Demóstenes: defender-se apenas por supostos erros no inquérito é prego no caixão da credibilidade

Demóstenes: a defesa por supostos erros processuais é legítima — mas não tocar no mérito das acusações leva de roldão o que lhe resta de credibilidade (Foto Ed Ferreira Agência Estado)

Tudo bem que um cidadão brasileiro tem o direito — como também cabe ao senador Demóstenes Torres — de recorrer a todos os meios legais para defender-se de acusações.

Sendo assim, é perfeitamente legítimo o que anuncia que fará Antonio Carlos de Almeida Castro, o advogado do senador, acusado de beneficiar-se de forma ilícita de relações com o malfeitor Carlinhos Cachoeira. O advogado anunciou que pedirá na segunda-feira próxima, dia 9, a anulação das provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República contra o Demóstenes.

Segundo o advogado, teria havido uma “usurpação da competência” do Supremo, que não autorizou a Polícia Federal e o Ministério Público — como seria o caso, em se tratando de um senador da República — a realizarem qualquer investigação contra Demóstenes, como ocorreu na chamada Operação Monte Carlo.

Assim sendo, o argumento do advogado — que fala na existência de “um bando de ilegalidades” no processo — será de que as provas foram obtidas ilicitamente.

Castro disse que existe “um bando de ilegalidades” no processo, a começar pelo fato de o parlamentar ter imunidade e só poder ser investigado a partir de uma autorização do Supremo Tribunal Federal.

Está tudo perfeito. Mas, quando um acusado, como o senador por Goiás, se agarra em detalhes processuais para escapar do problema, fugindo à discussão do mérito da questão — as muitas evidências de que mantinha relações promíscuas e rentáveis com um delinquente –, sua credibilidade, ou, na situação, o que resta dela, vai por água abaixo de vez.

É o prego no caixão da credibilidade.

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Nenhum comentário

  • Mairalur

    Ou falta a gente saber de muita coisa, ou o tal do Cachoeira pagou e não levou. A licitação em MT , ligada à Copa, não saiu, a ministra do Meio Ambiente nega qualquer favorecimento, a lei que torna crime os jogos de azar continua rolando no Congresso e por aí vai. O senador está, até aqui, muito parecido com o ministro Pimentel, de cuja consultoria resultou a falência de uma indústria de bebidas. Deve haver mais coisas, repito, a que não se teve acesso. Talvez porque implique a turma brava do governo.

  • RONALDE

    Credibilidade? E há alguém crível em Brasília?

  • cacalo kfouri

    caro, isto lembra muito a lei miranda, nos eua, o cara é preso em flagrante dando dez tiros no outro, mas se o policial não ler seus direitos, ele é solto.

  • Vera Scheidemann

    Comentário perfeito. Uma das coisas que mais
    chamam a minha atenção nesse episódio deplorável é o fato de que todos os atos por ele (supostamente,
    como o politicamente correto manda dizer) praticados adquirem um caráter irrelevante diante das acrobacias legais para desqualificá-los.
    Vera

  • Markito-PI

    Demóstenes acabou. Será para sempre um morto-vivo político.É o preço de sua iniquidade. Vai berrar, como cabrito bêbado, e a contratação de Kakai, habilíssimo advogado de chicanas processuais, como se vê,serve a demos, petistas e quaisquer outros corruptos, pois , sabe de antemão, que, no mérito, seus clientes não valem nada.São canalhas.

  • Tuco

    .

    Isso é que se chama “mostrar serviço”!
    O defensor do indefensável pode espernear,
    mas o canalha está sepultado bem antes do
    famigerado “trânsito em julgado”. Aliás,
    até antes do “devido processo legal”, do
    basilar “contraditório” e de mais uma
    série de chavões que há tempos prestam-se
    apenas a livrar a cara de bandidos.
    Não fosse o povinho bunda deste Brasil,
    mais esse larápio estaria a engrossar as
    filas das penitenciárias.
    De qualquer forma, é um começo. Resta
    termos a certeza que mais esse crápula
    não irá gozar da cara do honesto pagador
    de impostos na tribuna do Senado.


    .

  • Alberto Porém Jr.

    Bom dia Setti.
    Não aposte suas fichas neste jogo perdido de Kakay.
    O Supremo está sob olhares atentos e ser coadjuvante nesta barafunda demóstenesca não é o que mais quer os ministros. A anulação das provas sobre Demóstenes imporia um descrédito geral para o poder judiciário. Não acontecerá!

    Eu não aposto em nada, caro Alberto. O que quis dizer está no post: quando o camarada se agarra em eventuais falhas processuais ou de procedimento para se safar das acusações e silencia absolutamente sobre o conteúdo, juridicamente é, sim dúvida, válido, mas, do ponto de vista moral, fica claro que não tem como explicar o que fez.

    Um abraço

  • Reynaldo-BH

    Kakai como advogado de Demóstenes. Marcio Thomaz Bastos defendendo Cachoeira.
    Certamente não há com que ambos se preocuparem quanto a qualquer apenação. Satisfação garantido ou seu dinheiro de volta.
    Resta o STF entender que não é necessário ouvir as vozes das ruas, como disse em um julgamento, o ministro Joaquim Barbosa.
    Não concordo com esta linha de argumentação. O juiz decide nos autos. Não nas ruas. Assim aprendi ser o Estado de Direito.
    E – como rábula que fui – parece-me que Kakai está exagerando, mesmo tendo em mãos muito pouco (ou quase nada) para montar uma linha de defesa.
    E onde o exagero? Demóstenes não foi alvo de escutas telefônicas. Quem foi escutado legalmente – autorizado pelo Judiciário – foi Carlinhos Cachoeira.
    Não tive conhecimento de alguma gravação (entre as transcritas pela imprensa) em que o senador falasse com terceiros. Sempre com Cachoeira. Ou melhor, legalmente, Cachoeira falava com o senador!
    Como falou dom outros (Dadá e Jovair, por exemplo).
    A escuta telefônica autorizada legalmente ao capturar um criminoso (Cachoeirinha) acertando detalhes de crime com terceiros (no caso, um senador)sempre será matéria de prova.
    Ou a autorização foi dada ressalvando que caso houvesse, no outro lado da linha, algum personagem com foro privilegiado, a mesma deveria ser ignorada?
    Demóstenes até o início das gravações era somente um senador isento de qualquer suspeitas ou investigações.
    A dita credibilidade do dupla-face não existe, mesmo nos prostíbulos.
    Resta saber se a prova (produzida pelo próprio senador/criminoso) será suficiente para condená-lo.
    Esta é outra discussão. Que talvez a quebra do sigilo bancário do futuro-ex-senador nos esclareça. (Já autorizada pelo STF).
    Daí a alegar que Demóstenes foi ilegalmente “grampeado”, vai uma abissal diferença.
    A escuta era sobre um criminoso.
    Outros apareceram.
    Entre eles, Demóstenes. Simples assim.
    A justiça também se vale da simplicidade.

    Concordo com você, amigo Reynaldo. Como sempre, claríssimo e convincente seu comentário.

    Aproveite os feriados!

    Abração

  • Esron Vieira

    É só se tornar mais um cliente do Bastos que estará tudo bem.
    O unico problema é que a pizza dará uma engordadinha, ganhando uns quilinhos a mais.

  • Alberto Porém Jr.

    Preciso e certeiro Reinaldo-BH.
    Setti o que eu queria dizer, o Reinaldo-BH disse.
    Não falei em tom grosseiro como pareceu. Quando ler, tente ver de um modo lacônico e não rancoroso. desarme-se. Alguns comentaristas seus são bons , não comentamos com faca entre os dentes. O “não aposte” é uma expressão e não uma acusação. Seu texto é muito bom. O advogado que está equivocado.

    Não achei que fui rancoroso, e certamente esta não foi minha intenção.

    De todo modo, caro Alberto, peço desculpas.

    Um abraço

  • carlos nascimento

    Ricardo,
    A política é dinâmica, o processo político idem, Demóstenes já é página virada, moralmente já foi enterrado, as discussões daqui pra frente serão apenas para alongar os estertores de um ZUMBI.
    Não percamos mais tempo com isso, temos várias demandas que estão precisando de nossos esforços, de sua bússola, lembre-se do alerta que adiantamos no inicio da posse de Dilma, que os petralhas podiam manobrar tudo e a quase tudo,mas no campo econômico erros cometidos seriam fatais, não demorou muito, a conta está chegando meu amigo, os sinais estão claros, o País já está importando gasolina, o BB e a CEF estão sendo usados como instrumento político demagógico, ninguém baixa juros por decreto, as ações das empresas citadas já despencaram, o mercado financeiro não é bovino, ele é regulado por neurônios, a vaca começa a mugir no pasto, além do câmbio, quando não mata, deixa aleijado.
    O País do LULLATO chegou lá, está uma maravilha, politicamente no poço, moralmente no buraco, só estava faltando a economia,os sinais chegaram, numa velocidade assombrosa. OREMOS.
    Abraços
    Carlos Nascimento.

  • Clarimundo

    Ricardo :

    Me permito, perdoe, repetir um comentário que fiz no blog do Reinaldo Azevedo :

    “Todos certamente notaram que as únicas palavras que este advogado falou até agora foram sobre a ilegalidade, inconstitucionalidade, etc. das gravações.

    Até pode ser, mas a insistência em só bater nesta tecla é mera firula jurídica que tem por fim esconder a verdade : O ilustre e certamente bem pago causídico, como muitos que estão por aí defendendo criminosos notórios e confessos, não tem argumentos para rebater os fatos e fica inventando variantes que despistam a sua incompetência, justificada pela dificuldade de se fazer a defesa ante a qualidade das provas de culpa do cliente.”
    De fato, como vc. disse, só dizer que a obtenção da prova é ilegal, não resolve, é prego no caixão. Mas, no caso, é a única alternativa, por ora, de quem não tem argumentos para adentrar no mérito das acusações.
    Vemos muito destes comportamentos por aí, alguns risíveis, tudo obra de advogados “espertos”, na verdade dispostos a tudo para dar ao seu cliente a impressão que fazem jus aos honorários, quando na verdade estão sendo ridículos.

  • Gamal

    O princípio da presunção da inocência e o direito à ampla defesa são aplicáveis aos senadores que, em tudo e por tudo, também fazem parte da banda de música dos 300 picaretas que passeiam pelos tapetes azuis e verdes do Parlamento.
    Não há dúvida de que qualquer mortal estaria enterrado diante de uma coletânea de gravações telefônicas como as divulgadas na imprensa, sejam elas consideradas legais ou não.
    O Brasil, entretanto, tem mostrado que o Senado vai além do mais radical dos realismos fantásticos.
    Renan e Barbalho são feitos de carne e osso?
    Não!
    Ninguém é capaz de poder imaginar até onde vai o alcance da nossa jurisprudência, mas pelo tom triunfalista de “Kakay, seu advogado, muito conhecido na corte brasiliense, seu mandato está totalmente garantido. Com apoio de pelo menos 72 senadores.
    Talvez uma dezena de senadores, mas não mais do que isso, não lavaria as mãos e votaria pela sua cassação.
    O próximo presidente do Senado será Renan Calheiros.
    La nave va.
    Assim, à deriva.

  • carlos augusto

    Não publico comentários sobre a revista VEJA, ainda mais boçais e ofensivos como o seu. Para tanto, dirija-se ao diretor de Redação, por meio do e-mail veja@abril.com.br

  • carlos augusto

    Vá ofender em outra freguesia. Suma daqui.

  • Rosângela Medeiros

    Saiu em um BLOG em 2005 :_____O INVESTIDOR KAKAI
    » Depois de comprar fazenda, gado, jatinho e restaurante, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, advogado da maioria dos integrantes da república petista, entrou de sócio num cemitério em Nova Lima, na grande Belo Horizonte. “É um grande negócio, você compra em metros quadrados e vende em palmos, não é bom?”.
    SERÁ que irá querer “enterrar” alguém lá?.
    Chega a ser hilário, pois o “caro adivogado” faz de tudo um pouco.