Carreira jornalística: como editor especial de Playboy, entrevistando o então ministro da Justiça da Nova República, Fernando Lyra, em seu apartamento em Brasília. A tarefa não me pareceu muito interessante quando dela me incumbiu o diretor de Redação, Mario Escobar de Andrade. Estávamos em novembro de 1985, a ditadura, que tanto havia censurado a revista, acabara há apenas oito meses com a posse de um presidente civil, e o que Mario realmente queria é que uma autoridade do porte de um ministro da Justiça referendasse abertamente Playboy como veículo sério, expondo-se a uma demorada entrevista.

Para minha surpresa, os três diferentes dias de conversa com Lyra tiveram um resultado riquíssimo, porque ele fora um dos coordenadores da vitória de Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, gozava da intimidade do presidente, com ele conviveu intensamente e acabou revelando um bom número de bastidores inéditos. Um deles: a conversa com Tancredo no Palácio das Mangabeiras, um dia depois da posse do futuro presidente como governador de Minas, em que sugeriu que ele partisse para a disputa no Colégio Eleitoral.

Foto: Orlando Brito

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