizado não apenas pela certeza da impunidade mas também por vocação mesmo. Eu acho...

Marcondes Witt em 23 de julho de 2013

Esta 'receita' de aumentar a pena como remédio contra a criminalidade vem sendo usada há anos, e está mais do que provado, como nesta nota, de que não produz os resultados esperados. Entram neste 'pacote' de receita ineficaz, a meu ver, a redução da maioridade penal, em razão dos menores infratores. Além da certeza das medidas aplicadas aos infratores, talvez se pudesse legislar em alguns aspectos, mas sem precisar mexer na Constituição, o que para alguns, seria cláusula pétrea inclusive.

Marco Balbi em 23 de julho de 2013

Foi ótimo e muito oportuno você ter postado sobre o assunto, face aos absurdos e contrastantes números divulgados por aqui nos últimos dias!

Andre M. Andrade Jr em 23 de julho de 2013

A fase do Brasil de Lula e Dilma é a pior possível.Nada funciona.São 37 ministérios com gente nada qualificada para as funções.Basta pensar na Educação e Saúde para se ter uma avaliação.Os outros são o bagaço da merda.Como obter índices melhores logo em segurança ,cujo indicativo é especialmente comprovador do desempenho de uma administração-vejam o exemplo de Manhattan.

Kitty em 23 de julho de 2013

Querido Ricardo, realmente os índices que seu post traz e que mostram como certos países são afortunados porque com uma política certa contra a bandidagem, conseguiram reduzir a criminalidade drasticamente e é de dar inveja sim!!!..Brilhante o seu texto e concordo plenamente com ele em todos os aspectos, especialmente, quando você realça que não são as penas ou quantias de anos que podem ficar presos, mas a absoluta segurança que serão punidos, porque, em quanto à impunidade, esta será zero. Aqui no Brasil, infelizmente é a impunidade que lhes da a coragem para continuar a delinquir. Saem da prisão com o convencimento que vão continuar dentro do mundo da criminalidade porque ficam confinados pouco tempo e continuam cometendo os mesmos crimes. A Justiça falha e os programas que se supõem que são para recuperá-los não funcionam..e isso é para os políticos também.Estou segura que, naqueles países que você faz referência, o julgamento do mensalão já teria acabado e os mensaleiros estariam presos faz tempo.. o que irrita mesmo é a impunidade que corre solta no nosso País!Um abração//Kitty

vlad em 23 de julho de 2013

Falou tudo,o grau de certeza da !pois a "facilitação" aos bandidos,começa antes de serem apanhados(devem ter um disque denúncia também 171).Acho que muitos policiais bateram mais que uma vez na mesma porta,prendem os marginais,traficantes,caças-niqueis, etc. Mas depois de pouco tempo estão todos soltos, a execução penal é leve.Outra coisa,o 181 disque denúncia recebe em torno de 100mil denuncia/mês daria para prender muita gente safada, porém ter um prazo de 30 a 90 dias para verificarem a ocorrência...ai o gato que era branco virou pardo.

JulioK em 23 de julho de 2013

Setti, Bandido não tem medo de polícia, tem medo de PRESÍDIO!! Refiro-me a aqueles lugares onde o preso "realmente" cumpre a pena!!

Wagner em 23 de julho de 2013

Pare de amolar a paciência. De preferência, dê o fora.

Marcos Conservador em 23 de julho de 2013

A melhor frase da reportagem original é "Left-wingers who argued that crime could never be curbed unless inequality was reduced look just as silly."

Wagner em 23 de julho de 2013

Seu comentário mentiroso e ofensivo foi deletado.

Francisco em 23 de julho de 2013

São numeros sensacionais para quem não foi assaltado no Metrô de Paris !

Sylvia em 23 de julho de 2013

Para ver isto acontecer precisamos, antes de tudo, de mudar a qualidade dos governantes. Que não se pareçam tanto com os criminosos...

Marcelo Silva em 23 de julho de 2013

Taí um bom motivo pra trancafiar os mensaleiros o mais rápido possível.

Bruno Sampaio em 23 de julho de 2013

SEm mais palavras. Perfeito, Setti. UM abraço!

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