mussum-macale

Por Daniel Setti

Houve um tempo, muito antes das intermináveis polêmicas difundidas via Twitter, em que humoristas precisavam apenas de talento e, sobretudo, carisma, para conquistar as massas. Querem exemplos melhores que os saudosíssimos Antônio Carlos Bernardes Gomes, vulgo Mussum (1941-1994) e Moisés Bruno dos Santos Gregório, bem mais conhecido como Tião Macalé (1926-1993)?

Graças a seus clássicos bordões – Mussum terminando as palavras com a sílaba “is” e Tião Macalé lamentando-se com gritos de “nojento!” – a dupla sempre esteve entre as mais queridas da televisão brasileira. Para completar, ainda emprestavam, volta e meia, seus dotes musicais aos quadros que protagonizavam na época em que trabalhavam em Os Trapalhões.

Neste esquete do comecinho da década de 1980, eles se encontram em uma mesa de bar. Antes de sugerirem ao garçom (interpretado com a habitual genialidade por Renato Aragão) que deixe a conta para outro dia – a “pindureta” -, os dois travam uma espécie de duelo amistoso.

Sambista da pesada que integrou o grupo Originais do Samba, Mussum batuca trecho de “Lá no Morro”, faixa originalmente gravada pelo grupo Fundo de Quintal em 1980; Macalé (cuja morte completa 18 anos amanhã) responde com uma sensacional versão de “Jenny Jenny”, rock de 1957 gravado por Little Richard, ilustrando sua performance com a execução de um piano imaginário. Imperdível (o quadro inteiro).

DEIXE UM COMENTÁRIO

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezessete − 1 =

9 Comentários

Bravo em 31 de janeiro de 2012

Senhores, remixei a voz do Mussum sobre uma batida de samba. O resultado está aqui: http://www.youtube.com/watch?v=cspdkSxkz2U Espero que gostem! Abraços. Muito interessante, muito legal! Abração

Ricardo Zanella em 30 de outubro de 2011

Moisés Brundo dos Santos Gregório! Grande Tião!!

Anthony Kudsi Rodrigues Rodrigues em 27 de outubro de 2011

De nada Daniel Rossi,se precisar estou à disposição com material sobre a polêmica musical.

Anthony Kudsi Rodrigues Rodrigues em 27 de outubro de 2011

Maravilha esta leveza do humor carioca.Gostaria de sugerir ao "Musica no Blog" outro encontro de gigantes ocorrdo nos anos 30, mais precisamente entre 1933 e 1935, o famoso duelo musical entre Noel Rosa e Wilson Batista, de onde vieram músicas que se eternizaram como Palpite Infeliz,Feitiço da Vila e outras; duelo este para mim vencido por Wilson Batista. Nossa, espetacular dica! Obrigado, Anthony. Um abraço, Daniel

Natal em 26 de outubro de 2011

Essa realemnte foi "do forebis"... Saudade destes e de tantos outros humoristas natos!

Reynaldo-BH em 25 de outubro de 2011

Daniel e Ricardo. Existem dias que são de renascimento. Já tive um primeiro e foi assustador. Depois, me acostumei a saber que renascer não é nascer de novo. É continuar a vida a partir de um pequeno incidente. E que as manhãs nascem, depois o sol se põe. E torna a nascer. E nunca renascer. Que sejamos todos solares. Este vídeo talvez traduza melhor o que eu quero dizer e o que desejo. UM IMENSO ABRAÇO! Reynaldo. http://player.vimeo.com/video/27920977?title=0&%3bbyline=0&%3bportrait=0href= Uma maravilha, amigo Reynaldo. Além de totalmente adequado ao tema "renascimento". Deveríamos assistir diariamente. Abraço

Reynaldo-BH em 25 de outubro de 2011

Daniel, quando a gente vê isto e se recorda dos dois (geniais!), duas questões ficam claras. 1 - Hoje seria impossível ter na TV um quadro destes, Com bebidas, dois negros, etc. É o tal politicamente incorreto. Quando incorreto para mim, é mau humor! 2 - Não precisa apelar para a baixaria e depois exigir liberdade plena do uso do humor. Até concordo com isto. Quando há humor! Quem sabe uns e outros não poderiam ver estes quadros? Abraços Reynaldo. É verdade, Reynaldo. Devia até ter abordado este ponto no texto. Era um outro tipo de humor e que estava submetido a menos patrulha. Um abraço Daniel

Natal em 25 de outubro de 2011

Bons tempos esses em que Macalé dirigia seu impagável "ih, nojento" à algum deslise de seus companheiros de aventuras. Vivo fosse hoje, ficaria rouco de tanto gritar seu bordão para a corja que tomou de assalto os cofres do país. O fato é que talentos tantos já passaram para o andar de cima que a vida aqui ficou mais sem graça e só temos motivos para nos indignar!

Marco em 25 de outubro de 2011

Amigo Setti: Daniel, Formidável ! Abs.

VER + COMENTÁRIOS
TWITTER DO SETTI