Por Daniel Setti

De Robert Johnson (1911-1938), personagem mais importante e folclórico da história do blues, diz-se muita coisa. Que pactuou com o diabo em troca de talento e fama, que era o rei das mulheres, que morreu envenenado pelo marido ciumento de uma delas ao tomar um trago de uísque.

Pois a chance do mundo averiguar a veracidade sobre tais lendas acabou na segunda-feira (28 de agosto) com o falecimento do cantor e guitarrista David “Honeyboy” Edwards em Chicago, em decorrência de uma parada cardíaca. Aos 96 anos de idade, o nativo de Shaw, Mississippi era até então o último sobrevivente dentre os músicos que tocaram com Johnson. Ele leva para o túmulo não só os segredos do amigo mais famoso, mas também um currículo de mais de sete décadas, lamentavelmente só reconhecido pela indústria da música com dois prêmios Grammy recentes, um de 2008 e outro de 2010.

A cena inicial do filme Cadillac Records (2008), que conta a história da gravadora Chess e traz Beyoncé no papel de Etta James, mostra outro bluesman histórico, Muddy Waters (vivido por Jeffrey Wright) sendo “descoberto” e gravado pelo célebre pesquisador Alan Lomax para o acervo da Biblioteca do Congresso dos EUA. O episódio ocorreu em 1941, como parte do trabalho de documentação que Lomax realizava junto aos astros então anônimos do chamado “blues do Delta” (em referência à região de mesmo nome que ocupa o noroeste do estado de Mississippi). No ano seguinte, foi a vez de Lomax registrar a música de Honeyboy. Como Waters, ele também teria material lançado pela Chess mais tarde.

Na ativa até maio deste ano, o nonagenário artista nunca deixou de arrebatar plateias, como se pode perceber no vídeo abaixo, do ano passado, com Honeyboy interpretando “Baby You Gotta Change Your Mind”, de Blind Boy Fuller, em um festival na Califórnia. Antes do início, o apresentador explica que o show começa cedo “não por ele ter 94 anos, e sim porque tem outro concerto esta noite”.

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4 Comentários

CARLOS CP em 03 de setembro de 2011

Grande Dani! Espetacular lembrança! Obrigado, meu caro. Um abraço

Reynaldo-BH em 01 de setembro de 2011

Daniel, voltando por cá! Sei que você é músico. E parece ser dos bons. Sem puxa-saquismos, que esta definitivamente não é minha praia. Somente pelo que você indica e, creio, devam ser sua influências. Sou um apaixonado por jazz. E por música. (São coisas diferentes: jazz é além de música.. hehehe). Cá nas Geraes, temos uma penca de compositores/instrumentistas genias. Nivaldo Ornelas, Everton Maia, Maria Emília, etc., que dificilmente farão parte do mainstream. Uns conseguem se destacar. A força do talento os empurra. Dentre estes, está o Juarez Moreira. Certamente você o conhece. Sujeitim mineirim, la de Guanhães, toca onde for chamado! No Palácio das Artes ou na Praça da Savassi! Um senhor violonista! Compositor genial! Mixer de jazz com as coisa deste sertão. Cara bom de se papear e tomar umas branquinhas enquanto ele toca a viola! Segue um link, sem te encher o saco, com BAIÃO BARROCO, do mestre Juarez. Desculpe-me a possível inconveniência, caso você já conheça! ABRAÇOS! http://www.youtube.com/watch?v=3D7nYFAdz1o Obrigado, caro Reynaldo. Eu cá vou tentando. Valeu muito pelas dicas, que serão saboreadas por aqui. Um abraço

Reynaldo-BH em 01 de setembro de 2011

Daniel, em Rio das Ostras(RJ0 aconteceu de 22 a 26 de junho deste ano, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival. estive lá. Além do local fantástico (paria da Tartaruga, etc) aconteceram jam sessions (and blues session, existe?) fantásticas. Segue um link do Medeski, Martin & Wood Trio com Bill evans! Abraços e parabéns pela qualidade do que você está nos mostrando! Como se diz em Minas, "show"! http://www.youtube.com/watch?v=tuv6mxBJVW4&feature=related Mas que ótimo momento, Reynaldo! Obrigado por compartilhar o link, e pelo elogio. Um abraço, Daniel

Marco em 01 de setembro de 2011

Amigo Setti: Honeboy foi mais inteligente q o amigo,preferiu uma outra bebida espirutual e se afastou d todo intrigalhada romântica e tumultuada. Qual é a bebida: " Jovialidade " ! Abs. Pois é, amigo Marco. Dessa com certeza ele bebeu até o final. Abraço

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