CRISE SÍRIA: Boas notícias da economia amenizam tensão do encontro dos países ricos em São Petersburgo, na Rússia

Apesar das tensões da crise síria, Putin e Obama foram só sorrisos à entrada do Palácio Constantine, em São Petersburgo (Foto: Yuri Kadobnov / AFP / Getty Images)

A gravíssima questão do planejado ataque dos Estados Unidos à Síria em represália e alerta ao ditador Bashar Al-Assad pelo uso de armas químicas na guerra civil que sacode o país há mais de dois anos estará no centro nervoso dos debates do G-20, o grupo das 19 maiores economias do mundo e mais a União Europeia, reunido hoje em São Petersburgo, na Rússia.

Apesar da tensão, sobretudo entre os presidentes dos EUA, Barack Obama, e o anfitrião, Vladimir Putin, que já ameaçou não especificadas represálias diante de um ataque americano ao aliado sírio, o fato é que a reunião do G-20 inclui um lado bem mais positivo: os sinais claros e fortes de uma retomada da economia, depois dos brutais efeitos da crise financeira de 2008.

Enquanto Putin, apesar das diferenças políticas, recebia sorrindo a um também sorridente Obama no bicentenário Palácio Constantine, em Steina, distrito de São Petersburgo que dá para o Golfo da Finlândia, onde se realiza o encontro, os dados econômicos positivos já eram conhecidos.

A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 34 países — a maioria de economias avançadas — e mais Turquia, México e Chile, previu que a economia mundial continuará crescendo, impulsionada pela dinâmica dos Estados Unidos, e reviu para cima suas previsões de crescimento para o segundo, o quarto, o quinto e sexto países mais ricos do mundo — a China, a Alemanha, a França e o Reino Unido.

Outra imagem do encontro: Obama desce do Cadillac presidencial blindado e vai ao encontro de Putin (Foto: Reuters)

Segundo a OCDE, com sede em Paris, a China, puxando forte o carro da melhoria geral, deverá ter um crescimento de 8,2% do PIB, um bom pulo em relação ao estudo anterior, de maio, que falava em 7,4%. A Alemanha poderá crescer 0,7%, contra os 0,4% anteriormente previstos, enquanto a França subirá seis pontos, passando de 0,3% negativos a 0,3% positivos, e o Reino Unido saltará ainda mais, dos 0,8% prognosticados para 1,5%.

Os economistas da organização avaliaram que as perspectivas de Alemanha e França poderão chegar a contagiar toda a zona euro (composta por 17 dos 28 países da União Europeia, e de que não faz parte o Reino Unido).

Elogiaram, também, os progressos realizados pela UE em campos como a criação de normas para uma supervisão bancária mais rigorosa e de novos mecanismos financeiros para fazer frente à escassez de financiamentos.

O lado menos risonho do estudo começa pela advertência de que, caso a recuperação econômica não se consolide, o Banco Central Europeu deve estar preparado para injetar liquidez nos bancos comerciais de forma a estimular a oferta de crédito. Passa pela constatação de que a Itália — oitava maior economia mundial, se o Brasil for considerada a sétima — terá uma contração de 1,8% do PIB e pela advertência do economista-chefe, Pier Carlo Padoan, segundo a qual “as economias avançadas estão crescendo mais, e as economias emergentes” — inclusive o Brasil — “estão crescendo menos”. Isso, disse, faz com que a reativação mundial ainda não possa ser considerada como “firmemente estabelecida”.

De todo modo, os ventos da economia melhoraram, e isso contribuirá para amenizar as tensões do encontro em São Petersburgo.

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2 Comentários

  • Marco

    D. Setti, acho q não vai ter perigo se a economia voltar a esquentar o frio inverno russo.
    Abs.

  • Marcos F

    O Brasil não existe nesse encontro. mandar lá, uma Dilma dessas, é só despesa.
    O mundo está melhor. E o Brasil?