Pode ser coincidência – ou não.

A presidente Dilma Rousseff cancelou a solenidade que presidiria amanhã, sexta, 28, em Candiota (RS), a 400 quilômetros de Porto Alegre, para inaugurar a terceira fase de uma usina geradora de eletricidade movida a carvão, abundante na região, a Candiota III, que na verdade já funciona desde o final do ano passado.

A cidade pretendia recebê-la em festa, inclusive com a Câmara Municipal atribuindo à presidente o título de cidadã honorária.

O Palácio do Planalto, ao fornecer a informação, não explicou as razões do cancelamento, embora a presidente vá passar o dia no Rio Grande do Sul .

Candiota III, construída em parceria com a China, integra a Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE).

Detalhe: Candiota III faz parte da Usina Termelétrica Presidente Médici. Sobre o nome, veja o link.

Ou seja, leva o título do general que governou o país no período mais negro da ditadura militar (1969-1974), durante o qual a presidente Dilma, então militante de organização de luta armada, foi presa, torturada, condenada e cumpriu 28 meses de prisão, até o final de 1972.

Como escrevi no começo: pode ser coincidência – ou não.

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Caio Gomidi em 28 de janeiro de 2011

Sr Setti, Em relação à luta armada, faltou falar da atuação da Presidenta à época e que ela foi presa, teve AMPLO DIREITO DE DEFESA, foi condenada a 8 anos, tendo o STM reduzido a pena para 2,5 anos por "colaboração".Qto ao Médici, foi votado e eleito pelo Colégio Eleitoral. Eleição indireta, é verdade, mas menos vergonhosa do a eleição atual onde o velhaco fez papel de cabo eleitoral e a justiça da 'democracia' nada fez para impedi-lo. Já escrevi pelo menos 50 posts em que abordo a luta armada, e no próprio dia da eleição de Dilma escrevi um enorme perfil da nova presidente para o site de VEJA onde tudo está registrado. E, pelo amor de Deus, não se pode comparar a farsa do Colégio Eleitoral, em que os militares impunham o general que bem entendiam, à revelia do povo, com as atuais eleições. Você só pode estar brincando, Caio. Ninguém me contou, não, eu estava lá.

Cil em 28 de janeiro de 2011

Qualquer que seja o motivo, ella cancelou o evento. Talvez seja porque ella tem uma agenda frenética cheia de .... nada para fazer! E essa agenda certamente é mais importante.

Pedro Luiz Moreira Lima em 28 de janeiro de 2011

Caro Setti: Dou parabés e concordo com a opinião do sr.Altamiro e repito as mesmas palavras de elogioa vc.Terminando (parece até o famoso cordão dos...),de total apoio a sua observação a sra Rosa. GRnade abraço Pedro Luiz

Elvio em 28 de janeiro de 2011

Ricardo, Andei lendo "pelaí" que o Greenpeace "recomendou" a Sra PredidentA que não desse o ar da graça. Parece que vai ter "vuco-vuco ambiental" e não pegaria bem para a imagem impoluta. Sí no é vero

Caio S em 28 de janeiro de 2011

Setti, olhe a manchete da Folha: Dilma cancela ida a usina para evitar protesto ambientalista http://www1.folha.uol.com.br/poder/867079-dilma-cancela-ida-a-usina-para-evitar-protesto-ambientalista.shtml Pois é, amigo Caio S. Por isso é que eu escrevi que poderia ser coincidência -- ou não. Não é mesmo? E o post foi para o ar ontem, quando as razões para o cancelamento ainda não tinham sido divulgadas pelo Planalto. Um abração e obrigado pela visita. Volte sempre.

Expedito em 28 de janeiro de 2011

Ah!, Mas essa atitude é uma retaliação provocativa aos militares brasileiros via Cadetes da AMAN, turma general Médici, 2010!

claudio em 28 de janeiro de 2011

Sugiro que pesquisem a historia desta CGTEE. Tem varios escandalos em que colocaram uma imensa pedra em cima. A Dilma e sua turma aqui no RS atuaram nela. Tem materia para capa da Veja.

Rosa Maria Pacini em 28 de janeiro de 2011

Setti, não se preocupe, você deixou isto bem claro. Eu é que assumi sua ilação como verdade.

Rielda Cecília Lobato em 28 de janeiro de 2011

Setti... é isso aí...pode ser coincidência ou não?! Mas e o grande,profundo,comovente discurso da posse,era mentira,conversa prá boi dormir?!! A criatura aprendeu direitinho com o mestre criador, palavras,palavras... "este povinho esquece logo,adora lágrimas de crocodilo e discurso bonito",elle deve ter ensinado!

Marco em 28 de janeiro de 2011

Caro R. Setti: Essa empresa, nessa cidade pequenina, é abrigo d CCs sedentários a mais de 8 anos, q vivem em Poa. Abs.

Rosa Maria Pacini em 27 de janeiro de 2011

Sinceramente, Setti, eu não concordo que figuras tão nocivas ao pais, como Médice e outros ditadores, sejam homenageadas através de obras públicas. Não vejo o menor sentido nisto e sou favorável a mudanças desses nomes. Ora, se a Av. Águas Espraiadas teve o seu nome alterado para Av. Jornalista Roberto Marinho, a Usina também pode ter. Está certa a presidente Dilma em cancelar este tipo de compromisso. Eu não vejo isto como revanchismo, mas, sim, como coerência. Cara Rosa, a presidente não se manifestou sobre o assunto, ninguém do Palácio sequer insinuou isso. Estou apenas juntando as peças. Acho que deixei isso claro no post, ao dizer que pode ser coincidência -- ou não. Na verdade, se eu fosse ela mandaria mudar o nome da usina. Mas certamente pareceria revanchismo, e ela não fará. Abraços

gaúcha indignada em 27 de janeiro de 2011

"Ella" só não veio, pelo especial motivo - teria uma "manifestação contra a criatura". Entendeu???

Altamiro Martins em 27 de janeiro de 2011

Presidente (ou Presidenta - como queiram...), por cláusula magna, é Comandante Supremo das Forças Armadas. Militares, portanto, devem obediência, fidelidade e, claro, todos os protocolos hierárquicos -- a exemplo da continência) aos mandatários eleitos. Qualquer ameaça à estrita observância desses princípios pode e deve ser encarada como hediondo crime de lesa-constituição. E, assim, qualquer reação, pacífica ou violenta, ao crime, está, desde sempre, legítima e legalmente justificada. Mas sabemos disso desde John Lock - não é mesmo? De outro modo, voltemos ao Estado de Natureza, época da guerra de todos contra todos, exemplarmente narrado por outro contratualista de boa cepa, o Hobbes.

Altamiro Martins em 27 de janeiro de 2011

Setti, você cumpre um inestimável papel cívico quando fala e volta a falar sobre o nosso recente passado tenebroso. Sei que existem as "viúvas" e as "vivandeiras" que tomam de assalto as suas caixas de comentários, com impropérios e outras manifestações vulgares, mas faz parte do jogo. Você tem sido pedagógico, meu caro articulista. Este país só será, de verdade, uma "Pátria Grande" quando exorcisar os seus demônios. E nem se trata (mas poderia ser - por que não?), como na Argentina, de levar os ditadores da época ao banco dos réus, mas de encarar com mínima honestidade as nossas fragilidades e descaminhos, do contrário, estaremos fadados a ser chamados de "República das Bananas" e continuarmos a temer que qualquer atitude mais "viril" quanto ao nosso indigno passado recente venha a eriçar os "temíveis" brios dos quartéis. O Brasil precisa passar à maturidade! Certa vez, o Groucho (Genial) Marx, no auge da fama, fez uma daquelas visitas agendadas por agentes e produtores, para promover algum filme - se bem me lembro. No México. Estando lá, alguém veio lhe dizer de um compromisso formal, protocolar, com o Presidente da República. Seria um jantar. O Presidente do México queria ser um bom anfitrião, mesmo que ninguém tivesse cogitado tal possibilidade (e, de lambuja, pegar carona na enorme popularidade do Groucho). Pois bem, o Groucho, língua solta como ele só, não se conteve e comentou: "- quem me garante que o presidente que me convidou estará no poder no horário do jantar?". É esta a reputação que queremos? em nenhuma das democracias modernas a "ameaça militar" é cogitada. Militares, tanto quanto os demais, são meros servidores públicos! Concordo plenamente com você, caro Altamiro. Mas, em geral, os militares têm se comportado corretamente ao longo deste nosso período -- que espero se eternize, e melhore -- democrático. Abração

Biden em 27 de janeiro de 2011

Ouvi dizer que hoje é quinta-feira. Pode ser coincidência – ou não.

Maristella em 27 de janeiro de 2011

Ué, e o discurso da posse, sobre esquecer o passado, era mentira?

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