CRIMINALIDADE: Em meio a péssimas notícias sobre o aumento de jovens brasileiros assassinados, um fato muito positivo: o Estado de São Paulo diminuiu em 86,3% esses índices nos últimos 15 anos — a maior queda do gênero no Brasil

CRIMINALIDADE: Em meio a péssimas notícias sobre o aumento de jovens brasileiros assassinados, um fato muito positivo: o Estado de São Paulo diminuiu em 86,3% esses índices nos últimos 15 anos — a maior queda do gênero no Brasil
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Sob dados pavorosos do aumento de assassinato entre jovens, um ponto positivo: a dramática redução desses crimes no Estado de São Paulo (Ilustração: Thinkstock)

São horrendas as novidades contidas em aspectos do Mapa da Violência 2013 divulgados hoje, conforme matéria abaixo da Agência Brasil.

Um aumento de mais de 300% na taxa de homicídio de jovens — brasileiros entre 14 e 25 anos — no período que vai de 1980 a 2011 é estarrecedor, é razão para o problema se transformar em prioridade zero de qualquer governo decente, o que inclui do governo federal à mais remota das prefeituras.

No meio da reportagem, porém — para ser mais exato, no final, escondidinha — vem uma informação que vai em sentido contrário à onda de noticiário negativo sobre a segurança pública em São Paulo: com uma queda de 86,3% no número de assassinatos de jovens, é o Estado que ostenta os melhores percentuais de redução dessa barbaridade nos últimos 15 anos.

(Acrescento só mais um comentário: não sei por que razão tanto jornalistas como especialistas usam a palavra “violência” em lugar de “criminalidade”. A primeira providência para combater o crime, como já escrevi várias vezes ao longo da carreira, é chamá-lo pelo nome certo.)

Leiam a reportagem:

HOMICÍDIOS DE JOVENS CRESCEM 326,1% NO BRASIL, MOSTRA MAPA DA VIOLÊNCIA

Carolina Sarres

Repórter da Agência Brasil

Brasília – A violência contra os jovens brasileiros aumentou nas últimas três décadas, de acordo com o Mapa da Violência 2013: Homicídio e Juventude no Brasil, publicado hoje (18) pelo Centro [Brasileiro] de Estudos Latino-Americanos (Cebela), com dados do Subsistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.

Entre 1980 e 2011, as mortes não naturais e violentas de jovens – como acidentes, homicídio ou suicídio – cresceram 207,9%. Se forem considerados só os homicídios, o aumento chega a 326,1%.

(…)

“Hoje, com grande pesar, vemos que os motivos ainda existem e subsistem, apesar de reconhecer os avanços realizados em diversas áreas. Contudo, são avanços ainda insuficientes diante da magnitude do problema”, conclui o estudo.

O homicídio é a principal causa de mortes não naturais e violentas entre os jovens. A cada 100 mil jovens, 53,4 [foram] assassinados, em 2011. Os crimes foram praticados contra pessoas entre 14 e 25 anos. Os acidentes com algum tipo de meio de transporte, como carros ou motos, foram responsáveis por 27,7 mortes no mesmo ano.

Segundo o mapa, o aumento da violência entre pessoas dessa faixa etária demonstra a omissão da sociedade e do poder público em relação aos jovens, especialmente os que moram nos chamados polos de concentração de mortes, no interior de estados mais desenvolvidos; em zonas periféricas, de fronteira e de turismo predatório; em áreas com domínio territorial de quadrilhas, milícias ou de tráfico de drogas; e no arco do desmatamento na Amazônia que envolve os Estados do Acre, Amazonas, de Rondônia, Mato Grosso, do Pará, Tocantins e Maranhão.

De acordo com o estudo, a partir “do esquecimento e da omissão passa-se, de forma fácil, à condenação” o que representa “só um pequeno passo para a repressão e punição”.

O autor do mapa, Julio Jacobo Waiselfisz, explicou à Agência Brasil que a transição da década de 1980 para a de 1990 causou mudanças no modelo de crescimento nacional, com uma descentralização econômica que não foi acompanhada pelo aparato estatal, especialmente o de segurança pública.

O deslocamento dos interesses econômicos das grandes cidades para outros centros gerou a interiorização e a periferização da violência, áreas não preparadas para lidar com os problemas.

“O malandro não é otário, não vai atacar um banco bem protegido, no centro da cidade. Ele vai aonde a segurança está atrasada e deficiente, gerando um novo desenho da violência. Não foi uma migração meramente física, mas de estruturas”, destacou Waiselfisz.

Nos Estados e capitais em que eram registrados os índices mais altos de homicídios, como em São Paulo e no Rio de Janeiro, houve redução significativa de casos, devido aos investimentos na área.

São Paulo, atualmente, é o Estado com a maior queda nos índices de homicídios de jovens nos últimos 15 anos (-86,3%).

A Região Sudeste é a que tem o menor percentual de morte de jovens por causas não naturais e violentas (57%).

Em contraponto, Natal (RN), considerado um novo polo de violência, é a capital que registrou o maior crescimento de homicídios de pessoas entre 15 e 24 anos – 267,3%.

A região com os piores índices é a Centro-Oeste, com 69,8% das pessoas nessa faixa etária mortas por homicídio.

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