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Os ministros Eliana Calmon e Cezar Peluso: presidente do STF foi visto como corporativista e trombou com a ministra (Fotos: veja.abril.com.br)

“Perguntei ao presidente Sarney, ele é meu amigo, se achava que a ministra Calmon tinha intenções políticas. Ele disse: ‘Se até pela cabeça do ministro Joaquim Barbosa passou isso, pode passar pela cabeça dela’. Mas ela disse que não.”

Este é um trecho da infeliz e deselegante entrevista-balanço concedida hoje pelo ministro Cezar Peluso, presidente do Supremo Tribunal Federal, na véspera de deixar o posto e também a presidência do Conselho Nacional de Justiça, da qual a ministra Eliana Calmon — a quem se refere no trecho acima — exerceu o posto de corregedora.

Ele insinua que a ministra Calmon, que deu duro na busca de maracutaias na magistratura, exercendo seu papel e dizendo o que pensava, tem ou poderia ter aspirações políticas.

E vejam só com quem ele foi se aconselhar a respeito: o “presidente Sarney”, que é seu “amigo”.

Será que é o melhor interlocutor?

Peluso não hesitou em criticar colegas, como se jogassem para a plateia — no caso do mensalão, por exemplo.

E cutucou a ministra Calmon, perguntando: “Que legado ela deixa?”

Parece a nós, simples mortais, que a ministra deixa um legado de firmeza, de transparência e de franqueza.

Não estranha que Peluso tenha trombado o tempo todo com a ministra: diferentemente de seu antecessor na presidência do Supremo e do Conselho Nacional de Justiça, Gilmar Mendes — que é ministro do Supremo oriundo do Ministério Público –, Peluso é juiz de carreira e, segundo conhecedores dos meios jurídicos de Brasília, confirmando o que previu em editorial o jornal O Estado de S. Paulo quando iniciou sua gestão, atuou de forma corporativa e apertou muito menos os magistrados fora da linha do que durante o período de Mendes.

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