Um breve roteiro para entender a questão da independência da Catalunha em relação à Espanha

Artur Mas, o conservador governante da Catalunha: até há pouco moderado e pragmático, agora aparece como um Messias para os catalães no principal cartaz de sua propaganda eleitoral, com bandeiras independentistas ao fundo (Foto: Albert Gea – Reters)

Um coronel maluco pede intervenção militar na região caso seu governo prossiga no caminho da independência em relação ao país. O secretário de Segurança regional convoca sua polícia para “defender o país” em caso de conflito. O ministro da Justiça avisa que um plebiscito na região para decidir a independência é “claramente ilegal e inconstitucional”. O chefe do governo regional responde:

— Constituições e tribunais não nos deterão.

Estamos falando de onde? Da Venezuela? De algum país africano que vive de golpe em golpe?

Nada disso. Esse tipo de guerra de palavras está se dando na civilizada e democrática Espanha, às voltas com eleições na comunidade autônoma (equivalente a um Estado americano) da Catalunha, neste domingo, 25 de novembro de 2012, em que a independência da região está, pela primeira vez em séculos, colocada seriamente sobre a mesa.

Cartada ousada, difícil e controvertida

Agora vejam só. Ele é economista, estudou nos melhores colégios particulares, vem de família de industriais do ramo têxtil e metalúrgico, sempre foi um político conservador e, pessoalmente, discreto até nos invariáveis tons escuros dos ternos que nunca abandona.

Agora, porém, Artur Mas, 56 anos, chefe do governo da Catalunha (ou presidente da Generalitat de Catalunya, nome do cargo que exerce desde 2010), aparece nos cartazes de propaganda da coligação que chefia, Convergencia i Unió (CiU), como um Messias, capaz de conduzir seu povo à terra prometida.

La Voluntat d’un Poble (a vontade de um povo), diz no idioma catalão o principal cartaz da campanha para as eleições catalãs deste domingo, 25, em que, abandonando a moderação e o pragmatismo que sempre caracterizou seu partido, Mas joga todas as fichas na ousada, arriscada, difícil e controvertida carta da independência da Catalunha em relação à Espanha, impulsionado, entre outros eventos, pela enorme manifestação popular independentista ocorrida em setembro passado.

A manifestação nacionalista de 11 de setembro: combustível para a eleição deste domingo (Foto: La Vanguardia)

Os lemas da campanha dão ênfase ao “direito de decidir” dos catalães e falam em “Um novo Estado na Europa”. Mas a palavra independência está em todos os comícios, nos brados dos eleitores nacionalistas, nas bandeiras desfraldadas — trata-se da tradicional bandeira catalã de listras amarelas e alaranjadas, acrescida, porém, de um triângulo azul com uma estrela branca no meio.

Os leitores me desculpem, mas não é possível tratar de um assunto assim complexo sem algumas pitadas, rápidas, de história.

Integrada à Espanha há mais de 500 anos — desde que um dos “reis católicos”, Fernando, herdou do pai o trono de Aragão, que desde o século XII incluía a Catalunha –, a separação da mais rica região da Espanha do restante do país tornou-se plataforma eleitoral em decorrência de uma série de fatores que se acumularam.

Dois séculos sem maiores problemas

Nisso entram o descaso do governo central para com reivindicações da região, a esperteza de governantes nacionalistas que negociaram apoio político com governos de esquerda e de direita em troca de sinal verde para ir criando ao longo de três décadas uma cultura catalã distante da do resto da Espanha, a questão nunca resolvida de uma repartição de impostos mais consentânea com a contribuição catalã para o caixa geral — e por aí vai.

A Catalunha viveu sem maiores problemas dentro da Espanha durante mais de dois séculos, pois os reis que sucederam a Fernando de Aragão respeitaram instituições catalãs que datam de há mil anos, com avanços como carta de direitos e um certo nível de representação da sociedade junto ao governo, além de um idioma próprio e uma cultura forte e marcante.

O rei Felipe V, neto de Luís XIV da França: no século XVIII, podando os direitos históricos dos catalães

No começo do século XVIII, porém, quando o rei habsburgo Carlos II morreu sem deixar herdeiros, estalou um conflito entre potências reivindicando o trono por laços de sangue, que iam da França de Luís XIV ao Sacro Império Romano-Germânico.

Neto de Luís XIV vira rei e poda direitos históricos dos catalães

Em 1701, como Felipe V, acabou sendo entronizado Felipe d’Anjou, neto de Luís XIV. Seguiram-se doze anos de conflitos — a Guerra de Sucessão espanhola –, que não há espaço aqui para especificar.

No final, com Felipe V firmado no trono e seu não reconhecimento das instituições tradicionais catalães, seguiu-se uma guerra da Catalunha contra o rei Bourbon e a derrota dos catalães, a 11 de setembro de 1714. Até hoje esse dia, a Diada, é a data maior da Catalunha.

A Catalunha voltou a ter autonomia apenas com a II República espanhola (1931-1936). A partir de 1939, com a vitória do generalíssimo fascista Francisco Franco na Guerra Civil (1936-1939), os catalães, que resistiram bravamente ao avanço franquista, pagaram caro, perdendo até o direito de ensinar o idioma em escolas ou publicar livros e jornais em catalão.

Cena da Guerra de Sucessão: disputa entre vários impérios pelo domínio da Espanha

A democracia, que voltou gradualmente após a morte do ditador, em 1975, acabou consagrando, na Constituição de 1978, vários direitos tradicionais catalães. Com o passar dos anos, houve sucessivas ampliações desses direitos.

Entusiasmo em 2006, desilusão em 2010

Em 2006, após longas e duríssimas negociações políticas, os setores nacionalistas pareciam dar-se por satisfeitos com a aprovação do Estatut — uma espécie de Constituição catalã reconhecendo um alto grau de autonomia política, administrativa e economica à região.

Aprovado pelo Parlamento catalão, aprovado, com algumas modificações, pelas Cortes — o Parlamento da Espanha –, aprovado em referendo pelo eleitorado da Catalunha, o Estatuto seria recebido com entusiasmo na Catalunha, mas duramente recortado em 2010 pelo Tribunal Constitucional, por obra e graça de uma ação judicial movida pelo Partido Popular, hoje no governo, que arguiu a inconstitucionalidade de dezenas de pontos da lei.

Soprando forte na brasa de sentimentos adormecidos

A enorme desilusão causada pela decisão de um Tribunal com a legitimidade abalada (havia vagas não preenchidas e alguns de seus integrantes com mandato já vencido) levou a uma colossal manifestação de protesto que reuniu mais de 1 milhão de pessoas em Barcelona, em julho de 2010.

Os setores ultra do nacionalismo conseguiram dar a um protesto sem cores partidárias um tom independentista que soprou brasa forte sobre sentimentos adormecidos.

De lá para cá, a crise econômica em que caiu a Espanha e as restrições e cortes de benefícios que vieram com ela criaram um caldo de cultura que permitiu a Artur Mas a manobra de misturar as coisas e apregoar que as dificuldades da Catalunha se evaporarão com a independência.

A gota d’água, ou o pretexto – sempre há um ou outro, ou ambos — ocorreu no mês passado, quando, em reunião de pouco mais de uma hora com o chefe de governo da Espanha, Mariano Rajoy, Mas viu rejeitada sua reivindicação de um “pacto fiscal” que conferiria mais autonomia para a Catalunha na arrecadação, manutenção e distribuição dos impostos.

A denúncia de um suposto “sufocamento financeiro” por parte de Madri

(Cálculos extremamente controvertidos indicam que, supostamente, de todos os impostos que a Catalunha remete ao governo de Madri, apenas 43% são investidos na região pelo governo central. Se São Paulo fizesse essas contas no Brasil…).

Ele denunciou a negativa como tentativa “de Madri” de sufocar a Catalunha financeiramente, antecipou as eleições previstas para 2014, arrancou das mãos de partidos independentistas de esquerda, como a tradicional Esquerra Republicana de Catalunya, a bandeira da realização de um plebiscito para decidir a independência, passou a falar grosso com Madri e a temperatura esquentou muitíssimo.

Tropa de choque dos “Mossos d’Esquadra”, a polícia catalã, em ação para separar manifestantes: policiais se opuseram ao uso político da corporação (Foto: El Periódico)

O rastilho de pólvora se estendendo

Como, tecnicamente, um plebiscito apenas na Catalunha é inconstitucional — só se admitem plebiscitos, convocados pelas Cortes, que envolvam todos os cidadãos da Espanha –, Mas fez declarações espantosas para um político europeu civilizado, tais como:

— Nem Constituições nem tribunais nos deterão.

O rastilho de pólvora verbal se estendeu.

Um coronel do Exército, logo em seguida enquadrado, pregou uma inimaginável intervenção militar na Catalunha em caso da declaração de independência.

Em contrapartida, o conselheiro do Interior catalão — espécie de secretário de Segurança –, Felipe Puig, convocou a polícia catalã, os Mossos d’Esquadra, a serem leais a seu “país” em caso de um confronto com o governo central e, à “legalidade jurídica”, preferir uma suposta “legalidade democrática”. Ou seja, a “vontade do povo” estaria acima das leis. O próprio sindicato da polícia rebateu, criticando o uso político da corporação.

De “colônia” da Espanha ao “direito de ter medo” 

Há meses, em artigos nos jornais catalães, na TV e na rádio locais, em mesas-redondas nas universidades a questão ocupa de forma avassaladora o tempo e as atenções. Catalães ilustres, mundialmente conhecidos, como o tenor José (na verdade, Josep) Carreras e o campeoníssimo técnico de futebol Pep Guardiola manifestaram-se pela independência.

A respeitada e combativa jornalista e escritora Pilar Rahola, de sua coluna no jornal La Vanguardia, exortou os catalães a deixarem de ser uma “colônia” da Espanha.

Outro jornalista que é uma instituição catalã, Antonio Franco, ex-diretor-adjunto do jornal El País e fundador do El Periódico, de Barcelona, encabeçou um abaixo-assinado de intelectuais pedindo moderação e defendendo a mudança na Constituição para tornar a Espanha um Estado federal, no qual se acomodariam as reivindicações da Catalunha.

Mariano Rajoy com a líder do PP catalão, Alicia Sánchez-Camacho: “Catalunha, sim, Espanha também”

O cineasta catalão Jaume Balagueró perguntou, publicamente, se, numa Catalunha independente, ele seria proibido de rodar filmes em espanhol. Javier Cercas, um dos maiores escritores espanhóis, nascido na Extremadura mas radicado na Catalunha, por sua vez, reivindicou “o direito de ter medo” de um futuro em que Espanha e Catalunha não estejam juntas. O e-ministro do Trabalho e ex-prefeito socialista de Hospitalet, cidade vizinha a Barcelona, reclamou: “Não quero ter que usar passaporte para ir a Burgos ou a Madri”.

“Catalunha, sim, Espanha também”

Diante do fogaréu político, apenas o PP, de centro-direita, assumiu claramente postura contrária à independência sob o lema de sua dirigente e candidata ao governo local, Alicia Sánchez-Camacho: “Catalunha sim, Espanha também”.

Argumentam, com boa dose de razão, que a Catalunha de hoje foi construída também com os esforços de centenas de milhares de espanhóis vindos de outras regiões — como a Andaluzia, a Extremadura, Aragón, Murcia ou Castilla-La Mancha. Ela própria é exemplo vivo disso: o pai nasceu em Castilla-La Mancha, a mãe na Extremadura. Muitos outros catalães, inclusive vários muito conhecidos no exterior, são resultado da saudável mescla de espanhóis de várias regiões. Para ficar num só exemplo, o cracaço Xavi, meio-campo e ídolo do Barça e da seleção espanhola, é um “Hernández”, filho de mãe catalã e pai andaluz.

Sánchez-Camacho, querendo ampliar o eleitorado do PP na região, que nunca passou de 20%, evitou durante a campanha abordar o sério conflito institucional que se esboça com o pleito independentista. Diferente da atitude da secretária-geral do PP e governante de Castilla-La Mancha, Maria Dolores de Cospedal, a política mais próxima do chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, que, indagada se Rajoy recorreria ao artigo 155 da Constituição — que prevê uma espécie de intervenção em uma comunidade autônoma que “atentar gravemente contra o interesse geral da Espanha”, respondeu, secamente: “o governo usará todos os instrumentos legais a seu alcance para que não se cometa nenhuma atuação ilegal”.

O próprio presidente do Tribunal Constitucional — como o nome indica, supremo intérprete da Constituição de 1978 –, Pascual Sala, disse claramente sobre a hipótese de plebiscito entre os catalães: “Em questões de soberania, o sujeito constituinte na Espanha é o povo espanhol (em seu conjunto), e a Constituição é bem clara a respeito”.

Pondo a cara para bater

Os socialistas catalães, aliados do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), que governou a Espanha durante 22 anos dos 34 desde que entrou em vigor a Constituição democrática pós-ditadura, mantêm-se num morno meio-termo, com seu novo líder, Pere Navarro, defendendo uma “Espanha federal” — postura oportunista, recém-adotada também pelo líder do partido, Alfredo Pérez Rubalcaba, que até meses atrás jamais havia tocado no assunto.

Carme Chacón: socialista e catalã, colocou a cara para bater dizendo-se “visceralmente” contra a separação da Espanha (Foto: El Periódico)

A grande exceção vem sendo a ex-ministra da Defesa e deputada socialista pela Catalunha Carme Chacón, a política socialista de relevo que mais colocou a cara para bater nessa campanha.

Ela, que por apenas 22 votos em quase mil delegados perdeu para Rubalcaba a votação para liderar o PSOE, em fevereiro passado — e, jovem e bem apessoada, é vista como possível cabeça de uma troca de geração no partido –, tornou-se a política socialista mais importante a declarar-se “rotunda e radicalmente contrária” à independência.

“Uma fraude que é preciso desmascarar”

Chacón, 41 anos, é uma espécie de síntese dos catalães que têm orgulho de sua terra mas se sentem igualmente orgulhosos de serem espanhóis: seu pai é da espanholíssima Andaluzia, sua mãe, catalã, e o avô materno, conhecido anarquista, era aragonês.

Em entrevista em que defendeu uma solução federal para o país, ela criticou duramente a Artur Mas, “que se despede feliz depois de centenas de anos de convivência (com a Espanha) apenas porque, em duas horas de reunião, ele e Mariano Rajoy não se puseram de acordo”. E prosseguiu: “Essa é a fraude que é preciso desmarcarar (…), mostrando que, diante do caminho da discórdia e da ruptura, há um caminho que permite superar juntos as dificuldades” de todos os espanhóis.

No fervilhar da campanha, surgiram denúncias de que Mas e o histórico dirigente da CiU e habilíssima raposa Jordi Pujol — que governou a Catalunha, sempre eleito democraticamente, por 23 anos, até 2003 — e suas famílias manteriam contas em paraísos fiscais com dinheiro suspeito. As denúncias partiram do jornal El Mundo, o segundo maior da Espanha depois de El País mas com uma credibilidade duvidosa por constantemente levantar escândalos, em geral contra as esquerdas e os nacionalismos, que depois dão em nada.

Artur Mas em um de seus últimos comícios: enrolado na bandeira e dizendo que ataques a ele são “tentativa de calar” a Catalunha (Foto: EFE)

Artur Mas, em resposta, se enrolou na bandeira, considerando o noticiário uma “tentativa de calar a voz dos catalães que querem se manifestar livremente”. Não se sabe até que ponto as denúncias o enfraquecem ou, pelo contrário, fortalecem, como “vítima de Madri”. Também não se sabe se o chefe de governo conseguirá a maioria absoluta que tanto almeja no Parlamento de 135 cadeiras. O que está fora de questão é que o conjunto das forças pró-independência, à direita e à esquerda, alcançarão perto de dois terços dos deputados.

Um grande problema: ficar fora da União Europeia

Os problemas que essa maioria terá pela frente não estão apenas em se entender entre si. Outros, muito mais difíceis, em alguns casos dificílimos, se alinham no horizonte. Em primeiro lugar, um plebiscito, do ponto de vista jurídico, é inconstitucional, e isso vem sendo recordado insistentemente pelo ministro da Justiça, Alberto Ruiz-Gallardón.

Uma declaração unilateral de independência, de consequências internas difíceis de prever, teria como efeito imediato e grave a exclusão da Catalunha-nação da União Europeia, ponto reiteradamente lembrado desde Bruxelas, “capital” da Europa. O último dirigente da UE a referir-se ao tema acabou sendo o próprio presidente da Comissão Europeia, o “governo” europeu, José Manuel Durão Barroso. Os catalães deixariam de deter as imensas vantagens que significam ser cidadãos europeus — começando pela livre circulação pelos 27 países e a possibilidade de morar e trabalhar em qualquer um deles.

A sede da União Europeia, em Bruxelas: uma independência unilateral deixaria a Catalunha fora (Reuters)

A eventual candidatura de uma Catalunha independente à UE poderia ser vetada por qualquer dos 27 países-membros, a começar pela Espanha. Sem contar outros, às voltas com nacionalismos internos e nem um pouco interessados em escancarar a porteira para separatismos, como a França (Córsega e bascos), a Bélgica (partida entre valões e flamengos) ou até a Itália (com os neofascistas do Norte que inventaram um país branco e de olhos azuis, a Padania). (O Reino Unido conseguiu um acerto amigável para a realização, em 2014, de um plebiscito sobre a independência da Escócia, cuja flama nacionalista, por enquanto, não passa de 24% do eleitorado).

Perguntas cruciais que estão no ar

A pilha de desafios, porém, não para aí. Há perguntas cruciais sem respostas claras:

* como ficariam os centenas de milhares de aposentados catalães que recebem dos cofres da Seguridad Social do governo central?

* o que ocorreria com as incontáveis propriedades do governo central em território catalão, começando pelo magnífico aeroporto El Prat, de Barcelona?

* como se fariam os acertos financeiros entre as duas partes sobre dezenas de milhares de bens públicos?

* que parte da imensa dívida pública da Espanha — de perto de 900 bilhões de euros (2,34 trilhões de reais) — caberia à Catalunha, que já é a comunidade autônoma mais endividada do país, com um passivo de 45 bilhões de euros (120 bilhões de reais)?

* com se resolverá a questão da nacionalidade de centenas de milhares de moradores da Catalunha que nasceram em outras regiões?

Essas e outras questões cruciais estarão em jogo neste domingo. As dúvidas, como se vê, são muitas, e as certezas, poucas. Entre estas, há a de que o governo espanhol fará de tudo para que não se materialize a independência da Catalunha, que representa 16% da população e 20% do Produto Interno Bruto do país. Os nacionalistas catalães, de seu lado, não dão sinais de recuar. “Não há mais volta atrás”, sentenciou Artur Mas.

Será?

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22 Comentários

  • wilson

    Setti tudo é dinheiro, agora eles querem, dindin ou
    Independecia, mas será como pedir esmola para dois.

  • Angelo Losguardi

    Na linha das especulações feitas pelo cineasta catalão, gostaria também de entender melhor isso. Um exemplo hipotético: um catalão – cidadão espanhol, naturalmente – tem seus documentos espanhóis e de repente nem mora na Catalunha. Como iria fazer no caso de uma separação? Seu passaporte se tornaria nulo? Teria que trocar sua documentação? Isso no século XIX não seria um problema (mesmo com todos os movimentos de formação de vários estados), mas hoje…
    .
    Bom, tirando essas dúvidas que são mais curiosidades, devo dizer que sou simpático à demanda dos catalões. Estado federativo… de verdade, como nos EUA, até seria bom pra eles, mas se for uma federação de mentirinha igual ocorre no Brasil, em que as províncias simplesmente são apelidadas de estados, aí seria uma péssima. Hoje por certo eles teriam mais autonomia.
    .
    No mais, bacana a escrita no cartaz, heim, parece ser um belo idioma o que eles tem.

  • João Nascimento

    Que a Espanha se acabe! País com pessoas incrivelmente racistas e soberbas, que resulta nessa bobagem. Que se enforquem com suas próprias cordas.

    Sua generalização é absolutamente injusta, e bem pouco inteligente, como toda generalização. A esmagadora maioria do povo espanhol é constituída por gente de bem, democrática, tolerante (mais de 10% da população é de emigrantes de todas as partes do mundo). E não sei a que “bobagem” você se refere, em se tratando deste grande país.

  • neil ferreira

    Senhor Editor,
    Admiro seu trabalho jornalístico há décadas e invejo-o, especialmente na Playboy, isso é que era vida !
    Fontes que pretendo não revelar, o que me é permito por costumes e Lei, informaram-me que senhor reside em Barcelona e sabe em poucas linhas mais do que consegui aprender, lendo tudo o que consegui sobre Espanha e Catalunha. Em 2 oportunidades, trabalhei por quase 20 anos somados com 2 gênios catalães da Arte e da Publicidade; sou, pois, um sobrevivente.
    Atrevo-me, dada a pluralidade do seu blog, a dar mais uma prova da minha ignorância no assunto.
    Tenho para mim que os separatistas catalães deep inside não querem a separação. Se a conseguirem, não lhes restará causa para lutar, terão que ir trabalhar para construir seu país independente – e, sabe-se, isso não é moleza.

    Caro amigo Neil, concordo em boa parte com seu último parágrafo (e acredito piamente em seu depoimento como sobrevivente…). Os nacionalistas catalães ficarão sem ter o que falar se se tornarem independentes, sentirão saudades da Espanha e…, bem, o Barça, melhor time de futebol do mundo, vai disputar um campeonato contra o Girona, o Espanyol e o Sabadell?

    Abração

  • Roberto Souza

    Caro Setti,
    mais uma vez, obrigado pelo magnífico post.
    Uma verdadeira aula. tenho certeza ter aprendido em alguns minutos de leitura, muito mais do que aprenderia em muitos dias em um banco de uma boa faculdade.
    Parabéns pelo trabalho de formiguinha que leva cultura e conhecimento aos que se interessam em aprender.

    Muito obrigado pelo comentário e pelo reconhecimento, caro Roberto. Infelizmente, noto pela nossa ferramenta de trabalho que o post, com o trabalho que deu, é pouco acessado. Mas isso é parte do jogo. E minha obrigação está feita, por ora.
    Um grande abraço

  • susana

    Vivi e trabalhei na Catalunha como profissional de nível superior. Sou brasileiro e espanhol (dupla cidadania). Meu tipo é caucasiano. Sofri na pele a xenofobia da maioria de catalães, contra brasileiros e pelo fato de meus pais serem da Galícia. A Catalunha não sobrevive como economia independente. Arrogantes e mesquinhos, são o que são. Tentem viver nessa região, é o que proponho aos que desejem saber o que a Catalunha.

    Pois eu vivo aqui parte de meu tempo, porque meus filhos vivem e trabalham aqui, Susana, e não enfrento qualquer tipo de problema — pelo contrário.

  • Luiz de Almeida

    Se juntos não estão dando conta da crise, separados é que vão aprofundá-la. Vão ficar isolados!

  • Tiago

    O separatismo catalão é uma bobagem, em qualquer aspecto que se queira comentar: político, cultural, econômico.
    O que distingue a Catalunha do restante da Espanha? Um idioma diferente do espanhol? Pois isso a Galícia também tem, mas não alimenta em seus cidadãos sonhos de formar mais um país irrelevante na Europa.
    Setti, sua observação sobre o Barcelona FC é relevante. A Catalunha não tem condições de formar um campeonato mais competitivo do que o belga, por exemplo.

  • Rita Patron

    Setti, ótimo artigo. Morei na Catalunya muitos anos. Fui para cursar o Doutorado e por oportunidades de crescimento profissional, acabei ficando. Conheci meu marido, e tenho um enorme carinho pela minha segunda terra. Os catalães são pessoas maravilhosas e como eles mesmo dizem “amigos de toda la vida”. Me preocupa demais os rumos desta eleição no domingo. Arthur Mas (discordo um pouco de você) sempre foi extremista, e vejo que agora há colocado sua verdadeira personalidade a frente em sua campanha. Em certos momentos chega a comparar a independência da Catalunya à queda do muro de Berlim (?!)
    Enfim, a situaçõa já está bastante complexa. Espero e confio que não piore. Abraços.

  • João Moreira

    Pelos vistos isto está infestado de franquistas, um deles confessa-se, e deve ter sido ele que deve ter metido se não todos, a maioria dos comentários.

    Em relação á economia da Catalunha, o PIB é maior do que a Croácia, Eslovénia, e está ao nivel da Belgica, Portugal ou Dinamarca.

    Dos 20 paises mais desenvolvidos do mundo, 12 têm menos de 8 milhões de habitantes, sensivelmente a população da Catalunha.

    A Catalunha é óbcvio que é uma nação, tem uma história milenar, uma lingua e uma cultura própria.

    No passado já houve diversas guerras e proclamações da Republica Catala, a ultima me 1936 que deu origem à guerra civil espanhola.

    Ou seja, já um histórico de conflitos que demosntra de forma bem visivel que a catalunha é algo á parte na Espanha, não é uma anadaluzia, ou uma galiza.

    Desde 2009 que tem sid feitos dezenas de referendos sobre a indepdencia na catalunha, todos com votações massivas na indepdencia, alguns na aordem dos 90 %.

    O Mas vai ganhar, e possivelmente vai chegar á maioria absoluta.

    E depois convoca um referendo geral na catalunha, que com toda a certeza vai ter uma votação massiva no sim, cerca de 70 %.

    Se na Escócia vai ser feito, na Catalunha não pode ser feito porque?

    Porque os falangistas do PP não lhes agrada a decapitação do império colonial castelhano?

    Ou então vão invadir a Catalunha, é isso?

    Só pode ser piada.

    O Mas vai ganhar as eleições, só falta saber se com ou sem maioria absoluta, faz o referndo que irá ter com certeza votações massivas no sim, e depois manda tudo para Bruxelas.

    Bruxelas, está obviamente a fazer jogo duplo para não assustar os madrilenos, mas na verdade apoia a indepdencia da catalunha.

    Tanto é que o senhor Von Rompuy já decretou o fimd as nações europeias.

    Eu como Português obviamente não gosto de espanhóis/castelhanos, e eu e a maioria dos Portugueses apoiam totalmente a indepdencia da Catalunha, e espero que não fique apenas pela catalunha, que os Bascos sigam o mesmo caminho.

    A Espanha é um pais condenado e com os dias contados.

    Caro João, obrigado por seu comentário. Só um ou outro reparo: não foi a proclamação de uma república catalã que deu origem à Guerra Civil (1936-1939). E os referendos que foram feitos na Catalunha, vários dos quais eu assisti, foram todos informais, feitos por organizações nacionalistas, em quase todos os casos em cidades pequenas e, que me lembre, a participação maior que se conseguiu foi pouco superior a 20% dos eleitores.

    Na Escócia haverá referendo porque o governo escocês admitiu que só quem tem autoridade para convocar ou permitir a convocação de referendos é o Parlamento do Reino Unido, e o Parlamento aprovou o referendo. A situação jurídica no Reino Unido é muito diferente da reinante na Espanha.

    Mas, claro, não se trata apenas de um problema jurídico, e, sim, de um problema, e grande, político.

    Vamos ver como se encaminhará isso. Divirjo de suas observações sobre a União Europeia pelas razões expostas no post.

    Um abraço

  • Angelo Losguardi

    “Infelizmente, noto pela nossa ferramenta de trabalho que o post, com o trabalho que deu, é pouco acessado.”
    .
    Setti, não confundir pouco comentário com pouco acesso. O post está disponível na íntegra na home do blog. Tenho certeza que boa parte das pessoas gosta e se interessa pelo tema, mas não sabe muito do assunto e por isso não acessam o link do post em específico (mas o leem na home do blog), afinal não desejam fazer comentários. Eu acesso pra comentar (e ler comentários!) porque sou um enxerido mesmo rsrsrs

    Caro Angelo, é claro que não confundo as coisas. Há posts com pouquíssimos comentários, porque em muitos casos não encerram polêmica, mas com 20, 30, 40 mil acessos!

    A ferramenta permite enxergar várias coisas, inclusive, claro, os acessos. E o que digo é verdade. Mas meu objetivo é cumprir minha obrigação.

    Se mais leitores não acessaram, é porque o tema não lhes parece importante, ou não interessa, e preciso respeitar isso, não é?

    E gosto de leitores enxeridos. Seja sempre benvindo!

    Abração

  • FM

    Essa independência vista pelo noticiário e mais pormenorizado no seu brilhante artigo e tirando minhas conclusões é uma loucura que espero pelo bem da Espanha, em que já estive, e da Catalunha não se concretize. Esse tal de Mas parece mais um oportunista que está se aproveitando das dificuldades do povo catalão, que é a dificuldade que todo povo espanhol atravessa para atingir seus objetivos eleitorais. O separatismo é apenas uma bandeira fácil de ser desflaudada no momento. Será que algum adversário do Sr. Mas já pediu a ele para detalhar o que vai fazer com a Catalunha independente e com seus vários problemas? Ou será que na cabeça dele separou sumiram-se os problemas? Setti, aquele seu “Se São Paulo fizesse essas contas no Brasil…” é de tirar o sono de qualquer Dilma.

  • Carlos

    Excelente artigo Setti, parabéns!
    Outros meios de comunicação que trataram do tema não foram tão profundos. Inclusive aquela página de esquerda Opera Mundi fez um texto apoiando o movimento separatista, você viu?
    Um abraço,
    Carlos

    Obrigado, prezado Carlos. Não vi material da Opera Mundi, não. Estou no momento em Barcelona por razões familiares e preferi ler material daqui, conversar com pessoas e assistir a debates e comícios.

    Um abração

  • elmano nao mamae!!!

    Soy brasileiro y español..vivo aqui desde 15 anos..vim estudar y mi formei..mi deram oportunidades e soube aproveitar…agora passamos momentos dificies , mais estou seguro que um futuro bastante promissor nos esperar..mais agora é tempo de apertar os dentes e esperar o tempo ruim passar..agora mesmo mi encontro na alemanha fazendo um doutorado e trabalhando(é otimo ter mobilidade acdemica e proficional dentro da europa)..espero que a tranquilidade economica volte rapido e possa disfrutar do sol e da comida española..há..como em todo lugar existe gente aspera e mau educada e españa nao é excessao , MAIS GOSTARIA DIZER que todo brasileiro de BEM(nao aqueles que querem se dar bem encima dos outros.espertalhoes) sao bem tratados ..o povo español quando percebe que vc é realmente uma pessoa de bem, abrem as portas..amo esse pais que mi deu oportunidades e amo o meu brasil( espero que a violencia e a desigualdade social vá diminuindo pois queria gastar meu euros da aposentaria la no meu Brasil..saludos a los brasileños de bien.perseverante , honestos y que no tengan sindrome de iferioridad(un mal que ocurre muy amenudo con muchos comptariotas)..tchau..la crises pasará y los fuertes seran mas fuertes, los debiles si quedaran..fuerza España!!!animmo!!!

  • André Lima Pujol

    Caro Setti, sou descendente de catalães e viajo com alguma frequência à Catalunha. Parabéns pelo seu muito bem informado e equilibrado artigo sobre as eleições de hoje.

    Obrigado, caro André.
    Um abração!

  • Demócrito Antunes

    Parabéns ao Setti por nos proporcionar tantas informações interessantes e bem concatenadas sobre essa questão da Catalunha na Espanha, de que se ouve falar tanto no Brasil mas que nunca se explica direito.

    Obrigado, caro Demócrito. Procuro fazer o melhor que posso minha “lição de casa”.

    Um abração!

  • moacir

    Prezado Setti,
    Excelente artigo.Interessante essa revisitação de posts passados que a gente está fazendo
    ,por conta das suas merecidas férias.
    Apesar de nos ter mostrado uma situação de todos os seus ângulos,a mim parece,que você ao questionar
    com o SERÁ? final a afirmação de que a indepedência da Catalunha era já um movimento irreversível,profetizou o domingo seguinte.
    Embora me tenha sido difícil interpretar os votos
    dos catalães naquela eleição antecipada,uma coisa
    ficou clara.Ao negar a Artur Mas a maioria de que ele precisava para seu voo libertário,o povo da Catalunha disse alto e bom som, que quer ser
    independente sim, mas nunca fora da União Européia.E,logo,da Espanha.
    Inimaginável um cidadão catalão reformado e sem
    aposentadoria,ser ainda privado de na Primeira Liga
    e na Champions League assistir a todos aqueles gols do Messi,não é mesmo?
    Também me faço essas questões, Moacir.
    Abraço e obrigado pelo comentário.

  • Reynaldo Rocha

    Obrigado por resgatar este post que é uma aula de história!
    E nos fazer entender melhor esta terra que só perde para a beleza, nas suas estranhezas e deste orgulho que se sentem com um dado cultural irremovível, encada catalão, basco ou madrilenho.
    ABRAÇOS, MESTRE!

    Meu amigo querido, meu irmão íntimo, como diria o Nelson Rodrigues, desculpe pelo enorme, absurdo atraso na resposta. Pequenas viagens e outras questões me afastaram da visita diária a este espaço, que pretendo ampliar sempre.
    Obrigado, obrigadíssimo.
    Um abraço

  • Reynaldo Rocha

    7,
    é assustador que um sentimento (que poderia até ser entendido como quixotesco, e portanto tendo a crer sempre como de valor) transforma a razão em mera especulação demagógica. Para além de um “orgulho”, nenhum dos argumentos políticos e/ou econômicos me impressionam – por falhos – nesta postura de suposta independência. Parece-me mais um movimento calcado somente em interesses políticos menores que se aproveita de um sentimento de orgulho (cantado em prosa e verso) que ofusca as colocações factuais e as consequências evidentes. Por que não a independência basca, em terras de Espanha e França? Idem a colonização alemã, próxima a Luxemburgo e Áustria? Seriam os catalães vítimas como os curdos? O que ganham com esta divisão que quer ser além de uma posição política de autonomia? Não sei. Torço pela Espanha. E pela Catalunha fazendo parte da mesma, que aprendi a amar. Abraços.

    O nacionalismo catalão em plena democracia na Espanha foi transformado aos poucos em independentismo, meu querido amigo Reynaldo, após décadas de um trabalho político intenso por parte dos governos nacionalistas (quase todos de centro-direita), que inventaram algo chamado “imersão linguística” no idioma catalão e montaram uma colossal máquina de propaganda minuciosamente destinada a demonizar o “Estado espanhol” (um bom independentista não se refere nunca a um país chamado “Espanha” por todos os demais do planeta) e criar a absurda imagem de que os catalães são tratados como “servos” ou “súditos”.
    Ao longo das décadas, esses nacionalistas de centro-direita apoiaram TODOS os governos de Madrid — desde os do do grande “presidente de gobierno” socialista Felipe González, que governou por 4 mandatos depois de vencer 4 eleições consecutivas, ao ferrabraz de direita José María Aznar, que governou por oito anos.
    Utilizaram, os nacionalistas, a técnica dos partidos religiosos em Israel: em troca de seus votos para aprovar medidas em Madrid — volta e meia necessários –, exigiam concessões nacionalistóides em troca. E assim foi.
    Vive-se, aqui, um teatro do absurdo.
    Uma nacionalista exaltada, que escreve coluna diária em grande jornal e não sai da telinha da TV pública — completamente dominada pelo independentismo às custas do dinheiro dos contribuintes –, chegou ao cúmulo do absurdo de dizer que a Catalunha é uma “colônia” da Espanha.
    Eles, os independentistas, falam em querer ser “livres” como se vivessem na Albânia comunista ou na Coreia do Norte, quando a Catalunha desfruta de um teor de autonomia, como governo, 50 vezes superior a um Estado brasileiro e, em matéria de liberdades públicas, é de fazer inveja à Inglaterra.
    Conte uma mentira um milhão de vezes, tendo TV com 5 canais e emissoras de rádio públicas e uma imprensa local muito sensível, digamos assim, a recursos das arcas governamentais, e você terá parte do quadro.
    Agora, o camarada que inventou uma “folha de rota” para a independência, o atual “president” da Catalunha, Artur Mas — membro da alta burguesia catalã que se uniu a radicais de esquerda e comunistas da velha guarda para formar uma chapa “de unidade” às eleições do próximo dia 27 –, assegura que tendo uma maioria DE DEPUTADOS no Parlamento local (são 150) irá em frente, mesmo que PERCA em votos.
    E isso em eleições que ele rotulou de plebiscitárias!
    Parece que estou sonhando e que, por detrás de ternos bem cortados e dentro edifícios seculares, há gente do Maduro por aqui!
    Eta mundo!
    Abraço

  • Thales

    Olá Ricardo Setti, era leitor do seu blog na Veja.com e, a partir de agora, o serei neste endereço eletrônico! Parabéns pela iniciativa de se dedicar mais a família, um ato de coragem, diria. E ainda não saiu da sua vida profissional, o que me deixou contente!!
    Sobre a questão catalã, adorei o texto. Sou descendente de espanhóis (galegos) e tive o prazer de conhecer Barcelona ano passado, onde também moram alguns primos e tias avós. eu nunca concordei com o separatismo e sempre achei delicado inflar ânimos de uma população supostamente oprimida contra um governo central supostamente injusto e opressor. Afinal, quais os critérios para mensurar até que ponto a Catalunha ajuda a Espanha e vice-versa? O argumento do imposto é muito reducionista, afinal, pertencer a Espanha dá aos catações o direito de serem cidadãos europeus (como foi dito), de ter uma força armada pronta para defender suas fronteiras, representação em órgãos internacionais que, possivelmente, a Catalunha sozinha não teria tanta força política, afinal, é uma fração do PIB e população espanhola. Neste sentido, como se projetar politicamente na América Latina? Uma área de influência espanhola. Enfim, entristeço-me em ver uma população razoavelmente esclarecida se deixar levar por sentimentos até então adormecidos através de políticos que em nada se aproximam de estadistas, mas de charlatões.
    Abraços

  • Marbene Masculino Bueno

    Olá,
    Fiquei particularmente confuso durante todo o dia de hoje lendo notícias sobre o número crescente de pessoas fortemente agredidas pelas forças de segurança espanhola.
    Nada de muito profundo veio a tona explicar-me o que de fato significava, tanto as reivindicações, como tbm as agressões. O que de fato está ocorrendo, porque tanta violência, esta tentativa de separação, este plebiscito, numa Espanha democrática?
    Até a leitura deste post sensacional, eu nada pude saber pelos outros meios de comunicação a que tenho acesso. Obrigado pelas excelentes informações. Estou mais tranquilo agora, sinto-me integrado ao mundo novamente. Valeu Setti.

    Muito obrigado por seu comentário, caro Marbene.
    Como o texto é de 2012, naturalmente vários dos protagonistas são outros.
    Mas alguns dos principais fundamentos históricos estão nele.
    O que a imprensa em geral não está registrando é que o plebiscito foi declarado inconstitucional e proibido pelo Tribunal Constitucional.
    E que a polícia, embora infelizmente com violência excessiva aqui e ali, agiu em todos os casos cumprindo mandado judicial.
    Um abraço e volte em breve, pois o site está ainda em preparação mas logo estará realmente no ar.

    • Marbene Araújo Bueno

      Olá Setti, bom dia.

      Ontem foi dia de muito trabalho para este modesto motorista, por isso, somente agora tive a honra de ler sua resposta em atenção ao meu comentário repleto de dúvidas, publicado no domingo último.

      Tudo devidamente explicado e compreendido, posso agora olhar pra frente.

      Agradeço-lhe imensamente pela oportunidade. Grande abraço, Marbene.

      Quem agradece sou eu, caro Marbene.
      Um grande abraço