Dilma pode ganhar um presente do Congresso dos EUA no primeiro dia de governo: o fim das barreiras ao álcool brasileiro

A presidente eleita Dilma Rousseff poderá tomar posse com uma boa notícia no setor de comércio exterior: o eventual fim da sobretaxa sobre o etanol (álcool de cana-de-açúcar) que o Brasil exporta para os Estados Unidos, simultaneamente ao fim dos subsídios dos cofres públicos de Washington ao etanol americano.

Expira no dia 31 de dezembro, véspera da posse da nova presidente, a legislação tanto sobre a tarifa, pesadíssima – 0,54 cent de dólar por cada galão (3,78 litros) de álcool brasileiro que entra no mercado dos EUA –, como os subsídios de 6 bilhões de dólares anuais aos agricultores americanos, que já custaram sonoros 45 bilhões de dólares ao Tesouro dos EUA desde que foram instituídos, em 1980.

Até agora o Congresso não tomou providências para renovar a legislação, o que pode acontecer na sessão que começa nesta segunda-feira, dia 15, a chamada sessão “pato manco” (com todos os 435 deputados e 33 senadores em final de mandato, muitos dos quais não se reelegeram).

O grande problema para manter a situação atual será os congressistas que defendem o subsídio acharem 6 bilhões de dólares no estouradíssimo orçamento federal americano para justificá-lo.

A comissão bipartidária que o presidente Barack Obama formou para tratar da questão fiscal é, obviamente, contra a extensão ou renovação do subsídio. O ex-senador republicano Alan Simpson, de Wyoming, e o ex-chefe da Casa Civil do presidente Bill Clinton e atual reitor da Universidade da Carolina do Norte, Erskine Bowles, propuseram amplos cortes em programas federais. E recomendaram fortemente que o Congresso “acabe com gastos redundantes, antiquados e inefetivos”.

OS EUA CONSOMEM QUASE 1 MILHÃO DE BARRIS POR DIA — Apesar da força do lobby dos agricultores de milho em Washington, há um crescente consenso de que os subsídios são desnecessários para uma indústria madura e que dispõe de um gigantesco e crescente mercado interno, já que o próprio Congresso dispôs progressivos aumentos no percentual de etanol adicionado à gasolina americana.

Segundo Bruce Babcock, renomado professor de Economia Agrícola da Universidade de Iowa – estado situado justamente no coração do “Cinturão do Milho” americano –, “a produção de etanol e a demanda doméstica por milho continuarão a crescer, com ou sem os subsídios ou a sobretaxa”.

Além do mais, o fim das tarifas de importação reduzirá o preço dos combustíveis para os consumidores e aumentará a diversidade de fontes de energia do país e o acessso a fontes energéticas mais limpas, como o álcool de cana-de-açúcar.

Os EUA consomem o equivalente a 350 milhões de barris de etanol por ano, quase 1 milhão diários, e menos de 10% do total são importados do Brasil. O fim da legislação protecionista pode abrir de vez esse gigantesco mercado ao álcool brasileiro.

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Nenhum comentário

  • Karla

    Presente de grego para os consumidores brasileiros.
    Aumento da demanda agregada implica repartir a oferta interna com a externa.
    Preços ainda maiores ao consumidor brasileiro.

  • Eduardo Velasco

    Dessa vez vou colocar meu sobre-nome. O responsável nos Estados Unidos para essa grande conquista chama-se Joel Velasco. Sim, filho querido! Deu-em dois netos! Rapaz de ouro! Grande orgulho da família. Parábens, UNICA!

    Você tem toda razão, caro Eduardo. O Joel Velasco é o representante na América do Norte da União da Indústria Canavieira do Brasil e faz um belo trabalho de esclarecimento no Congresso Americano. Tem inclusive um blog muito informativo, de onde extraí parte das informações. Se é seu filho, parabéns.

    Abraços

  • SergioD

    Ricardo, concordo com a leitora Karla. A grande dúvida que eu tenho é se a eliminação desse subsídio não aumentará muito o consumo de etanol nos EUA fazendo, consequentemente, com que o preço para o consumidor brasileiro se eleve além do razoável. Sim, pois a produção nacional não aumentará tão rapidamente quanto o incremento do consumo, nacional e o americano. Tal fato pode ser bom para a indústria canavieira brasileira, melhorar nosso saldo comercial, mas temo pelo preço cobrado na bomba de combustíveis e também pelo impacto no preço do nosso açúcar. Vamos ver.
    Um abraço

  • Orfeu

    E mais uma vez, com grande visão estratégica, a industria de cana ocupa a área da soja, a soja ocupa a área do gado e o gado devasta o cerrado e a amazonia. Isso sem contar a pressão inflacionaria que ocorrerá com o preço do alcool, conforme já sofremos com o aumento da demanda por açucar no mercado externo. Os únicos contentes são os de sempre. E olha que pela primeira vez a biodiversidade começa a ser patrimoniada. Tomara que não troquemos tuod por soja e cana…

  • luis eugenio

    Se pssar no CONGRESSO AMERICANO, ahi é que estaremos “lascados”,pois sem exportar para os USA o preço do alcool já está nas alturas, imagine exportando? Esta turma não está nem ahi para o povo brasileiro, querem é comer mais e mais, mas quem mandou votar errado, agora aguenta.E para não esquecer,me compre um bode.

    A exportação do álcool não tem nada a ver com em quem o povo votou, caro Luís Eugênio. Conforme está no post, se o Congresso americano não prorrogar os subsídios aos plantadores de milho para produzir etanol, e simultaneamente não prorrogar a sobretaxa que encarece o álcool brasileiro no mercado dos EUA, fatalmente as exportações brasileiras para lá aumentarão.

    Eu disse que pode ser boa notícia para a presidente eleita porque a balança comercial brasileira, com isso, será beneficiada, e a indústria alcooleira também. Isso poderá aumentar a geração de empregos, aumenta também o volume de impostos recolhidos etc.

    Agora, é verdade que pode acarretar menos oferta no Brasil e o consequente aumento do preço.

    Abraço

  • André Dalmaschio

    A globalização, com trocas comerciais crescendo a cada ano, espalharam riqueza pelo mundo. Pelo raciocínio de muitos leitores, não deveríamos exportar carne, soja, etc, sob risco de aumento de preços. O etanol tem um forte concorrente no Brasil: a gasolina, visto que quase não há mais carros movidos exclusivamente a álcool. Portanto, o mercado irá se ajustar.
    Lendo esta notícia, lembrei de que em fevereiro deste ano o Estadão trouxe notícia que continha o seguinte: “O lobby pró-Israel no Congresso americano deixou de apoiar a abertura do mercado americano ao etanol brasileiro”, publicada após os afagos de Lula ao facínora iraniano. Ricardo, será que este lobby perdeu poder nos tempos de Obama?

  • Eclair

    e ainda a versão a ser propalada pela mídia oficial e pela oficiosa, será de que “a nova presidente obrigou Obama, e esse de joelhos se rendeu…”

  • Camada von Ozonio

    UM SALEIRO À VISTA….