Se a decisão, aparentemente tomada pelo governo, de não mais pensar na construção de um terceiro aeroporto em São Paulo está mesmo baseada no temor de que isso iria diminuir a demanda de passageiros pelo polêmico trem-bala São Paulo-Rio, estamos mal.

Com Congonhas absolutamente saturado, com o aeroporto de São Paulo-Guarulhos impossibilitado de se expandir como seria necessário pelo favelamento que cercou seu entorno e com a excessiva distância de Viracopos (em Campinas, a 100 km) em relação à capital, um novo aeroporto é solução defendida por grande número de técnicos e pelo bom senso diante do colossal volume de tráfego de e para a maior cidade brasileira.

Sem contar que o trem-bala não irá para destinos como Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre…

O governo estará despindo um santo existente — os aeroportos de São Paulo, sufocados pelo movimento — para vestir um santo que é uma incógnita.

Aliás, quem é que garante que o governo vai conseguir interessados na construção da linha de alta velocidade entre São Paulo e Rio, com custos “chutados” e estudos de viabilidade incompletos?

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Joaquim em 26 de janeiro de 2011

Os defensores das empreiteiras que constroem estradas a valores estratosféricos e depois cobram pedágios exorbitantes entram em campo pra derrubar o projeto mais importante desse país. O Brasil que se dane, o que interessa são os lucros das empreiteiras e a propina dos políticos. Viva as empreiteiras e suas propinas. Voce acha o trem-bala "o projeto mais importante desse (sic) país"? Mais do que tirar milhões de brasileiros da miséria absoluta? Mais do que fazer a indispensável revolução na educação? Mais do que criar uma malha ferroviária decente? Mais do que melhorar a segurança pública?

danir em 24 de janeiro de 2011

Viajei em trens de alta velocidade, inclusive o Mag-lev na China, que vai a mais de 300Km por hora. Realmente é muito bacana, é uma conquista tecnológica, mas nas diversas vezes que o utilizei, estava sempre com menos de 50% da ocupação, e com certeza só está lá por ser uma atração tecnológica. Cartão postal do progresso da China. O espaço não é para ficar divagando sobre as melhores opções para alimentar os aeroportos paulistas, mas com certeza existem prioridades mais prioritárias. A própria ferrovia no Brasil precisaria ser revista, e modernizada para atender o transito de carga, antes de pensarmos em trem bala(perdida?), resolvendo pendências que trariam muito mais retorno para o pais. Já pensaram como seria bom para um empresário do Vale do Paraiba poder usar o porto de Sepetiba por via férrea e se livrar dos custos caríssimos de Santos? Sonhos numa noite de verão.

Telma em 24 de janeiro de 2011

Concordo. Mas sabemos que o que interessa é o impacto político que a manchete proporciona. O casal LuDi já até "inaugurou" primeiro a idéia, depois a pedra fundamental e já deve estar até registrado em cartório, como se isso servisse para alguma coisa, a paternidade do trem-bala. A solução? ora, não tem a menor importância.

Thales em 24 de janeiro de 2011

Excelente texto!Concordo totalmente com você!É ridículo pensar que um trem de alta velocidade (para os padrões tupiniquins somente) resolverá um gargalo que vem sendo arrastado a anos: transporte. O trem-bala será caro para os passageiros, governo e construtora, tão pouco parece a melhor escolha. O governo só insiste em um erro quase certo por dois simples motivos: Promessa de campanha e falta de inteligência, isto é, motivos públicos, pois não me arrisco a dizer o que acontece nos bastidores ( $$$). Obrigado pelo elogio, caro Thales. O trem-bala, se for construído, vai custar uma barbaridade e ainda por cima vai dar prejuízo. Tenho informações interessante sobre o muitíssimo bem sucedido AVE, o Alta Velocidad Española, o trem super-rápido da Espanha, e o AVE, mesmo sempre lotado e com passagens caríssimas, é deficitário. Um abração

Picheu em 24 de janeiro de 2011

Caro R Setti, saudações Essa estória de aeroportos e cias aéreas é de parar para pensar. A vizinhança do aeroporto de Congonhas se valorizou muito e atraiu muita gente por causa do aeroporto. Agora os vizinhos querem sufocar o aeroporto!!! O aeroporto de Guarulhos foi construído numa área que previa sua ampliação. As "autoridades" nada fizeram para impedir a invasão da vizinhança, que se tornou uma imensa favela habitada principalmente por aeroviários. Agora não é mais possível ampliar o aeroporto porque teríamos que idenizar toda aquela população. Se construirmos outro aeroporto será igual. Quando for necessário ampliar não será mais possível, ou devido aos vizinhos atraídos pelo próprio agora incomodados pelos aviões ou pelos invasores favelados. Mas a gente espera, Delcio, que a experiência passada sirva para alguma coisa, não é? A esperança é a última que morre... Abração e volte sempre.

Diocleciano em 23 de janeiro de 2011

Uma solução não exclui a outra: tanto o aeroporto quanto a linha de trem são necessários. Aliás um país com esse tamanho já era para estar cortado por linhas de trem de alta velocidade já faz muito tempo.

Esron Vieira em 23 de janeiro de 2011

Creio que estamos atrasados, tanto com o uso da tecnologia do tem bala, quanto ao sistema aeroviário. O governo teria de ter pensado nisso, decadas atrás. Não se trata de cobrir um santo e descobrir outro. Temos de procurar um bom guarda roupas, pra tudo quanto é santo pelado.

elizio em 23 de janeiro de 2011

Caro Setti: impecável o seu texto. Já sucateamos nossos trens, agora nossos aeroportos onde chegaremos? Não consigo acreditar na falta de visão de nossos mandatários; impossível aceitar um brasilzão desse movido a óleo diesel nos caminhões. Quanto a despir um santo para vestir outro, os que ficam pelados somos nós. Obrigado por mais mais esse ponto em comum. De Campo Grande - MS Permito-me (já que gosta), de comentar um outro livro, o qual estou relendo; é o "Maldita Guerra" do Francisco Doratioto, da editora Companhia das Letras. Excepcional, tanto pelo conteúdo substancial, como uma visão imparcial da Guerra do Paraguai. Inacreditável o estrago que nós, brasileiros, já conseguimos fazer. Esse passado aí, quase ofusca a galhardia de nossos febianos e sentapuanos. Obrigado por seu comentário, amigo Elizio. E sua dica é preciosa: tenho grande interesse pela Guerra do Paraguai e vou comprar o livro. E viva Campo Grande, cidade linda de povo tão simpático! Um abração

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