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Griñán, socialista, chegando para votar em Sevilha: não ganhou, mas continua no governo (Foto: vegamediapress.es)

Amigos, republico este post porque foi ao ar na segunda, 26, com erros de informação, principalmente o de que o Partido Popular, conservador, governa 16 das 17 comunidades autônomas da Espanha. Na verdade, governa 15 — a Andaluzia, objeto do post, e o País Basco são governadas pelos socialistas.

Desculpem o erro. Quem tiver paciência, pode ler novamente o post — correto.

Consideradas as circunstâncias, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), massacrado nas eleições gerais de 20 de novembro, que colocaram no poder o conservador Partido Popular, operou um milagre nas importantes eleições deste domingo, 25, na Andaluzia, uma das duas únicas comunidades autônomas (equivalente a um Estado norte-americano) que ainda governava, entre as 17 da Espanha (a outra é o País Basco): perdeu 9 cadeiras no Parlamento andaluz, mas, com 47 deputados – contra 50 do agora majoritário PP –, deve manter-se no governo em aliança com a Esquerda Unida, que dobrou sua representação e alcançou 12 postos.

Com 8,5 milhões de habitantes dos 47 milhões que compõem a Espanha, a Andaluzia é a comunidade mais populosa do país e sempre foi um fortíssimo baluarte dos socialistas, que governam o território há 30 anos. Para o PP, que jogou todas as suas forças na campanha, era uma questão de honra “passar o rodo” também ali, e deter um poder inigualado por outro partido político nos 35 anos de democracia: não apenas governa, sozinho ou em coalizão, 15 das 17 comunidades espanholas, como também as cidades autônomas de Ceuta e Melilla, encravadas em território do Marrocos, bem como as três das quatro maiores cidades do país – Madri, Valência e Sevilha.

Por que milagre para o PSOE? Porque o presidente da região (equivalente a governador), José Antonio Griñán, tinha todas as pesquisas de opinião pública prognosticando derrota feia, sua região tem a espantosa taxa de desemprego de 30% — bem acima do já péssimo percentual geral da Espanha, de 22,8% — e seu governo enfrenta o maior escândalo de roubalheira de dinheiro público de que se tem notícia no país: 1 bilhão de euros (2,4 bilhões de reais) desviados dos fundos de auxílio aos desempregados. Griñán não está pessoalmente envolvido, mas clama aos céus que, em sua posição, não estivesse a par de nada.

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González (à esquerda), com o secretário-geral do PSOE, Alfredo Pérez Rubalcaba, e Griñán, em Córdoba: “deter a onda reacionária” (Foto: estrelladigital.es)

Para o resultado eleitoral, provavelmente contribuiu uma espetacular entrada em cena do ex-primeiro-ministro (“presidente de governo”, como se denomina o cargo na Espanha) Felipe González, o grande modernizador do país, vencedor de quatro eleições consecutivas e que governou por 14 anos.

Embora tenha deixado o poder em 1996 com sua administração desgastada por acusações de abuso de poder e de corrupção, ele nunca foi pessoalmente incriminado. Aos 69 anos, em boa forma, e ainda por cima andaluz, de Sevilha, continua sendo a grande referência dos socialistas e se reserva para entrar em cena apenas em momentos decisivos.

Ele o fez na reta final da campanha, conclamando os andaluzes a deter “a onda reacionária” que varre o país e fazendo um candente discurso no comício de encerramento da campanha de Griñán, em Córdoba.

O resultado é que, ao anunciar a vitória do PP nas eleições – afinal, o partido conseguiu a maior bancada –, a secretária-geral do partido, Maria Dolores de Cospedal, exibia um ar fúnebre. Tecnicamente derrotado, Griñán e os principais líderes socialistas exultavam.

Tanto González como outros dirigentes de esquerda apresentaram a o resultado como efeito do “desgaste” do governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy, que submete o país a um duro regime de austeridade para sair da crise. É um evidente exagero.

O oposto do que se passou na Andaluzia ocorreu em outra comunidade onde se realizaram eleições, o pequeno Principado de Astúrias, com pouco mais de 1 milhão de habitantes. Lá, o PSOE ganhou as eleições, mas não levou. O socialista Javier Fernández sorria amarelo depois de obter a maior bancada no parlamento, uma vez que o presidente do governo, Francisco Álvarez Cascos, dirigente de um partido local centrista, vai aliar-se com o PP e terá maioria.

“Este foi o dia em que o PSOE respirou”, disse no fim da noite de ontem, na emissora pública de televisão TVE, o veterano analista Fernando Ónega. “O partido salvou os móveis na Andaluzia”.

É de fato um respiro para os socialistas, mas não abala o governo de Rajoy. O que o fará, se ele não conseguir colocar a Espanha nos eixos, será a crise.

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ari alves em 29 de março de 2012

Volto aqui do meu Rio Grande do Norte a saudar os bravos militares da reserva que estão se opondo ao comuno-lulo-petismo. Quanto à Espanha, Deus iluminou o eleitorado para que votasse na direita católica, contra a esquerda pró-comunista que desgraçava esse país e que já havia sido banida na Guerra Civil pelo saudoso generalíssimo Francisco Franco.

AFORTUNATTA em 27 de março de 2012

EM Andaluzia, onde vivo há anos, o clima de insatifaçao é geral!!Nao foi o governo de direito que causou este quadro lamentável . O governo socialista governa aqui há 30 anos !! A populaçao estava acostumada a viver de ajudas do governo socialista. Quem esta ajudando as familias desempregadas é a CARITAS , enquanto o governo socialista investe forte nas ajudas para o coletivo gay entre outras barbaridades !!!!

Marco em 26 de março de 2012

Amigo Setti: Voltando ao Relume Romano, Aposto! Aposto sim! q está perdido. Abs.

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