“Não existe no mundo alguém que tem o poderio que tem a Rede Globo no Brasil”.

“É uma provocação ao Estado, é uma provocação às instituições”.

São alguns dos comentários feitos por Lula sobre (e contra) a Rede Globo de Televisão a 8 de agosto de 1989, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, parte da série de entrevistas com os presidenciáveis daquele ano. À época comandando a filial do Jornal do Brasil em São Paulo, participei da bancada de jornalistas convidados, ao lado de Carlos Tramontina (TV Globo), Alex Solnik (Folha da Tarde), Fernando Mitre (TV Bandeirantes) e os finados Aloysio Biondi (Diário do Comércio e Indústria) e José Carlos Bardawil (Istoé/Senhor). A apresentação era do meu amigo Augusto Nunes.

Lula respondia a uma pergunta que fiz a respeito das declarações do então candidato Leonel Brizola, do PDT, sobre o que chamava impropriamente de “monopólio da Globo”, e contra o qual — dizia Brizola — ele tomaria providências no primeiro dia de governo, se eleito.

Ou seja, o petista já naquele tempo, queria “regular a mídia”, palavrório bonito para significar o controle bolivariano sobre a imprensa independente — tal como passou a querer o setor mais radical do PT depois que o partido chegou ao poder.

Também lhe perguntei, na abertura da entrevista, sobre o inchaço nas contas estatais que a gestão municipal petista de Luiza Erundida vinha promovendo à época para aceitar exigências salariais, mas ele não foi ao ponto da questão, preferindo apenas elogiar a capacidade da prefeita de negociar.

Ao longo do programa, Lula também respondeu sobre outros assuntos, como seu então pouco empolgante desempenho nas pesquisas de opinião. “Acho normal. Se você pensar que há dez anos para eu mal conseguia juntar dois trabalhadores para fazer uma reunião…”, disse.

Também separou a lista de candidatos à presidência em “mais ou menos progressistas” – incluindo Leonel Brizola, Mário Covas, Roberto Freire e ele próprio no bloco à esquerda – e  fez afirmações que o tempo, mais cedo ou mais tarde, provariam equivocadas, como “Collor não irá ao segundo turno” e “a bandeira da corrupção está com o PT; sempre esteve com a esquerda do país”.

(Assista à íntegra do programa aqui)

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