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Mauricio Vicent, correspondente do jornal “El País” em Cuba: cassado pela ditadura cubana

Enquanto no Brasil a inadmissível retórica em favor do tal “marco regulatório das comunicações” volta a ser pauta no Congresso do PT – leia esta notícia do Estadão –, Cuba continua dando exemplos de como um governo com tais inclinações pode vir a atuar.

O regime ditador dos irmãos Castro acaba de cassar em caráter definitivo a credencial do jornalista espanhol Mauricio Vicent, 47, que ao longo dos últimos 20 anos vinha trabalhando como correspondente em Havana do jornal El País, o principal da Espanha, e também da cadeia de rádios SER (Sociedade Espanhola de Redifusão).

Convocado recentemente pelo Centro Internacional de Imprensa (que em espanhol, vejam só, resulta na sigla “CPI”), Vicent foi enquadrado em um certo artigo 46 da resolução regulatória de imprensa estrangeira 182, do ano de 2006. O artigo pune com a retirada temporal ou permanente do direito a exercer a profissão no país a quem “falte à ética jornalística e/ou não se ajuste à objetividade em seu trabalho” (veja todas as regras impostas pelo órgão em seu site oficial). Segundo o CPI, há tempos Vicent passava “uma imagem parcial e negativa” da realidade cubana, algo que se teria se tornado “mais agudo” recentemente.

Resposta enérgica

A direção do El País respondeu à cassação com veemência, classificando como exemplar a atuação de seu repórter e afirmando que “rechaça energicamente as acusações do regime cubano e considera que a decisão de retirar a credencial de Mauricio Vicent é um atentado contra a liberdade de expressão e informação, além de evidenciar a incapacidade do regime cubano para compreender o papel dos meios de comunicação, em particular de um meio estrangeiro”.

O jornal, que relembrou do banimento a jornalistas da BBC, do Chicago Tribune e do El Universal, do México, em 2007, relata também as sucessivas tentativas do Ministério de Assuntos Exteriores da Espanha e da embaixada do país em Cuba de resolverem, sem sucesso, a situação.

Entre seus argumentos, o CPI clama que seu problema era com a pessoa de Vicent, e não com o jornal ou com as rádios. O El País rebate, considerando tal ponto “inaceitável”. “É o El País que, desde o profissionalismo e o rigor, decide quem são os seus correspondentes”.

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13 Comentários

carla lacerda em 09 de setembro de 2011

GENTE, espero que a ptezada nao leia esta noticia, se a coisa pega...... bom, alem do mais, o que esse cara tava fazendo por lá? Prezada Carla, o "cara" estava lá trabalhando como jornalista, relatando fatos, fazendo análises, exercendo sua profissão. Foi o que acabou resultando em sua expulsão. Gostemos ou não do regime cubano -- eu, por exemplo, o abomino --, não podemos deixar de lado que o que se passa em Cuba é importante para um grande número de leitores, inclusive para os que esperam que a ditadura termine e que a democracia acabe por imperar na ilha. Abração

Luiz Pereira em 08 de setembro de 2011

Setti, Esse é país que Frei Betto, "irmào em Cristo e em Castro", defende. abs

Matarael em 08 de setembro de 2011

Realmente, Cuba deveria seguir o exemplo do pais campeão da Liberdade,Democracia e Direitos Humanos: Os Estados Unidos da América. Já ouviste falar do repórter da Al-Jazeera, Tarek Ayoub, caro Setti? Pois é, a Al-Jazzera estava (como sempre) falando mal dos gringos e os americanos não cassaram as credenciais do repórter em questão e sim O EXPLODIRAM EM PEDAÇOS COM UM MÍSSIL ANTI-TANQUE. Esse é o exemplo a ser seguido por todos, inclusive no Brasil.

Petista arrependido em 07 de setembro de 2011

Ricardo, O idiota do Franklyn Martins deve estar com orgasmos de felicidade! É desse jeito que ele queria a nossa imprensa:calada,submissa,impotente e anestesiada. Graças a Deus que ele foi deletado!!!

rossini thales couto junior em 07 de setembro de 2011

Caro Setti E ainda existem alguns petistas que insistem em afirmar que não existem censura à imprensa e tampouco ditadura em Cuba. Durma-se com um barulhão como esse!! Abração do amigo Rossini

tico tico em 06 de setembro de 2011

A questão já não é mais se chegaremos lá, mas sim quando.

Paulo Bento Bandarra em 06 de setembro de 2011

Não vejo novidade alguma, já que a censura na ilha é total há mais de 50 anos. Um governo que oprime seu povo não pode se esperar outra coisa. O que se poderia esperar é que o nosso governo e Itamaraty não tivessem apoio a ditadura de extrema esquerda.

wilson em 05 de setembro de 2011

Avisa o Dines e a turma do controle social da mídia.

Marco em 05 de setembro de 2011

Amigo Setti: Tem certeza q essa foto do jornalista é atual, rapaz, se não PT vai achar q é o Caio Blinder a serviço da Veja, há 20 anos atrás. (hahahahha ) Abs.

Angelo Losguardi em 05 de setembro de 2011

É EXATAMENTE esse tipo de "regulação" que os neofascistas do pt querem instituir no Brasil, sem tirar nem pôr. Esses autoritários, que trabalham entusiasticamente, para a volta da censura, olham essa barbaridade e aplaudem. CENSURA é a primeira palavra que esses fascitas querem censurar. Um petista acha que se chamar uma coisa por outro nome ela deixa de ser o que é. Essa gente é um esgoto moral.

Reynaldo-BH em 05 de setembro de 2011

Na Alemanha nazista era crime - punido em diversas gradações - ter comportamentos "contra o estado nacional-socialista." O nazismo. Na ditadura brasileira era crime "atentar contra a segurança nacional". Em ambos os casos, históricos em debates de Direito, jamis se identificava o que seria "atentar contra o nazismo" ou, no caso brasileiro, contra a "segurança nacional!". Assim se formam os arremedos de "justiça" que de modo tênue, procuram dar um verniz de legalidade a regimes ilegais e imorais. Me chama a atenção o "crime" cometido pelo jornalista, de acordo com a LEI CUBANA: "“falte à ética jornalística e/ou não se ajuste à objetividade em seu trabalho”! O que vem a ser isso? Até onde a subjetividade pode enquadrar qualquer ato (no caso reportagem) em um ou outro aspecto? Quem decide? Quem julga? Qual lei define o que sejam estes atos? Assim caminha as ditaduras! Leis na prateleira que se aplicam ao gosto dos mandantes em clara afronta ao Estado d Direito, que exige descrições legais objetivas e claras. Não assusta que seja, mais uma vez, em Cuba. Assusta que nós por cá, no Brasil, não tenhamos TODOS entendido o risco que vem a ser este "controle social da mídia" que sequer tem uma denominação aceitável. Quem dira o que é controle? E social? Mais ainda, mídia? (Meu comentário é ou não uma forma de "imprensa"? Devo ser processado por este "controle" por ter publicado ou somente o blogueiro por ter-me dado espaço?). O que ´s "social"? Dizer que Sarney (como presidente do Senado) é um déspota que transformou um estado brasileiro em quintal atentará a uma visão "social"? Mais um processo? Em Cuba, sequer se dão motivos. Basta não ter tido "objetividade em seu trabalho!" E esta dita objetividade é definida pelo acusador, juiz e executor da sentença! Controle social da mídia é isto! E nada mais sintomático que o exemplo venha de Cuba. Que este governo , com os poderosos e outros - os consultores - idolatra e elevam a exemplo a ser seguido. Já descobrimos de onde vem a inspiração do PT. Resta resistir.

Sergio em 05 de setembro de 2011

Pare de dar essas idéias. Os petralhas podem querer copiar algo por aqui!

Marco em 05 de setembro de 2011

Amigo Setti: É meu amigo,isso agora se chama marco regulatário, a tentativa de impedir opiniões e seu livre curso. Abs.

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