Em conversa com Jô Soares, para a grande entrevista de Playboy (leia a íntegra aqui), em julho de 1986. Eu era então editor especial da revista, que deixaria no mês seguinte rumo a anos de felicidade no Jornal do Brasil. Voltaria a Playboy oito anos depois, como diretor.

Quem viu Jô na TV e no teatro falando sobre tudo não imagina como era difícil entrevistá-lo na época. Embora simpático com jornalistas, falava pouco, era esquivo e jamais abordava sua vida pessoal. Felizmente, minha maratona foi bem sucedida, provavelmente porque a entrevista começara a ser gravada por um grande amigo do ator e apresentador, Thomaz Souto Corrêa, vice-presidente da Editora Abril e chefe do meu então chefe.

Para continuá-la, pude acompanhar Jô (e tê-lo no gravador, nos intervalos) durante a feitura de um comercial para a TV, em SP, durante a gravação de seu programa “Viva o Gordo” no Teatro Fênix, da Rede Globo, no Rio, e, depois, conversar com ele até de madrugada na confortável casa que tinha em SP, perto do Parque do Ibirapuera (foto), hoje sede de uma agência bancária.

Jô acabou falando de tudo — de como criava seus personagens e preparava seus shows, de amor, das ex-mulheres, de sexo, de dinheiro… Quebrou dois tabus, contando pela primeira vez como se curou de um câncer gravíssimo e falando longamente sobre seu único filho, Rafael, o Rafinha, na época com 22 anos, que teve com a primeira mulher, a atriz Tereza Austregésilo, que era autista em grau elevado e morreu em 2014, no Rio.

A foto é de Cacalo Kfouri.

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