Sem grande estardalhaço e sem lançar mão de adjetivação, no meio de um longo texto de balanço e análise sobre as eleições regionais e municipais da Espanha realizadas domingo, 22, com vitória esmagadora da “direita” — os conservadores do Partido Popular (PP) –, o jornalista José Manuel Romero, de El País, o principal jornal espanhol, disse tudo em poucas linhas sobre o contraste entre o movimento dos “indignados” e os resultados eleitorais.

Confira a ironia da situação:

“A irrupção no auge da campanha eleitoral do movimento Democracia Real Já como uma manifestação multitudinária em Madri, com pessoas acampadas há uma semana na Puerta del Sol e em praças centrais de dezenas de cidades espanholas e do exterior, desencadeou todo tipo de teorias sobre seu efeito no dia 22 de maio.

Alguns previram que o protesto de centenas de milhares de pessoas em toda a Espanha causaria um aumento da abstenção como consequência da mensagem que as concentrações populares lançavam contra os partidos majoritários – que, nas eleições locais e regionais, concentram mais de 70% dos votos – e contra o sistema eleitoral.

No entanto, a participação [dos eleitores no pleito] se manteve estável em toda a Espanha, com um aumento de quase 1 ponto percentual. O partido que arrasou (…) nas eleições, o PP, é, entre todos os que existem no arco parlamentar [espanhol], o mais distante das reivindicações dos jovens que protagonizaram 7 dias de rebelião pacífica para pedir mudanças legais e políticas na Espanha.”

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1 comentário

D'stattua da Liberdade D'luminismo em 24 de maio de 2011

Caríssimo Ricardo Setti, aproveitando essa infinidade de Matérias aqui e acolá entre os da situação e os do outro lado da situação, venho só a lembrar outros templos, inclusive 1968... hoje com os áres da Península Ibérica. Engraçado, meu pai fora policial e para ele todo mundo era esquerdista e comunista, quando discordava da situação ou de quem estaria em cada momento abusando do Poder. Agora, pelo visto é contrário todo mundo é de direita... Mas em 1748 em do Espírito das Leis, em certo momento da Obra o Autor pede, diz Montesquieu com suas mais de duas (2) mil citações, evidentemente rogou perdão por tantas citações: "Me afaste da direita e da esquerda, e consiga esclarecer-me

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