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Manifestação em Madri pede um referendo para decidir entre manter a monarquia constitucional ou instalar uma república. Perto de outras, gigantescas, as atuais manifestações são pequenas — e um percentual minúsculo dos espanhóis considera a monarquia como um dos principais problemas do país (Foto: Jose Luis Roca)

Milhares de pessoas têm saído às ruas da Espanha após a abdicação do Rei Juan Carlos em favor de seu filho, o príncipe Felipe, pedindo o fim da monarquia e a instauração de uma república, por meio de um referendo.

Manifestações já aconteceram em meia centena de cidades, e ainda deverão continuar, muito provavelmente, até o próximo dia 18, quando o atual príncipe das Astúrias será proclamado como Rei Felipe VI pelas Cortes, o Parlamento espanhol, sua mulher, Letícia, como Rainha.

Tenho passado muito tempo na Espanha de uma década para cá, devido a questões familiares. Com base nisso, no muito que li, vi e ouvi em muitos anos farei agora uma previsão arriscada, mas que assumo, sobre o que vai acontecer: NADA.

Para começar, manifestações como as que vêm ocorrendo, de 10 ou 20 mil pessoas, significam muito pouco num país com um povo de longa trajetória combativa. O movimento dos “indignados” em 2011 — que era uma espécie de “contra tudo isso que aí está”, e passou por cima de partidos políticos e correntes ideológicas — mobilizou massas de milhões de pessoas em pelo menos duzentas cidades.

Por mais que a monarquia seja uma excrescência, uma excentricidade, algo inteiramente fora do tempo, a realidade é que vários dos países mais ricos e democráticos do mundo vivem sob uma monarquia constitucional: o Reino Unido, naturalmente, mas também a Holanda, a Suécia, a Noruega, a Dinamarca, a Bélgica, o Japão…

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A rendição do último sultão de Granada, Boabdil (à esq.), diante dos reis católicos Fernando e Isabel (Reprodução de quadro do pintor Francisco Pradilla)

No caso da Espanha, o país vive sob uma monarquia virtualmente desde que existe como tal — após a expulsão definitiva dos mouros da Península Ibérica, com a rendição do califa de Granada, Boabdil, às forças dos “reis católicos” Fernando e Isabel, a 2 de janeiro de 1492, e a formação do Reino de Espanha. Os interregnos republicanos foram mínimos ao longo desses 522 anos: a I República durou menos de dois anos (de fevereiro de 1873 a dezembro de 1874) e, após a abdicação do Rei Alfonso XIII, avô de  Juan Carlos, em abril de 1931, apenas até o final da Guerra Civil, em abril de 1939.

Antes de mais nada, cabe relembrar que o assunto não é, de forma alguma, prioridade para a sociedade espanhola — longe disso. As manifestações nas ruas, que já diminuíram de intensidade, não refletem a opinião pública. Sim, é verdade que a empresa especializada Metroscopia acaba de publicar uma pesquisa de opinião pública revelando que 62% dos espanhóis concordam em que deve haver uma consulta popular “em algum momento” sobre se o povo deseja continuar com a monarquia.

Mas outra sondagem recém-divulgada pelo respeitado Centro de Investigaciones Sociológicas (CIS) mostra que um percentual ínfimo dos cidadãos — miseráveis 0,2% — inclui a monarquia entre os principais problemas da Espanha, contra sonoros 80,8% que consideram a questão mais grave o desemprego, 35,5% a corrupção e 28,6% os problemas econômicos.

Cabem outras observações. As elites não desgostam da monarquia — pelo contrário. O Partido Popular, no poder desde dezembro de 2011, com folgadíssima maioria absoluta no Congresso de Deputados e no Senado, não é ao pé da letra monarquista, mas sente-se muito confortável com a Coroa. Tanto é que, esta semana, o presidente de governo Mariano Rajoy declarou que a monarquia espanhola tem um apoio “muito majoritário” da sociedade e o futuro rei, Felipe VI, “tem grande apoio popular”, advertindo ainda que quem pretender alterar o sistema político tem que “respeitar o império da lei”.

E aí, “respeitar o império da lei”, existe um paredão constitucional difícil de ultrapassar. O artigo 168 da Constituição da Espanha — aprovada, de forma inédita, por consenso em 1978, inclusive pelo hoje extinto Partido Comunista e pelos partidos nacionalistas regionais — prevê que qualquer alteração na forma de governo deve obter a aprovação de dois terços dos 350 deputados e dos 266 senadores, contra os usuais três quintos para reformar outros itens.

Mais: em tal caso, as Cortes — o Parlamento — serão imediatamente dissolvidas após a reforma, e o novo Parlamento eleito deverá novamente examinar a reforma aprovada, e igualmente dar seu “sim” por dois terços dos membros. Finalmente, o texto ainda precisaria ser submetido a um referendo popular.

Um sinal de tácita concordância com a monarquia está o fato de que as diversas leis orgânicas (equivalentes às nossas leis complementares, que exigem aprovação de metade mais um dos integrantes de cada Casa do Parlamento) necessárias a formalizar a abdicação do Rei, a ascensão de Felipe ao trono e o papel  institucional que caberá ou não à atual Rainha Sofia, sem contar se o ex-Rei manterá ou não a imunidade judicial de que ainda desfruta, deverão receber os votos não apenas do PP, mas dos socialistas e de outros grupos, chegando a 86% dos deputados — percentual que poderá subir para mais de 90% com a possível concordância até de parte dos nacionalistas catalães.

A maioria dos nacionalistas bascos, em surpreendente decisão, não vão votar contra — limitar-se-ão à abstenção.

O principal problema da monarquia foi ter vindo à força, tecnicamente restaurada pelo ditador Francisco Franco em 1969, muito depois da vitória fascista na Guerra Civil iniciada com um levante militar contra a República em julho de 1936. Naquele 1969, ele designou o jovem Juan Carlos seu sucessor com o título de “príncipe de Espanha”. O ditador fizera um acordo, anos antes, com o pai do príncipe, dom Juan de Borbón, adversário acérrimo da ditadura, de forma a orientar a educação do menino de 10 anos que nascera e até então vivia no exílio em Roma.

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Fevereiro de 1981: o Rei vai à TV condenar os golpistas e defender a Constituição e a democracia (Foto: publico.es)

Juan Carlos, junto a um pequeno grupo de garotos da elite espanhola, foi educado fora das escolas oficiais, em uma mansão isolada no interior do país, por preceptores designados por Franco, entre os quais, curiosamente, havia intelectuais liberais, alguns dos quais o auxiliariam, bem mais tarde, a restaurar a democracia.

Essa “origem maldita” foi devidamente limpa a partir do momento em que o Rei assumiu a chefia do Estado com a morte do ditador, em novembro de 1975. O jovem Rei herdou poderes absolutos, mas aos poucos foi se livrando da camisa de força que o franquismo impusera a ele — uma série de mecanismos o impedia de substituir figuras-chave do regime, a começar do chefe de governo, que ele constrangeu a renunciar dando uma entrevista sobre sua incompetência para a hoje extinta revista norte-americana Newsweek –, trouxe para chefiar o governo um ex-dirigente da TV pública de quem se aproximara, Adolfo Suárez, então com 42 anos, e com ele iniciou um processo de liberalização que incluiu a antes inimaginável auto-dissolução das Cortes franquistas.

Seguiram-se eleições diretas, liberdade de imprensa, liberdade sindical, volta dos exilados, uma Constituinte e uma Constituição muito avançada, aprovada inclusive pelo Partido Comunista e pelo Partido Socialista Operário Espanhol, à época bastante mais à esquerda do que é hoje.

Por consenso, resolveu-se manter a monarquia, agora com poderes limitados e em grande parte simbólicos — com exceção do comando supremo das Forças Armadas, que cabe ao Rei, cuja formação incluiu cursar e concluir as academias militares do Exército, da Marinha e da Força Aérea.

Posteriormente, a Carta viu-se aprovada por 87,8% dos votantes em referendo.

O intenso e discreto trabalho do Rei em favor da democracia viu-se coroado com sua firme atitude contra o golpe de Estado tentado por um grupo de militares e integrantes da Guarda Civil em fevereiro de 1981. Da mesma forma, a monarquia espanhola é frugal: a Casa Real espanhola custa algo como 8 milhões de euros por ano (pouco mais de 24 milhões de reais), contra 46,6 milhões da britânica, 40 milhões da holandesa, 28 da Noruega, 12 milhões na Dinamarca e Suécia.

Segundo informações da direção do PP, em comparação a Presidência da Itália gasta 228 milhões de euros anuais, a da França, 113 milhões, a da Alemanha 20 milhões e a de Portugal 16 milhões.

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O iate real “Fortuna”, de 41 metros de comprimento e 4 camarotes duplos: o Rei abriu mão de seu uso e ele está à venda (Foto: Casa Real)

O Rei não dispõe de um grande patrimônio pessoal, e nele não se inclui nenhum castelo ou palácio. O Palácio de la Zarzuela, residência oficial, é edifício público — o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, hóspede frequente, o descreveu certa vez como “semelhante a uma casa de fazenda do Brasil” –, e o espetacular Palácio Real, onde se realizam algumas cerimônias públicas, é um museu.

O belo e agradável palácio de Marivent, em Palma de Mallorca, onde a família real passa férias de verão, também integra o patrimônio do país.

O bem mais valioso do que poderia ser o patrimônio real, o iate Fortuna, que Juan Carlos ganhou de presente dos empresários das Ilhas Baleares por sempre passar em Mallorca, uma delas, suas férias de verão, o Rei transferiu para o patrimônio público, e ele terminou sendo entregue há dois anos à Fundação Turística e Cultural das Islas Baleares (Fundatur). Custou 18 milhões de euros e, rebatizado Foners, está à venda por 8 milhões.

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O príncipe Felipe, futuro Rei Felipe VI, com a mulher, Letizia, e as filhas Sofia (esq.) e Leonor (Foto: heraldo.es)

O papel do Rei e seu estilo relativamente modesto de vida levou muitos espanhóis — alguns dos quais das regiões fortemente nacionalistas Catalunha e País Basco — a se declararem, como tantas vezes ouvi, “não monarquista, mas juancarlista“. Seu prestígio desabou com o famoso episódio da caçada de elefantes na África, viagem durante a qual foi acompanhado por uma bela princesa alemã 30 anos mais jovem com o qual mantém uma relação próxima há alguns anos.

Por isso, caberá ao novo Rei conquistar a confiança dos espanhóis com sua atuação. Felipe tem condições para isso. É extremamente preparado: estudou na mesma escola de Madri frequentada hoje por suas duas filhas, Leonor e Sofia, fez o colegial no Canadá e, posteriormente, formou-se em Direito na Universidade Autônoma de Madri, realizou especializações em economia e obteve um mestrado em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetown, em Washington, nos Estados Unidos.

Ostenta um casamento harmonioso com a ex-jornalista Letícia Ortiz e jamais foi alvo de qualquer notícia constrangedora em sua vida adulta — sendo que a imprensa de fofocas da Espanha é uma das mais ativas e maldosas do planeta. Poliglota, desempenha missões especiais há anos e tem bom relacionamento com dirigentes de numerosos países.

“A monarquia sobreviverá enquanto continuar sendo útil aos cidadãos dos seus respectivos países”, escreveu o respeitado jornalista Juan Luis Cebrian, ex-fundador e hoje presidente da empresa de mídia que edita o jornal El País, o mais importante da Espanha, que acrescentou: “Se este é o critério pelo qual a gestão do rei Juan Carlos teria de ser medida, seria fácil conceder ao monarca um excepcional cum laude“. Cebrian vê no príncipe condições de obter o respeito dos cidadãos.

O próprio jornal escreveu, em editorial publicado hoje, que “a grande maioria dos cidadãos apoia a abdicação de don Juan Carlos, não crê que sua renúncia produza qualquer incerteza e o príncipe Felipe lhes merece uma avaliação superior à do Rei”. De fato, a mesma pesquisa da empresa Metroscopia revela que, numa escala de 1 a 10, o príncipe merece “muito respeito” em grau 7,3. O Rei, aparentemente recuperando a imagem depois da abdicação, alcança nota 6,9.

De sua parte, o jornalista basco Iñaki Gabilongo, um dos mais conhecidos da TV espanhola, afirmou em comentário que a ideia de República vai depender do desempenho do novo Rei, mas também, entre outras medidas, da capacidade dos republicanos de apagar uma imagem ainda muito presente no imaginário espanhol — a de que República, devido ao período de grande agitação política ocorrido entre 1931 e 1936, ainda está muito associada à esquerda revolucionária e a instabilidade.

Por tudo isso, o caminho da Espanha rumo a uma mudança de sistema de governo é longo, muito longo — e incerto.

A conferir.

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20 Comentários

L'Abbate-51 - São Paulo em 13 de junho de 2014

Após os pecados cometidos pelas famílias reais, Espanha + Reino-Unido cairão, através da Justiça-Divina-14. Até a Rainha-Malévola-13 está sendo vaiada...

Marcelo em 11 de junho de 2014

Há alguns anos conheci um padre irlandês radicado no Brasil. Questionei a ele o que achava da Monarquia Britânica. Para a minha surpresa ele disse que a Irlanda estaria muito pior se não fosse o papel aglutinador e de equilíbrio perpetuado pela figura da Rainha. Descreveu o quanto a Monarquia faz bem ao Reino Unido. Afirmou que é conversa mole esse papo de que a Rainha Elizabeth é mera figura decorativa e mencionou um caso ocorrido entre a então Ministra Tatcher e a monarca. Elizabeth II impediu por meio de sanção real um projeto de lei aprovado no Parlamento que privatizava a distribuição de leites na merenda escolar das escolas britânicas e deu um recado duro à Ministra: o leite das crianças vc não privatiza !!!

Sergio Costa em 11 de junho de 2014

Eu também achava que monarquias eram excrescências, mas hoje não tenho tanta certeza. Pense bem, é um certo absurdo a existência de uma família real, cheia de mordomias e sustentada pelos súditos. Mas veja o caso do Brasil: quantas "famílias reais" nós temos, considerando que todos os ex-presidentes mantêm seguranças, funcionários, gorda aposentadoria e um monte de mordomias, tudo às custas do povo, depois que deixam o cargo? Talvez saísse até mais barato ter só uma família real...

Leandro em 11 de junho de 2014

Enquanto um presidente pensa nas próximas eleições, um monarca pensa nas próximas gerações. A monarquia parlamentar constitucional é a solução do Brasil, para tirar do poder grupos partidários (atualmente só de esquerda) que só pensam em seus próprios interesses.

Marta em 10 de junho de 2014

Parabéns pelo artigo e pelos excelentes comentários dos leitores da coluna. Uma oportunidade para todos de conhecer melhor a monarquia espanhola.

Claudio Trarbach em 10 de junho de 2014

Parabéns pelo belo artigo sobre a monarquia espanhola.Seria bom comparar quando gasta a nossa presidência e as monarquias da Europa.Seguramente em valores a presidência da república do Brasil é mais perdulária.

Vhera em 10 de junho de 2014

Permita-me, meu caro Setti, uma divergência e uma constatação. A divergência é cabível, entendo, quando você afirma ser a monarquia uma excrescência . As monarquias atuais são representativas de tradição saudável e se consagraram como um dos principais alicerces da estabilidade democrática nos países que a conservaram. Outrora, nós a tivemos em mãos e deixamos escapar. Formada por pessoas de verve democrática, honradas e éticas, a nossa família real, sob o parlamentarismo, certamente ajudaria a dar um rumo político consistente ao país como ocorreu na Europa. Mas, não; a idiotice venceu e tivemos a bárbara coragem de substitui-la a benefício de uma republica presidencialista em cujas águas turvas e fétidas dificilmente se pode pescar algo decente. Dito isso, proclamo: vida longa às monarquias democráticas. Quanto à constatação, lendo a história da Espanha nos anos 30 com neutralidade, coisa que por estas plagas é inconcebível pelo viés, digo que no embate o povo espanhol saiu ganhando. De fato, na guerra civil espanhola o pau desce exclusivamente sobre Franco que, na realidade, não deixou de merecê-lo por ser um duro e feroz ditador. No entanto, o que havia do outro lado combatente? Seriam republicanos democratas? Seriam pessoas honestas, éticas, decentes? Pessoas que respeitavam a alternância de pensamento? Não, nada disso! Eram pessoas da pior espécie, podres e sanguinários comunistas, verdadeiros fantoches nas mãos de Dolores Ibarruri que, por sua vez, era porta-voz de Stalin, o ser mais desprezível da humanidade na primeira metade do século XX, ao lado de Hitler. Tivesse a corja comunista vencido, a Espanha, quiçá hoje, seria um país pária no mundo, convivendo com seus iguais de Cuba e Coréia do Norte. Portanto, reafirmo: no frigir dos ovos o povo espanhol parece dever algo a Franco, que sustentou o futuro rei Juan Carlos que, por sua vez, impediu com galhardia o golpe de estado patrocinado pela extrema direita em fevereiro de 1981, mostrando-se um devotado democrata. O resto é pequeno, muito pequeno.

Seilon em 10 de junho de 2014

Acho a monarquia parlamentarista o melhor sistema que existe.Eu gosto da ideia de que o chefe de estado seja uma pessoa sem ligações com partidos políticos e que tenha sido preparado a vida inteira para desempenhar este papel.E acho que,por não ser um político ligado a partido,o Rei é até mais respeitado e visto como um líder nacional pela população,e não apenas de um partido político,como acontece geralmente com Presidentes. E é boa essa informação que você trás dos custos que a Monarquia espanhola tem em comparação com custos de algumas Repúblicas.Serve pra acabar com esse preconceito de que Monarquia é naturalmente mais cara que a República.

José Figueiredo em 10 de junho de 2014

Setti: A Espanha tem uma história fascinante. A famosa altanería do espanhol é notável até na dança de Antônio Gades. Nem mesmo Napoleão conseguiu dobrar o povo espanhol. Do fim do século XIX até a instauração da ditadura de Franco, aquele país era ingovernável, os golpes de estado se sucediam, as rivalidades regionais ameaçavam a unidade do país. Embora seja uma criatura de Franco, o rei Juan Carlos mostrou-se um chefe de estado no senso lato da palavra, conseguiu manter a unidade da Espanha e restaurou a democracia plena. Diós salve el Rey.

geovani em 10 de junho de 2014

A monarquia espanhola esta muito bem que são essas pessoas q estão saindo na rua para manifestar são pequenos partidos políticos... Veja pq vc não mostra que nesse ultimo domingo varias pessoas foram na parada militar na Espanha e gritavam "viva a monarquia" saibam q a monarquia espanhola ou qualquer outra monarquia sai mas barato que essa república chamado Brasil... Viva o futuro rei Felipe.

Nico em 10 de junho de 2014

Ricardo, muito bom esse post; educativo e interessante - uma combinação difícil.

Eduardo em 10 de junho de 2014

Olá Setti. Creio que no seu texto ficou algo a esclarecer no tocante à "origem maldita" mencionada. O Rei Juan Carlos I foi nomeado como Chefe de Estado (não do Governo) em 22/11/1975, de acordo com a lei existente na época ("Ley de Sucesión en la Jefatura del Estado", de 1947)e depois da morte do ditador Franco (20/11/1975). Entre 20 e 22/11/1975 a chefatura do Estado esteve a cargo de um " Consejo de Regencia". O presidente do Governo então era o franquista Carlos Arias Navarro, que renunciou por motivos óbvios e, em julho de 1976, Juan Carlos nomeou a Adolfo Suárez, um advogado, como Presidente do Governo. Foi ele que reconduziu a Espanha à democracia, formulando com as diversas forças políticas a Constituição de 1978 que foi aprovada pelo Parlamento e referendada em maioria esmagadora pelo povo Espanhol. Que quero dizer com isso? Que a origem da monarquia espanhola em nada é "maldita", ao contrário, sua origem é muito anterior a Franco e nos 500 anos de existência do país "Espanha" o sistema monárquico só foi substituído em duas ocasiões: de 11/02/1873 a 29/12/1874 (1º República) e de 14/04/1931 a 1/04/1939 (2º República). Em outras palavras, com o fim da ditadura franquista (que durou quase 40 anos) havia a necessidade de se estabelecer um regime de chefatura do Estado e a forma monárquica, contida na lei de sucessão de 1947, era aquela na qual o povo espanhol estava mais acostumado em suas raízes e cultura. A Constituição espanhola de 1978 prevê um sistema democrático para sua reforma, ou seja, é possível alterar o regime de Chefatura de Estado da Monarquia para República, por exemplo. Mas tem que cumprir as previsões constitucionais e nessas previsões não consta fazer "referendum" assim do nada, mas somente depois de um devido processo legislativo daquilo que se quer alterar, ou seja, há que prevalecer o Estado Democrático de Direito. O que ocorre hoje em dia é uma movimentação de partidos minoritários de extrema esquerda e separatistas (País Vasco e Catalunha) que querem saltar a Cosntituição e fazer leis (República, separação de partes da Espanha, não pagamento da dívida externa, etc.) de acordo com o que uma pequena multidão (subvencionada por esses partidos e sindicatos) estacionada na frente da câmera de televisão está gritando. Espero ter contribuído e aproveito para enviar um abraço,

Javier Vidal em 10 de junho de 2014

Prezado Senhor Setti: Como Espanhol agradeço moito o seu esclarecedor artigo sobre a Monarquía Parlamentaria espanhola, que ha conseguido o maiores éxitos sociais , económicos e demócraticos e toda a nosa historia.E tampouco nao estaría de máis recordar que moitos Presidentes da Republica, como o Alemao Chris Wolf,que nin siquera se conhoçe na propia Alemania, tamen fican envoltos en vergonhosos casos de corrupçao, nao os seus filos, se nao eles mesmos.E que casos de Repúblicas corruptas temos moitos na Europa: Grecia, Portugal, Italia, França, Rumanía,Hungría, etc,etc.Por nao falar da República "Presidencialista" dos EEUU, exemplo funesto de corrupçao constante, como no caso do republicano Bush, que nunca foi julgado por nada, a pesar de ficar toda a sua familia e o seu equipo de goberno en casos de corrupçao enormes.Outras Repúblicas como Venezuela,Argentina,China ou Rusia sao exemplos consntantes de que a República, como forma de gobernó, tampouco e tai democrática e avanzada (de feito e máis antigua que a Monarquía parlamentaria) , nin moito menos, ademáis de ser moitissimo máis cara. Espanha ten un dos máis avanzados sistemas sociais no mundo, moi por diante de Repúblicas, como a francesa ou a Mexicana. Moito obrigado.

Rafael em 10 de junho de 2014

E gostosso ler um articolo tão bem imformado do que realmente acontece na Espanha. Somos muitos os que não saimos pelas ruas para gritar e tentar conseguir o que não são capaces de conseguir nas urnas. Otimo articolo. Parabens

Bernardo em 10 de junho de 2014

Além de ser menos onerosa para os cofres públicos, a monarquia constitucional é a melhor forma de parlamentarismo. No Brasil já funcionou com D. Pedro II, deposto por um golpe militar.

carlos nascimento em 10 de junho de 2014

Ricardo, Além da simbologia Institucional, qual o papel efetivo que a monarquia representa nas ações do Executivo, o Rei tem poder de influenciar nas decisões políticas de Governo, ou é igual ao reinado de Elizabeth II, que reina, mas não governa. A monarquia só se sustentará, se contribuir de forma inequívoca para o desenvolvimento cultural, educacional, e econômico, a credibilidade dos valores é a mola mestra, terão de restaurar de imediato esses conceitos, o Rei Juan Carlos pisou na casca da banana, por isso saltou fora, o povo não aceita padrão (9)dedos, lá é ou não aristocrático, não tem meio termo. Outra coisa que me chamou atenção em seu post, o custo da Presidência da Itália - 228 milhões de euros anuais - caracas, muita grana, por isso que o "Berlusconi" patrocinava tanto "bunga & bunga, e de troco ainda curtia o Milan.

Marco Felix em 10 de junho de 2014

Enquanto isso aqui, com tantos golpes, tudo começou em 1889 e os golpistas não tem fim e não há papudas para todos.

patricia m. em 09 de junho de 2014

Pegou muito mal tb a filha mais nova do Juan Carlos estar envolvida ate o pescoco no esquema de corrupcao do marido. Alias, nao deu em nada ne? Não deu em nada ainda, mas o processo continua. O envolvimento, mesmo, é do marido dela, Iñaki Urdangarín. O real papel de Cristina de Borbón ainda está sendo investigado.

Platão em 09 de junho de 2014

A função da Monarquia, além de trazer uma certa estabilidade política, é de manter a TRADIÇÃO E OS VALORES de um povo, de um país.

carlos antonio em 09 de junho de 2014

Sem contar com o risco de ver eleito um imbecil oportunista como aqui foi eleito em ****, menos mal que lá tanto o rei como um improvável presidente é chefe de estado , mas não é chefe de governo, portanto não vale mexer no que está funcionando muito bem. Um chefe de estado como o futuro rei Felipe, culto e inteligente, agregará muita qualidade à governança espanhola.

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