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Multidão protesta contra a punição ao juiz Baltazar Garzón na Puerta del Sol, no coração de Madri: “Vergonha! Vergonha!” (Foto: El País)

Amigos, é inteiramente desproporcional aos fatos de que é acusado e tem fortíssimo fundo político a dura condenação que sofreu hoje o juiz de Direito Baltazar Garzón — uma espécie de herói duro cumpridor da lei para boa parte da opinião pública da Espanha –, o homem que perseguiu e colocou em prisão domicilar o ditador assassino do Chile, Augusto Pinochet.

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Garzón: fim de carreira

Ele também se notabilizou por sua grande coragem e determinação ao punir com duras penas de cadeia terroristas perigosos da ETA, a organização armada que pretendia a independência, pela força e por assassinatos em série, do País Basco, rica região da Espanha.

Garzón é acusado de ter promovido escutas ilegais num processo que conduziu. Volto mais tarde para explicar porque o virtual fim de sua carreira de magistrado decretado pelo Supremo Tribunal é um ato político.

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Feniano em 04 de abril de 2012

Kaixo ! Têm mais é que punir este espanhol à toa, demagogo e metido a santo , pois é fato que a justiça tarda, mas não falha. Saudações nacionalistas Celto/Irlando/Bascas ! Agur !

Eduardo em 11 de fevereiro de 2012

Prezado Setti. Eu estava escrevendo um novo comentário há um minuto e meu PC deu pane, assim, se algo chegar aí sem pé nem cabeça, favor ignorar. O que eu ia dizer é o seguinte. Primeiro, agradecer a você por ter publicado meu longo comentário de ontem. Vou tentar ser mais sucinto neste. O assunto é muito interessante porque envolve o eterno confronto dos ideais esquerdistas com o estado democrático de direito e neste caso, para alívio geral, venceu o último. Apesar de ter sido longo, meu comentário anterior ficou sem algo importante: a afirmação de que o título do seu post está enormemente equivocado pelos motivos que afirmei anteriormente e também pelo fato de que o Tribunal Supremo da Espanha (TS) não é uma corte política, como se poderia ter a tentação de se supor ao compará-lo com o nosso STF. Não! A corte política na espanha é o Tribunal Constitucional, que não faz parte do Poder Judiciário daquele país e é formado por pessoas indicadas pelos partidos políticos, sejam juízes de carreira ou não. O TS é uma corte formada pelos melhores juízes da carreira jurídica espanhola pelo critério de eficiência profissional e não pelo “dedo” do governante de plantão. Além disso, refuta a afirmação de seu título o fato de que o Garzón, exercendo seus direitos, recusou 11 (SIM:11!!) dos juízes que iam formar a corte de 7 juízes que o julgou. Ele queria recusar mais, mas não foi possível, pois o TS não tinha mais juízes. Ou seja, os sete que o julgaram foram os últimos da lista que o TS tinha para formar a corte e os “menos” indesejados pelo Garzón, que queria recusar a todos a fim de protelar o julgamento. Assim sendo, sua afirmação (e a do Sr. “Pedro Luiz Moreira Lima- 11/02/2012 às 1:18” que postou algo no mesmo sentido) no título de que “foi uma dura punição de fundo político” tem duas falácias: PRIMEIRO: não foi de fundo político porque o TS não é uma corte política e o delito que o Garzón cometeu (VIOLAR O DIREITO FUNDAMENTAL DE DEFESA DOS RÉUS e não o de investigar supostos crimes de políticos do partido agora no governo!!!) tampouco é de cunho político; SEGUNDO: a punição não foi “DURA”, mas sim PROPORCIONAL ao GRAVÍSSIMO delito que ele cometeu (entendo que talvez você tenha dito isso por ato falho, afinal, estamos acostumados a viver em um país onde as penas, quando existem, são super brandas e nunca atingem os “figurões”). Dito isso, gostaria de pegar mais no seu pé Setti, se você permitir, é claro, em relação ao que você disse em alguns comentários, que o Garzón não teria atuado da mesma forma com os crimes da ditadura cubana como atuou contra o Pinochet porque “não havia cidadãos espanhóis mortos ou desaparecidos”. NÃO É VERDADE, como bem afirma o Sr. “caio marques- 10/02/2012 às 19:23”. Muitos dos mais de 100.000 (cem mil!!) mortos e desaparecidos na ilha prisão eram espanhóis ou filhos de espanhóis (que de acordo com a lei espanhola têm direito a cidadania espanhola), pelo simples fato de que a população cubana foi formada em grande parte por...ESPANHÓIS!! O PRÓPRIO FIDEL CASTRO É FILHO DE ESPANHÓIS DA GALÍCIA E TEM DIREITO À CIDADANIA ESPANHOLA!! Ocorre que o Garzón, como bom militante de esquerda que sempre foi, neste caso e em todos os outros que envolviam violação de direitos humanos ou assassinatos perpetrados por ESQUERDISTAS (“Massacre de Paracuellos”, por exemplo, como citei em meu comentário anterior) agiu de acordo com a postura de todos esquerdistas, ou seja, se negou a admitir o fato. Prova disso é que, recentemente retornou à Espanha o repórter Sebastián Martínez Ferraté que ficou preso em Cuba por 18 meses, sem julgamento, por ter feito um documentário sobre a prostituição infantil naquela ilha e nem Garzón nem o governo espanhol, que era governado pelos esquerdistas, moveu um palha para tirá-lo de lá (aliás, a imprensa brazuca também nada disse sobre isso!!). A ideologia esquerdista se destaca pelo entendimento de que a lei só é acatável se favorecer seus ideais, senão, deve ser violada. Fiel a essa postura Gaspar LLamazares, líder do partido “Izquierda Unida” no “Congreso de los Diputados” da Espanha declarou na televisão que “não acata a sentença” contra Garzón e que “Garzón foi condenado por corruptos”. Essa é a visão esquerdista do Estado Democrático de direito quando não favorece seus objetivos partidários. Sou a favor da liberdade e do estado democrático de direito e contra qualquer tipo de ditadura e confesso que não entendo a tendência generalizada da mídia e das pessoas em querer ver algo de democrático nas práticas e ideais da “esquerda”, que só passou a se autodenominar “socialista” depois da queda do muro e do fracasso da URSS, e que conserva sua eterna ambição: estabelecer um estado de direito em que o direito e as liberdades individuais dependam daquilo que o partido entende ser melhor para o próprio partido. Mais uma vez, obrigado e um abraço.

Pedro Luiz Moreira Lima em 11 de fevereiro de 2012

CENTRO CULTURAL DE LA MEMORIA HAROLDO CONTI Este domingo 12 de febrero de 21 a 21 30 hs. por Radio Nacional (AM 870), comienza Memoria en Construcción, el programa de radio del Centro Cultural de la Memoria Haroldo Conti que dirige Eduardo Jozami. En este primer encuentro se abordará el caso del juez español Baltazar Garzón quien fuera inhabilitado por la justicia de su país tras investigar supuestos casos de corrupción entre funcionarios del actual partido gobernante. Además es autor de las condenas a Augusto Pinochet y a muchos genocidas de la dictadura argentina e inició en España la revisión judicial de los crímenes del franquismo.

wilson em 10 de fevereiro de 2012

Setti Garzon foi como se diz além de si mesmo. Cedo sacou que dar uma de defensor dos frascos e dos comprimidos seletivos fez demagogia e seu aplomb e panache empacou. Pessoal da esquerda a novela pinheirinho datou procurem sangue em Brasilia, Acre, Bahia, Pernambuco, e Piauí teve cegos, e mulheres abortadas e pm sem madanto. Até a agência brasil caiu na real.

caio marques em 10 de fevereiro de 2012

Caro Setti Desculpe, mas na questão de Garzón X Fidel quem está mal informado é o sr. Um grupo de anti-castristas enviou ao juiz uma relação de cidadãos espanhóis presos ou executados pelo regime cubano, pedindo a mesma atenção dada aos crimes de Pinochet. O juiz Garzon recusou-se a dar atenção ao caso, fato noticiado pela imprensa na época.

Pedro Luiz Moreira Lima em 10 de fevereiro de 2012

Amigo Setti: Colocar se possivel - o Artigo do Desembargador Jose Osorio de Azevedo jr,publicado na Folha de São Paulo no dia 09/02/2012 na pag 03 - Tendencias e Debates. Ainda o Pinheirinho “Os fatos são conhecidos: uma decisão judicial de reintegração de posse sobre uma favela. A ocupação começou em 2004, por pessoas necessitadas de moradia. Segundo a Folha, a proprietária obteve reintegração liminar em 2004. Durante um imbróglio processual, os ocupantes permaneceram. Em 2011, uma nova decisão ordena a reintegração. Foi essa a ordem que o Poder Executivo cumpriu no dia 22 de janeiro, com aparato policial, caminhões e máquinas pesadas. A ordem era, porém, inexequível, pois, em sete anos, a situação concreta do imóvel e sua qualificação jurídica mudaram radicalmente. O que era um imóvel rural se tornou um bairro urbano. Foi estabelecida uma favela com vida estável, no seu desconforto. Dir-se-á que a execução da medida mostra que a ordem era exequível. Na verdade, não houve mortes porque ali estava uma população pacífica, pobre e indefesa. Ninguém duvida da exequibilidade física da ordem judicial, pois todos sabem que soldados e tratores têm força física suficiente para “limpar” qualquer terreno. O grande e imperdoável erro do Judiciário e do Executivo foi prestigiar um direito menor do que aqueles que foram atropelados no cumprimento da ordem. Os direitos dos credores da massa falida proprietária são meros direitos patrimoniais. Eles têm fundamento em uma lei também menor, uma lei ordinária, cuja aplicação não pode contrariar preceitos expressos na Constituição. O principal deles está inscrito logo no art. 1º, III, que indica a dignidade da pessoa humana como um dos fundamentos da República. Esse valor permeia toda a ordem jurídica e obriga a todos os cidadãos, inclusive os chefes de Poderes. As imagens mostram a agressão violenta à dignidade daquelas pessoas. Outro princípio constitucional foi afrontado: o da função social da propriedade. É verdade que a Constituição garante o direito de propriedade. Mas toda vez que o faz, estabelece a restrição: a propriedade deve cumprir sua função social. Pois bem, a área em questão ficou ociosa por 14 anos, sem cumprir função social alguma. O princípio constitucional da função social da propriedade também obriga não só aos particulares, mas também a todos os Poderes e os seus dirigentes. O próprio Tribunal de Justiça de São Paulo já consagrou esse princípio inúmeras vezes, inclusive em caso semelhante, em uma tentativa de recuperação da posse de uma favela. O tribunal considerou que a retomada física do imóvel favelado é inviável, pois implica uma operação cirúrgica, sem anestesia, incompatível com a natureza da ordem jurídica, que é inseparável da ordem social. Por isso, impediu a retomada. O proprietário não teve êxito no STJ (recurso especial 75.659-SP). Tudo isso é dito porque o cidadão comum e o estudante de direito precisam saber que o direito brasileiro não é monolítico. Não é só isso que esse lamentável episódio mostrou. Julgamento e execução foram contrários ao rumo da legislação, dos julgados e da ciência do direito. Será verdade que uma decisão tem de ser cumprida sempre? Só é verdade para os casos corriqueiros. Não para os casos gravíssimos que vão atingir diretamente muitas pessoas indefesas. Estranha-se que o governador tenha usado o conhecido chavão segundo o qual decisão judicial não se discute, cumpre-se. Mesmo em casos menos graves, os chefes de Executivo estão habituados a descumprir decisões judiciais. Nas questões dos precatórios, por exemplo, são milhares de decisões judiciais definitivas não cumpridas.” Desembargador Jose Osorio Azevedo jr Desembargador aposentado 78 anos do Tribunal de Justiça de São Paulo e Professor de Direito Civil desde 1973

Luiz Pereira em 10 de fevereiro de 2012

Setti, boa tarde, Enorme coincidência termos falado disso ainda nesta semana, em outro post, e sair o resultado desse julgamento. Pelo que entendi, onde haviam cidadãos espanhóis envolvidos (caso de Pinochet) o juiz abria inquéritos. Porém, li hj n´O Globo que ele quis abrir inquérito sobra Guatánamo, onde, até onde sei, não existem espanhóis envolvidos. Ninguém discute a excrescência jurídica de Guantánamo. Mas ele teria autoridade para tanto? No mais, o PSOE provavelmente ganhou um forte candidato a primeiro-ministro nas próxima eleições. abs

Jefff em 10 de fevereiro de 2012

Não li não voce pode me enviar ou postar no blog? Vou postar, sim.

Sergio em 10 de fevereiro de 2012

A questão é: Aconteceram as escutas ilegais? Se sim,sim. Só aqui, nesta espelunca, é que os juizes saem livres e os delegados viram deputados. Quanto ao tamanho da pena, é coisa deles espanhóis.

claudio em 10 de fevereiro de 2012

Por que este atento inimigo das ditaduras esqueceu a mais antiga que existe? Por que nunca se interessou em investigar e acusar o Fidel Castro, que assassinou milhares de cubanos? Sendo da cumpanherada vale... Informe-se melhor antes de criticar sem fundamento, Claudio. Ele não se "interessou" por investigar e acusar Fidel Castro porque não houve cidadãos espanhóis -- sua jurisdição -- mortos e desaparecidos pela ditadura cubana, diferentemente do que ocorreu com o assassino Pinochet.

Celso B em 10 de fevereiro de 2012

O engraçado é que ele não perseguiu e não colocou em prisão domiciliar o ditador assassino de Cuba Fidel Castro. Caro Celso, informe-se melhor antes de criticar. Ele não "perseguiu e não colocou em prisão domiciliar" o ditador assassino de Cuba pela simples razão de que a ditadura cubana não torturou, nem fez "desaparecer" e nem matou cidadãos espanhóis -- a jurisdição do juiz --, diferentemente do que fez o assassino Pinochet.

Valeria em 10 de fevereiro de 2012

Na verdade o que comenta um fiscal anti-corrupçao, houve uma vingança institucional de "juízes" com uma profunda inimizade con relaçao à Garzón. Garzón tem seus defeitos,gosta de ser protagonista, cometeu erros,como financiar cursos e palestras em N.York com dinheiro de Emilio Botín e recebendo seu salario, mas todas as vozes q ñ sao de extrema direita estao contra a resoluçao do Supremo . Mais um ponto negativo para a justiça espanhola que ultimamente anda muito mal avaliada pela opiniao pública e agora será pela opiniao internacional.

Eduardo em 10 de fevereiro de 2012

Olá Setti. Conhecendo sua simpatia pelo Baltazar Garzón eu já esperava que você escrevesse algo nesse teor e, com o intuito de ampliar o debate, envio minha opinião a respeito, baseada, é claro, na evolução dos fatos que acompanho com algum interesse. Sei que você já conhece muito ou tudo que vou dizer, mas talvez sirva como informação complementar para os demais leitores de seu blog. Espero que, por ser um pouco longo, você tenha a paciência de ler e, quem sabe, publicar. Antes de tudo, dado o conteúdo das opiniões publicadas aqui, creio ser importante fazer um breve esclarecimento do CV do Garzón, do estado de direito espanhol e dos jornais espanhóis. Começando pelos jornais: na Espanha as linhas editoriais são politizadas e os jornais não escondem isso, ao contrário, dizem e demonstram claramente seu apoio a determinado partido político, apoio esse, é claro, baseado na contrapartida de subvenções, anúncios, financiamentos, etc. Assim sendo, é bom saber que os jornais “El País” (grupo Prisa) e “Público” (cujo dono é um milionário comunista, mas o jornal passa atualmente por sérias dificuldades financeiras) prestam seu apoio às esquerdas e, dentro das esquerdas, respectivamente, a ala do atual Secretário Geral do PSOE, Rubalcaba, e do ex-presidente do governo, Zapatero. É claro que brigam entre si, mas lutam juntos na causa das esquerdas. Quanto ao Garzón, aqui vai um link com um bom resumo de sua vida político/jurídica (ou vice-versa) http://www.abc.es/20120210/espana/abcp-juez-caido-victima-mismo-20120210.html , mas, em breves palavras, ele se notabilizou na luta contra o terrorismo do ETA, contra o narcotráfico e contra ditadores de direita e suas violações dos direitos humanos. Ocorre que, nessa notável trajetória jurídica, sempre pautou sua atuação nos dividendos políticos que podia amealhar, ou seja, em outro dado momento ele atuou na liberação de um líder etarra quando isso lhe foi conveniente, assim como, nunca se preocupou em colocar no banco dos réus esquerdistas que violaram direitos humanos (Castro e seus facínoras, líderes Norte-Coreanos, Chineses, ou da ex-União Soviética, etc.). Note bem: “notabilizou” não implica dizer que era um excelente juiz, pois, de fato, nunca foi um notável conhecedor da técnica profissional, tendo em vista que mais de 54% dos casos em que foi juiz instrutor (ele adorava ser instrutor) terminaram com a absolvição do acusado e, em suma, por ter atuado da forma como atuou neste caso em que foi condenado. Importante notar que o Garzón sempre se declarou na imprensa como sendo um “juez de izquierdas”. Além disso, seu caráter egocêntrico e sua ambição política davam a ele certeza de que ia ser o Ministro da Justiça do governo de Felipe Gonzalez, mas, quando não foi nomeado, começou a perseguir juridicamente as causas que envolviam o PSOE, a ponto de darem a ele algumas prebendas de viagens, etc. Quanto à Espanha, impossível concordar com algumas opiniões aqui que põem em dúvida sua democracia consolidada e seu estado democrático de direito. A Espanha é um estado democrático de direito sim, onde a igualdade de todos perante a lei é buscada e aplicada. Claro que tem defeitos e limitações e se pode dizer que há países do 1º mundo onde se é “mais igual perante a lei” do que na Espanha, mas não se pode comparar, nem de longe, a justiça espanhola com a que estamos acostumados na América Latina. Condenar juízes não é novidade na Espanha, como se pode constatar neste link http://noticias.lainformacion.com/policia-y-justicia/juicios/garzon-sigue-los-pasos-de-gomez-de-liano-pasqual-estevill-y-ferrin-calamita_WJFPdqUms5WS1Hrw5QXnH6/ que mostra a condenação de outros juízes por diversas causas. Realmente, para nós brasileiros acostumados com “pessoas não comuns” e figurões serem acusados de todo tipo de corrupção e torpezas e não ver ninguém ser condenado, causa espécie quando um ícone como o Garzón é condenado. Ocorre que seu passado de bons serviços prestados não permitia que cometesse os delitos que o Tribunal Supremo da Espanha julgou que ele cometeu. Aliás, o julgamento do Garzón foi revestido de todas as garantias constitucionais. Do total de 7 juízes que compõem a Tribuna, ele chegou a recusar 11, que foram substituídos, mas como ele prosseguia querendo refutar mais juízes e não havia mais como substituí-los, a Corte teve que julgá-lo com os juízes que sobraram. Ele responde por 3 processos: esse em que ele foi condenado por grampear os advogados; outro em que ele iniciou o juízo de instrução de crimes da era franquista sem ter competência para isso; e outro em que está envolvido em recebimento de verbas indevidas em sua ida aos EUA fazer palestras. Nesse caso do grampo ele foi condenado por prevaricação, que na Espanha é o ato do juiz contrário à lei mesmo sabendo que é contrário à lei. E o que ele fez? Bem, 1º - promoveu uma caçada (esporte permitido na Espanha) e convidou o promotor de justiça e o chefe de polícia envolvidos na investigação da trama de corrupção chamada de Gurtel, em Valência, governada pelo Partido Popular, de direita, opositor ideológico do Partido Socialista que ele se diz militante, na qual estão envolvidos políticos do Partido Popular, ou seja, promoveu uma festa particular em que os convivas eram justamente aqueles que poderiam interferir com sua forma de instruir o caso; 2º - mandou prender preventivamente todos os suspeitos da trama Gurtel; 3º - decretou “segredo de juízo” no caso, quer dizer, nada do que o juízo de instrução faz pode ser de conhecimento da defesa; 4º - mandou grampear, na prisão, todos os telefones internos em que os presos preventivos conversavam com seus advogados ou com qualquer pessoa. Ou seja, ele prendeu os suspeitos de forma incomunicável e o único meio de defesa que eles tinham, que era falar no interfone da cadeia com seus advogados, ele grampeou e, dessa forma, ele já sabia antecipadamente toda a estratégia de defesa dos imputados. Já sabia de antemão o que os advogados iam dizer!! Notar que a lei espanhola só prevê o grampo de advogados em caso de se investigar terrorismo ou tráfico de drogas e, mesmo assim, não pode ser de forma genérica, como ele fez, mas sim grampear a fulanos e ciclanos determinados. Notar ainda que o advogado que o processou, que é um ex-promotor de justiça, fazia a defesa de um imputado que ainda não estava preso, mas precisava falar com outros presos para elaborar a defesa. Depois ele se deu conta de que tudo que ele conversou com o entrevistado preso estava nas considerações do ato do juiz Garzón!! Indo para a conclusão: o que se julgou na Espanha, de fato, não foi o Garzón, mas sim, até onde o Estado pode invadir o direito de defesa; se julgou as garantias individuais do estado democrático de direito. É uma sentença que marca um antes e um depois, eis que a interferência política e do Estado nas liberdades individuais achou um limite legal e nenhum Garzón, no futuro, as ousará vulnerar. Não por acaso, a sentença tem um trecho que diz que as práticas do juiz instrutor foram típicas de países ditatoriais. Ele, que se dizia defensor dos oprimidos pelas ditaduras da direita, empregou métodos da “outra ditadura”, a que ele defende, para obter informações que levassem a condenar, a qualquer custo, por crime seus adversários políticos. Só que justiça a qualquer custo é a prática das ditaduras. Simples assim!! Seguem abaixo alguns links que permitem ter outra visão do assunto: http://politica.elpais.com/politica/2012/02/08/actualidad/1328700708_679683.html http://www.intereconomia.com/noticias-gaceta/opinion/garzon-y-los-crimenes-izquierda-20120209 Bem, agora de fato terminando, ficam pendentes outros dois julgamentos do Garzón. A próxima sentença será sobre sua atuação como juiz instrutor (de novo!) de mortes do franquismo e pela qual ele foi processado por não possuir competência para tanto (de novo prevaricação, pois fez algo contrário a lei sabendo que é contrário a lei!!) e porque há uma lei de anistia que impossibilita tal processamento...a mesma lei que ele evocou em uma decisão sua contra o pedido de investigação e punição do massacre de “paracuellos”, onde os socialistas anti-franquistas assassinaram mais de seis mil pessoas, e ameaçou de cadeia aqueles que pediam esse processo, contrariando o direito individual de petição, garantido na Constituição espanhola de 1978. Bem, mas isso fica para outra oportunidade. Agradeço a atenção e envio um abraço. Eduardo.

Angelo Losguardi em 09 de fevereiro de 2012

Discordo, Setti. Esse juiz sempre tirou a venda em seus julgamentos. Ele é do tipo que se faz de cego quando os crimes são cometidos por comunistas. Eu considero esse comportamento um lixo moral. Uma coisa é certa ou errada. Não é certa ou errada dependendo de quem faz. Você está completamente enganado, Angelo. Ele, por exemplo, colocou na cadeia um monte de terroristas da ETA -- que se dizem "revolucionários marxistas-leninistas" --, a ponto de, como tantas outras autoridades e políticos da Espanha, precisar andar com escolta armada. Nunca, em muitos anos de presença constante na Espanha, vi uma só notícia sobre ele que respaldasse que Garzón "se faz cego quando os crimes são cometidos por comunistas". Abração

Esron Vieira em 09 de fevereiro de 2012

O problema é que ele através de seu trabalho desgostou poderosos bandidos. Como ninguem é perfeito e invulnerável, pegaram ele em desacordo com a "lei". A agiotagem e a sujeira internacional possue grandes poderes e tentáculos. Portanto qualquer andorinha solitária vai ser abatida sumariamente. Enquanto o vil metal estiver acima de qualquer valor humano e moral, não evoluiremos tão cedo. O ser humano sempre procurará escravizar seu semelhante enquanto puder, criando e mantendo castas. Aproveitando de religiões e etinias pra manter a desordem e intrigas internacionais. Não precisa mais de chicote, o chicote é o endividamento oferecido aos povos como uma pedra de crack é oferecida por um traficante. Os agiotas internacionais sempre ofereceram seu dinheiro à governantes corruptos, com o objetivo de deixar os estados refens. Nem Europa nem USA ficarm imunes. Os paizes que por natureza possue grandes quantidade de commodities, irão aguentando os saques sistematicos.

Pedro Luiz Moreira Lima em 09 de fevereiro de 2012

Amigo Setti: Vou além de voce - uma politica sórdida na defesa de Crimes Contra a Humanidade sei que dão trabalho,sei que causam dor,morte e destruição mas um dia acabam -"pois apesar de tudo acredito na bondade humana" Anne Frank - (Diario de Anne Frank) Estamos no mesmo barco ´Setti lado a lado. Grande abraço Pedro Luiz

wilson em 09 de fevereiro de 2012

Setti li no El Pais artigo dizendo que foram sete itens que a corte espanhola se baseou. Mas tava na cara que isto iria acontecer pois Garzon quis atropelar o pacto de moncloa e sua anistia o próprio El Pais assim concluiu jornal que apoiava o juiz.

ADRIANO MENDES FERREIRA em 09 de fevereiro de 2012

Julgamento político? Podia jurar que a Espanha é um país democrático.

Maria Helena Rial em 09 de fevereiro de 2012

Punido po fazer seu trabalho de forma honesta?

Jefff em 09 de fevereiro de 2012

Escutas ilegais?! Interessante... é a mesma desculpa para bombardear a Satiagrara comandada pelo Protogenes. "Desculpa"? Você já leu o processo que o condenou à cadeia?

Comunista Até a Alma em 09 de fevereiro de 2012

Destruímos os valores familiares e o catolicismo. A coerência e a moral já eram! Agora é caos para justificar a implantação de um governo comunista forte que gere ordem na Europa. Já era essa frescura de democracia, agora é hierarquia forte, obediência e o Estado mandando na vida pública e privada de todo mundo. O humano foi feito para ser escravo de outro humano mais forte, democracia foi uma palhaçada passageira que vai acabar!

Vera Scheidemann em 09 de fevereiro de 2012

Sempre admirei muito esse juiz e fiquei perplexa com a punição que acaba de sofrer que, na prática, significa o fim da sua careira de magistrado. Não conheço os detalhes das acusações que lhe são atribuídas mas, mesmo assim, considero injusta tal condenação. Acompanharei com atenção a sua análise, Ricardo. Um grande abraço ! Vera

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