A sucursal do Jornal do Brasil em São Paulo, de que eu era diretor, teve um trabalho insano na cobertura da eleição presidencial de 1989 — a primeira eleição direta depois de quase 30 anos. Excluídos os candidatos nanicos, havia nada menos do que 11 políticos de peso disputando o cargo — sendo que 5 deles eram de São Paulo.

Lula, naturalmente, era um deles, e para entrevistá-lo me dirigi na tarde de 5 de julho de 1989 à sede do PT no bairro da Vila Mariana, na capital paulista, acompanhado do repórter de política Marco Antonio Damiani.

Era uma quarta-feira, e a entrevista, de página inteira, seria publicada no domingo seguinte, em uma seção que o diretor de Redação do jornal, Marcos Sá Corrêa, batizou de “Palanque”. (Não é por nada, não, mas algumas semanas depois a Rede Globo inventou um “Palanque Eletrônico” em que, a cada domingo à noite, entrevistava um dos principais candidatos à Presidência).

Damiani escreveu o texto e eu, cumprindo função de rotina, editei-o, acrescentando detalhes do ambiente e da conversa que não constavam do original.

O trabalho insano da sucursal incluiria cobrirmos um sexto candidato — justamente o favorito nas pesquisas de intenção de voto, Fernando Collor. E o encarregado da tarefa por Marcos Sá Corrêa fui eu.

Mas isto é uma outra história, que conto em outro lugar.

(SE QUISER LER A ENTREVISTA DE LULA, CLIQUE AQUI)

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1 comentário

Kitty em 25 de julho de 2015

É admirável a sua profícua trajetória, tendo a possibilidade de ter entrevistado personagens que gostemos ou não de alguns deles consolidaram os primeiros passos à plena democracia após 30 anos de ditadura. Nesse momento, acho que, inclusive Você, não acreditava que o Lula, o sindicalista, pudesse ser um dia o presidente do Brasil..!!! A vida de jornalista é muito interessante, dá a chance de conhecer personalidades importantes...!!!....Receba meus carinhos de sempre--Kitty Muito obrigado, querida Kitty, e desculpe a demora na resposta. Um grande abraço, o de sempre!

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