ELEIÇÕES NOS EUA: dois mapas mostram que Obama venceu nas áreas mais cosmopolitas e modernas do país

Densidade populacional dos Estados Unidos

Densidade populacional dos Estados Unidos

A eleição presidencial americana não foi folgada, nem apertada: o presidente democrata Barack Obama venceu com 64 milhões de votos, contra 59,9 milhões conferidos ao republicano Mitt Romney. Em percentual, 50,8% para Obama, 47,5% para Romney.

Mas veja os dois mapas: o de cima mostra a densidade populacional dos Estados Unidos, com as grandes concentrações de população e os grandes centros situados basicamente nas duas costas, a Leste e a Oeste, e na região Nordeste.

No mapa de baixo, as cores mais fortes indicam onde Obama obteve as maiores votações.

Fica evidente que o grande coração da América profunda, entre as duas costas, esteve maciçamente com Romney, e que o presidente venceu o adversário nas áreas mais cosmopolitas, modernas e dinâmicas. Não é preciso ser de esquerda, nem de direita nem de centro para constatar isso: basta comparar os dois mapas e verificar como as áreas escuras em ambos coincidem em grande percentagem.

Misturar mais esses claros e escuros é, portanto, o grande desafio para os republicanos nas eleições presidenciais futuras.

Percentual de votos de Barack Obama

Percentual de votos do presidente Barack Obama

 

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  • Rafael Kafka

    Só no seu universo paralelo os guetos democratas superam os luxuosos subúrbios da classe média republicana. Nos EUA, morar em cidades, ao invés de morar em subúrbios de luxo, é algo relegado aos muito pobres com raras exceções como Manhattan/New YOrk, Belair/LA, desde a crise da década de 70 que fez a classe média, média alta fugir para os subúrbios e exúrbios, a grande base republicana ao lado das áreas rurais.

  • rod

    Olhando para a divisão por Estados, vemos mais a vitória do vermelho republicano no interiorzão, ficando azuis as duas costas.
    Mas é engraçado nos EUA o título de “esquerda” dados aos democratas. Isso apenas porque os republicanos já foram colocados na caixinha da direita, restando a da esquerda aos adversários.
    Será que um dia vamos abandonar essa classificação?

  • Angelo Losguardi

    Oi Setti,
    .
    A constatação da distribuição eleitoral é óbvia e é a mesma que a sua, claro. A leitura que fazemos disso, contudo, são diversas. Seu artigo embute a sugestão de que o “cosmopolita e moderno” é em si alguém mais virtuoso que um americano oriundo da tal “América profunda”. É um ponto de vista, não necessariamente a “verdade”. Na tal América profunda temos muitos, mas muitos mesmo, americanos religiosos (que seguem os princípios do cristianismo), trabalhadores, honestos, respeitadores e profundamente democráticos. Sim, é gente que preza os valores da família, a tradição e não acha bonito a mania “moderna” de botar a sociedade sempre de pernas pro ar (na verdade isso é um projeto de Poder de certa elite, mas essa discussão fica pra outra hora). Por outro lado, na tal área cosmopolita temos (também!) pessoas de baixíssima cultura, alienados, manipulados pela mídia, drogados, desajustados, pessoas infelizes e com a vida em frangalhos.
    .
    Sim, sei que muita gente quando lê “América profunda” já pensa em um delegado de cidadezinha de filme de Rambo, mas o que eu quero dizer é tem que gente boa e nem tanto por toda a parte, e aqueles da “América profunda” que vivem os valores da América com sinceridade não são “hipócritas”, como reza o clichê de certa esquerda autoritária e arrogante, mas pessoas de valor.
    .
    Enfim… Esse mapa não quer dizer muita coisa pra quem eventualmente queira tirar disso uma tirada maniqueísta (vai ser no máximo uma forçada de barra). Mas ele é em si excelente para os políticos de lá entenderem e mapearem seu eleitorado.

  • Angelo Losguardi

    Corrigindo a segunda linha: “As leituras que fazemos disso(…).
    Perdoem esses erros de concordância, quando eu vejo que passou um já era (e o comentário não tem botão de EDIT).

  • moacir

    Setti,
    Vendo os mapas,recordei aquele e-mail que circulou
    pela rede -The Enlightened States of America,lembra?
    Embora o e-mail fosse politicamente incorreto,geograficamente não podemos contestá-lo.
    Por causa das atitudes Neanderthal dos Red States
    os iluminados estavam de partida,levando consigo
    além de New York,todos os Blue States.Ou seja California,Hawaii,Oregon,Washington,Minnesotta,Wisconsin,Michigan,Illinois e todo o resto do Nordeste.
    Obama também levou em todos os nove Swing States:Nevada,Colorado,Iowa,Ohio,Pensilvania,New Hampshire,Virginia e Florida.
    Você tem razão em afirmar que venceu a população mais moderna ,mais esclarecida.No e-mail os LEFTIES
    afirmam que levarão consigo Intel e Microsoft,Harvard ( Princeton,Penn,Haverford,Colgate e U of R ) toda a Ivy League e sete Sister Schools,plus Harvard,Yale,Stanford,Cal Tech & MIT.
    Foi importante o voto das mulheres,principalmente
    daquelas com diploma superior.Nesse sentido foi determinante o fato de que no discurso republicano
    a vida só é sagrada antes do nascimento,já que
    defendem a pena de morte e a venda e posse irrestrita de armas.
    O mapa nos mostra claramente onde estão os Red Necks:no interior,zonas rurais,pequenas cidades,parte do Sul.
    Acho fantástica essa coisa ( que só existe na democracia americana) de uma maioria de 60./. de WASP.
    não ser hegemônica.( O Reinaldo Azevedo recentemente acrescentou a sigla 2 novas letras: passou a ser WASPOM ( leia-se white,anglo-
    saxon,protestant,old machos )
    A America consegue dar voz a suas minorias.No discurso de vitória Obama,sintonizado com o canto das urnas,mencionou todas elas:black,hispanic,asian, native american,young,poor,able,disable ( a reforma da saúde )gay.
    O Wall Street Journal,um bastião conservador,depois
    da derrota chegou a publicar em editorial que o Partido Republicano não conseguiria sobreviver se continuasse tão diverso dessa nova cara do eleitor
    americano.
    Acho difícil essa mudança de DNA.Lefties a medida que amadurecem e enriquecem podem passar a votar
    republicanamente.Já os republicanos que conheço tem
    linhagens partidárias da época dos founding fathers.
    Os mapas são uma radiografia da atual demografia
    eleitoral.Que amanha pode ser outra,completamente diferente.
    Uma das boas coisas do povo americano é que conseguem ,facilmente,admitir que erraram e tomar um novo rumo.