O inesperado lançamento do dono da rede de televisão SBT, Silvio Santos, como candidato à Presidência na eleição de 1989 em outubro daquele ano abortou a realização de um debate entre os candidatos que iria ao ar pela emissora, com participação e co-patrocínio da Folha de S. Paulo e do Jornal do Brasil.

O convênio entre os três veículos já estava assinado desde o dia 18 de agosto, como mostra a foto acima, de Roberto Faustino, na qual, na sede da Folha, estão Otávio Frias Filho, diretor de Redação do jornal, eu, diretor regional do JB, e Albino Castro Filho, diretor de Jornalismo do SBT.

Muito corretamente, porém, o diretor de Redação do JB, Marcos Sá Corrêa, me telefonou tão logo a efêmera candidatura de Silvio foi lançada, em outubro, para dizer que o jornal não via sentido ético em co-promover um debate associado a um veículo cujo proprietário seria, ele próprio, aspirante à Presidência.

Para a empreitada, engendrada por políticos do PFL (hoje DEM) insatisfeitos com o fraco desempenho do candidato do partido, o ex-vice-presidente Aureliano Chaves, Silvio lançou mão de um partido nanico, o Partido Municipalista Brasileiro (PMB), cujo aspirante renunciou em circunstâncias pouco edificantes.

Choveram pedidos de impugnação à candidatura no Tribunal Superior Eleitoral  (TSE) até que a aventura terminou, com a corte detectado irregularidades no registro da agremiação em julgamento ocorrido literalmente em cima da hora — no dia 9 de novembro, quando a eleição seria dia 15.

Àquela altura, naturalmente, não havia mais tempo nem condições de se retomarem as negociações para um debate, mas a decisão de Marcos Sá Corrêa estava corretíssima.

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