Deputados troca-troca preferem o PMDB para não pagar o dízimo de 20% do PT

Seria hilariante, se não constituísse um absurdo, a razão pela qual vários deputados federais pertencentes a pequenos partidos e outros insatisfeitos com o DEM, ao receberem acenos do PT e do PMDB para mudarem de legenda, manifestam tendência de se filiar no PMDB.

Razões ideológicas? Preocupação com as soluções que cada partido teria para os altos destinos do Brasil? Coerência com ideais de toda uma vida?

Nada disso. O pessoal foge do PT como o diabo da cruz para não ter que “morrer” no fim do mês com 20% do belo salário de 26.723,13 reais como contribuição para os cofres do partido, segundo determinam os estatutos petistas. O chamado “dízimo”, mesmo termo utilizado por algumas igrejas evangélicas para passar o pires entre os fieis.

Esse cenário vergonhoso ainda é, por ora, só isso, um cenário, uma vez que a troca de legenda, por interpretação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), implica em perda do mandato.

Mas o PT e a maioria esmagadora que o governo Dilma tem no Congresso já estão planejando a aprovação de lei que permita uma “janela” de dois ou três meses para que haja o troca-troca imoral sem perda de mandato.

Alguém acredita que vá haver reforma política com esse clima?

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  • Cris Chabes

    PT cobra dízimo para manter e eleger candidato?
    Então não deveria denominar-se partido dos trabalhadores, mas Assembléia dos Representantes de Deus, já que nosso antigo presidente acredita ser um!!

    Desde os primórdios, cara Cris. No caso dos governadores, prefeitos e parlamentares, 20% do que ganham. Não sei se vale para a presidente.

  • Marco

    Caro R. Setti: Gosto de pagar aquele q conheço ou q faz algo por mim, por mais caro q seja. Pago sempre um bom preço, até com sacrifício, para quem estimo. Mas para desconhecidos ,brigo pelo menor preço possível. Isso nada mais é do q uma contribuição por estima. Aí é de forum intímo.
    Abs.

  • Natal Santana

    20% seria “vízimo” e não dízemos, não é?! Brincadeiras à parte, o PT sempre foi assim, pelo menos sabe-se que TODOS pagam essa cota ao partido, inclusive prêmios ganhos. Lembro-me de um episódio envolvendo o ex-deputado (por onde andará ele?) Vladimir Palmeira das Alagoas. Há uns 20 anos atrás o Vladimir ganhou uma bolada na loteria e teve de dar sim, 20% ao PT. Como bom “soldado”, ele deu… lembra-se desse episódio, Ricardo?

  • SergioD

    Ricardo, essa cobrança do PT poderia se justificar quando o partido era pequeno e baseava suas despesas de manutenção e financiamento de eleições nas contribuições dos que se elegiam para cargos públicos, nas contribuições dos filiados e na venda de todo o tipo de lembrancinhas (chaveiros, camisetas, adesivos, bonés,…). Naquela época o partido não tinha as verbas do fundo partidário no montante que tem hoje.
    Não creio que o partido tenha mais necessidade desse expediente para custear suas despesas. Não sei se algum outro partido adota essa prática, mas acho que não condiz com o tamanho e a importância do partido atualmente.
    Quanto ao troca-troca partidário, com o voto proporcional, existe o entendimento de que o mandato é do partido, o que aliás está dando o que falar sobre a definição de quem substitui um deputado que assume outro cargo, se o próximo mais votado do partido ou da coligação (valia um post seu, não?).
    No caso de voto distrital, caberia a manutenção desse entendimento uma vez que os deputados seriam eleitos majoritariamente pelos votos de um determinado distrito?
    Um abraço

    Caro SergioD, o troca-troca determina a perda do mandato do parlamentar por causa de jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral. Há manobras em curso para aprovação de uma lei que permitiria uma “janela” de trocas durante um ou dois meses para haver essa imoralidade. Sem ela, os deputados não se arriscam. Então cogita-se de uma lei, que vai repercutir pessimamente na sociedade, espero.

    Pessoalmente, acho que a fidelidade partidária deveria ser mantida também no caso do voto distrital. Nada justifica um candidato se apresentar em nome de determinadas ideias, que teoricamente um partido defende, e, uma vez eleito, ir para outro, com outra plataforma e outros princípios. Em qualquer país sério isso é uma ofensa impensável ao eleitor. Em países como os EUA, a Grã-Bretanha ou a Espanha são raríssimos, e justificados por boas razões — incompatibilidade total com mudanças na orientação partidária, por exemplo — os casos de mudança de partido. Nos EUA, em geral o parlamentar que se encontra nessa situação se torna independente, não passa diretamente de um partido a outro.

    Um abraço

  • Paulo Bento Bandarra

    Reforma vai, mas com este espírito!
    .
    Dizimo se referia ao recolhimento de 10% para a obra de Deus (a casta sacerdotal). Já o PT cobra dois dízimos?

    Desde a fundação do partido, Paulo Bento. Mas chamam, talvez ironicamente, de “dízimo”.

    Abraços

  • Picheu

    Janela temporal para a traição ao eleitor, né?

    Caro R7, o espírito público abandonou há muito tempo nossos pobres políticos. É deveras impressionante verificar quão difícil é achar alguém que mereça o mínimo respeito. Para piorar a desgraçeira, quanto menos se espera, alguns dos considerados bastiões do espírito de servir saltam alegremente na farra das aposentadorias de ex-governadores.
    Ave Simon, Ave Dias. Vida longa e bom proveito do butim da res publica.

  • Diocleciano

    Essa cobrança de que se dê uma contribuição ao partido por parte de quem se elege por ele acho que é justíssima. Isso sim caracteriza um partido político.
    Agora estranho é a não cobrança dessa contribuição. De onde será que vem o dinheiro que paga as obrigações dos outros partidos que não cobram nada de seus filiados ???
    O PT, o Psol têm características de partido político. Agora os outros não passam de facções partidárias; cada uma com seus próprios interesses.

    O dinheiro vem do Fundo Partidário. Está no artigo 38 da Lei nº 9.096, de 19 de setembro de 1995, a Lei dos Partidos Políticos. Vamos lá:

    “Art. 38. O Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário) é constituído por:

    I – multas e penalidades pecuniárias aplicadas nos termos do Código Eleitoral e leis conexas;

    II – recursos financeiros que lhe forem destinados por lei, em caráter permanente ou eventual;

    III – doações de pessoa física ou jurídica, efetuadas por intermédio de depósitos bancários diretamente na conta do Fundo Partidário;

    IV – dotações orçamentárias da União em valor nunca inferior, cada ano, ao número de eleitores inscritos em 31 de dezembro do ano anterior ao da proposta orçamentária, multiplicados por trinta e cinco centavos de real, em valores de agosto de 1995.”

    O dinheiro do Fundo é dividido conforme a votação dos partidos.

    No caso do PT, há isso e mais o dízimo.

    Abraço

  • Amadeus

    .
    Setti,
    .
    Prefiro não acreditar que o DEM abrigue petistas enrustidos.
    Isso seria a desmoralização completa, além do achincalhe ao eleitor que há anos vota programatimente na legenda.
    .
    O Senhor poderia nominar algum infiltrado?

    Não é que o DEM abrigue ou não petistas enrustidos. É que está havendo uma debandada em setores do DEM e o PT está entre os partidos que se interessam por alguns para engrossar sua bancada — caso haja a tal “janela” imoral para que parlamentares troquem de partido sem perderem o mandato.

    Abraço