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Líder da coligação nacionalista conservadora CiU, Artur Mas festeja, ao lado da mulher, Helena Rakosnik, a vitória contra os socialistas na Catalunha

A acachapante derrota sofrida nas eleições de domingo pelos socialistas que, por meio de duas coalizões diferentes, vinham governando há 7 anos a Catalunha — região mais rica da Espanha –, parecem agora menos feia do que à primeira vista para o governo do primeiro-ministro e líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), José Luís Rodríguez Zapatero.

Os socialistas, é verdade, sofreram sua pior derrota desde a redemocratização da Espanha, em 1976, perdendo 9 dos 37 deputados que mantinham no Parlament catalão, de 135 membros, e viram os nacionalistas conservadores da coligação Convergencia i Unió (CiU), vencedores do pleito, pular sua bancada de 48 para 62 deputados.

“PONTES ROMPIDAS COM MADRI”

No calor da vitória, Jordi Pujol, o líder histórico da CiU e por 23 anos presidente da Generalitat chegou a proferiu um discurso inflamado em que despejou uma frase preocupante para a unidade espanhola:

— Estão rompidas todas as pontes com Madri.

Esse linguajar não combina com o matreiro, ultra-pragmático Pujol, cuja principal habilidade sempre foi movimentar os deputados catalães em Madri para extrair o máximo de concessões do governo central, não hesitando inclusive em apoiar o governo do “direitista” primeiro-ministro José Maria Aznar, do Partido Popular (1996-2004).

Mas os primeiros movimentos do futuro presidente do governo catalão, Artur Mas, não poderiam ser mais tranquilizadores para Zapatero. Não apenas ele baixou o tom na questão nacionalista, como deixou claro que sua grande prioridade será acelerar o crescimento econômico da Catalunha e diminuir os índices de desemprego dos atuais 17,5% da força de trabalho para a média da União Européia, 9%.

NACIONALISTAS PODEM APOIAR PSOE EM MADRI

Claro que nada é de graça em política, e Mas deixou claro que pretende rever com Madri a questão da redistribuição dos impostos arrecadados em território catalão, velha pedra no sapato das relações entre o governo local e o governo central.

Ainda assim, Zapatero pode se consolar pela derrota de seus companheiros socialistas com a perspectiva, já acenada nos bastidores, de que a CiU de Mas, sob determinadas condições, que certamente incluirá a questão dos impostos, apoie seu governo no Congresso de Deputados, de 350 integrantes, num malabarismo que a intricada política espanhola permite.

O PSOE sozinho não dispõe de maioria absoluta e, mediante concessões, a seus 169 deputados juntaram-se recentemente, nas votações, 6 nacionalistas bascos e 2 das Ilhas Canárias. O suporte dos 10 deputados da CiU tornaria sua situação muito mais confortável para enfrentar a difícil fase por que passa a Espanha, razão dos baixos índices de popularidade de seu governo.

Para consultar o resultado global das eleições, eis o link a respeito do jornal El Mundo, de Madri. E, se quiser, veja  o vídeo do discurso de vitória de Mas, pronunciado em catalão mas com tradução simultânea para o espanhol.

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1 comentário

Beatriz em 30 de novembro de 2010

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