O delegado da Polícia Federal Fabiano Bordignon, diretor da penitenciária federal de onde partiram as ordens para os distúrbios que sacodem o Rio de Janeiro desde domingo — a de Catanduvas, no oeste do Paraná –, anunciou que vai deixar o cargo nos próximos dias, mas jura que a mudança nada tem a ver com a onda criminosa.

O Rio tem vivido um pesadelo que inclui esfaqueamentos, latrocínios, balas perdidas, o retorno das guerras de facções criminosas e ataques a veículos e unidades policiais, com dezenas de mortes registradas.

O diretor da penitenciária de Catanduvas informou que agentes penitenciários apreenderam bilhetes com ordens para os ataques, o que faz supor que houve outros, levados por pessoas que visitaram detentos. Mas assegurou: “[Minha saída] não tem nada a ver com essa questão do Rio de Janeiro”. Segundo Bordignon, os diretores dos presídios federais não ocupam a função por mais de dois anos.

Ele está no cargo há 21 meses. O também delegado da PF Rogério Sales vai substituí-lo.

Bordignon mencionou entre outros casos a prisão, há um mês, de uma mulher que, revistada ao visitar um detento em Catanduvas, portava um bilhete tratando de ataques a Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) do Rio. O bilhete tinha como destinatários os bandidos Marcos Antonio Pereira, o My Thor, e Márcio dos Santos Nepomuceno, o Marcinho VP, dois dos principais líderes de uma facção criminosa que age em favelas cariocas.

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Abreu em 27 de novembro de 2010

Esse episódio agita algumas de minhas reminiscências de ainda criança. Naqueles tempos -- lá pelos idos de 1970, creio, o trânsito nas cidades de S.Paulo e Rio eram mavhete diária e tema de acaloradas conversas não só entre os cidadãos mas também nas emissoras de rádio. No Rio, havia o Coronel Fontenelle e em São Paulo o emngenhiro Scaringella -- e algo que nunca me saiu da memória, foi o que (ao lado do meu pai) ouví do jornalista Salomão Ésper (salvo engano), com seu tremendo vozeirão: "no Brasil, autoridade só cai para cima" (quando ele comentava sobre a demissão de um ou de outro, em razão das más intervenções na organização do trânsito). Não sei qual o grau de culpa do Delegado Bordignon lá em Catanduvas, mas neste caso, acredito que perder uma "boca dessas" não é nenhuma desvantagem, pelo contrário -- pode significar promoção!

Rosa em 26 de novembro de 2010

A prova viva da incomPeTência da administração Petista nas penitenciárias federais é a transferência de alguns bandidos para Rondônia. É por isso que Lula se esconde, não é?

J.Henrique em 26 de novembro de 2010

Bom dia Ricardo. Devemos ficar felizes ao vermos que as autoridades resolveram enfrentar o tráfico, ou devemos ficar apreensivos? Pois parece-me mais uma manobra para fazer uma "cara" nova no Rio de Janeiro para a Copa do Mundo e as Olímpiadas. E,findas essas "efemérides" temo que tudo volte ao chamado "normal". É claro que os verdadeiros chefes do tráfico não vão abandonar a cornucópia que é o comércio das drogas.Qual o meu receio? O Brasil todo tornar-se hoje o que vemos no Rio. Já não vivemos em paz, porém aqui no interior ainda nos sentimos relativamente seguros, porém, creio que essas manobras no Rio de Janeiro, só farão ampliar e intensificar o domínio dos traficantes sobre a sociedade.É como espantar varejeiras, elas sentam-se em cima de outra carniça.Um abraço do José Henrique

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