Image
Peter Gabriel à frente da New Blood Orchestra (Foto: Daniel Setti)

Por Daniel Setti

Se somássemos as idades de todos os músicos participantes da segunda edição do festival de música/conscientização ambiental SWU (Start With U), que ocorre entre sábado e segunda-feira, a média ficaria fácil, fácil, nas casa dos 40 e poucos. Algo não muito convencional em se tratando de um evento associado ao rock, mas que não diminui – pelo contrário – sua capacidade de agradar.

E, entre os muitos veteranos escalados (de Lynyrd Skynyrd a Ultraje a Rigor, passando por Duran Duran e Faith No More), brilha a figura de Peter Gabriel. Aos 61 anos, o inglês da voz rouca e emotiva sobe ao palco hoje à noite acompanhado pela New Blood (mesmo nome de sua atual turnê), uma orquestra de 50 músicos comandados pelo preciso e performático maestro inglês Ben Foster.

À frente da trupe e de um impactante conjunto de telões, o ex-vocalista do Genesis reproduz o repertório de seu último disco, Scratch My Back (2010) inteiramente composto por canções de outros autores. Entre eles, David Bowie, Paul Simon, Bon Iver e Randy Newman.

Image
Vista dos telões; abaixo, a orquestra (Foto: Daniel Setti)

Música no Blog assistiu a este espetáculo em setembro do ano  passado no Palau Sant Jordi, em Barcelona, e recomenda. Tanto para eventuais novos fãs de Gabriel – as releituras do álbum de covers são em geral muito boas – quanto para antigos admiradores: na segunda metade do concerto, ele recupera composições de sua carreira solo (iniciada em 1977 com álbum homônimo), readaptadas para o mesmo formato orquestral.

Não devem faltar “Mercy Street” “Solsbury Hill”, “In Your Eyes” e “Don’t Give Up”, entre outras, mas não espere nada do período Genesis.

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

10 − 6 =

4 Comentários

JT em 14 de novembro de 2011

(Corrigido - favor desconsiderar o anterior) Estive no SWU ontem para conferir o show de Peter Gabriel. A despeito de seu talento como cantor e compositor, sua boa vontade em ler mensagens em português, além do excelente preparado da orquestra para se apresentar ao vivo, sou forçado a reconhecer que não foi uma boa experiência. Peter Gabriel e orquestra deveriam se apresentar num evento exclusivo, para um público direcionado. Mas a direção do SWU encaixou sua apresentação entre a banda pop Duran Duran e os sulistas do Lynard Skynard. Foi um tremendo choque de estilos. Fora que o som da tenda eletrônica vazava a todo momento, então no meio de acordes de violinos e sequencias de metais, você ouvia o som do baixo atuando como uma bate-estaca desagradável: TUMPS, TUMPS, TUMPS. Enquanto Peter Gabriel contava historinhas de índios americanos e seus amigos da África, vendedores ambulantes passam com suas caixas de isopor na cabeça, gritando “CERVEJA, REFRIGERANTE, ÁGUA GELADA”. Grotesco. O que desanimou, também, foi parte do público, vestindo camisas do Iron Maiden e Mettalica, obviamente fora do contexto, conversando ao seu lado o tempo todo. No meio de tudo isso, fiquei imaginando se pudesse prestigiar Peter Gabriel e sua orquestra num teatro fechado, ou mesmo num parque menor, para um público mais comportado e respeitador. Sobre o SWU, em linhas gerais, minha decepção é grande. Os poucos recipientes de lixo estavam vazios. Nunca vi tanto copo de plástico e papéis jogados no chão. Se as coisas devem começar com essa geração, então estamos perdidos: nosso mundo acaba mais rápido. Moro a poucas quadras do recinto e fui caminhando para casa. Aí a degração é maior: um cheiro de urina insuportável tomava conta do estacionamento do shopping center local. Gente maltrapilha dormindo sob as marquises e “zumbis” caminhando sem rumo nos faziam crer que estávamos num cenário pós-tragédia. Terrenos baldios eram usados como motéis ao ar livre. Vi até um casal fazendo sexo sem se importar com as pessoas passando por perto. Se eu tivesse uma boa câmera na mão, isso daria uma bela reportagem. Desculpe o depoimento pessimista, mas tenho que reconhecer que pelo menos a apresentação do Duran Duran foi melhor do que eu esperava. Os cinquentões que faziam frente para o U2 nos anos 80 ainda sabem segurar uma platéia no embalo: tudo muito bem produzido e executado, com imagens num telão que lembravam os famosos clipes da banda. Diversão fácil e mais adequada para a meninada que levei ao espetáculo. Sim, eu ganhei um convite para tomar conta de minha afilhada e sua amiga. Pessoalmente, eu não pagaria para constatar o que já imaginava que iria testemunhar. Caro Jean, obrigado. Mesmo sem câmera, como você disse, já trata-se de uma bela reportagem do evento. Concoro muito quanto à escalação equivocada de um show com orquestra e meio a um de pop dançante e outro de rock do Sul dos EUA da década de 1970. Um abraço, Daniel

JT em 14 de novembro de 2011

Estive no SWU ontem para conferir o show de Peter Gabriel. A despeito de seu talento como cantor e compositor, sua boa vontade em ler mensagens em português, além do excelente preparado da orquestra para se apresentar ao vivo, sou forçado a reconhecer que não foi uma boa experiência. Peter Gabriel deveriam se apresentar nume vento exclusivo, para um público direcionado. Mas a direção do SWU encaixou sua apresentação entre a banda pop Duran Duran e os sulistas do Lynard Skynard. Foi um tremendo choque de estilos. Fora que o som da tenda eletrônica vazada a todo momento, então no meio de acordes de violinos e sequencias de metais, você o som do baixo atuando como uma bate-estaca desagradável: TUMPS, TUMPS, TUMPS. Enquanto Peter Gabriel contava historinhas de índios americanos e amigos da África, vendedores ambulantes passam com suas caixas de isopor na cabeça, gritando "CERVEJA, REFRIGERANTE, ÁGUA GELADA". Grotesco. O que desanimou também foi parte do público, vestindo camisas do Iron Maiden e Mettalica, obviamente fora do contexto, conversando do seu lado o tempo todo. No meio de tudo isso, fiquei imaginando se pudesse prestigiar Peter Gabriel e sua orquestra num teatro fechado, ou mesmo num parque menor, para um público mais comportado. Sobre o SWU, em linhas gerais, minha decepção é geral. Os poucos recipientes de lixo estavam vazios. Nunca vi tanto copo de lástico e papéis jogados no chão. Se as coisas devem começar com essa geração, então estamos perdidos: o mundo acaba mais rápido. Moro a poucas quadras do recinto e fui caminhando para casa. Aí a degração é maior: um cheiro de urina insuportável tomava conta do estacionamento do shopping center local. Gente maltrapilha dormindo sob as marquises e "zumbis" caminhando sem rumo nos faziam crer que estávamos num cenário pós-tragédia. Terrenos baldios eram usados como moteis ao ar livre. Vi até um casal fazendo sexo sem se imnportar com as pessoas passando por perto. Se eu tivesse uma boa câmera na mão,isso daria uma bela reportagem... Desculpe o depoimento pessimista, mas tenho que reconhecer que pelo menos a apresentação do Duran Duran foi melhor do que eu esperava. Os cinquentões que faziam frente para o U2 nos anos 80 ainda sabem segurar uma platéia no embalo, tudo muito bem produzido com imagens num telão que lembravam os famosos clipes da banda. Diversão fácil e mais adequada para a meninada que levei ao espetáculo. Sim, eu ganhei um convite para tomar conta de minha afilhada e sua amiga. Pessoalmente, eu não pagaria para constatar o que já imaginava que iria testemunhar.

Marco em 13 de novembro de 2011

Amigo Setti: Daniel, a Globo vai transmitir , vou conferir. Abs. Ps: Rapaz como caiu a temperatura, aqui, vou ver se vou na Terça, na Marcha contra a corrupção, na esquina Democrática e aproveitar o último dia da feira do Livro q fica 100 mt da esquina, para comprar o livro q teu pai escreveu.

SergioD em 13 de novembro de 2011

Daniel, a saida do Peter Gabriel do Genesis na década de 1970 causou um acentuada queda de qualidade nas apresentações e, principalmente, nas composições da bamda. Phill Cpllins não canta 20% do que Gabriel canta e ainda direcionou a banda uma carreira com músicas eminentemente comerciais, de rápida assimilação. Ganharam mais dinheiro? Sim. mas para isso venderam a alma ao Deus Mercado. Grande anraço. Era mais interessante com o Gabriel mesmo, Sergio. Mas, em um destes casos curiosos da música, o Genesis só viraria uma máquina lucrativa mesmo com a sua saída. Um abraço, Daniel

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI