Deixemos de hipocrisia: presidente, ministros e altos funcionários precisam ganhar muito bem. Se não, a vida pública ficará a cargo de idealistas, medíocres e malandros

O Senado acaba de dar seu OK ao projeto aprovado nesta mesma tarde de quarta-feira aumentando para R$ 26,7 mil, a portir de 2011, o salário de deputados, senadores, presidente, vice-presidente da República e ministros de Estado.

Todos passarão a receber o teto salarial do serviço público, que são os vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Deputados e senadores recebem atualmente R$ 16,5 mil mensais, além de uma série de benefícios, e os novos vencimentos significam um reajuste de 61,8%. A presidente eleita, Dilma Rousseff, e seu vice, Michel Temer, tiveram direito a um belo presente de Natal: seus vencimentos serão 133,9% maiores do que os R$ 11,4 mil que o presidente Lula e o vice José Alencar embolsam por mês.

Os ministros de Dilma também terão um refresco ainda maior em relação aos atuais ministros, pulando do salário de R$ 10,7 mil para os R$ 26,7 mil padronizados — um aumento de 148,6%.

É MAIS DO QUE A INFLAÇÃO, MAS SOU A FAVOR

Embora estivessem sem qualquer reajuste desde 2007, o presidente, o vice, os ministros, os deputados e os senadores passarão a embolsar muito mais do que a inflação do período, que não chegou a 20%.

Ainda assim, amigos do blog, podem me criticar, mas sou a favor, especialmente no caso do presidente e dos ministros (deputados e senadores têm direito a passagens de avião, a determinada verba para correspondência, à chamada “verba indenizatória” para manter gabinetes em Brasília e em seus estados).

Pense bem, leitor: toda a imensa responsabilidade de presidente da República e de ministro de Estado que — não no governo Lula, mas em qualquer governo — precisam lidar com problemas e desafios gigantescos, e que vêm recebendo em troca um salário similar ao de não poucos garotos do mercado financeiro, mal saídos da faculdade.

Nessa questão temos um tremendo problema a ser resolvido. De um lado, foi só em parte bem sucedido o duro combate aos supersalários de funcionários públicos empreendido pela gestão Fernando Henrique Cardoso (1995-2003), e que Lula, em certa medida, prosseguiu. Mas ainda existem brechas, sobretudo no pantanoso terreno dos direitos adquiridos, que permitem bandalheiras como os célebres coronéis aposentados da PM capixaba que, felizes, embolsavam já há dez anos 60 mil por mês.

CONTRACHEQUES DESPROPORCIONAIS ÀS TAREFAS

De outro lado, porém, as necessárias tentativas de moralização levaram o Estado a remunerar muitos de seus servidores, mesmo os de alta qualificação, abissalmente abaixo das realidades do mercado, o que dificulta cada vez mais a atração de bons quadros. E é claro que, além dos baixos rendimentos serem uma ameaça à qualidade dos servidores, constituem, para a turma do leva-vantagem, permanente convite a subornos e negociatas.

Se hoje delegados e agentes da Polícia Federal, da Receita e de outos órgãos do governo federal são bem remunerados, diretores das agências reguladoras com a função de colocar ordem em mercados complexos e bilionários – telecomunicações, petróleo, energia, produtos farmacêuticos, empresas de seguro-saúde etc – ganham salários ridículos.

Ministros de Estado, até o dia de hoje, como vimos, mal passavam de 10 mil. Diretores do Banco Central, reitores de universidades federais, presidentes de estatais como a Embrapa e outros graúdos igualmente recebem contracheques desproporcionais a suas tarefas.

Tudo emparedado em leis cuja alteração levaria a efeitos-cascata capazes de pulverizar anos de rigor fiscal. O mesmo ocorre em Estados e municípios.

É preciso encarar o problema sem medo e fazer o que deve ser feito: mexer na Constituição para bloquear isonomias, efeitos-cascata, mordomias absurdas e privilégios indevidos. Mas também deixar claro, claríssimo, sem hipocrisia, que um alto funcionário, um ministro, um secretário de Estado ou um representante eleito pelo povo deve ganhar bem.

Caso contrário, com salários baixíssimos, a vida pública vai acabar interessando só a três tipos de pessoas: os idealistas, dispostos a se sacrificar em prol do bem público, os medíocres, que não conseguem se colocar em qualquer outro lugar, e os malandros, em busca de uma “boquinha” para se dar bem. Qual contingente, adivinhe, é o mais numeroso?

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Nenhum comentário

  • Paulo Sergio

    Ricardo, Ricardo..

    Quer dizer que vc acredita que um funcionário de alto escalão do governo se contentará com um melhor salário!!!! Para com isso…. a maioria nem sabe quanto ganha….é irrelevante..

  • Francisco Nebel

    E o dinheiro dos cartões corporativos não conta? Quando é que o Lulla e e seus ministros botam a mão no bolo para gastar seus salários? Eu também gostaria de ter todas as minhas despesas pagas e no final do mês sobrar uns 10 mil para aplicar. Isso tudo sem contar nos ganhos indiretos, tipo despesas não contabilizadas.

  • Eduardo Velasco

    LÓGICA A :
    “Caso contrário, com salários baixíssimos, a vida pública vai acabar interessando só a dois tipos de pessoas: os idealistas, dispostos a se sacrificar em prol do bem público, e os malandros, em busca de uma “boquinha” para se dar bem. Qual contingente, adivinhe, é o mais numeroso?”

    Vejamos o contrário: Salários atualizados (altíssimos), a vida pública vai acabar interessando a dois tipos de pessoas: os políticos verdadeiramente dispostos a fazer política, e aqueles que desejam o bem público. Qual contingente será mais numeroso mesmo com o aumento do salário?

    Ora, os mesmos de sempre. Desde quando aumento salarial na tradição política brasileira é estímulo para o bem da coisa pública?

  • Douglas Correa

    O exercicio de cargos eletivos não é compulsorio portanto só devem se candidatar aqueles que entendem que a remuneração condiz com a sua disponibilidade de servir a sociedade.Outra falsidade é dizer que o salario de ministros esta restrito a esses valores pois boa parte deles são guindados a conselhos de estatais etc , Lembre-se Dilma, Erenice etc Alem de deputados vereadores e senadores que utilizam laranjas para inflar seus gastos. Acrescente-se que que produziram nos ultimos anos a relação custo/beneficio é muito onerosa . VIDE OUTROS PAISES

  • Quem

    Salários altos e transparentes. As verbas disso e daquilo, passagens aéreas, carro oficial e o interminável etcétera deveriam acabar. E o número de ministérios é outra palhaçada, só existe esse monte para acomodar b**d**o.

  • Lucas

    aí já demais! pra quem ganha isso ou mais não deve fazer diferença mesmo! adoro seu texto impecável e suas hitórias são sempre divertidas e interessantes! nunca comento, mas essa não podia deixar de comentar.

  • Márcia Ruiz

    Até concordo sobre os salários de Ministros serem baixos mas o/a Presidente poderia ter tido um aumento sim, mas não tão grande pq. embora não tenha verba extra, tem o cartão corporativo e não gasta absolutamente nada com nada, nem com transporte, seja ele aéreo, terrestre ou marítimo.
    Se as mordomias não fossem tão grandes, seria uma profissão de idealistas, é assim que devia ser.
    O que mais tem, diferente do que você disse, é gente atrás de uma ‘boquinha’ justamente por causa desses salários dos parlamentares, altos para a média do país e ainda as mordomias e brechas em distribuição de verbas.
    Há países onde as mordomias são inexistentes e a corrupção é menor e a política mais produtiva para a população.
    Sendo assim, discordo quase que totalmente dessa sua tese, coisa rara…rs

  • Sinto muito. Mas não hora de mexer nesse tipo de assunto não. Não concordo que políticos tenham que ganhar bem não. Isso acaba é gerando politicos profissionais. Se querem ganhar bem, então antes votem lei que limita que um sujeito só poder exercer dois mandatos eletivos (consecutivos ou não). Aí vamos começar a conversar. A política no brasil (assim mesmo em minísculas) se resumo a negociatas. Não existe política, mas tão somente balcão de negócios. O congresso nacional se mostra cada dia mais como uma peso morto, inútil. Virou na prática, uma chancelaria do executivo.

  • Esron Vieira

    Concordo plenamente. Quem sabe um dia, um servidor bem remunerado, tenha vergonha ou pudor de corromper ou ser corrompido.

  • cacalo

    setti, a mesma coisa vale pros salários dos policiais. paguem bem e estará sendo dado um grande passo pro fim da corrupção.

  • Marcio

    Ricardo,
    Esses salarios e beneficios sao indecentes sob quaisquer pontos de vista. Salarios (altos ou baixos)devem vir acompanhados de desempenho a altura. Isso nao existe no meio politico. os salarios dos politicos brasileiros superam e muito os da inicitiva privada. Alem do que, sabemos que a fome dos nossos representantes e infinita, ganhando bem ou nao. Que os escandalos que pipocam nas camaras todas as semanhas sirvam de exemplo.
    nao ha limites para essa gente.
    Abracos,
    Marcio

  • Aguiar

    Boa noite Setti, continuo acompanhando seu blog.
    Pensei que seria ironia quando comecei a ler o artigo, depois vi que era mesmo a sua opinião.
    Ouso discordar em alguns pontos, quais sejam:

    1 – não podemos colocar no mesmo balaio Executivo e Legislativo, sem falar no Judiciário. Quando você aponta que os ministros não aceitariam empregos para ganhar o que “não poucos garotos do mercado financeiro, mal saídos da faculdade” ganham, teremos que qualificar os ocupantes a cargos de ministros, se falarmos por exemplo no Meirelles, nada a opor, tem escolaridade compatível, experiência (muita) no mercado, o que falar do Edison Lobão, sem preconceito, qual a escolaridade, qual o conhecimento de Minas e Energia, qual a experiência anterior? Entendo que “os garotos” têm boas escolas pois concorrem selvagemente às vagas do mercado financeiro. Aliás, sem preconceito de novo, qual a explicação, se é que existe, para o Maranhão estado imperial sarney, um dos mais ricos do País (kkkk!) ser premiado com dois ministérios, quem?

    2 – vamos falar do legislativo (minúsculo como é), a maioria é quase alfabetizada, tudo bem é democracia né, mas e os candidatos a gari em quase todos os estados brasileiros que tem que provar ANTES a escolaridade? Desculpe quase desvio do assunto, os nobres representantes do povo, que passarão a ganhar R$26.700, com o indecente e imoral aumento aprovado,
    -trabalham o mesmo número de horas “dos garotos do mercado financeiro”? Ao que consta “trabalham” meio dia na terça, o dia na quarta e meio dia na quinta; quando tem que votar o orçamento por exemplo, tem que ser no recesso parlamentar com verba extra!
    -adquirem com o resultado do seu trabalho (salário) automóvel para si e para a familia?
    -adquirem vestuário?
    -arcam com as despesas de celular, passagens de avião, hospedagem?
    -pagam aluguel ou prestação do imóvel em que residem?

    Ora Setti, fiquei surpreso com a sua posição, concordando que é hipocrisia imaginar que alguém qualificado aceite trabalhar por salário baixo, a questão é justamente essa – pessoal qualificado.

    Esticando o assunto, além de tudo temos logo aí o aumento do número de vereadores com base no Censo que nem divulgou os resultados finais oficiais. Precisamos acabar com a bandalheira, sem pregar desobediência civil, mas alguma coisa deverá ser feita.
    Para encerrar que tal criar o dia do palhaço cidadão – dia 15 de dezembro – todos sairiam as ruas com um “simbólico” nariz vermelho. Será que prestariam atenção?
    Ufa desabafei!
    Um grande abraço, vou continuar participando, somos cidadãos.

  • carlos nascimento

    Prezado Ricardo,
    OUSO discordar, é imoral os reajustes que se auto propuseram, acima de todos os índices e de outras categorias de trabalhadores, porquê esse privilégio, afinal de contas não são nem uns coitadinhos, os beneficios que recebem extra salarial, são imensos, não são taxados, além de outras verbas compensatórias para o exercicio de suas funções.
    Homens públicos com “H” maiscúlos, tem funções diferenciadas, se os seus vencimentos estão defasados, imaginem os aposentados, professores, etc., deveriam dar um exemplo, apresentando uma REFORMA ampla no Congresso, não só nessa questão, em várias frentes, Tributária, Trabalhista,Politica, buscar honrar as suas funções e assim merecer salários de ponta.
    Hoje se compararmos o custo do legislativo e Executivo para à Sociedade, o custo x beneficio é demasiado, está acima de vários Países de primeiro mundo, com a produção de baixissimo nível.
    São essas e outras atitudes que contribuem para o total descrédito da população em relação aos politicos, primeiro êles, depois, bem depois se SOBRAR vamos olhar para os outros.
    Quando vejo a atual composição e arranjos politicos, tenho apenas uma certeza, estamos FERRADOS, um só exemplo, apenas um, vejam, como pode dar certo as coisas, CIRO GOMES chamou o PMDB de tudo, só faltou chamar o camburão e agora será Ministro, tendo como Vice-Presidente do País, seu provavel superior hierárquico em algumas vacâncias, como irá RESPEITAR um Vice que êle chamou de chefe de quadrilha, não tem jeito, nem começamos e já estamos ferrados.
    Ricardo, com todo respeito, faça uma reflexão melhor, nos estamos no Brasil e não na Europa.
    Carlos Nascimento.

  • Isabel

    Sou totalmente a favor do salário devido a quem de direito exercendo exemplarmente – como não poderia deixar de ser – seu DEVER.
    Infelizmente, cumprir com o DEVER não faz parte do (in)consciente coletivo de nossos indignos representantes.
    O que choca, é viver num país onde os políticos têm todos os DIREITOS, e o agricultor, o PROFESSOR, o trabalhador não tenha um salário que lhe permita viver com dignidade; tenha que morrer à míngua num corredor de hospital; diariamente correr o risco de ser assassinado indo trabalhar, etc…

  • Se as coisas acontecessem como você descreve eu concordaria. Mas,eles não vivem desse salário. Vivem das boquinhas que o cargo lhes proporciona.

  • gaúcha indignada

    “Elles” vão continuar a receber a “taxa de sucesso”, estes políticos brasileiros só enquadrando criminalmente, com poucas exceções….

  • Natale

    O Presidente, os ministros e os parlamentares estão sem receber reajuste desde 2007.

    Neste período, a inflação não chega aos 20%, acumulados, mas as correções salariais variaram de 61,83% para os parlamentares, (senadores e deputados, além da verba indenizatória de R$ 15mil/mês e, mais moradia, telefone(s) carro e combustível de graça, uma penca de funcionários, passagens aéreas, serviço de saúde e dezenas de outros benefícios), a 148,63% (vice-presidente e ministros), passando pelos 133,96% concedidos ao presidente da República.

    Calcula-se que um parlamentar passe a custar cerca de R$200mil/mês, a partir de 01/02/2011.

    Vejamos, então, 513 deputados (+) 81 senadores (=) 594 parlamentares (x) R$200mil/mês (=) R$ 118.800.000 por mês, este é o custo do parlamento brasileiro, e com a apuração do valor anual, incluindo-se o 13º e o 14º salários, teremos o valor de R$ 1.663.200.000,00 por ano.

    Fica uma pergunta simples: Quantos municípios brasileiros, dos 5.565 existentes, tem um orçamento anual de R$1,7bilhões?

  • Renate

    Setti,
    Registro aqui minha admiração por seu trabalho, sua clareza e imparcialidade nos textos e sempre gosto deles. Hoje, li, reli e treli seu texto sobre o aumento dos proventos dos nossos políticos. Tentei entender o seu ponto de vista. Juro. Confunde-me pensar que você está do lado deles, ou será que escreveu nesse teor para dar um choque em todos nós, e fazer-nos reagir aos brados e gritos, em forma de protesto?
    Entendo que a classe política deva receber bons salários. Para não incorrer em safadezas e depois alegar que foi falta de recursos pessoais. Oras.
    Mas eles, os políticos, não precisavam extrapolar o limite do razoável com esse aumento descomunal.
    Ganhar 26 mil por mês de salário não é pra qualquer um. E eles, os políticos, não são mesmo qualquer um. Qualquer um, ou comum (lula), somos todos nós, você inclusive, que trabalha e paga impostos. Político não. Ah, esses são fora do comum. Tem capacidade de encher os próprios bolsos da forma mais fácil que se imagina: basta aprovar o aumento de 68%, e até bem mais que isso, e pronto. Isso é uma farra. Muitos leitores já elencaram, aqui mesmo, o que mais além do salário que esses sortudos levam de nós todos os meses. Mas vou dizer de novo, quem sabe você não vai esquecer na próxima vez em que tiver idéia de escrever sobre eles, defendendo-os: moradia de graça, automóvel de graça, combustível de graça, telefone de graça e ilimitado (celular), empregados de graça, escritórios de representação e funcionários de graça, passagens aéreas de graça, plano de saúde de graça e ilimitado (para toda a família e sabe-se quem mais usufrui disso…), despesas médicas e hospitalares, cirurgias e tratamentos, inclusive no exterior, tudo de graça para eles. Dentista de graça. Décimo quarto e décimo quinto salário para eles poderem viajar (de graça, claro) nas férias e ficar rindo às nossas custas. E trabalham só um ínfimo número de horas, os cara de pau. Ah, e quando se aposentam dessa “trabalheira” cansativa, continuam recebendo essa merreca de 26 mil pra sempre. Ooooh!
    Fiquei estarrecida quando eu soube que nenhuma despesa médica do tratamento longo do vice presidente atual e a da presidente eleita saiu dos bolsos deles mesmos. Fomos NÓS, você e eu, que bancamos. Enquanto isso, os hospitais públicos estão à míngua, os corredores de espera desesperadamente compridos, remédios não há, cirurgias pelo SUS só se tiver alguma sorte e não morrer antes, salário mínimo uma vergonha, educação um caos, segurança uma vergonha nacional, miséria, fome, fome.
    E você, Setti, defendendo os “ilustres políticos” da pátria amada.
    Ou você é igual a eles, e cogita se eleger também para ganhar 26 mil por mês, ou está tão revoltado quanto estou eu, e resolveu provocar quem sabe ler e escrever.

    Obrigado pelas boas palavras a meu respeito, cara Renate. Se você reler o post, vai constatar que enfatizei a necessidade de que ganhassem decentemente o presidente da República, o vice, os ministros, os ocupantes de cargos de alta responsabilidade e fiz a ressalva de que os parlamentares — senadores e deputados — têm uma série de vantagens.

    Você acha mesmo que é justo e digno que um ministro de Estado — o ministro da Saúde, o ministro da Educação, o ministro da Justiça –, seja de que partido ou governo for, que tem responsabilidades imensas, que comanda milhares de funcionários, que precisa resolver problemas a cada minuto, que tem demandas gigantescas por parte da sociedade, que, para cumprir minimamente seu papel, trabalha 14, 16 horas por dia, invadindo o fim de semana, ganhasse pouco mais de 10 mil reais?

    Como é que o governo pode imaginar recrutar os melhores quadros do país (idealmente, é o que deve fazer) para uma série de funções pagando isso? Como mencionei no post, um garoto recém-formado no mercado financeiro é capaz de ganhar mais do que um ministro.

    Quanto aos parlamentares, meu velho ponto de vista — que exporei em outro post — é de que eles deveriam receber um ótimo salário, suficiente para seu sustento, suas viagens, sua correspondência, para pagar assessores além dos que o Congresso oferece em matéria de servidores de carreira, e MAIS NADA. Nada de auxílio-moradia, verba para isso e aquilo, passagens de avião, dinheiro para contratar (sem concurso) funcionários em Brasília e em suas bases nos estados, verba para correspondência e telefonemas etc etc.

    Um abração pra você.

  • Perola

    Concordo com salários de acordo com responsabilidade e competência,mas nossos políticos teriam que provar possuir ambas e,principalmente, honestidade para merecer altos salários.Caso possam demonstrar cabalmente que merecem os salários que acabam de se presentear,a diferença entre esses salários e os de outros profissionais igualmente merecedores de bons salários é absurda.Que tal aumentar substancialmente os salários dos professores para incentivar os bons alunos das faculdades a entrar para o magistério?Ou melhorar os salários dos policiais,dos bombeiros,etc?Há muitas categorias que mereceriam um olhar mais cuidadoso dos nossos políticos.Os aposentados,para os quais nunca há dinheiro para um reajuste digno,são sempre acusados de tentar quebrar a previdencia quando insistem numa pensão adequada.Uma comissão de parlamentares alemães visitando o Brasil há muitos anos ficou chocada com a diferença dos ganhos de um deputado em relação ao salário mínimo.Se voltassem hoje a reação seria a mesma.

  • Dulce Toledo / BH

    Ricardo, meu querido jornalista,
    eu até concordaria com este salário se eles trabalhassem de verdade. Mas fazem de conta que trabalham quando a união não faz de conta que os paga.
    Trabalhar 3 dias por semana por este salário é absurdo; legislar em causa própria é esfregar nas nossas fuças que somos apenas úteis para mantê-los. Se realmente quisessem trabalhar pelo país, vá lá, mas não querem: querem apenas se beneficiar. Nada mais. Poucos são sérios, e nem assim podemos colocar a mão no fogo por eles.
    Não há nenhum idealista por lá, porém medíocres e malandros, estes existem aos montes. A corte está contaminada por eles, feito ratazanas nos bueiros, prontos para morder o trabalhador.
    Não concordo com este aumento tão acintoso. Claro que eles devem ter um salário compatível com a responsabilidade e sabedoria, afinal o homem vale no mercado pelo seu conhecimento. Mas, 60 porcento de aumento numa hora que todos estão reclamando de impostos pesados e juros altos é um acinte.
    Um abraço.

  • Fernanda

    Caro Setti, dessa feita sou obrigada a discordar de você em gênero, número e grau…você acha que mesmo agora, com salários altíssimos, a vida pública atrairá quem?? Os mesmos idealistas (estes são pouquíssimos, parcela quase insignificante), medíocres (já abrange número bem maior) e malandros (ao que parece, a grande maioria)…os malandros continuarão a ser atraídos pela vida pública, dessa vez pelos altos salários…afinal, não estamos falando aqui de uma classe política correta, proba, íntegra…estamos falando de uma grande quantidade de políticos desonestos, corruptos, cínicos, indolentes e interesseiros…você é sempre o primeiro a apontar que eles sequer trabalham, o Senado está sempre vazio…é para esse tipo de gente que você acha certo dar aumento??? Sem hipocrisia, até concordo com seus argumentos…se estivéssemos falando aqui dos congressistas japoneses, por exemplo, mas não é o caso…os que aí estão mereciam um decréscimo de salário e não esse aumento exorbitante…desse jeito, Setti, iremos “quebrar”…é dessa forma que querem dar o exemplo de ajuste fiscal??? Lamentável tal aumento…é difícil eu discordar de alguma opinião sua, talvez eu não consiga julgar com toda essa sua isenção de ânimo… seja como for, sempre respeitarei aqueles que possuem opinião contrária à minha.
    Abraços de sua sempre leitora…

  • sinisorsa

    Na conclusão do seu artigo, você defende o fim das mordomias e privilégios de certos cargos. O problema é que a defesa do alto salário acaba prevalescendo e ofuscando esse ponto, daí por que a primeira e majoritária reação do leitor é espernear e espinafrar. Eu, inclusive, vou espernear.
    “Caso contrário, com salários baixíssimos, a vida pública vai acabar interessando só a três tipos de pessoas: os idealistas, dispostos a se sacrificar em prol do bem público, os medíocres, que não conseguem se colocar em qualquer outro lugar, e os malandros, em busca de uma “boquinha” para se dar bem.” Por que será que em vários países do mundo tem gente que se candidata a cargos políticos mal remunerados e, mais estranhamente ainda, esses países são geralmente baluarte de desenvolvimento, enquanto em outros tantos países nos quais os políticos estão entre os que são mais regiamente pagos e mimados com mordomias mil, a corrupção prospera?

    MAL REMUNERADOS (pelos padrões brasileiros)
    Suécia
    Finlândia
    Dinamarca
    Suiça

    BEM REMUNERADOS (pelos padrões brasileiros)
    Nigéria
    Argentina
    Rússia
    Itália
    România

    É IMORAL advogar aumentos salariais para políticos e presidentes sob o argumento de que isso afastaria a corrupção. A meu ver, a única forma de cortar o mal seria necessariamente reorganizando o serviço público: revendo sua estrutura e cortando a burocracia, implementando a digitalização dos serviços e sua unificação em todo o setor público, proibindo a contratação de cargos de confiança sem concursso público e, efetivamente, promovendo o reajuste salarial dos servidores. Essa mentalidade tão mediterrânea do “eles tem que ganhar bem pra não se sujarem”, enquanto os demais ficam a seu bel prazer, é uma das principais causas do subdesenvolvimento brasileiro.

  • Douglas Correa

    Leia na VEJA e acho que mudara de opinião “Farra dos salários. O salário dos políticos parece alto. É muito maior
    E mesmo assim só tem atraido isso que esta ai

  • Mauro Moreira

    Caro Setti, li quase todos os comentários e acho que você perdeu. Como bem observou um dos leitores em comentário, como avaliar a competência do Lobão no Ministério de Minas e Energia? E eu pergunto: E Ideli “Tainha” Salvatti na Secretaria de Pesca, com status de ministra? O que essa mulher entende de pesca? E Garibaldi Alves na Previdência? Muito espertamente manterão o atual ministro e funcionário de carreira como o segundo homem do ministério, lógicamente para dar sustentação técnica ao tosco Garibaldi. O que entristece é ver um técnico competente se sujeitar a isso, se humilhar, carregar um político medíocre nas costas, atendendo ao pedido da chefona. Onde está a dignidade desse senhor? As pessoas estão se apequenando cada vez mais nesse país. Há certos argumentos que não se sustentam. Apenas pelo fato da inflação ter atingido 20%, ninguém poderia ter um aumento superior, ainda que fosse 1%, quanto mais 60% e 133% como ocorreu.

  • Ricardo - Rib Preto

    Não sou jurista, mas este negócio de direito adquirido precisa ser reavaliado. Se não, votam-se leis beneficiando grupelhos e depois, caso haja revogação, já existem os beneficiários. Solução? Colocar na constituição, que pode-se anular direito adquirido, com votação com quorum qualificado. Passa? Não sei. E também não sei se o Congresso teria interesse nisto. É um absurdo por exemplo que quem ocupa cargo de confiança, depois consiga na justiçã a incorporação da gratificação pela função ao seu salário, depois de deixar de exercer tal função. Quanto ao salário dos “nobres” parlamentares, o salário é até baixo, comparado com outros parlamentos. E os penduricalhos? Verba disto, verba daquilo, etc etc? E aqueles que contratam assessores e ficam com parte do salário? OK, mantenham este salário e cortem os penduricalhos. Que sejam permitidos apenas 2 assessores por parlamentar, os outros todos devem ser funcíonários concursados. Eles topam ? Claro que não.

  • observador

    Concordo com a remuneração compativel para queles que tenham comprovada capacitação técnico científica e ético-moral. Agora deputados como Tiririca ou senadores que como vc mesmo mostrou sequer vão ao plenário, ministros de estado escolhidos em razão de cotas partidárias, ai não dá. E imoral, atenta contra o bom senso e a justiça remunerar quem não tem gabarito ou estatura para estar no serviço público, seja como agente político ou adminsitrativo.

  • ricardo

    Ricardo; esta pisada de bola foi terrivel.Com estes salários EXORBITANTES, a vida pública só interessa a três tipos de pessoas: os bandidos que tentam se esconder atras dos cargos para se livrarem da justiça, os medíocres, que não conseguem se colocar em qualquer outro lugar por falta de diploma ou de qualquer outra qualificação, e os malandros, em busca de uma “boquinha” para se dar bem. Noa países de melhores IDHs do mundo, os parlamentares não ganham esta fortuna e seus cidadãos são muito bem representados.

  • Angelo

    Senhores,Está certo!!!Esses que não sabem de nada
    tem que ganhar muito bem!Aqueles que não fazem nada
    tem que ganhar o dobro.È a democracia brasileira.

  • Renate

    Setti,
    Obrigado por você postar resposta ao meu comentário.
    De fato o presidente da República e ministros devem ganhar bem. Mas me diga, eles ganham mal? O dinheiro do contra-cheque é meramente um dinheiro que lhes é depositado como reserva economica para o futuro. Basta que façam desse recurso uma reserva. De mais, não tem nenhuma despesa pessoal enquanto no cargo. Leia por aí quanto a dona Marisa Nãofeznada gastou nesses oito anos como “Primeira Dama” (ver Veja on-line de 15 de dezsembro). Foi um acinte, um abuso, um desperdício. No que esse gasto todo? E de onde veio esse valor? Do bolso do ex-metalurgico Luiz Inácio é que não foi, certo? Aliás, seria um ótimo tema para algum bom jornalista fuçar e ver no que a madame gastou um valor absurdo, sem fazer nenhuma ação social pelo país. Enquanto no poder, ele, o Presidente e sua família, sequer precisam pagar o papel higiênico que usam, quanto mais bons vinhos, e haja bons vinhos nisso! Toda e qualquer roupa lhes é pago, e à sua família.
    Setti, se as coisas funcionassem como você diz e sugere, seria maravilhoso. Mas nesse país da bandalheira e bandidagem, vai sonhando, vai…
    Veja o que disse o mais novo campeão em votos, o tal Tiririca ao chegar no Planalto para “conhecer” seu novo lugar de “trabalho” (afffe!), ontem: “Cheguei num bom dia” – referindo-se ao fabuloso aumento que se deram. Que nojo!
    Sou aposentada, Setti, e você deve estar ciente de como nossos contra-cheques são desde há anos. Para conceder um aumentozinho insignificante, fazem aquela choradeira e alegam que a Previdencia vai quebrar. Com o aumento que se deram, provavelmente o Brasil vai quebrar, mas isso não é problema para eles, já estarão riquíssimos então.
    Com toda sinceridade, Setti, me sinto assaltada desde ontem.
    Abraço e continue polemizando.

  • Frederico Hochreiter/BH

    Leitor de seu blog desde o primeiro dia admiro a coragem com que você toma partido e assume posições que vão contra a maré. Como nesse caso. Meu caro, se com salários “baixos” como você diz, já é essa briga de foice para controlar ministérios, imagine ganhando muitissimo bem. Você acredita realmente que um ministro desses ponha a mão no bolso para algo além da mesada do filho ou filha? Um presidente da república que tem casa, comida, roupa lavada e cartão corporativo vai lá se incomodar com o salário que ganha? Os deputados e senadores, esses então são um caso totalmente à parte.Salário para eles é o de menos. Os penduricalhos e vantagens (fora os inomináveis), são mais do que suficientes para chegar na terça e sair na quinta. Toutes Proportions gardées (trata-se de Québec…) cansei de ver ministros andando de metro e comendo em lanchonetes. Tenho uma tese ligeiramente oposta à sua. Reduzam-se ainda mais os salários e vai ver como só vai aparecer gente que realmente se dispõe a trabalhar.

  • jefferson

    Irretocavel!

  • carlos nascimento

    Ricardo,

    Como tenho certeza de que vc não é hipócrita, que tal levantarmos aqui e agora a “bandeira” de reajustes aos salários dos PROFESSORES brasileiros em mesmo níveis de elevação dos espertos congressistas.
    Caramba, não consigo DIGERIR isso, está me causando nauséas.
    Carlos Nascimento.

    Se hipoteticamente eu fosse político, defender a dignidade, o aperfeiçoamento e as condições de vida e trabalho dos professores seria minha principal plataforma. Mas também faria parte do pacote um sistema de avaliação constante da atuação deles.

    Abração

  • Frederico Hochreiter/BH

    Complementando meu comentário anterior, pesco no blog do Augusto Nunes essta pérola de um dos mal pagos do país: ““Eu só lamento porque o Congresso Nacional acabou de aprovar o reajuste para o presidente e para os ministros, mas para o Lulinha aqui, nada. O Lulinha não recebe porque é só para a próxima legislatura”. É isso aí. Mas ele não vai ter problemas para pagar as contas. O outro lulinha, ex-guia de zoologico, certamente vai garantir tudo.

  • Telma

    Olá Ricardo

    Sua tese só dá certo na Suécia.
    O grande problema é que a fixação desse salário encerrou a questão até a próxima oportunidade de aumentá-lo, de novo.
    As outras questões ninguém quer discutir.
    Seu penúltimo parágrafo diz tudo.
    Toda a atividade parlamentar deve ser reestruturada.
    Inclusive cobrando-se resultados, como em qualquer empresa.
    Agora, eu soube que o congresso está há 8 anos enrolando e não votou a Lei de Doação de Orgãos.
    Para a aprovação do próprio aumento de salários, gastaram 8 dias – não teve problema de quorum, nem se importaram se estavam às vésperas do Natal. Compareceram até na 2ª. feira.
    Em resumo, só concordo se:
    -Trabalharem de 2ª a 6ª feira, das 9 às 18 hs, com uma hora de almoço pagos por eles com vale refeição de R$ 12,00 diários:
    -Com o seus próprios salários, custearem despesas como celulares, carro, motorista, restaurantes,assistência médica, etc.;
    -Aluguel ou onde morar é problema dele;
    -Passagem para sua cidade só 2 por mês;
    -Reajustar os salários dos outros como os seus, segundo os mesmos critérios – as outras pessoas também têm que viver tanto quanto eles. E, finalmente;
    -Consultar TODA a população para saber se ela concorda, já que é ela que paga a conta.
    É fácil fazer caridade com nosso bolso.
    Faça uma enquete perguntando quem toparia a minha proposta com o salário que foi fixado?

    Pessoalmente, acho que os parlamentares deveriam ganhar um alto salário, ter assessores em Brasília que sejam funcionários públicos de carreira — e mais nada. Nada de passagens de avião, de verbas de gabinete, de auxílio-moradia, de quota para correspondência etc. Isso tornaria tudo mais fácil e transparente. O parlamentar ganharia o suficiente para pagar de seu bolso caso quisesse ter assessores e escritório em seu estado de origem e por aí vai.

    Abração

  • Vera Natali

    Caro Ricardo Setti, você é bem corajoso, mesmo assim acho que “eles” poderiam nos sair mais em conta, não?
    Sua inteligência nos põe a pensar. Parabéns.
    Abraço

    Obrigado, cara Vera. Alguns leitores pensaram diferentemente a ponto de me xingar, mas faz parte da vida.

    Abração
    Vera

  • JT

    No país ideal, o salário de ministros e mandatários deveria ser um atrativo para os melhores profissionais do mercado, uma vez que eles, ingressando na política, estariam abrindo mão de suas carreiras originais.
    Ocorre que o salário é um detalhe, não importa o seu valor. Do contrário, como explicar que um candidato investe mais recursos do que poderá receber como soldo do cargo disputado?
    Obviamente que as receitas são manipuladas paralelamente, de acordo com interesses de lobistas, o que motiva as empresas a financiarem campanhas.
    Por isso entendo a indignação da maioria, assim como compreendo os argumentos que defendam o aumento de salários.

  • Rod

    Olha Ricardo, sinceramente, você acha que qualquer um desses ministros ou secretários depende de salário do governo para garantir o leitinho das crianças?

    Muitos pagariam pela honra e pelo prestígio de ser ministro de estado.

    Fora o fato de que não fica nada mal ter isso no currículo.

    Então, vamos pagar bem mal os principais responsáveis pela condução do país, não é mesmo, Rod? Que lógica há nisso? “Paga-se” o cidadão pelo suposto prestígio que o cargo daria? Isso é profissional?

    Abraços

  • Ze da Silva

    Boa noite Ricardo se o salário fosse o diferencial para termos qualidade nós já teríamos um dos melhores times de legisladores, pois no total Salários mais mordomias os nossos deputados e senadores custam ao Estado muito mais do que os da Franca Alemanha Inglaterra etc.( mesmo antes do aumento) . E produzem ….

  • Oliveira

    Ola Setti
    Eu concordo inteiramente com vc que um presidente da república não pode ganhar 11 mil por ano.
    Acho até que uns 40 mil estaria de bom tamanho, se ele tivesse que pagar as suas contas.
    .
    Pois o mais grave é o tal cartão corporativo.
    Creio que o Lula e familia tiveram que fazer muito esforço nas compras pois gastaram em 2010 5.570.316,80 o que divido por 365 da 15.621,11 por DIA.
    .
    Chega a ser surrealista o fato que Lula recebia um salário de 11 mil por mês mais era capaz de gastar 15 mil por DIA.
    .
    E como é difícil gastar dinheiro dormindo, eles gastaram quase 1.400,00 por hora.
    .
    Um abraço

    Caro Oliveira,

    Mais do que o valor gasto, precisaríamos saber no que foi gasto. Se o cartão corporativo serviu, por exemplo, para financiar jantares e recepções que o presidente precisa dar, é uma coisa. Provavelmente a maior parte das despesas do cartão consista em gastos de representação desse tipo. Confesso a você que, no momento, não disponho de informações detalhadas a esse respeito.
    Vou tentar consegui-las, porque evidentemente valem um post.

    Abração

  • JMello

    Bem, acho que além de idealistas, o poder público já está cheio dos medíocres e malandros. Será que Tiririca, Maluf e cia vão melhorar alguma coisa com um salário melhor? Maluf então, o que menos precisa é do salário.
    Na presidência teremos um títere lá a partir de 1 de janeiro, e tenho certeza, não é por causa de salário. Se formos comparar os vencimentos dos políticos brasileiros com os de países bem mais desenvolvidos e os respectivos mínimos, chega ser uma indecência pelo montante que os nossos ganham em relação ao salário mínimo brasileiro.
    por exemplo:
    França – Sen. e Dep – 6.952,91EUR
    Sal. Min – 1.254 EUR

    Canada – Dep – CA$6.839
    Sal min. CA$1.528 (CA$9,50 h)

    Nem é preciso dizer que eles têm que trabalhar todos os dias.

    Mas, concordo com você no que toca aos profissionais competentes que deveriam integrar os cargos em agências reguladoras e afins, porém, nesse caso, sabemos que o menos importante é o background profissional e sim, o apadrinhamento político.

    Abraço

  • Igor

    Sou um italiano que mudou há poucos meses para o Brasil. Na Itália, o país da União Europeia onde os políticos têm os salários mais altos, um deputado ganha R$ 33 mil mensais.
    Concordo que os parlamentares, ministros…, pela respondibilidade que a função deles requer, devem ganhar bem, porém não entendo porque os parlamentares brasileiros tem que ganhar mais do que os colegas europeus. O custo de vida do Brasil é muito, mas muito menor do que o custo de vida dos países europeus.

    Como falei a responsabilidade dos políticos é grande, o salário tem que ser proporcional á função que eles exercem. Seria interessante que a desonestidade dos mesmos seria punida com a mesma intensidade: salários altos (mas não no nível dos colegas europeus) para os honestos, penas severas para os desonestos. O politico persegue o salário proporcional á sua função, mas quando se envolve em casos de corrupção, fraudes…, ele exige uma pena inversamente proporcional ao crime cometido.

  • Celeste Correia

    Não estou de acordo com os censos nunca se preocuparam com o povo, penso e tenho o direito de pensar, que vão à A.Républica e tirem os deputados a mais. Esses é que deve3m sustentar a crise pois já receberam adiantado.