Eleições 2012 em SP: uma enorme indiferença para o horário eleitoral na TV. Vocês acham que o formato do horário eleitoral é OK, ou precisa mudar?

No horário eleitoral, metade dos eleitores desliga a TV. E você, o que acha do atual formato? (Foto: band.com.br)

Amigas e amigos do blog, sempre bem informado, o nosso Lauro Jardim, do Radar On-line, informa que metade dos eleitores de São Paulo não está nem aí para os programas do horário eleitoral que mostram os Russomannos da vida na disputa pela Prefeitura de São Paulo, e a briga entre o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad para ver quem vai para o segundo turno enfrentar o Menino Malufinho das promessas que jamais poderá cumprir e das alianças que Deus sabe quais serão que, uma vez eleito, precisará fazer para governar.

Agora pergunto às leitoras e aos leitores do blog: diante da quantidade de bobagem que é dita no horário eleitoral, dos truques dos marqueteiros, do jogo de cartas marcadas que vende todo candidato como santo e todo adversário como Belzebu, da mesmice distante da vida real em que se transformou o chamado horário eleitoral “gratuito” na TV — que não é gratuito coisa alguma, porque o que as TVs e rádios perdem em comerciais é reembolsado pelos cofres públicos –, o eleitor está certo ou errado?

Não defendo, aqui, que os eleitores não se interessem pelas eleições. Pelo contrário: é vital que o façam, e que escolham bem — especialmente os vereadores, para quem ninguém dá bola a não ser na última hora.

O que questiono é o formato atual, que ninguém aguenta mais, do horário eleitoral pelo rádio e pela T`V.

Vocês gostam do horário eleitoral tal como é? Aceito comentários.

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12 Comentários

  • Ismael Pescarini

    A solução é o voto deixar de ser obrigatório. Assim, os partidos se verão obrigados a trocar as campanhas baseadas em promessas e trocas de acusação por conteúdo “adulto”, isto é, os partidos terão que mostrar as razões pelas quais o eleitor deve escolher entre A ou B.

  • Anderson

    Caro Ricardo, excelente o seu questionamento sobre algo tão essencial na vida democrática, a discussão de idéias, propostas e de rumos para o lugar onde vivemos (seja a cidade, o Estado ou o país) durante o período eleitoral. Eu como eleitor, e falo (sem ter procuração pra isso, mas ao mesmo tempo sem medo de errar) em nome de familiares e amigos que uma proposta de debate das coisas essenciais como Educação, Saúde, Emprego, Segurança Pública, Transporte, Meio Ambiente, Transparência e prestação de contas da aplicação dos nossos impostos, etc deveria seguir um modelo radicalmente do que temos hoje. Mesmo os debates na televisão são poucos esclarecedores e enfadonhos para se dizer o mínimo. Segue uma proposta para os debates na TV, por exemplo:
    1) A emissora apresentaria de forma reduzida para a audiência qual é a situação da Saúde na cidade, e o que aconteceu nos últimos 4 ou 8 anos, Qual o recurso financeiro do orçamento é destinado para manutenção dessa estrutura anualmente (pessoal – qtidade de profissionais médicos e de enfermagem, etc, material – equipamentos, medicamentos, medical device, etc, estrutura – manutenção e construção de novas unidades)? Quanto isso representa do orçamento da cidade?, Onde o restante dos recursos arrecadados estão sendo investidos? Qual o crescimento da arrecadação no período analisado? E como tem crescido o orçamento e investimento em Saúde nesse mesmo período? Qual a demanda reprimida e não atendida pelo sistema hoje, em função do descompasso entre crescimento da população, orçamento e investimento em novas unidades, etc?
    2) Feita essa apresentação, inclusive recheado com alguns resultados de pesquisas qualitativas, por exemplo, a satisfação das pessoas que são atendidas pelo sistema de saúde dentro das diferentes unidades de atendimento, etc. Iniciaria o processo de debate onde os candidatos teriam um tempo bem maior do que hoje para apresentar as suas propostas em cima do que havia sido explicitado no bloco anterior. Importante: Só participariam do debate, no máximmo, o 4 candidatos à frente da disputa eleitoral até o momento do debate. Isso daria pra cada um tempo bem maior para aprofundar a sua proposta.
    3) Num 3o bloco, jornalistas e especialistas da área da Saúde fariam perguntas para os candidatos em cima das propostas que os mesmos apresentaram.
    Tenho certeza que assim facilitaria e muito o nosso entendimento sobre quais sãos os elementos factuais do que ocorre na cidade em relação ao tema, e aí poderíamos ver o quanto cada candidato está realmente preparado para administrar a cidade, ou seja, se as suas propostas param em pé.
    Existe um outro aspecto muito importante que precisa ser debatido que é a dificuldade do executivo na negociação com o legislativo e vice-versa na hora de aprovar projetos relevantes para a população, ou seja, muitas vezes as coisas não andam na velocidade necessária me função de negociações nada republicanas. Outro aspecto importante é sobre a participação do tribunal de contas, que hoje na minha opinião não avalia absolutamente nada, ou seja, obras superfaturadas e desnecessárias. O recurso público necessita ser aplicado com maior seriedade, responsabilidade e respeito pelo imposto que pagamos.
    Enfim, essa é uma sugestão para o debate na TV. Sei que seria ótimo ter, como cidadão, uma noção clara da forma pela qual os recursos tem sido aplicado, e ai analisar frente a elementos concretos as propostas dos candidatos.
    Com relação ao horário eleitoral “gratuito”, penso que há necessidade de rever essa idiossincrasia nacional, ou seja, é impossível com tantos partidos (vários inclusive são de aluguel) todos dentro de um período curto tentarem passar qualquer mensagem de qualidade para o eleitor, que depois é obrigado a ir votar e escolher um candidato. Vejo o caso Americano, e de vários outros país, onde você tem que avaliar as propostas de dois partidos, e pronto. Isso facilita o processo de avaliação, aprofundamento e escolha.

    Sua proposta é bem interessante, Anderson — tanto, que justamente por isso, algo semelhante não será adotado…

    Mas não vamos desistir!

    Um abraço

  • maria luiza guião bastos

    Os dois comentaristas estão de parabéns, não Setti? ótimas propostas, sobretudo a do Anderson! Também concordo em que seria quase que impossível, mas não importa: sonhemos! (by the way, não conheço ninguém que veja, ninguém!). Grata!

  • Franco

    Realmente ninguém aguenta mais. O formato está totalmente superado. Uma quantidade enorme de candidatos a vereador repetindo um número que já está escrito na tela e recitando como mantras cinco ou seis setores da adiministração pública. A internet é o caminho mais racional. Cada candidato com seu website. Entraria lá quem quisesse. Um canal de TV estatal com sinal aberto transmitiria as propagandas no formato atual (ou similar melhorado), como opção para os que não ainda têm acesso online, e para os que assim preferem. Lembrando que metade dos brasileiros tem acesso à internet e esse percentual vem crescendo rapidamente.

  • Marcondes Witt

    O formato hoje, aquele período em que todos os canais abertos transmitem a mesma propaganda eleitoral, pode acabar, ou ter seu tempo de duração bastante reduzido. Daí se ampliaria as inserções, como ocorre hoje parcialmente.
    Além disto, discordo que o horário utilizado tenha que ser ‘ressarcido’ às empresas de radiodifusão. Conforme a Constituição Federal, art. 21, XII, ‘a’ e art. 221, é concessão da União às empresas. Portanto, não é lógico a União ressarcir às empresas aquilo que lhes é concedido. Assumam como custo da concessão. Caso isto tornar inviável (não torna), basta às empresas não solicitar a renovação da concessão.

  • Titus Petronius

    Caducou. Assim como a Voz do Brasil. O que mais me incomoda na propaganda eleitoral, e também na Voz do Brasil, é a obrigatoriedade da transmissão. Assim como o que mais me incomoda no sistema eleitoral brasileiro é o voto obrigatório. Muita obrigatoriedade não combina com democracia. Dito isto, não há razão para comentar o formato dos programas que, a meu ver, nem deveriam existir. Cada candidato ou partido que comprasse o seu espaço na mídia. Fazer campanha com dinheiro público (e querem mais!) é uma espécie de ensaio para o que os políticos farão quando eleitos: meter a mão em mais dinheiro público.

  • Charles A.

    Deveria acabar,não serve para nada a não ser criar o “marketing político”,transformar candidatos em produto a ser consumido, caluniar adversários e criar partidos de aluguel que vendem seu horário pelo melhor preço. Sou pelo fim do horário eleitoral ,que não é gratuito,mas obrigatório.

  • RONALDE

    Nada pior do que essa propaganda política na TV e rádio para desacreditar as eleições numa democracia que necessita de concretização no Brasil.

  • Valter H.

    Já que o horário eleitoral é obrigatório, por que não fazer na forma de debates? A cada dia (ou a cada semana) os candidatos debateriam um assunto de interesse público. E já que existe um “ressarcimento” às emissoras, seriam eles os responsáveis pelos custos da produção e organização desses debates. Seria uma boa oportunidade de ver como os candidatos pensam e agem sem a ajuda do marketing.

  • Corinthians

    O Horário Eleitoral deveria ser banido, proibido.
    Os partidos que comprem tempos na TV para propagandear seus candidatos.
    Além de parar com a gastança estúpida do governo federal com isso, não teríamos mais os acordos para conseguir mais tempo.

  • RONALDE

    Precisa é acabar!

  • Alberto Porém Júnior

    Vamos apimentar esta discussão.
    Quase cai da cadeira quando vi o valor que o chamado ” programa eleitoral gratuíto” custa.

    Horário eleitoral não é gratuito, mas muito bem pago

    Por Joel Leite, no Mundo em Movimento, via Facebook

    – Governo vai pagar, em renúncia fiscal, R$ 600 milhões pelo horário ocupado pelos candidatos nas emissoras de rádio e TV.
    As emissoras de rádio e televisão chamam o horário eleitoral de “gratuito”. Grátis pra quem?
    O governo (nós) paga o horário para as emissoras com a renúncia de Imposto de Renda. Paga o horário integral ocupado pelos candidatos, como se estivesse fazendo uma propaganda.
    A estimativa da Receita Federal, segundo a Agência Congresso, é que o horário eleitoral proporciona um faturamento estimado, para este ano, de R$ 606 milhões para as emissoras.
    O Decreto 7.791 de 17/8/12, em seu artigo 1º. define que as emissoras poderão efetuar a compensação fiscal na apuração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, inclusive na base de cálculo dos recolhimentos mensais previstos pela legislação.
    Desde 2002, o governo pagou para as emissoras de TV e rádio R$ 4 bilhões. E eu não li nenhum editorial reclamando do “desperdício de dinheiro público”.
    Em alguns casos o horário “gratuito” é, na verdade, um grande negócio para a emissora, pois o governo paga todo o tempo de inserção por dia como se estivesse comprando um espaço publicitário. Ocorre que originalmente aquele espaço não estava totalmente destinado à propaganda, mas também a programação: jornalismo, música, entretenimento, variedades. Assim, o faturamento da rádio ou da TV aumenta.
    O Decreto prevê que o pagamento seja de 80% do preço de tabela da emissora, isso porque este é o percentual que fica com a empresa, uma vez que a Agência que veicula a propaganda recebe a comissão de 20%.
    Mas um anunciante comum paga bem abaixo do preço de tabela, pois o negócio é fechado após ampla negociação. É comum descontos de 40%, 50% sobre o preço de tabela. Às vezes mais. Uma emissora de TV em São Paulo negociou com uma grande rede de varejo, no ano passado, um contrato anual com desconto de 95%.
    No caso do horário eleitoral “gratuito” não há negociação. É tabela cheia.