Amigos, está diminuindo a indignação dos “indignados” que saíram às ruas em mais de 50 cidades da Espanha. Ou pelo menos o número de “indignados” dispostos a se manifestar.

Em Madri, estão discutindo se ficam acampados na Puerta del Sol, coração da cidade e marco zero das rodovias nacionais na Espanha, até domingo. E decidiram instalar acampamentos nos bairros. Mas é visível o esvaziamento do turbilhão que eletrizava a capital do país.

Em Barcelona, segunda maior cidade da Espanha, onde, no sábado, vi e fotografei manifestação francamente de esquerda festiva de pelo menos 20 mil pessoas, agora há pouco havia apenas algumas centenas de “indignados”, quase todos jovens, muitos deles “alternativos”, na central Plaça Catalunya. (Leia meu post a respeito, com fotos).

O movimento, já bem desnatado, perdura em várias outras cidades, mas está evidentemente minguando — por excesso de causas, falta de foco e falta de lideranças carismáticas.

Quem imaginava ver um novo Maio de 1968 na França vai precisar esperar mais. O maio de 2011 na Espanha está murchando.

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6 Comentários

Paulo Bento Bandarra em 24 de maio de 2011

Quanto ao seu comentário lá de baixo, parece que o catolicismo deixa as pessoas esperando o papai noel do céu "dar" em vez de lutarem para construir a realidade.

Paulo Bento Bandarra em 24 de maio de 2011

Ou quem sabe não acharam pessoas com rendas dispostas a financiar seus sonhos pelo qual são incapazes de gerar renda para viabilizar. Este mundo é pródigo de pessoas que sabem desbaratar recursos a fundo perdido, mas escasso de pessoas que sabem gerar recursos para crescer.

JT em 24 de maio de 2011

Bom dia Setti! Como protestante, apreciei sua resposta ao comentarista Roger. Tanto que gostaria de vê-la elaborada como um post, numa ocasião mais propícia. Infelizmente, nos colégios e faculdades (que podem ser de Economia ou até Educação Física, não importa), os professores de esquerda recomendam a leitura de "O Capital" de Karl Marx, mas poucos citam a "Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo" de Max Weber. Penso que exista uma relação imediata entre religião e IDH. Vide os países da Europa Setentrional. Mesmo no Brasil, país de dimensão continental, a Região Sul se destaca pois nesta a presença dos protestantes é quase tão forte como a presença dos católicos - sem desmerecer os católicos, por favor!

Jotavê em 24 de maio de 2011

O movimento não teria mesmo como crescer. Faltavam-lhe objetivos claros e lideranças. Mas ele é um SINTOMA importantíssimo de um certo mal estar com a política. Não com este ou aquele partido, mas com a POLÍTICA CONTEMPORÂNEA. Na raiz de tudo, encontramos a impotência e a perda de autonomia da política frente ao poder econômico. Sem autonomia da política, não há SENTIDO na democracia. Para que eleger alguém, se de antemão eu sei que (i) essa pessoa está lá representando interesses de grandes corporações, e não dos eleitores; (ii) nada do que os representantes eleitos fizerem terá qualquer poder de mudança efetiva sobre os rumos da sociedade. O que os democratas precisam entender é que existe algo MAIS BÁSICO do que a própria democracia em jogo: o SENTIDO da atividade política no interior da sociedade. Falemos algo difícil, mas verdadeiro. Um chinês vive numa ditadura. APESAR disso, a política tem um sentido claro na China. O governo definitivamente FAZ A DIFERENÇA por lá. Num certo sentido, o cidadão chinês tem mais motivos para se entusiasmar com a política do que um cidadão europeu. Isso é TRÁGICO.

JT em 23 de maio de 2011

Na língua portuguesa existem sutilezas que os leitores menos atentos não percebem. A comparação entre Maio de 1968 e maio de 2011, por exemplo, é perfeita... A propósito das fotos da crônica sobre a esquerda festiva espanhola, meu caro Setti, você foi modesto. Na realidade elas ficaram ótimas: instantâneas e espontâneas. Bondade sua, caro Jean. Abração

Roger em 23 de maio de 2011

Os conservadores americanos estavam indignados e o resultado foi: Tea Party. Os estatistas adolescentes espanhóis ficaram indignados e o resultado foi: carnaval fora de época porque "alguém em que fazer alguma coisa"! Ao invés de entrarem no sistema político, de conquistarem os partidos por dentro eles resolveram dar birra na praça pra ver se os partidos implodiam. Nunca gostei da idéia, mas parece que essa cultura latina nossa é inferior mesmo... Ou talvez a mediterrânea, pois os gregos também adoram sonegar imposto e uma teta estatal. Os valões e os franco-suíços gostam tanto assim de intervenção estatal, Setti? Para mim, caro Roger, a geografia não é fator preponderante. E não acho que haja culturas "inferiores". A Espanha latina, por falar nela,deu um salto qualitativo depois da redemocratização que é quase inacreditável, e em todos os planos, principalmente nos costumes, nos valores, na tolerância às diferenças, no respeito à lei e às instituições. Para mim, o que diferencia muito uns países de outros é o catolicismo e sua ojeriza ancestral ao lucro. Para a moral protestante, simplificando muitíssimo uma questão muito mais complexa, a riqueza material é também uma bênção de Deus. O catolicismo queimava gente por usura há não muito tempo, não é? O capitalismo se deu muito melhor em países protestantes. E livre iniciativa e intervenção do Estado não são lá muito próximas, não é mesmo? Sim, há os escandinavos, que criaram um fantástico Welfare State, naturalmente via forte ação do Estado, principalmente via taxação. Mas as instituições funcionam muito melhor, os controles, sobretudo do Parlamento, mas também da sociedade e seus organismos, à ação do Estado são muito maiores e mais eficazes e por aí vai. Abraços

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