Dilma expressa preocupação legítima com a inundação de euros, mas a União Europeia precisa da medida

Dilma e Merkel: troca de críticas sobre política econômica reflete interesses divergentes (Foto: Odd Andersen / AFP)

Está correta a preocupação da presidente Dilma Rousseff, expressa em termos algo ásperos na Alemanha à chanceler Angela Merkel: o fato de o Banco Central Europeu (BCE) ter injetado em quase mil bancos do continente 1 trilhão de euros nos últimos dois meses e meio pode, sim, provocar uma forte entrada de capital estrangeiro no Brasil, aumentando a pressão sobre o real, valorizando-o ainda mais e, entre outros efeitos, dificultando as exportações brasileira.

O problema é que as autoridades da União Europeia e, de forma ainda mais desenvolva, o BCE, sob a gestão agressiva do italiano Mario Draghi, que tomou posse em novembro passado para um mandato de oito anos, estão desenvolvendo esforços gigantescos para evitar um colapso na Itália, quarta maior economia da Europa, e, por tabela, da Espanha.

E a inundação de euros aos bancos europeus, que tem o propósito de incentivar o crédito e propiciar condições de crescimento para tirar a zona do euro da estagnação, já produziu efeitos benéficos para essas duas economias vulneráveis — cujo colapso seria vinte vezes pior do que o da Grécia. Muitos bancos usaram os novos créditos para comprar papéis das dívidas da Itália e da Espanha, fizeram cair o risco-país de ambas — com a consequente baixa dos juros que os dois Tesouros pagam aos tomadores — e estão facilitando a difícil rolagem das respectivas dívidas.

Para que se tenha uma ideia do tamanho do problema enfrentado, especificamente, pela Itália, o governo do primeiro-ministro Mario Monti precisa colocar no mercado, só até o final do mês que vem, perto de 90 bilhões de euros para fazer frente a pagamentos da dívida que vencem nesse período.

Então, neste preciso momento, os interesses da União Europeia e do Brasil, nesse assunto, são divergentes. E cada um defende o seu como pode.

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Nenhum comentário

  • Joe

    Prezado Setti, Madame le Président ainda vai acabar sendo proibida de entrar na Alemanha, pois cada vez que isso acontece, cria embaraços diplomáticos.
    É bom lembrar que da outra vez escreveu “Deutschland über alles” em um livro de visitas, ofendendo aos anfitriões, por se tratar do primeiro verso do hino nazista.
    Agora vem com essa patacoada de “tsunami monetário”. O grande problema é que o Brasil não faz a “lição de casa”. Com o enorme rombo nas contas internas, o governo brasileiro é obrigado a rolar a dívida pagando os juros reais mais elevados do mundo e é lógico que todo mundo vai querer aproveitar a mamata e enviar seu dinheirinho para cá, lucrando no mercado financeiro.
    Quando o governo fizer os ajustes fiscais que precisam ser feitos, reduzindo o rombo e, por conseguinte, não precisando mais pagar esses juros absurdos, ninguém vai ficar especulando no mercado brasileiro.
    Uma quebradeira na Europa provocaria a desintegração do bloco e os prejuízos para a economia mundial, inclusive da brasileira, seria das mais nefastas. É lógico que os europeus têm o direito de proteger a sua economia, nomeadamente se estiverem à beira do precipício cavado pelos países que, a exemplo do Brasil, têm uma política fiscal frouxa.
    Disse muito bem a Premiê alemã sobre as medidas protecionistas do governo brasileiro, que, ademais, provoca a estagnação do mercado nacional, já que não precisa se preocupar com a concorrência estrangeira.
    No quesito de práticas desleais, o dedo do Brasil está muito sujo para apontar para os outros.
    Um abraço do Joe.

  • lei

    PREZADO JOE,
    Quem escreveu “Deutschland über alles” foi o presidente do Chile, Sebastián Piñera. Podemos criticar a terrorista aposentada pelas milhares de bobagens dela, não é necessário inventar mais.

  • Willer

    Chumbo trocado, Merkel pediu a contrapartida do Brasil em relação ao protecionismo, como se a Europa não fosse protecionista.
    Agora sério, se Dilma registrou a besteira que o comentarista Joe explicou em seu post, então sua imagem na Alemanha está gravemente prejudicada, comentários e uso de termos desta natureza são consideradas no país como a marca registrada de ignorantes e incultos em geral.
    No mais a passagem de Dilma não foi exatamente algo de interesse na imprensa local, notícias só encontrei na imprensa especializada na área econômica ou numa modorrenta terceira página de algum jornal regional.

  • Corinthians

    Se ao invés de ficar culpando os outros ela simplesmente cumprisse o que prometeu na campanha – como a questão dos impostos (e não essa patacoada de reduzir tributos só da linha branca, favorecendo somente um segmento da economia), e da infra-estrutura (fazendo o PAC realmente sair do papel) não teríamos com o que nos preocupar.
    Teríamos juros mais baixos e moeda mais desvalorizada.
    Mas petista é assim mesmo, não tem coerencia.
    Quando quer fazer alguma comparação, usa todos os valores em dólar para se aproveitar do câmbio. Depois chora e vai falar besteiras internacionais…

  • Mari Labbate *44 Milhões*

    A valentona DILUÍZA almejou possuir a matrona Ângela Merkel, nessa viagem à Alemanha, e acabou levantando muito FOGO, na BATALHA DO TSUNAMI MONETÁRIO X PROTECIONISMO! Concluindo a hilariante viagem, durante uma entrevista coletiva, a “delicada senhora” sofreu um pequeno acidente no pé e sobraram: ai, ai, ai! É o que acontece aos que vão com muita SEDE AO POTE-DE-MÁGOA! A HUMILDADE É A MAIS PRECIOSA CONQUISTA DO SER-HUMANO! Concorda, President”A” Dilma Luíza Vana Rousseff da Silva?

  • carlos nascimento.

    Ricardo,
    Não foi por falta de aviso.
    Quem é do ramo sabe, o País com a sua política de juros altos, populismo, renúncias fiscais corruptas, investimentos ridículos em infra-estruturas, cavou uma armadilha fatal, para sair dela vai ser doloroso.
    Agora não adianta chorar, foram avisados, por aqui mesmo,cansamos de dizer, façam as reformas, não fizeram, façam investimentos produtivos, não fizeram, eliminem a demagogia, criaram subsídios infames, e tome bolsas esmolas, agora não adianta chorar.
    Lugar de choro é na cama, que é lugar quente, enquanto o cobertor consegue cobrir o corpo, não dá mais, ficou curto.
    A VACA ESTÁ INDO PARA O BREJO.
    O CÂMBIO QUANDO NÃO MATA, DEIXA ALEIJADO.
    Carlos Nascimento.

  • carlos nascimento.

    Hoje baixaram a Selic em 0,75%, pergunto: porquê somente agora ? só fazem as coisas sob pressão ou quando levam chutes no traseiro.
    Torno a repetir, o câmbio quando não mata, deixa aleijado, criem juízo.

  • José Maria de Negreiros

    Brasil. SEXTA maior economia do mundo; mas 87º lugar no mundo em IDH (Indice de Desemvolvimento Humano). Economia na mão de poucos … Injustiça social. MÁ distribuiçao da renda. Herança Colonial Portuguesa.