Image
S&P: “contabilidade criativa” do governo — ginásticas para mascarar o mau estado das contas públicas — e falta de compromisso com a meta fiscal acenderam o sinal e levaram à queda da nota do Brasil: a herança maldita vai se configurando (Foto: Stan Honda / AFP)

S&P REBAIXA NOTA DE CRÉDITO DO BRASIL PARA BBB-

Amigas e amigos do blog, a notícia abaixo merece poucos comentários, porque fala por si, já a partir do segundo parágrafro, quando menciona “ações contraditórias do governo”, “implicações negativas para as contas públicas”, “estimativa de desaceleração [do crescimento] nos próximos dois anos” e por aí vai.

O desgoverno da presidente Dilma vai, portanto, deixando sua herança maldita.

Um rombo previsto de 40 bilhões de reais com o calote dado até agora às empresas de energia elétrica, com preços controlados artificialmente mas cuja conta será oficialmente apresentada em 2015 — após as eleições, portanto –, uma crise após outra desmoralizando a Petrobras, não apenas por má gestão em passado recente, mas também por suspeita de fraude e negociatas cabeludas, uma inflação ainda alta e ameaçadora, contas públicas desordenadas, déficit crescente na Previdência… e por aí vai.

A porretada assestada pela Standard and Poor’s até que veio tarde. Confiram.

Do site de VEJA

A agência de classificação de risco Standard and Poor’s cortou a nota da dívida soberana brasileira para BBB-, de BBB.

Segundo nota divulgada pela agência, “as ações contraditórias do governo, com implicações negativas para as contas públicas e a credibilidade da política econômica, somada às estimativas de desaceleração nos próximos dois anos, continuam a limitar a alternativas e o desempenho da economia brasileira”.

A agência havia alterado para “negativa” a perspectiva da nota brasileira em junho do ano passado — e, desde então, o mercado especulava sobre o rebaixamento.

Na prática, a redução da nota de um país pelas agências de classificação de risco significa que seu acesso a crédito será menor e que os juros que paga serão maiores.

O mercado, contudo, não espera que o Brasil tenha portas fechadas no curto prazo. “A nota do Brasil continua sendo a mais alta entre as de todas as grandes economias emergentes”, afirma Tony Volpon, economista-chefe da área de mercados emergentes do banco Nomura, parte do conglomerado financeiro japonês do mesmo nome que é um dos maiores do mundo. “No atual cenário global, é um país que ainda vale o risco para os investidores. O que a S&P fez hoje não mudará essa situação, na nossa avaliação”.

A S&P reduziu a nota de crédito em moeda estrangeira de BBB para BBB-, enquanto a nota em moeda local caiu de A- para BBB+. Após o rebaixamento, a agência mudou a perspectiva de nota para “estável”, o que significa que um novo rebaixamento não deve ser feito no curto prazo.

A queda da nota do Brasil ainda não implica a perda do grau de investimento [classificação que agrupa países considerados com pouca possibilidade de inadimplência, ou de dar calote em suas dívidas. Significa países de baixo risco para investimentos estrangeiros].

Contudo, coloca o país a apenas um passo de distância da categoria especulativa [nações com mais possibilidade de dar calote e de risco maior para investimentos estrangeiros. Elas têm muito mais dificuldades para obter empréstimos e pagam juros mais altos].

A nota da S&P estava em BBB+ desde novembro de 2011.

Leia também:
Brasil não deve (ainda) perder grau de investimento, diz S&P
S&P se reúne com governo após anúncio de meta fiscal

O rebaixamento se deve, sobretudo, à combinação de “derrapagem fiscal, perspectiva de execução fiscal fraca nos próximos anos, capacidade limitada de ajustes devido às eleições de outubro e certa piora das contas externas”.

Tais fatores, ligados essencialmente aos gastos públicos, são exacerbados pelas fracas perspectivas de crescimento econômico, diz a S&P.

A agência de classificação de risco apontou ainda como problema a perda de credibilidade na condução da política fiscal, em específico devido ao uso da contabilidade criativa. “O governo extirpou vários itens de gasto e receita da meta fiscal, além de diminuir essa meta ao longo do tempo.

“O uso dos bancos estatais, financiados por fundos do Tesouro Nacional, também foi determinante para minar a credibilidade do governo”, disse a S&P.

Leia também:
S&P revisa para baixo perspectiva de 6 bancos do Brasil
Fitch mantém rating do Brasil e alerta para necessidade de reformas

Relatório do banco Goldman Sachs publicado logo após o rebaixamento afirma que a rapidez com que a nota foi cortada depois da última visita da S&P ao Brasil, no início do mês, mostra que a agência de risco não encontrou sinais convincentes de que a política econômica brasileira evolui no sentido da maior transparência.

“A chegada da Copa do Mundo e a proximidade das eleições em outubro acentuaram a necessidade de uma ação mais rápida da S&P”, escreveu o economista Alberto Ramos, do banco americano, em nota divulgada ao mercado.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco + um =

Nenhum comentário

alphonso em 26 de março de 2014

"A agência de classificação de risco " rebaixou a nota do Brasil. Que piada. As agências de classificação de risco, criadas com o propósito de manipular informações, são as mesmas que davam alta notas como AA, ou AA-,AB,etc e tal, aos bancos, empresas e países que no outro dia quebraram e causaram a crisde mundial de 2008. Me admira muito alguém ainda acreditar nesta gente e utilizar isto em matéria jornalistica séria.Vamos cria uma agência de risco aqui no Brasil a avaliar mal a quem temos interesse em prejudicar e vice-versa. Agências de rating pagam professores de economia célebres e meios de comunicação em massa para divulgarem suas notas e tecer teses sobre conjunturas econômicas, fazendo milhares pessoas aderirem a este ou àquele investimento.

Luiz Pereira em 25 de março de 2014

Setti, As coisas não melhorarão por causa do PT, mas, se for o caso, apesar do PT. Essa turma não é de trabalhar, são barnabés. Colocam sempre a culpa nos outros. Mas, quando a economia mundial vai hiper bem, como em parte do governo Lulla, isso se deve ao PT. São bons parolagem. Convencem aos ignotos (e como eles existem em número enorme!) qus tivemos crescimento esplendoroso, quando em verdade crescemos mediocremente face a outros países em desenvolvimento. E assim vamos tocando... abs

Ebaggio em 25 de março de 2014

Também não gosta dessas agências, mas no caso do Brasil, atualmente, acho que agiram corretamente. Esse governo é uma piada.

Roberto Cavalcanti em 25 de março de 2014

Correção, herança maldita de quem ficou o poste no planalto.

The Wall em 25 de março de 2014

Certo que é a pior gerentona que a lojinha de 1,99 já teve e com reflexos visíveis em uma das maiores economia do mundo, ao menos por enquanto, pois se consegue desmoronar alicerces de Petrobrás, Eletrobrás e sabe lá mais o que (FGTS, fundos de pensão e outras coisitas são caixas-pretas, ainda), mas a herança maldita quem deixou foi, foi, foi... o criador de postes: Lulla. A herança que Dilma vai deixando não é maldita, mas totalmente funesta, em todos os sentidos. Haja!!!

Moacir 1 em 25 de março de 2014

Setti, Eu não estou surpreso.Venho comentando há muito tempo essa possibilidade,que se não é ainda trágica,pois o Brasil ainda conserva o grau de investimento,não deixa de significar um enorme alerta de PERIGO. Acredito que, quando em meados de 2013 a S&P colocou a nota do Brasil em tendência de baixa,não havia muito o que o Desgoverno fazer, pois todas as "pulíticas" já estavam definidas ,assim como todos os subsídios anunciados e todas as "negociatas" acertadas.O que o Desgoverno priorizou,foram as eleições e VOTOS.Isso sai caro... O que fez a PresidentA face ao risco de rebaixamento? O de sempre.Partiu para o Ilusionismo Fiscal.Para a contabilidade criativa. E para a propaganda mega otimista.Não foi à toa que Mantega,com um sorriso à prova de tsunami no rosto,colecionou milhas fazendo tantos road-shows. Lembre-se que a GerentonA em pessoa foi a Davos e que o próprio Lula foi convocado para o front da embromation,tendo contemplado com as estultices costumeiras,grandes empresários e banqueiros num encontro em Nova York, antes do Carnaval.Era tudo palco,purpurina,efeitos especiais para gringo ver,inclusive o manipulado superávit. Não colou,não rolou,não funcionou a marquetagem! O que vemos é uma situação de falta de confiança do mercado nos números maquiados e no discurso e decisões divorciados da realidade praticados pelos nossos bolivarianos economistas oficiais. E o pior é que ,infelizmente,os lulopetistas em vez de fazerem uma autoreflexão,estão é procurando um "advogado" para na Justiça ,questionar a nota que lhes foi dada.Insanidade! Esses petistas não aprendem com os próprios erros. Arranjam,apenas,bodes expiatórios para os seus pecados da vez.E,sendo assim, não são capazes de soluções. Seja lá quem for Presidente deztepaiz em 2015, vai ter muitos cabelos brancos pela frente. Abraço

Sandro Joval em 25 de março de 2014

Sou sempre honesto, não apenas com meus leitores, mas com todas as pessoas. Seu comentário era insultuoso e foi deletado. Tenha um mínimo de educação.

Antoninho em 25 de março de 2014

Uma leitura bem clara, superinvestimentos publicos no Brasil ja nao podem mais ser sustentados. E os bancos privados ja comecam a sentir essas flutuacoes. O consumidor tb nos precos. E a producao com falta de investimentos em estrutura. Q provocam o terrivel desemprego. Esse sao os acontecimentos q vao se agravando, depois do belo ciclo economico geral mundial. Q o Brasil deixou de fazer as mudancas principalmente nas alocacao dos recursos publicos.

Cidadão Quem em 25 de março de 2014

Não, meu caro Setti. Façamos jus ao verdadeiro autor da obra: Lula. A herança maldita é a do Lula. A Dilma foi-nos, tão-somente, transmitida. Ela é parte significativa da herança maldita de Lula.

A.M.A em 25 de março de 2014

Após 12 anos de PT alegando melhorias socias e se gabando de vários ganhos nunca antes obtidos no país: temos exército fazendo segurança pública, Petrobras desmoralizada, rebaixamento da nota do Brasil, saúde e educação em pleno caos, compra de votos com bolsas …., políticos corruptos, apoio a ditaduras mundo afora, dinheiro do Brasil financiando infraestrutura em outros países, tentativas de calar a imprensa, dinheiro gasto em propagandas eleitorais via propaganda de empresas públicas, corrupção para tudo que é lado, democracia sendo colocada em risco, rombo nas contas públicas, caos no setor de energia, .. Será que somos todos palhaços? Onde estão os políticos sérios deste país? Apelo até para os petistas honestos: vocês não acham que está na hora de dar um basta em certas coisas? Esse país é nosso! Fora com os políticos "pão e circo"!

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI