Há dois anos, Dan Hagedorn, curador do Museu do Voo, em Seattle, no Estado norte-americano de Washington, avaliou o que restava do primeiro Boeing 747 construído, o RA-001 (ou simplesmente “número 1”), e concluiu que a restauração de uma peça como aquela seria algo inédito no mundo. Alguns meses depois, um ex-funcionário da Boeing chamado Dennis Dhein decidiu começar o trabalho.

Hoje, a diferença é gritante. O avião foi repintado e o equipamento em grande parte reparado, o que resultou em uma aeronave muito parecida com aquela que decolou em setembro de 1968 e foi aposentada só em abril de 1995. As informações são do jornalThe Seattle Times.

O trabalho é tocado por um grupo de voluntários, a maioria trabalhadores do ramo já aposentados, no próprio Museu do Voo, que fica em um aeroporto pertencente ao conglomerado industrial aeronáutico americano Boeing. No mesmo local são exibidosaeronaves clássicascomo bombardeiros B-17, as “Fortalezas Voadoras” celebrizadas pela II Guerra Mundial (1939-1945), e B-29, as “Superfortalezas Voadoras”, que chegaram a atuar no final da II Guerra e intensamente ao longo da Guerra da Coreia (1950-1953). Estão lá também o primeiro Air Force One (avião do presidente do Estados Unidos) a jato, o primeiro Boeing 787 e um Concorde supersônico.

Todo o esforço dos voluntários é dedicado à recuperação de um avião tão enorme e inovador para a época que rendeu à equipe de engenheiros responsável pelo projeto o apelido de “os incríveis”. A reconstrução do “número 1” ainda está longe do fim, tendo pelo menos outros dois anos pela frente. A lista a fazer é longa: substituir equipamento eletrônico na cabine, limpar as engrenagens internas, trocar pneus, consertar luzes de pouso, remendar o chão e as portas…

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Dennis Dhein, ex-funcionário da Boeing, troca equipamentos e faz reparos dentro da cabine © Foto: Mike Siegel/The Seattle Times

Apesar da utilização de novas tecnologias, o objetivo da restauração é a precisão histórica, preservando desde a escada em espiral para a cabine superior até os tecidos de época que cobriam os assentos. Essa ideia, no entanto, apresenta alguns desafios à equipe. As peças necessárias, por exemplo, são extremamente difíceis de localizar no mercado, e os planos originais de construção da aeronave não foram disponibilizados pela Boeing.

A solução: os engenheiros se voltaram a fotos antigas da cabine para copiar a disposição dos equipamentos, cujos equivalentes foram procurados nos lugares mais variados. Alguns pneus, por exemplo, foram doados por um funcionário de uma empresa que estava prestes a desmontar um 747 antigo.

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Antes de ser limpo e repintado, o RA-001 estava praticamente esquecido © Foto: Mike Siegel/The Seattle Times

Felizmente para a equipe de voluntários, nem tudo são provações nesse projeto. Atualmente, o Museu do Voo trabalha na construção de um teto para abrigar vários aviões em exposição, entre eles o Jumbo RA-001. Sem essa cobertura, o antigo avião revestido de alumínio não resistiria à chuva constante do estado de Washington.

Se tudo correr bem, em breve o público poderá ver o primeiro Boeing 747 restaurado à sua glória original — e até, galhardamente, voando.

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