O Estado de S. Paulo - 02 de março de 1967

BRASILIA, 1- O Brasil, no ano passado, perdeu cerca de oito trilhões de cruzeiros em consequência do contrabando de ouro, diamante e pedras preciosas, segundo foi apurado no levantamento que há aproximadamente doze meses o Exército vem realizando secretamente. Diversas missões religiosas estrangeiras no interior da Amazonia estão envolvidas no contrabando.

 Entre os implicados, há, ainda, oitenta firmas e cerca de 300 pessoas., incluindo políticos e a esposa de um ex-governador, cujo nome permanece em sigilo. 

As investigações do Exército, em coordenação com os agentes do DFSP, demonstraram que o contrabando na Amazonia não se limita apenas às pedras preciosas. Há quadrilhas organizadas explorando os setores de minérios atômicos, couros e madeiras, principalmente o mogno.

Modernos aparelhos de pesquisas são utilizados pelos contrabandistas, que operam com aviões e campos de pouso clandestinos. Entre os principais campos com balizamento figuram: no Amapá, confluência dos rios Jari com Hapari, na direção Leste; no Pará, proximidades das margens do Araripus, afluente do Tapajós e, ainda, junto à cachoeira de Marmelão, na direção Leste; no Amazonas, região Norte, entre os rios Demini e Aracá, na altura da cachoeira dos Índios; no território de Roraima, perto do rio Ananã, a leste da cachoeira do Perigo. Nestas regiões, são contrabandeados, principalmente, minérios radioativos, ouro e diamantes. 

Investigações

Há cerca de um ano, o ministro da Guerra determinou que o Exército cooperasse com o DFSP nas investigações sobre o contrabando de minérios atômicos. Em maio próximo, deveria ter sido desfechada uma grande investida naquelas regiões; entretanto, a prisão da brasileira e dos cinco norte-americanos precipitou os acontecimentos.

Os oficiais que participaram do levantamento enviaram ao DFSP as fichas de cinco contrabandistas implicados, sendo um deles residente em São Paulo. 

A relação é a seguinte: Inês Balassa de Oliveira, da Guanabara, processada diversas vezes por contrabando de minerais; Oscar Silveira Ledo, da Guanabara; Genack Chadrycki, considerado o maior contrabandista de diamantes do País, multado frequentemente pelas autoridades alfandegárias e ligado a firmas norte-americanas, residindo também na Guanabara; A. Rinaldi, elemento de ligação com grupos estrangeiros, viaja constantemente pelo interior e mora em São Paulo; e Lee Quail, também intermediário para contrabandistas estrangeiros, vai sempre aos Estados Unidos e mora no Rio.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

16 − 10 =

TWITTER DO SETTI