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O “ex-banderillero” El Chano em plena ação em seu novo esporte, o “handcycling” (Foto: Dani Sànchez – As)

Quando, em 13 de julho de 2012, um novilho de 600 quilos derrubou Vicente “El Chano” Yangüez contra o solo da Plaza de Toros de Ávila, cidade no centro da Espanha, muita gente pensou que ele jamais seria visto exercendo alguma atividade física outra vez.

O diagnóstico completo demorou cinco meses para sair, mas foi implacável: El Chano ficara paraplégico.

Nascido em Madri em 1972, Yangüez então já possuía mais de duas décadas de experiência como banderillero, membro da equipe do toureiro encarregado de “desgastar” o animal espetando  bandeiras pontiagudas em sua região lombar. Em seu currículo figuravam colaborações com matadores famosos, como El Cordobés e Cristina Sánchez.

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Montagem mostra o momento em que El Chano lesionou a medula em tourada ocorrida em Ávila, no dia 13 de julho de 2012 (Fotos: torosenelmundo.com)

Guinada-relâmpago ao handcycling

No entanto, mesmo tendo a carreira nas touradas encerrada de forma brusca e trágica, El Chano conseguiu encontrar uma forma de não se deixar abater totalmente.

Já em dezembro do mesmo ano em que sofreu o acidente, ele podia ser visto suando a camisa em uma handcycle, espécie de triciclo turbinado e que se locomove mediante “pedaladas” com as mãos, que pegara emprestado, chegando a percorrer 16 quilômetros em um treinamento.

Em tempo recorde, El Chano, que além de banderillero era também maratonista amador, se convertera ao handcycling, uma instigante modalidade paralímpica. Para perplexidade e maravilhamento de seus amigos, já estabeleceu até uma meta: quer participar dos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro em 2016.

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Na companhia da esposa, Cristina (Foto: Luis Sevillano – El País)

“Vaquinha” e homenagem

Para alcançar tal sonho, um dos primeiros passos foi a compra de um handcycle, que custou cerca de 4 mil euros (pouco mais de 13 mil reais) e teve parte paga de seu bolso, e parte por uma “vaquinha” feita pelo clube AD Parla, em Parla, cidade na zona metropolitana de Madri onde vive com a mulher Cristina e as duas filhas.

O mundo das touradas também tem feito a sua parte. Para o dia 22 de março está prevista no Palácio de Vistalegre, em Madri, uma corrida de toros em homenagem a Yangüez, com participação de nomes de destaque e Cristina Sánchez como uma das organizadoras. O dinheiro arrecadado contribuirá com a preparação do ex-banderillero para 2016.

“O esporte é agora fundamental para mim”, disse em entrevista ao jornal esportivo madrileno As no final do ano passado. À época, ainda se encontrava hospedado no Hospital de Paraplégicos de Toledo. “[O esporte] me dá liberdade. Se não, me sentiria em uma cela. É uma válvula de escape”.

 

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7 Comentários

wagner em 15 de fevereiro de 2014

Setti não me preocupo nem um pouco que meu comentário não seja publicado, ate porque para ser publicado tem a parte ideológica de suas regras, e seria tachado de petralha, mensaleiro, sei la mais o que por seus leitores. Escrevo é para você ler mesmo.

silvia lakatos varuzza em 13 de fevereiro de 2014

Espero que a tragédia sofrida faça-o analisar o horrível sofrimento que infligia aos animais.

Titus em 13 de fevereiro de 2014

Não, eu não quero saber por que razão o meu comentário foi deletado. Não vou ler as regras, porque não vou ler mais nada aqui. Que ótimo!

Oswald em 13 de fevereiro de 2014

Go bulls!

Titus em 12 de fevereiro de 2014

Se você quiser saber por que razão seu comentário foi deletado, favor ler as regras para publicação da opinião dos leitores no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

wagner em 12 de fevereiro de 2014

Se você quiser saber por que razão seu comentário foi deletado, favor ler as regras para publicação da opinião dos leitores no link http://goo.gl/u3JHm Obrigado

Cau Marques em 12 de fevereiro de 2014

Nas touradas, sempre torço para o touro.

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